A premissa é simples. Como quase tudo no futebol, aliás. Simples e belo. Bater a bola com jeito e força suficientes para contornar a barreira e escolher o ângulo para morrer.
Há muito, muito tempo que isso não acontecia no Sporting. Pelo menos, não da maneira como se imaginam os melhores pontapés. Os verdadeiramente merecedores da confiança do marcador. Onde a relação entre a bola e o jogador é um poema. Finalmente, aconteceu. E foi na Figueira da Foz.
Muita teimosia depois, e todo o tipo de absurdos e crime lesa futebol cometidos, o Paulo Bento lá decidiu dar a bola a quem a trata e acaricia como ninguém. Ao Miguel. Que por ser algo lento, canhoto e tecnicamente mais evoluído que os outros se assemelha ao André. Aquele “gentleman” brasileiro que, de tão gentil até quando roubava uma bola, pedia por favor ao adversário. Ora, o que é o Veloso senão a reencarnação divina do Cruz. Com menos quilos e mais vontade pode ser o que ele quiser. Até o Redondo. Só precisa de responsabilidade dentro e fora da equipa. O que fez e bem, mas tardiamente, o nosso treinador ao conferir-lhe a possibilidade de marcar um livre. E vejam como ele fez. E o que ele fez à bola. Alguém se lembrou do pontapé canhão do Ronny? Ou do famoso livre do João Moutinho em Munique na Champions? Porquê insistir no erro quando todos já tinham visto o essencial. A bola precisa de carinho para fazer o que lhe pedem. Até o Roberto Carlos quando a chutava, apesar de ser um brutamontes, falava directamente ao coração da bola. Porque como vocês sabem, força e tamanho não contam para nada. O que conta é a intenção.
P.S. – Confesso que estava desejoso que o Miguel Veloso me desse uma só oportunidade para falar bem dele. Porque gosto da forma como joga e do estilo “blazé” que tem em campo. Pena que ele não tenha entendido que poderia ser o que ele quisesse em Alvalade. Sorte que a sua estrela não se apague e a possamos continuar a seguir de longe.
Abril 1, 2008 ás 9:46 am |
É realmente questionável, o porquê de ter demorado tanto tempo até eleger o Miguel Veloso como marcador de livres, pelo menos daqueles descaídos para a direita. Se calhar o Paulo Bento não vê os jogos da selecção…
Ainda assim, não deixa de ser bonito ver o Miguel agradecer aos pais e ao treinador, a força que lhe deram para superar a “fase bunda grande”.
A propósito, e já que falamos do Ronny, duas questões:
- não teria feito sentido, já que levámos com ele tanto tempo, ter colocado o pobre coitado a marcar os penaltis? É que se ele rematasse como remata nos livres, duvido que falhasse
- como eu gosto de estatísticas, era fixe que alguém se desse ao trabalho de fazer um estudo que mostrasse quem acertou mais vezes na barreira: Ronny ou Afonso Martins