Caroços

Abril 29, 2008

A “Laranja Mecânica” mudou o futebol. Não há tempo nem espaço para dissertar sobre a revolução futebolística que representou a equipa liderada por Johan Cruijff. Mais do que isso, o genial holandês foi o primeiro a dar ao futebol uma componente de arte ao jogo que moldou as concepções modernas que todos temos do futebol espectáculo. O futebol champanhe. Tal como o Brasil de 82 - mais técnico que táctico -, a laranja nunca ganhou. Mas não ganhou por questões circunstanciais, por uma bola na trave, por um azar ou por uma sorte. E, vítima disso, o ideal laranja foi perdendo sumo. Secou, secou, secou… e, nos dias que correm, só ficaram os caroços. Alguns desses caroços ainda dão, miraculosamente, sumo. Mas de cada vez que um desses caroços, murcha, o futebol fica mais pobre. Mais chato. Mais feio. E, quando os caroços acabarem, acabará o futebol.

Vem isto a propósito de um dos caroços com maior potencial de injectar algum sumo no futebol. Outros caroços já tinham saltado, como o Arsenal de Wenger ou os turcos do Zico. Foram dias tristes. Mas o caroço rei ainda dava esperanças de que pudesse voltar a escorrer sumo nos relvados. Hoje, não. O Man Utd vai à final da Champions. Parabéns ao Ronaldo e ao Nani. Mas vai depois de ter secado um pouco mais a herança laranja.
Esta meia-final era especial. De um lado estava uma equipa que podia retirar o estatuto de melhor futebol do séc XXI ao seu adversário. Perante um Barcelona relativamente moribundo – se comparado com o Barça de há três anos -, o Man Utd podia sair desta eliminatória como o dono do futebol champanhe, asfixiante colectivamente com ocupação plena de espaços e passes a dois toques e imprevisível e apaixonante em termos individuais. Mas não quis. Quis ganhar acima de tudo. E para isso recorreu aos métodos de quem ganhou nos últimos anos: Liverpool, Milan, Mourinho. Mas o Man Utd tem um dever moral perante a sua história e por causa dos jogadores que têm. Há decisões que resumem tudo: a partir de meio da 2ª parte, Ronaldo saiu da frente de ataque (um desperdício completo) para o lado esquerdo. Para quê? Para fechar as subidas do defesa direito do Barça, que estavam a desequilibrar a defesa do Man Utd. Perfeita decisão táctica. Uma vergonha para o futebol que devia ser punida nas instâncias internacionais.

E pronto, o Man Utd vai à final. Se calhar até ganha, porque descobriu o antídoto para o veneno dos outros dois semifinalistas. Mas a gente não queria o andídoto. O antídoto foi a arma da Grécia. O antídoto foi a arma da Itália ou da Alemanha que derrotaram as Grandes Equipas da história do futebol. A gente não queria o veneno, sequer. A gente queria a cura! A cura para este futebol doente, que quer a vitória a qualquer preço. Um preço que, qualquer dia, acabará por matar os sedentos adeptos do futebol inesquecível.


E nós?

Abril 24, 2008

Sousa Cintra chamou ao jogo de Leiria “um enxovalho”. Não o Sousa Cintra do Cacifo, mas o verdadeiro. A sabedoria popular deste homem está muito para lá das SADs, pólos, charutos ou whisky. Foi um enxovalho. E o Sporting do losango, dos Tiuís, dos Abéis, o Sporting de merda esteve todo lá. As razões são tristemente conhecidas e deprimente debatidas. Mas há uma que nunca é sugerida. Ou pensada.

Onde estávamos nós? Salvo raras e semi-profissionais excepções – 3000, para aí -, onde estavam os adeptos do Sporting? Quantos levantaram as peidas dos sofás e fizeram 100 e tal quilómetros para apoiar a equipa? Quantos decidiram pagar os (ridiculamente caros) bilhetes do jogo para ajudar? Onde estava aquele sangue que jorrou das bancadas contra os lampiões? Em casa, parado, anestesiado.

Não é fácil fazer o raciocínio ao contrário. Fácil é do alto das nossas vidinhas dizer que o Paulo Bento é jovem e teimoso, que o Romagnoli é uma merda, que o Miguel Veloso tira folgas em dia de jogo, que o Abel é mau, que o Rui está verde, que o Tonel tem limitações, que o Soares Franco é muito fraco, que o Sporting está a dar dinheiro a muita gente que não é do Sporting, que o clube está a perder a alma por cartões magnéticos e SADs falidas. Tudo isso é verdade… e explica quase tudo. Mas há que reconhecer.

O que é que a gente dá? Pagamos quotas, compramos gameboxes, empurramos a equipa quando ela já está a ganhar ou quando joga contra adversários emocionais. Já é muito, dirão. É. Mas não é tudo. Porque depois, assobiamos o Nani quando remata a 25 metros, insultamos jogadores de 19 e 20 anos até eles acertarem uma, perdemos a paciência com jogadores que são mais do Sporting que nós, como o Sá Pinto, o Beto ou o Carlos Martins. Moemos o juízo a gajos que depois vão brilhar para outro lado. Queremos o Dias da Cunha fora dali, fazemos a vida negra a treinadores de ataque e ainda mais negra aos defensivistas. Oscilamos entre estados de euforia e depressão, como tão bem ilustrou o Sousa Cintra (o do Cacifo, não o verdadeiro). No limite, os mais radicais tentam agredir o melhor jogador alguma vez formado em Alvalade e impedem o clube de contratar o melhor treinador do mundo.

Os adeptos somos todos nós. E também nós somos responsáveis pelo estado a que chegou o Sporting. A nossa bipolaridade impede-nos de apoiar indiscutivelmente o clube. Estamos demasiado traumatizados, é verdade. Mas estamos longe de fazermos parte da solução e, algumas vezes, somos parte do problema. Tenho poucas dúvidas de que se o estádio do Leiria estivesse cheio de adeptos a apoiar a equipa, a merda tinha sido outra. É que estavam pouco mais de 3000 mil gajos que mandavam um urros de vez em quando! Assim é mais difícil.


Irresponsabilidade ou amadorismo?

Abril 22, 2008

Chegou como a possível solução para os nossos problemas ofensivos.
Ninguém o conhecia, e as notícias que acompanhavam a sua chegada não auguravam nada de bom.
Bastou um joguinho para se ver o que ali estava: um rapazinho esforçado, tecnicamente limitado, e claramente deslumbrado com a possibilidade de jogar no Sporting (mesmo tendo em conta o estado actual do Sporting).

Agora, esse rapazinho que foi uma das contratações feitas em Janeiro com o objectivo de equilibrar o plantel, desapareceu com as recuperações de Djaló e Derlei, deixando atrás de si a brilhante marca de duas ou três assistências para golo e a boca de um guarda-redes completamente rebentada.

Alguém me explica o que justificou comprar esta ave rara? E, já agora, o que é que vamos fazer com o pobre Tiui nos três anos que ainda tem de contrato? Será que podemos mandá-lo para Braga, estilo homem-bomba, ao cuidado do Carlos Freitas?

Estou tão fartinho desta merda…


Ora, nem mais

Abril 22, 2008

“Quem chegou não percebe que gerir uma equipa não é o mesmo que gerir uma empresa”, Jorge Jesus, abrindo a porta de saída do Belenenses depois de espetar cinco ao Vit. Setúbal.

Provavelmente, é por não assumir esta posição que o Paulo Bento é visto como o treinador ideal por Soares Franco e companhia.


Reforços para a próxima época

Abril 21, 2008

Olanzapina, Lamotrigina, Valproato, Quetiapina, Carbamazepina, Risperidona e Ziprasidona. São estes os reforços que eu quero para o Sporting. Não, não são avançados eslovenos, médios nigerianos ou defesas argentinos. São estabilizadores de humor. Pelos vistos, as únicas armas de que a medicina dispõe para controlar a bipolaridade. Controlar, sublinhe-se. Porque segundo consta não há nenhum tratamento que cure a doença que claramente está diagnosticada a este Sporting de Paulo Bento.

Justiça seja feita, talvez não seja correcto falar em “bipolaridade do Sporting de Paulo Bento”. Se atendermos aos últimos anos, fará mais sentido falar em “bipolaridade do Sporting” tout court. Porque a verdade é que, com um pouco de boa vontade – e com uma curta visita ao site da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (porque um gajo não sabe estas merdas de cor, convenhamos) – facilmente se encontram os sintomas que encaixam nesta teoria de um Sporting bipolar.

Lembremo-nos da primeira e segunda épocas de Bolöni. Lembram-se? No primeiro ano, o do título, tivemos a fase da “mania”, que na bipolaridade se caracteriza por um estado de humor elevado, expansivo, eufórico. No ano seguinte a “depressão”, ou seja, a preocupação com fracassos ou incapacidades, perda da auto-estima, obcecados com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los. Lembram-se do primeiro ano com os 42 golos do Jardel? Lembram-se do segundo ano e daquelas medonhas conferências de imprensa? Pois…

Recordemos depois o ano de Fernando Santos e o ar eternamente crispado do homem. Numa temporada mediana, os sintomas de “mania” que mais se fizeram sentir na fase alta foram a reacção excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais. Na ponta final da temporada, quando o Geovanni meteu a bola que nos chutou para fora da champions, a fase da depressão manifestou-se no pensamento lento, esquecimentos, dificuldade de concentração e em tomar decisões. Ou seja, dificuldade em assumir que tinha de bazar, ao ponto de ter de ser corrido quando estava nos Estados Unidos em estágio de fim de época.

Depois Peseiro… Peseiro que talvez tenha sido protagonista do mais rico e fértil período de bipolaridade da história recente do nosso Sporting. Num ritmo de alternância semanal, os sintomas sucediam-se: primeiro a grandiosidade e aumento do amor próprio, depois o sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva. Num jogo a energia excessiva, possibilitando uma hiperactividade ininterrupta, na jornada seguinte a perda de energia, o cansaço, a inacção total. No início de uma certa semana o clube sentiu-se melhor e mais poderoso do que toda gente, mas no fim dessa semana o balneário conviveu de perto com as ideias de morte e de suicídio.

Por último Paulo Bento. Dizem que a bipolaridade tem fases leves, moderadas ou graves. E se, no início do actual reinado, o homem parecia ter assumido o papel de estabilizador de humor neste nosso problema (crise leve), os últimos meses aí estão para provar que o efeito já passou, que já entrámos novamente numa espiral de descontrolo (crise grave). E os sintomas que mais facilmente resumem a situação actual são, também eles, indiciadores da bipolaridade: incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e culpar os outros pelo que corre mal.

Não há volta a dar. O diagnóstico está feito.

Olanzapina, Lamotrigina, Valproato, Quetiapina, Carbamazepina, Risperidona e Ziprasidona. São estes os reforços que eu quero para o Sporting. Encham o departamento médico desta merda. Urgente.


Um raio de sol na maldita normalidade

Abril 21, 2008

Entretanto, este jogo que me fez pensar seriamente na possibilidade de me afastar de Alvalade durante uma época depois de 20 sempre a marcar presença (mesmo correndo o risco de perder momentos únicos como o da passada quarta-feira), tem um obscuro lado positivo.  

Talvez seja eu desesperadamente à procura de um pensamento menos sombrio, mas acredito que o Moutinho, o nosso Moutinho que todos vimos pedir desculpa aos adeptos em nome da equipa, cumpriu mais uma etapa do penoso processo de crescimento a que está sujeito. Acredito que depois de uma época destas, sofrendo e dando constantemente a cara, o João torna-se cada vez mais o líder das nossas futuras gerações.
Isto, se os idiotas que dirigem o nosso clube fizerem algo nesse sentido.


A Normalidade

Abril 20, 2008

Para mim, hoje é aquele dia em que o Paulo Bento devia ter vergonha na cara e desaparecer. Só que eu acho que ele já não tem vergonha na cara. E como a direcção não tem nada, ficamos assim.

Para mim, já chega de o Paulo ganhar experiência no Sporting. Sim, porque é com estas derrotas que o rapaz aprende. E é com estes resultados que adquire aquela maturidade tão importante quando daqui a uns tempos estiver noutro clube onde haja uma cultura de exigência.

O Paulo, com uma frieza desconcertante – mais uma vez – veio afirmar no final do jogo que hoje não conseguiu passar para a equipa aquilo que era necessário. Epá, se não fosse ele a dizer isto, nós não tínhamos notado.  Mas essa frieza, essa descontracção, compreendem-se. Afinal, a Taça de Portugal, esse grande objectivo da época, continua de pé. O resto é calendário.

E além do mais, nós temos que compreender que a equipa hoje esteve cansada.

A equipa hoje esteve cansada pela meia hora de quarta-feira em que jogou em ritmo acelerado.

Para mim, é triste confirmar que o que aconteceu na quarta-feira foi apenas meia hora que correu bem demais. E que isso nem de motivação serviu.

Vergonha de  Sporting.

 

P.S.: Como as coisas vão de vento em popa, sugiro que de imediato:

Dediquem o tempo necessário a renegociar contrato com o Abel, essa grande mais valia.

Renovem com o Izmailov, esse exemplo de regularidade e investimento de futuro.

Continuem a apostar no Pipi e a dar-lhe a importância que ele merece na equipa.


Venham mais cinco

Abril 19, 2008

Cheguei a casa há coisa de 10 minutos e, ao tirar o casaco, voltei a sentir uma dor no ombro direito. Curiosamente, é uma dor que me faz sorrir, pois resulta da forma descontrolada como festejei os golos na passada quarta-feira.

Durante 90 minutos, o amor irracional que sinto pelo Sporting (começou há 26 anos, tinha eu cinco) atravessou todas as fases que um amor de verdade atravessa.

Durante 45 minutos sofri. A equipa que eu amo estava ali, à minha frente, levando pancada atrás de pancada, e aqueles incumbidos de defendê-la pouco ou nada faziam para evitar as constantes punhaladas rumo ao coração.

O intervalo chegou e eu, amargurado, quase ferido de morte, sentia-me afundar no verdadeiro pântano que tem sido toda esta época. Mais do que tristeza, sentia raiva. Uma raiva enorme, que pedia incessantemente para ser libertada e povoava a minha mente com a crença de que um golo, um golo apenas, podia mudar tudo.

Quando os segundos 45 minutos tiveram início, sentia as hostes agitadas. Sentia que, tal como eu, a família verde e branca apenas pedia um motivo para mostrar que no fundo, bem lá no fundo, mantinha a secreta esperança de celebrar à chuva algo realmente histórico.

E veio o remate do Moutinho. A bola embateu na barra. O meu coração voltou a bater.
E entrou o Derlei.
A curva sul renasceu e, por mais estapafúrdio que tal pensamento pudesse ser, os leões na bancada sentiam que aquele jogo nunca poderia acabar como estava.

E veio o primeiro golo. Djaló.
A minha raiva libertou-se e gritei golo com tanta força que me engasguei.
Do outro lado, a uma centena de metros, quem lançara antecipadamente “olés” sentia medo.
Faltavam 25 minutos.

E veio o segundo golo. Liedson.
A minha raiva soltou-se definitivamente e vieram-me as lágrimas aos olhos enquanto abraçava o meu irmão.

E veio o terceiro golo. Derlei.
E já não era raiva. Era toda uma época de amor incondicional espezinhado que, num golpe de ninja, me corria nas veias com sangue a ferver e me fazia escalar a vedação que separa bancadas, erguendo bem alto o meu punho cerrado com a mesma força com que punha à prova a resistência das minhas cordas vocais.

E veio o empate.
E, estranhamente, quase não o senti(mos).
Nada podia impedir aquela épica comunhão de sentimentos.

E veio o 4-3. Djaló.
E o meu coração rebentou, espalhando sangue de leão por todo o meu corpo, ao ponto de sentir as veias das têmporas pulsarem de tal forma que, arrisco eu, se fosse uns anos mais velho tinha desfalecido em plena curva sul.

Mas como ainda não sou uns anos mais velho, como a curva estava belíssima e a equipa jogava de forma fantástica, os meus olhos abriram-se e viram a bola sair dos pés do Miguel e tomar a direcção que eu, na bancada, pedida aos gritos para ela tomar. E o Vuk, que tal como os onze leões em campo parecia ouvir o que eu lhe dizia, encheu o pé e mandou-me de volta, punho cerrado e sorriso rasgado, para os braços do meu irmão. 

16 de Abril de 2008
Gostava de acreditar que esta é a data da revolução no futebol do meu Sporting. Uma revolução feita por 11 homens que mostraram estar ao lado de quem os dirige e, depois de meses de agonia, partilharam com quem os apoia a verdadeira vontade de ganhar.
Sei que os problemas da equipa continuam lá. Mas também sei que faltam quatro jogos para o fim da liga, mais a final da Taça.
Assim, e já que falei em revolução, não resisto a utilizar uma frase constante numa das músicas de Zeca Afonso: venham mais cinco!


O barrote

Abril 18, 2008

Houve um momento neste derby que mudou tudo. Mudou o jogo, mudou os adeptos, mudou o Sporting. Salvou o Sporting. O Moutinho, o capitão Moutinho, a bandeira Moutinho, o líder Moutinho, deslizou às pernas do seu herói, Rui Costa, levou a bola com ele. Levantou-se. Protegeu a bola. Virou-se para a baliza. Avançou uns metros e quando dois adversários estavam a chegar, chutou a 20 metros. Não chutou, rematou. Com força, colocação, raiva, revolta. E a bola só não entrou, porque do lado de lá estava o melhor guarda-redes português. Mas foi ao barrote. E ainda bem, porque renasceu o Sporting. Foi aí que nasceu a minha roquidão e as minhas mazelas na perna e pé direitos. E foi aí que todos os que estavam no estádio começaram a ficar roucos. E foi aí que assisti e vivi um dos momentos mais marcantes da minha vida de estádios de futebol. O estádio acreditou. E gritou e cantou essa fé lá para dentro. E os jogadores convenceram-se que eram capazes. Não pensaram mais duas vezes. Agiram por instinto. Na base da adrenalina. Foi aí que o discurso de Paulo Bento no balneário começou a fazer sentido naquelas cabeças. É verdade que o Romagnoli tinha saído, o Derlei tinha chegado, o Izmailov começou a furar o lado direito e o Vuk saiu da esquerda para estar em todo o lado perto da bola. E o Djaló foi para a entrada da área, entre centrais e trinco. Mas isso são os ossos, os músculos, a pele. Faltava o sangue. E esse começou a entrar em campo às golfadas da bancada. Quando o Liedson (sempre o Liedson) marca o segundo, o Paulo Bento chamou o capitão. E pediu calma, passes no meio campo. Mas a bancada não deixou. Continuou a injectar sangue naquele corpo verde e branco. De tal forma que até o Derlei ressuscitou. Aquele que parecia um balde de água fria típico do fado leonino, rapidamente secou com a crença, a fé, o sangue e o suor que continuaram a jorrar das bancadas. E quando o Djaló recebeu a bola a meio-campo, não hesitou, não quis pensar, não passou para trás, com “calma”. Acelerou, ouviu a bancada, o sangue subiu-lhe à cabeça e começou a fazer bicicletas. E a bancada grita “CHUTA!”. E ele chuta e marca! E deixa de haver um quadro mental para encaixar o que passou pelas cabeças de quem já não conseguia estar mais de 30 segundos a plenos pulmões. Não há referências, um gajo procura, mas não encontra. Não há nada comparável ao impacto de um golo destes no sistema central nervoso de um adepto. E o tiro do Vuk é o ponto final. O grito de libertação. As gargalhadas de pura felicidade física. A explosão da raiva acumulada durante 60 minutos de sacríficio, de dor. Que desapareceu com aquele remate ao barrote, que salvou o Sporting.

PS: A foto de cima tem as mesmas caras da que está abaixo. Mas reparem na diferença. Naquelas expressões está tudo. Tudo o que este derby significou… não há felicidade pura, como abaixo, há emoção. Há sangue, há raiva, há cérebros à procura de referências mentais que não existem. Como aquilo que todos nós sentimos na bancada e em todos os cantos leoninos. É por isso que este derby foi único. Jogadores a agirem como adeptos.
PS2: Os saltos do Liedson no terceiro golo foram dos momentos mais sinceros do levezinho desde que está no Sporting. Uma imagem, uma metáfora do que significou isto tudo para os jogadores. E que, aconteça o que acontecer, dá o cimento para construir o futuro. Haja tijolos.


Dois meses à espera de um pretexto para este vídeo…

Abril 16, 2008


Cinco

Abril 16, 2008
do Lat. cinque por quinque
num. card.,
s. m.,
quatro mais um;
s. m.,
o algarismo que representa o número cinco.
s. m.,
o que numa relação ou série ocupa o quinto lugar.
do Lat. cinque por quinque
carta de jogar, face de dado ou pedra de dominó que tem cinco pontos ou pintas.

A águia faz piu piu…

Abril 14, 2008

Salvem a época, façam-nos felizes!


inhos, o caralho!!!

Abril 14, 2008

em homenagem à nossa academia, ao nosso plantel, a todos inhos, vulgos rodas-baixas, escrevo em letra pequenininha.

somos um clube especial. disso já pouca gente tem dúvidas. aparte tudo aquilo que sempre nos diferenciou dos demais, observo uma nova tendência. a morfologia da nossa equipa de futebol. a construção deste soberbo plantel. e a contribuição que foi dada pela menina dos nosso olhos, a nossa academia.

olhando rapidamente para os nomes e alturas desta gente, verificamos que há uma ideia subjacente. Preocupamo-nos com a estética. Onde os outros lavram com tractores, nós vamos lá com porta-chaves. É uma estratégiacomo outras . Mas se calhar está errada, não?

ao observar o final do jogo com o glasgow rangers, não pude deixar de sorrir, ao verificar que boa parte da nossa esperança de recuparação estava nos pés de anões enfezados. a lutar contra aqueles troncos escoceses. pereirinha e moutinho, produtos da academia. e depois pipi e levezinhos, estes contratados no exterior. todos inhos. todos pequenininhos e atarracadinhos. onde está o músculo? ninguém ganha porra nenhuma assim!

Quando é que podemos esperar que da academia saia, finalmente, um DJALÓZÃO com um piço tão viçoso que, só de estar entalado nos calções, faça tremer os adversários?


Paciência

Abril 13, 2008

Na passada quinta-feira, a paciência do adepto sportinguista foi novamente colocada à prova. O desafio era lançado por duas paciências com responsabilidades:
a de um tal Franco, que não gosta de futebol e garante que se os adeptos leoninos gostam da formação, têm que ter paciência e saber esperar que os jovens talentos amadureçam e formem uma grande equipa (se calhar o primeiro passo passa por não os deixar sair, digo eu…)
a de um tal Paulo Bento, que anunciava que para se ganhar aos protestantes escoceses a equipa tinha que ter muita paciência

o resultado de tanta paciência já se sabe qual foi, e a paciência do adepto sportinguista levou mais um rombo assinalável.

entretanto, da terra que tem mais encanto na hora da despedida, veio um tal de Domingos Paciência, convidado para se apresentar no estádio dos passarinhos 48 horas antes do que estava inicialmente previsto. Ninguém questionou as razões de tal mudança de horário, até porque não se encontra uma razão válida a não ser ter sido solicitada por quem foi, e o tal do Paciência, o Domingos, lá teve que trazer os chamados estudantes até Lisboa, numa sexta-feira à noite, com todos os perigos inerentes à conjugação das palavras estudantes e sexta-feira à noite.
Pum, pum, pum. Três batatas no forno serviram de acompanhamento a uma águia depenada, e permitiram ao Domingos esfrangalhar a paciência dos rosinhas, garantindo que tinham sido três mas podiam ter sido quatro ou mais (o que para o “Chaloio” seria igual, pois tanto se pode perder por um como por cinco).

Assim, com a ajuda do Paciência e dos seus meninos vestidos de negro (podíamos jogar com o equipamento alternativo na pxm quarta-feira, só naquela), a moribunda paciência dos adeptos sportinguistas voltou a dar sinais de vida e a apontar o caminho de Alvalade como único destino possível no final da tarde deste domingo.

Só espero que, apesar de ser domingo, não exijam muito da nossa paciência e exijam ainda menos da vossa. Há que despachar os homens do mar com a maior rapidez possível e só então abrandar. Gerir. Pedir-nos paciência. Porque quarta-feira há mais.


Kamikaze

Abril 12, 2008

O que será que passa pela cabeça de um homem que se oferece para morrer com o objectivo de matar? Não gosto do novo conceito, o do bombista suicida. Não é heróico. Matam civis. É cobarde. Já os kamikazes, que eram aviadores japoneses que atacavam navios americanos ou britânicos, era outra conversa. O que passará na cabeça de um destes tipos, quando baixa o nariz do avião, aponta ao navio pequenino lá muito em baixo e acelera a fundo? Pensará na família, no chefe que vai ficar orgulhoso, nos danos que vai provocar no inimigo? Ou só está concentrado em cumprir uma missão, atingir um objectivo? É que aqui não há a promessa de milhares de virgens à espera no paraíso. Aqui, é unica e exclusivamente o sacrífico individual em nome de um bem maior, colectivo.

Pois, não sei o que pensa um kamikaze. Por isso, não sei porque é que o Paulo Bento está a fazer isto. Nem avanço uma explicação. Não quero pensar mais nas motivações. Só queria saber porque é que joga o Romagnoli 90 minutos, porque é que o nosso melhor jogador está escondido e só se vê quando leva uma cacetada valente e rebola com dores, porque é que não entramos nos jogos como entrávamos no ano passado, porque é que joga o russo e não joga o Pequeno Pereira, porque é que joga o Abel e não joga o Pequeno Pereira, porque é que o Djaló fica no banco a rebentar de confiança, porque é que ainda joga o Tiuí, porque é que nós temos um jogador como o Gladstone… enfim, o que é que pensará o Paulo Bento quando baixa o nariz do avião, aponta ao navio pequenino lá muito em baixo (onde estão os três milhões de sportinguistas) e acelera a fundo?

PS: Para quem tem dúvidas sobre o poder de um treinador competente e de um clube bem organizado, o Cacifo aconselha o visionamento atento da 2ª mão do Getafe-Bayern… Estamos a falar o Estrela da Amadora espanhol!