O futuro é nosso

Março 31, 2008

Depois de uma viagem pela Europa, ofereço um pack de DVD de lombada fina, por ser mais barato. Para o Telles ou quem raio esteja a preparar a nova época (estará alguém na proa a olhar para o horizonte ou estão todos no convés, a tirar a água aos baldes e a agarrarem-se aos bancos, literalmente).

Smolarek: não há dúvidas, o Eusebius seria o ideal para pôr ao lado do Simon. Ficava a faltar um Rudi Costas qualquer para a versão gralhada dos heróis avícolas…
Duscher: quando se fala do regresso de um antigo médio centro, que tal um que é muito melhor e até já foi campeão…
Conguito do Levante (o nome é irrelevante, é aquele de rastas e calções dos anos 80): em Portugal, no losango bentiano, faria miséria…
Baiano: um peso-pesado para substituir o levezinho. Até marcava mais. E podia jogar sozinho na frente. Está no Múrcia, senhores…
Saviola: ai que bom seria se houvesse alguém com tomates e arrojo naquela SAD. E dinheiro, claro, eheh…
Guardado: mais um long shot, mas muito bem sacado…
Um qualquer central italiano de uma equipa de meio da tabela: perguntem ao Paredes ou ao herói de Alkmaar… eles são muito bons, na generalidade. Veio de lá o Grimi…
Obina: o Inter compra e empresta. Para voltar a ter extremos…
Pedro Mendes: não me lixem, dominava um raio de 20 metros à volta dele em Portugal. Ó Scolari, nem uma chamadinha contra uma merda qualquer. Até o João Alves foi chamado, chefão!…

Dediquem-se um bocadinho, ó gente da linha… Mandem gente com olhinhos lá para fora e façam mini-project finances para cada jogador.


Obrigado Naval

Março 31, 2008

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Já era hora. Um joguinho de dia, com uma temperatura morninha, uma equipa macia pela frente e um enfermeiro como António João no banco. Uma conjugação de factores para nos dar alegrias e, no caso de António João e dos cortes de Gladstone, para nos permitir rir à gargalhada. No futebol de Primavera, o Romagnoli até levanta a cabeça, o russo dá o litro e o Miguel regressa ao activo. Espero que seja para ficar. O problema é que em Glasgow chove e faz frio. E os gajos são rijos. Ai o losango outra vez… que maçada esta de não poder jogar sempre contra equipas da parte de baixo da Superliga, pensarão os nossos líderes, com uma cigarrilha nas mãos, entre um copo de scotch velho. É que a equipa precisa de convalescer durante mais um bocadinho, em paz e sossego. E os cabrões dos escoceses não nos vão deixar em paz. E o pior é que não têm o António João, para ao menos podermos rir.

PS: Ah, grande Tiuí. O Djaló jogou meia hora este ano e já marcou dois. O Djaló! E tu, Tiuí, estiveste quase a marcar. Estiveste mais uma vez isolado, Tiuí, mas foi tudo demais para ti. Ao menos partiste, literalmente, a boca ao redes dos gajos. E deste a conhecer ao país António João, o enfermeiro from hell…


A Masturbação

Março 30, 2008

A premissa é simples. Como quase tudo no futebol, aliás. Simples e belo. Bater a bola com jeito e força suficientes para contornar a barreira e escolher o ângulo para morrer. 

Há muito, muito tempo que isso não acontecia no Sporting. Pelo menos, não da maneira como se imaginam os melhores pontapés. Os verdadeiramente merecedores da confiança do marcador. Onde a relação entre a bola e o jogador é um poema. Finalmente, aconteceu. E foi na Figueira da Foz.

Muita teimosia depois, e todo o tipo de absurdos e crime lesa futebol cometidos, o Paulo Bento lá decidiu dar a bola a quem a trata e acaricia como ninguém. Ao Miguel. Que por ser algo lento, canhoto e tecnicamente mais evoluído que os outros se assemelha ao André. Aquele “gentleman” brasileiro que, de tão gentil até quando roubava uma bola, pedia por favor ao adversário. Ora, o que é o Veloso senão a reencarnação divina do Cruz. Com menos quilos e mais vontade pode ser o que ele quiser. Até o Redondo. Só precisa de responsabilidade dentro e fora da equipa. O que fez e bem, mas tardiamente, o nosso treinador ao conferir-lhe a possibilidade de marcar um livre. E vejam como ele fez. E o que ele fez à bola. Alguém se lembrou do pontapé canhão do Ronny? Ou do famoso livre do João Moutinho em Munique na Champions? Porquê insistir no erro quando todos já tinham visto o essencial. A bola precisa de carinho para fazer o que lhe pedem. Até o Roberto Carlos quando a chutava, apesar de ser um brutamontes, falava directamente ao coração da bola. Porque como vocês sabem, força e tamanho não contam para nada. O que conta é a intenção.

P.S. – Confesso que estava desejoso que o Miguel Veloso me desse uma só oportunidade para falar bem dele. Porque gosto da forma como joga e do estilo “blazé” que tem em campo. Pena que ele não tenha entendido que poderia ser o que ele quisesse em Alvalade. Sorte que a sua estrela não se apague e a possamos continuar a seguir de longe.


Disparates…

Março 29, 2008

“É perfeitamente normal que as pessoas sintam alguma frustração por o Sporting não ter ganho a final da Taça da Liga. Podem criticar, mas nem o sportinguista mais fanático sente maior tristeza ou frustração do que os próprios jogadores, quando não conseguem atingir os objectivos a que se propõem. Dói e dói muito! (…)  Tenho pena que não tenhamos uma cultura associativa como têm os escoceses. Em Portugal, ganhando somos os maiores, perdendo tudo se questiona. É o treinador que era fantástico e agora já não é, os jogadores que eram os melhores e tornaram-se nos piores, os dirigentes que faziam escolhas acertadas e já não as sabem fazer… Se houvesse um pouco mais de tranquilidade e paciência… Mas é o futebol que temos e é com ele que temos de viver”

 Digam-me vocês, como é possível o idiota do Abel, que durante a entrevista ao Paulo Bento esteve o tempo todo a espreitar com cara de parvo atrás do Freitas Lobo e do Paulo Sousa (num daqueles cartazes para promover a Gamebox), vir-se queixar dos adeptos do Sporting? Se calhar ele queria ouvir palmas depois de enterrar o jogo no Oímpico de Roma ou, mais recentemente, ser comido da forma patética como foi no golo do Nacional, em Alvalade.

p.s. – e a rábula em redor das declarações do Stojkovic?
p.s.2 – e se o Van Gaal viesse treinar o Sporting?


“Sou uma pessoa que diz o que pensa…

Março 28, 2008

… e o que não penso, não digo”.

Pegando na forma de estar do Paulo Bento, expressa durante a entrevista de ontem, aproveito então para dizer o que penso sobre aqueles 90 minutos de troca de palavras.
Não querendo alongar-me muito, até porque o Sousa Cintra e o Douglas já analisaram de forma extremamente válida o que ontem se passou,  passo a apontar o seguinte:

- basicamente, não temos um modelo de jogo alternativo. Parece que não houve tempo para trabalhá-lo na pré-época. Mas o Paulo Bento diz que sim, que há. E até diz que a culpa de levarmos três batatas em Braga não foi culpa do modelo alternativo, implementado ao intervalo. O que eu vi foi que, realmente, entrámos na segunda parte com mais atitute, deu a sensação que podíamos empatar, mas depois o nosso lado esquerdo da defesa virou um passador, onde o Polga tinha a estranha tarefa de jogar como um meio central/meio lateral (será que o Paulo Bento não se lembra que o Peseiro, numa traumatizante deslocação a Paços de Ferreira, decidiu utilizar o Polga a defesa esquerdo e levou uma quase mão cheia?).
No fundo, acho que o modelo alternativo não existe e que não passa de uma espécie de grito de revolta, um “bora lá, caralho!”, que até pode resultar se os jogadores estiverem num dia Bueno;

- Se um dia fosse convidado para almoçar em casa do Paulo Bento, um almocinho domingueiro, aposto que a mesa ia ser posta com os pratos dispostos em losango. E que, em seu redor, o Miguel Veloso ia ser um guardanapo, o Moutinho um garfo, o Izmailov uma faca e o Romagnoli a faquinha para barrar o pão com manteiga.
O Paulo meteu na cabeça que esse sistema é o melhor do mundo, e não abdica dele. Logo, para o ano, caso ele fique, será mais do mesmo.

- perguntaram-lhe porque razão não se pensou num jogador que pudesse dar outra elasticidade ao maldito losango. No fundo, um substituto directo do Nani. Ele não respondeu. Perguntaram-lhe porque razão o Sporting não dá continuidade à tradição de ter extremos de qualidade. Ele diz que o Liedson não se sente confortável a jogar em 4-3-3.
Caro Paulo, no tempo do Boloni, vi o Sporting jogar com o Jardel e o Niculae na frente e o Quaresma à direita. Digo mais, caro Paulo, neste momento até tem dois avançados, Liedson e Vukcevic, que não se importam de pressionar os defesas e, mais importante ainda, tem um Vukcevic que pode jogar descaído para qualquer das alas e que nunca lhe dirá não se lhe pedir para pressionar um dos laterais adversários, quando não tivermos a bola. Portanto, caro Paulo, a equipa poderia ter um extremo, esquerdo ou direito.
Mais curioso ainda, caro Paulo, é ouvi-lo dizer que o Moutinho fez toda a sua formação jogando numa táctica de 4-3-3, ou seja, como um dos dois médios que jogam à frente do trinco. Engraçado… é que eu também me recordo de ver o Izmailov, na selecção da Rússia, fazer uma posição semelhante, ou seja, o Paulo tem o Veloso para a posição mais recuada, o Moutinho e o Izmailov para jogarem à sua frente. Depois o Vukcevic, o Liedson e, ora lá está, vinha mesmo a calhar um extremo. Não há dinheiro? Há o David Caiado, no Estoril.

- “se me perguntassem por um médio, eu respondia João Moutinho (…) temos um jogador que só sabe jogar a 10, o Romagnoli (…) Não considero fundamental para a evolução do Moutinho, fixá-lo numa posição”.
Porra, Paulo!

- eu enviei um e-mail para o programa. Não o leram, claro. Apenas leram mails patéticos, cheios de palmadinhas nas costas. E o meu mail até era giro. Falava do Moutinho e do Romagnoli. Falava do Stojkovic. Falava do Vukcevic e do tempo que se demorou a subi-lo no terreno, insistindo semanas a fio num Purovic (que até poderia marcar muitos golos nos júniores do Sporting, porque se joga com extremos). Até dizia que esta teimosia fazia lembrar a demora em colocar o Veloso no lugar do Custódio, e pedia uma explicação breve para a falta de alma com que a equipa jogou a final da Taça.
Fiquei triste por não ter respostas. No fundo, como se tivesse acabado de ver o Sporting jogar, e continuasse sem ter uma resposta para as primeiras partes a ver navios ou as quase inexistentes oportunidades de golo que se criam.

 p.s. – a não ser que haja um levantamento popular em tons de verde e branco, basta ganharmos ao Benfica na meia-final da Taça e ficarmos em segundo lugar, para o Paulo Bento cumprir o contrato até ao fim, ou seja, mais uma época. Depois da entrevista de ontem, fiquei com essa certeza.


“O Sporting fez mais pela minha carreira…”

Março 28, 2008

“…do que eu fiz pelo Sporting. Seguramente”. Está tudo aqui. As respostas que queria de Paulo Bento foram dadas pelos outros dois senhores que – e não digo isto ironicamente – nunca conseguiriam ser o treinador que o Paulo Bento é. Porque treinar não é só conversa. Mas o problema do Paulo Bento é que não percebe onde está a errar. É preciso um olho externo mais analítico e menos envolvido no problema.
É preciso jogar com extremos, até pela tradição do Sporting… o que diz Paulo Bento: se calhar o melhor é passar a formar avançados. De facto, com 10 Djalós, ninguém se vai lembrar de extremos quando estiver a premir o gatilho da pistola enfiada na orelha.
Arranjar uma alternativa, treiná-la para surpreender os adversários… Paulo Bento: não houve tempo, os reforços vieram para esta táctica.
Moutinho no meio do campo… Bento: para mim, é uma vantagem para ele a polivalência, ele é bom em qualquer lado. Claro que é, então vamos pô-lo na baliza. O problema não é ele, é a equipa, caralho. E a equipa precisa dele a 10.
Não seria bom começar a pensar em ir buscar jogadores diferentes, para ter mais soluções tácticas… Paulo: a táctica vai depender do que vier e do que sair. Não, não, não, não, não… por favor, Paulo! Já chega de Tíuis, Purovics, Farneruds. E de pôr Vukcevic em posições que não puxam pelo homem. É fazer os buracos com a forma que mais nos interesse e depois ir buscar as peças que encaixem. Mesmo que não sejam topo de gama.

Faltaram duas perguntas que, por não terem sido feitas, só provam que o homem mete medo a qualquer jornalista do canal que mais fornece directores de comunicação ao futebol. Porque é que encostou o sérvio? E o que falhou? Sim, Paulo, o que raio falhou? Porque tu só nos disseste o que se passou. Mas isso já sabíamos. Queriamos era que nos dissesses o que, para ti, falhou. Dizes que defines quem constrói na primeira fase e na segunda fase do ataque. Mas, quando nada se constrói, o que falhou?

Quando saíres do Sporting – e espero que saias em grande, embora tenha dúvidas -, vais para casa e vais rever os jogos todos. E vais começar a ver o que é que falhou. E aí vais perceber. E vais evoluir. E nunca como então a frase “o Sporting fez mais pela minha carreira…” será tão verdadeira. O problema é que a malta continuará por aqui, a levar no lombo como gente grande. E quando chegares ao Benfica ou ao Porto, já sabes o que pode falhar e, inteligente como és, não cometerás os mesmos erros. Nessa altura, por este andar, estarão cá outros a errar e a não perceber o que falhou.


Uma entrevista em losango

Março 28, 2008

Acabo de assistir à entrevista de Paulo Bento na RTPN. E fico com uma sensação estranha: o rescaldo mental que faço à hora e meia de palheta assemelha-se ao sentimento com que tenho ficado este ano depois de assistir aos jogos do Sporting. Ou seja, estou agora aqui sentado em frente ao computador e parece que acabei de sair do estádio depois de uma vitória arrancada a ferros, por 1-0, frente ao Estrela da Amadora, com um golo marcado aos 88 minutos pelo Purovic. Com um ressalto manhoso.
Paulo Bento diz o que pensa. É ele quem o diz. Mas eu arrisco ir mais longe: Paulo Bento fala como pensa. Aos repelões. Obviamente, isso influencia o discurso, a comunicação. E isso é, naturalmente, um problema. Aliado a isso, Paulo Bento começa a denotar outra peculiaridade. Que pode vir a tornar-se, também ela, um problema: o losango extravasou o relvado e colou-se à estrutura mental do homem.
Paulo Bento aborda uma entrevista da mesma forma que o Sporting aborda um jogo: não se solta, evita encarar a coisa de forma alegre, procura acima de tudo cumprir serviço. Por isso posiciona-se na intermediária (sorriso amarelo, não dá confiança, mas não hostiliza), mastiga o jogo (repete o discurso), não procura a profundidade (foge à explicação de falhas evidentes na equipa) e não tem capacidade de rasgar defesas (não lhe sai uma frase que surpreenda pela originalidade).
Pior do que isso, também tem dificuldades em acertar na baliza, nas poucas ocasiões em que se aproxima dela: nas três oportunidades que teve para pôr as coisas preto no branco, ameaçou com um “é preciso que isto fique claro para os sportinguistas…” mas teve claramente medo de ser feliz. Ficou-se pelo meio termo. Insinuou as dificuldades económicas do clube, fez breve referência às contratações que queria fazer e não conseguiu, lamentou vagamente não conseguir segurar os putos que aparecem. Ou seja, armou-se em Farnerud e passou para trás. Pelo meio, acertou uma bola na barra: é difícil preparar uma época e um plantel quando se perde um jogador como Caneira no último dia de transferências e quando a primeira opção para o substituir chega 5 meses depois da hora ideal.
Paulo Bento podia ter aproveitado esta entrevista para meter a carne toda no assador. Podia ter respondido às críticas com objectividade, ao ataque, em busca do(s) golo(s) que atirassem os adversários ao tapete. Mas o problema é que, tal como o plantel não lhe permite esse luxo, também Paulo Bento não tem argumentos para, por exemplo, rebater de forma convicente a questão da táctica alternativa ou capacidade para assumir que errou nesse ponto.
Paulo Bento fecha-se, por isso, num discurso de processos em tudo idênticos ao do losango do Sporting: cansado, a passo, desinspirado, sem soluções, à espera que tudo isto acabe. E com a agravante de, uma vez por outra, também ter direito à demonstrar uma ingenuidade ao nível da que o Ronny apresenta em campo. Nomeadamente quando assume, com a maior das impunidades, que o Derlei foi contratado como “peça fundamental” para a estratégia do Sporting deste ano. Um erro destes, com o passado médico do atleta em questão, daria despedimento com justa causa num clube a sério.


Momento arrepiante

Março 27, 2008

O grande Cherba deu a informação de forma sorrateira, num comentário ao texto da padaria, mas a presença de Paulo Bento numa entrevista (que esperemos seja longa) para explicar a crise promete ser o ponto alto desta época. Hoje, às 22h30, no Pontapé de Saída da RTPN. Quem não puder ver em directo, grave. Para quem precisar, eu posso alugar o DVD. Porque é hoje que se vai ver o futuro do Sporting…

Só a possibilidade do padeiro ser questionado pelo Luís Freitas Lobo põe-me nervoso!


Afinal o sistema está cá dentro

Março 26, 2008

E é o sistema financeiro! Os contratos estão assinados. Estão a definhar o Sporting, mas ninguém pode rasgá-los. Há que negociar… negoceie-se, então. Liberte-se dinheiro. E vá-se recuperando o clube, que só não fechou ainda por falência porque isto é futebol e nós ainda somos muitos. A culpa não é do Rocket man e do seu projecto, a culpa é da ganância da gente que o implementou. Para comprar uns pólos e umas raquetas mais modernas lá para o club.
Por isso, estou com o Cintra. Ou se arranja um russo qualquer que queira lavar biliões de rublos, ou é aguentar com o sistema financeiro. Como em todas as actividades económicas, se o pão sair quentinho, a dívida ao homem da farinha acaba por pagar-se. O meu problema é com o padeiro, não é tanto com a panificadora (que é amadora, admito). Mas se o pão sair quentinho e estaladiço… A farinha até pode ser má, o fermento fraquinho e a água turva, mas se o padeiro souber amassar… ai, se o padeiro souber amassar… o pão sai quentinho e estaladiço… e pode chegar para dar alegrias aos desgraçados esfomeados que vão à padaria todos os quinze dias, à procura de qualquer coisa que mate o bicho. Com sorte, o pão estaladiço até ganha o concurso do melhor pão lá da rua, se o padeiro dos outros não souber amassar tão bem. Já não chegará para ombrear com os melhores pães de Paris, Roma ou aqueles cheios de cenaças na crosta que se vendem em Londres. Mas, calma, o fornecedor de pão do Eliseu acabou por ser um padeiro português… E começou, com certeza numa qualquer panificadora local gerida com os pés e cheia de dívidas…

Arranje-se um padeiro que saiba amassar. É difícil? É! É preciso alguma sorte? Claro. A panificadora do Norte, com melhor farinha, a mesma dívida – mas menos pesada porque soube negociar bem com o fornecedor de farinha – e uma água fresquinha, fartou-se de contratar e despedir padeiros até encontrar um que amassa com critério, embora sem ser um artista dos farinácios.
Também não precisamos de um artista. Isso é para os Eliseus e Inters de Milão desta vida. Só precisamos de alguém que faça uns pãezinhos jeitosos, quentinhos para os pobres esfomeados que estão à porta da padaria. E quanto aos amadores da panificadora, é bom que comecem a procurar soluções mais razoáveis com os homens dos moinhos, porque se não os cadáveres dos esfomeados vão começar a impestar a rua da padaria. E os pólos vão começar a ficar com “cheiro a pobre”…


Alegremo-nos…

Março 26, 2008

… ao menos não temos o Scolari no Sporting!

O filme do horror:
Quim no banco e Ricardo na baliza (finalmente toda a gente notou: o Ricardo não sabe defender livres, escolhe mal o lado da barreira e vai encostar-se ao outro poste… em Espanha é à grande… basta que alguém saiba fazer a bola passar calmamente por cima da barreira… nunca mais acaba este pesadelo…).
Pepe e Paulo Ferreira a titulares. Miguel no banco!
Meira a trinco: fico mudo perante isto. Não sei como é que um treinador da selecção nacional não é despedido mal mete o boneco do Meira na posição 6 no quadro do balneário… devia estar no contrato!
Carlos Martins a titular (Raul Meireles, o único português do melhor meio-campo de Portugal, a descansar…)
Miguel Veloso a médio box-to-box: esta é de chorar. Nem devia ter sido convocado (o poder dos patrocinadores nas escolhas do Sargentão continua imutável) e ainda vai fazer sprints de 20 metros a pressionar a bola. ahahahah. Rebentou aos 10 minutos…
Nuno Gomes sozinho na frente… em mais uma personificação da inutilidade futebolística.

E podia continuar… mas não quero. Em tanta saraivada de tiros, acertou um, ao calhas. E levou a equipa calmamente até à táctica ideal para a dolorosa caminhada do Euro… se o Deco não estiver bem (e se houvesse tomates para abancá-lo), ei-la:

4×4x2 à Man.Utd ou Real Madrid ou Atl. Madrid ou Sevilha
Quim, Miguel, Bruno Alves e Carvalho, Caneira; Petit (se estiver acabado, Meireles) e Moutinho; Simão (só em super-forma, se não, Nani) de um lado, Ronaldo do outro; Nuno Gomes e Hugo Almeida… treinem isto em Viseu e se calhar até corre bem. Com o Deco, um 4×4x2 mais flexível, mas com o Deco junto ao Hugo Almeida e os extremos bem abertos na mesma.

Como vai ficar tudo na mesma, temo que o Inverno leonino vá estender-se pela Primavera e Verão adentro…


Mudar, sim! Mas para…?

Março 26, 2008

Sim, na essência concordo com isto: “O Sporting vai dividir-se. É inevitável. É necessário.” Mas ao mesmo tempo, também há coisas que tresandam a oportunismo e a posicionamento apressado. Nomeadamente isto: “Movimento por um Sporting Renovado lamenta falta de cultura sportinguista“. No primeiro caso temos a constatação de facto, o antecipar de um cenário que se adivinha e a correspondente preocupação do adepto comum. No segundo caso, aquilo que pode haver de genuíno nas intenções acaba por sair prejudicado por uma certa atitude… de abutre.
É normal que o momento actual seja de polémica e de contestação. E é altamente provável/desejável que tudo isto resulte num ponto de ruptura com um presente que a ninguém agrada. No entanto, permitam-me a pergunta: não estaremos a centrar demasiado as atenções em duas ou três árvores e a ignorar de forma olímpica a necessidade de contemplar a floresta?
Ou seja, é consensual que queremos mudar. Mas queremos mudar para quê e para onde? Pelos vistos, já todos percebemos que este não é o caminho correcto. Mas além de estarmos aqui todos num alvoroço a repetir críticas ou insultos ao Soares Franco e seus pares, que ideias, que modelos, que alternativas realmente válidas estão a ser lançadas para cima da mesa?
Estou farto de Soares Franco e desta matriz de gestão atabalhoada. Mas olho para o discurso de Subtil de Sousa, um suposto notável na contestação leonina, e vejo um discurso taberneiro. Por isso, temo: é isto que nos está reservado se corrermos com os que lá estão? Ou estaremos condenado a aguardar a caridade de um qualquer mecenas que queira brincar por uns tempos aos clubes de futebol?
Dizem por aí que vai haver uma assembleia-geral. Que vão acontecer manifestações, que o povo vai sair para a rua, protestar, que isto não pode continuar assim. Mas para quando a alternativa? Para quando uma estratégia que nos permita pensar “ok, então vamos por aí?”
Leio comparações lunáticas com o que se passa lá fora, com o que fazem os clubes e os gestores da primeira divisão do futebol europeu. Percebo a ambição. O sonho comanda a vida. Mas também me parece sensato que tenhamos noção das nossas realidades: a do clube, a das nossas finanças e a do mercado em que estamos inseridos. E convém não ignorar que o adjectivo “pobre” se aplica a todos esses planos.
Aguardo com sincera expectativa que de todo este debate saia alguma ideia luminosa.


Marketing pateta (ou “e se fossem gozar com o caralhinho?”)

Março 25, 2008

Cruzei-me hoje com um certo “press release”, a anunciar uma campanha/promoção de uma empresa nortenha da área informática.

À falta de palavras para transmitir o turbilhão de ideias que me veio à mente quando pus os olhos nisto, limito-me a reproduzir o anúncio:

Na compra de PC por 600 euros

Chip7 devolve dinheiro se
Sporting vencer Taça UEFA

A duas semanas do jogo da primeira-mão dos quartos-de-final da Taça UEFA entre o Sporting o Glasgow Rangers (Escócia), a Chip7, empresa de comercialização de material informático, lança uma campanha original. Na compra conjunta de um computador Chip7 Be Up e de um monitor Samsung Syncmaster 223BW, num total de 599 euros, a empresa devolve o valor na totalidade – através de vales de compras –, caso o Sporting se sagre vencedor da competição.

(Se eu fosse rico, garanto-vos que ia à loja destes senhores e espatifava-lhes duas dezenas de computadores. E no fim devolvia-lhes eu o dinheiro)


Lado B, precisa-se

Março 25, 2008

O que mais me incomoda hoje no meu clube é a total banalização do fracasso.Isso, infelizmente, já ninguém nos tira. Perdemos, mas paciência. Levamos para encher mas pronto, a mais não somos obrigados. Isto tem que acabar. Porque os putos que agora são putos e que começam a ir à bola, não estão para ouvir conversinhas destas. Os putos querem ganhar. É por isso que temos que rebentar com o clássico “agora, há que levantar a cabeça e pensar no próximo jogo”. Durante esta época, quase sempre que saímos de casa, regressámos a tentar levantar a cabeça.  Neste aspecto, parece que o Paulo Bento ainda é jogador demais para ser treinador. Ainda não mudou a cassete do nós-fazemos-o-que-podemos-mas-é-assim-a-vida.Acho que já chega de “demos o nosso melhor, mas o adversário foi superior, não concretizámos, estivemos mal na transição ofensiva” e coisas que tais. Quando esse adversário tanto pode ser o Porto ou o Manchester como a merda do Leiria ou do Bolton (já agora, como é que estes gajos não mamaram 4 ou 5?). Eu até concordo que isto tudo pode ser discurso para moralizar a equipa, mas cá para fora não faz sentido. Esse discurso faz sentido quando a equipa joga bem e perde ou empata mal. Esse blá, blá, blá caíu-me bem em Coimbra, por exemplo. Se não me engano, no jogo de Coimbra a equipa estava de rastos porque vinha de mais um daqueles resultados sádicos. Em Coimbra, deixou-se empatar mesmo no fim mas teve a atitude mínima requerida. Aí, gostei. A cassete amainou-me o cabeção.Em quase todos os outros jogos, o discurso caíu-me estupidamente mal. Por ser tão enjoativo.

O campeonato está cada vez mais competitivo? Os jogadores estão em sobre-esforço físico? Poupem-me.

O amanhã é uma coisa que existe e há contas a fazer.

 

Nunca como hoje vi uma equipa do Sporting tão fragilizada e tão frágil cá para fora. Nós este ano somos um incentivo especial para os Cajudas e os Jesus e os Carvalhais e os Pachecos da vida. Servimos de aposta.

Eu quando perco por ter jogado mal, fico com uns tremendos cornos. Tão grandes, tão grandes que nem me apetece abrir a boca. Quanto mais abri-la para desculpar o indesculpável.Por ainda sermos grandes, somos também os gajos mais enfadonhos e previsíveis da miséria de campeonato que temos. Pelo menos no discurso, podíamos variar um bocadinho.


Pés assentes no chão

Março 25, 2008

Sejamos honestos. Se não fossemos sportinguistas já teríamos deixado de acreditar. Mas a triste verdade é esta e é com ela que nos temos de confrontar. Este clube, tal como está, não tem classe. E a equipa também não. Podemos mudar o treinador, podemos mudar o presidente, mas enquanto não pudermos melhorar a equipa não há muito a fazer.

 

Bastam algumas comparações. O Cláudio Pitbul [que chegou a ser dado como estando a caminho do Sporting e depois foi para o Porto] não tinha lugar neste Sporting? Quantos titulares do Sporting é que seriam titulares no Porto? Dois, três… O Jesualdo Ferreira seria campeão no Sporting com esta equipa? O Paulo Bento seria campeão no Porto com aquele plantel?

 

O actual Sporting tem jogadores de classe. Tem o Moutinho, tem o Polga e tem pouco mais. Tem bons futuros valores, mas não tem mais nada.

 

Queremos ganhar títulos, mas não conheço nenhuma equipa que o consiga quando obriga um João Moutinho a jogar todos os jogos; quando obriga o Liedson que está em campo para finalizar, a correr mais do que um trinco; quando obriga os miúdos a serem os patrões da equipa.

E não seremos campeões ou não ganharemos títulos de forma regular enquanto cometermos erros como os do final da época passada. O Nani ter ido embora não constitui problema. O problema é que os líderes do plantel foram todos embora. Goste-se, ou não (e eu não gostava) o Ricardo era um líder dentro do plantel. Goste-se ou não (e eu gostava) o Caneira era um líder dentro do balneário. Goste-se, ou não, o Tello tinha lugar a brincar nesta equipa. Saíram porquê? Não havia cinco milhões de euros para ficar com o Caneira; esqueceram-se de renovar a tempo e horas com o Tello e venderam o Ricardo por uns tostões.

 

O que faz falta ao Sporting não é um presidente que compre jogadores ou que esteja sempre a despedir treinadores. Falta um presidente que, tal como José Roquette fez, tenha a coragem de assumir que só estaremos em condições de investir no futebol quando apagarmos o desastre financeiro que foi construir um novo estádio.

 

Até lá, fiquemos com o Paulo Bento porque não vejo nenhum treinador de topo a querer treinar uma equipa que não investe. A menos que alguém ache que o Carvalhal ou o Cajuda são melhores.

 


As aulas que o Paulo falhou

Março 25, 2008

Eu também gosto do Paulo Bento. Gosto do gajo, é um dos nossos, um gajo que comia caracóis no café perto do estádio antes do jogo. Um tipo que nos fazia esquecer as tristes figuras dos antigos treinadores, quando admitiam em conferência de imprensa que o Benfica era melhor ou quando apareciam com cara de choro porque não percebiam como é que a equipa tinha levado três golos do Paços.

Mas cada vez gosto menos do Paulo. Não tanto por ele estar agarrado ao lugar - o risco de acabar uma carreira tão cedo é grande -, mas pela falta de aptidões para treinar uma equipa. O que aconteceu, Paulo? Tudo o que conseguiste foi pouco. E só faria sentido se este ano finalmente conseguisses fazer uma época sem os erros do passado, desculpáveis à luz da tua pouca experiência. Mas, no teste final, falhaste. E, quando se falham testes, é porque se calhar faltou-se a algumas aulas.

Se calhar faltaste às aulas em que ensinam os treinadores a preparar mentalmente uma equipa para o jogo da época. E perdemos o título contra o Porto em Alvalade com um golo do Jorginho! E ainda tivemos de gramar com os gajos a festejar! E foste àquelas aulas onde dizem para não insistir no mesmo erro depois de ter ficado provado que era um erro? E levámos com o Custódio a trinco em Janeiro e Fevereiro durante cinco empates consecutivos que nos custaram a aproximação ao primeiro lugar, quando já todos tínhamos percebido, em Dezembro, que havia um puto louro de rabo de cavalo que varria o meio-campo com pés de veludo. Ainda deu para recuperar, mas tinhas de falhar a aula sobre como ganhar um campeonato na casa de um rival fragilizado, depois de estar a ganhar 1-0 no primeiro minuto. E não quiseste arriscar na segunda parte, porque querias garantir a Champions. Para quê, Paulo, para dizer que quase não perdeste contra a Roma e o Man Utd?

E este ano, Paulo? É verdade que perdeste metade da defesa rotinada que te permitia entrar nos jogos a matar. E que ficaste sem o melhor desequilibrador da equipa. E que tiraram-te um tipo que até marcava alguns golos. Mas, no primeiro ano, quando nasceu o losango, tu conseguiste fazer o teu trabalho com jogadores piores. Então, que aula falhaste? A aula sobre a regra de que são os jogadores de determinam as tácticas e não o inverso?

Pois, não tens jogadores para o losango. E como tal deves adaptar a coisa. Mudar os amendoins de sítio. Porque já todos perceberam como é que se anula o losango. Devias ter ido à aula onde explicam aos treinadores que é preciso surpreender os adversários. E não chega trocar o Moutinho com o Pipi durante cinco minutos. Dou-te um exemplo ou dois. Estamos a falar de outro nível, mas se queres ser o melhor treinador português desde o Mourinho – surreal, o jornalismo desportivo que temos -, tens de te medir com os melhores. O Setúbal é, à sua escala obviamente, o Liverpool cá do burgo. Contra o Sporting, defende à zona com tanto rigor, que todos os metros do terreno estão controlados por alguém. Ninguém falha um centímetro naquele meio-campo. Foi assim que o Liverpool limpou o Inter no segundo jogo da Champions. O que é que o Ferguson – ou se calhar o Queiroz – fez, Paulo? Decidiu rasgar aquela muralha com lançamentos longos para trás dos centrais, onde o Rooney apareceu três vezes isolado (e falhou as três). Quando marcaram, já a teia do Liverpool andava tonta a tentar impedir os passes longos. Outro exemplo, o desgraçado do israelita do Chelsea decidiu meter a equipa com dois extremos num clássico 4-4-2 para virar o jogo contra o Arsenal que controlava o meio campo. E meteu um defesa direito para ganhar o jogo. E ganhou com dois avançados contra dois centrais e várias bolas a saírem das laterais. Onde estava o tal defesa direito.

Pois, Paulo. Um treinador é mais do que um discurso, uma táctica (e só uma táctica) e um tipo que se dá bem com os jogadores (pelo menos com os que não te enfrentam). Vai ter as aulas que te faltam. E quando estiveres preparado, serás bem vindo. Entretanto, diz ao Telles para ir buscar um estrangeiro. Não precisa de ser genial. Só precisa de fazer o básico, ter ido às aulas todas. Olha, arranja um Materazzi, que depois qualquer Inácio consegue ser campeão.

 PS: Ó Paulo, não te faz confusão que o melhor clube do mundo na formação de extremos de elite não jogue com extremos? A mim faz. Não só por ser estúpido não aproveitar os míudos que querem ser o novo Figo, Simão, Ronaldo, Quaresma, Nani, mas porque assim nunca mais vai aparecer um novo Figo, Simão, Ronaldo, Quaresma ou Nani…