O Amor

Julho 31, 2008

O amor existe?

Eu acho que sim, e tive essa prova por volta dos 11 anos…

 

Num belo domingo de Primavera a terceira mulher do meu pai, em grande altercação afirmou:

-“Ou eu, ou o Sporting, escolhe!!”

 

O meu progenitor, qual Peyroteo, não hesitou e fulminou:

- “O Sporting, claro”

 

E lá seguimos calmamente até Alvalade para mais um domingo desportivo, cujo programa incluía; Jogo de juniores, uma qualquer modalidade amadora e o ponto alto do dia; Manuel Fernandes-Oliveira-Jordão.

 

Não é bonito o amor?

Haverá maior prova de amor à camisola?

 

Se Moutinho tivesse um décimo deste sentimento teria agido da mesma forma?

Não creio.

 

Na década em que nasceu o pequeno João, começou a crescer a ideia de que o amor à camisola era um sentimento fora-de-moda, passou a ser do senso comum que os jogadores, com 12/13 anos de carreira, tinham de maximizar o que a curta profissão lhes pode oferecer.

 Os empresários – essa nova classe laboral – apoia esta ideia, os valores dos contratos sobem exponencialmente graças à lei Bosman, os direitos televisivos trazem mais dinheiro, a bola domingueira transforma-se numa indústria.

 

O filho do mítico Zé Águas transfere-se do Benfica para o Porto… por dinheiro.

Paulo Futre, grande esperança Sportinguista, vira costas a quem nele apostou… por dinheiro.

Jaime Pacheco, Sousa, Inácio, Gabriel, Fernando Mendes, Paulo Sousa etc, etc.

 

Quando o pai de Moutinho tentava jogar no Benfica (já devíamos ter desconfiado desses genes manhosos), ao Sporting chegou aquele que porventura foi um dos melhores Capitães da nossa história, Manuel Fernandes.

Mentiu à família para não ir para o Porto, recusou convites do Benfica, prejudicou-se financeiramente… por amor ao clube.

Numa entrevista em jeito de balanço no final da carreira disse: “mais do que qualquer golo ou qualquer jogo, o maior momento de glória da minha vida foi aquele em que vesti, pela primeira vez, a camisola do Sporting”.

 

Isto é amor, foda-se!

 

Creio que a generalidade da minha geração viu no Moutinho a reencarnação deste espírito, mas pelos vistos enganámo-nos redondamente.

 

Afinal a ambição sobrepõe-se à humildade, afinal o “profissionalismo” sobrepõe-se ao Sportinguismo, afinal o dinheiro sobrepõe-se aos valores, afinal…é como tantos outros, apenas um bom jogador, sem amor ao clube que o criou.

 

É pena, podia ser um grande símbolo, tinha condições para bater quase todos os recordes de leão ao peito, entrar na galeria dos imortais, mas não, em quinze segundos de declarações infelizes, estragou tudo.

 

Ou estou a ficar velho, ou o amor já não é o que era.

 

 


O Dia do Juízo Final

Julho 31, 2008

O Dia do Juízo Final

 

Somos tidos como a melhor escola de formação de Portugal. Há quem arrisque, uma das melhores do mundo. Não discuto a ideia. Em termos futebolísticos, acredito que a Academia Puma não anda longe disso. E o resto?

De que são feitos os nossos pequenos campeões? Pernas robustas, tronco musculado, pés de veludo. E a cabeça? Na linha de produção, os nossos operários estão a trabalhar muito bem o básico. Mas parece-me que se estão a esquecer do óbvio. Dotar toda esta gente de cérebro. Não faz mal, senhores. A fábrica não morre por haver uns quantos que tenham ideias próprias. Se chegar o sindicato, pode haver umas greves. Não passa disso. O que não pode acontecer é desenvolvermos séries de jogador vintage com cabeça de melão. O que se passa neste caso é, mais tarde do que se julga, o cérebro (ou a ausência dele) ser indevidamente apropriado pelos oportunistas de turno. Os parasitas do momento que usam e abusam do vento que passa pela cabeça dos pobres miúdos. Um filme visto e revisto. Um espectáculo desprezível, esta verdadeira guerra de máquinas contra humanos. O objecto vira-se contra o criador. De repente acordam, olham-se ao espelho e vislumbram uns pêlos no buço. E pronto, o caldo entorna. O final já todos sabemos como é. Assistir sem grande capacidade de manobra ao dia do Juízo Final. Jogadores rebeldes sem causa em revolta cega contra o clube.

E que tal investir no carácter para além das qualidades físicas? Homens a sério e de barba rija são precisos neste mundo.

Neste particular, o nosso passado recente está repleto de histórias dispensáveis. Não apenas protagonizadas por aqueles que querem sair a qualquer custo, mas também, pelos artistas que não sentem um pingo de reconhecimento por quem tão bem cuidou deles.

Futre, Figo, Quaresma, Simão…e agora João Moutinho. Há quem vá mais longe. A rábula da ida do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid é absolutamente aterradora e exemplar. Falta de respeito, de amor e de lealdade numa só e única vontade. Há anos atrás levámos com a transferência mais cobarde e traidora da história do futebol quando o Figo trocou o Barça pelo Real Madrid. E agora, temos o caso Moutinho. Esforço, Dedicação, Devoção e Glória? Pelo amor de Deus. O nosso capitão fez ouvidos de mercador às palavras do Visconde e deixou-se levar pela música que vem da caverna dos Beatles.

Não é triste os nossos meninos serem os melhores da bola e os piores no ranking da decência?

 

 

 


Parece-me óbvio…

Julho 31, 2008

… que a polémica em torno do Moutinho já merecia uma intervenção da mais alta figura do Estado.

Cito o meu homónimo: “Naturalmente! Naturalmente!!!”


A luta faz-se…

Julho 28, 2008

… lutando! Um pequeno passo para o Cacifo, um grande passo para o triunfo dos mais esclarecidos.


Há vida para lá das “razões pessoais”

Julho 28, 2008

Não venho aqui falar de “razões” pessoais, empresariais e que mais. Não venho falar de desilusões, ilusões e tostões. Venho falar de bola. E de xis, números, traços e setas. O Sporting deste ano está em obras. E não há crises emocionais que o trabalho não resolva. Também não me interessa o resultado e a vitória contra o Grupo de Excursionistas do Alto dos Moinhos. Nesta fase, é pouco importante, embora seja confortável saber que a coisa para os lados da Rua dos Soeiros está tão complicada como um jogo de Mikado numa placa de xisto.

O losango tem a morte anunciada. Antes tínhamos um jogador (Pipi) que, pelo seu intrínseco apagamento, punha todo o sistema em causa ofensivamente. E tínhamos outro (Veloso) que, pelo seu engordamento, afundava o que restava do sistema defensivamente. Agora, temos um terceiro (Rochemback) que, pura e simplesmente, ignora o sistema, deixando frequentemente o vértice direito para pegar no jogo pelo meio, pisando o trinco e desprezando o 10.

Não podemos ter um jogador como o Roca e tirá-lo do centro. Sendo assim, e porque ninguém com quase 90 quilos pode ser deixado sozinho no centro, o Sporting 08/09 está feito para o já testado (obrigado, Paulo, ano e meio depois) 4-4-2. Perfeito para o Roca, para o Veloso, para o Adrien. Óptimo para o Izmailov, para o Vuk (tem de defender um pouco mais), para o Pereirinha. Fantástico para o Pipi, que vai para o banco, que parece sempre ser o seu desejo. E muito bom para os avançados, que não têm de se desgastar nas alas e podem preencher os corredores do meio, lado a lado, como se viu tão bem nos dois golos desta noite, cortanto nas costas e recebendo a bola perto da baliza e não a 30 metros, perto do bandeirinha.

O problema agora é largar definitivamente o losango. Na supertaça? Nas primeiras jornadas e antes da dupla jornada com os rivais? Antes da Champions? É a dúvida que deve estar a atormentar o Paulo Bento, para além do momento em que pensou em dar uma marretada no Moutinho, dentro do balneário e antes das declarações mais pertubadoras no clube desde a épica conferência de imprensa do Figo. Eu diria, esqueça-se já o losango. Tente-se vender já o Pipi. E procurar um médio esquerdo alternativo ao Vuk. Para evitar atrasar cinco meses o crescimento de uma equipa que tem condições para atingir os níveis competitivos mais altos da Era Bento.

PS: Nestas cogitações não foi citado o ex-Capitão nem um possível substituto. A racionalidade do discurso puramente futebolístico diz-nos que a eficácia de jogo subia muito com ele em campo. A emotividade do futebol diz-nos que a sua presença turva os raciocínios…


Até morrer!

Julho 27, 2008

 

Percorrendo terras do interior alentejano, dei de caras com esta imagem à qual apontei imediatamente a objectiva. Enquanto sorria, orgulhoso por tão bela demonstração de paixão clubística e encarnando o papel de enviado especial, pensei imediatamente em publicá-la no Cacifo. Numa desagradável coincidência, as capas os desportivos que, esta manhã, encontrei no quiosque, como que justificaram não perder mais tempo no passar dos pensamentos aos actos.

“Quero sair do Sporting”. A afirmação é curta, grossa e esclarecedora, para além de ser uma verdadeira pedrada no estômago dos verdadeiros sportinguistas mandada por aquele que é, para já, o nosso capitão. Aprendi a respeitar o João Moutinho. Por aquilo que joga e pela forma como joga, entregando-se de corpo e alma às riscas verdes e brancas. No fundo, o João faz aquilo que nós dizemos que faríamos se o destino nos tivesse levado das bancadas para dentro das quatro linhas: “come a relva” e até chora quando perde jogos.

Por tudo isso, as suas palavras, que finalmente respondem à pergunta feita pelo Sousa Cintra, são ainda mais dolorosas. Já para não falar no quanto custa ver alguém como o João trocar o Sporting por um clube onde a emoção máxima vai ser disputar um derby de Liverpool, numa clara demonstração de ambição “à Manuel Fernandes”, o mesmo que um dia foi dispensado dos juvenis leoninos.

E é nesta altura em que a revolta ameaça tornar-me menos racional, que esta imagem ganha ainda mais importância.
Porque eu posso não jogar de leão ao peito, mas tenho um dentro dele.
Porque eu posso não jogar de verde e branco, mas essas serão sempre as minhas cores.
Porque eu posso não festejar golos no relvado de Alvalade, mas desde os cinco anos que pedi aos meus pais equipamentos do Sporting para jogar numa rua onde eram todos lampiões.
Porque eu posso não ganhar milhões de euros, mas gosto tanto deste clube que, estupidamente, fui um dos que caiu quando o varandim do velhinho Alvalade cedeu.
Porque, com ou sem João, eu continuarei a empunhar orgulhosamente uma destas bandeiras. Até morrer!


Então estamos conversados

Julho 27, 2008

“O Sporting sabe a minha vontade e já a transmiti. A minha vontade, pelas razões que tenho, é poder sair.”
(
João Moutinho, 26 de Julho de 2008)

PS: Não vou repetir argumentos. Junto apenas que me custa ouvir um capitão do Sporting falar assim.


Notícias que assustam

Julho 25, 2008

Jornal “Record”, edição de hoje, secção Sporting, página 19.
Leio em ante-título: “Fábio Rochemback ganha cada vez mais peso…”. Páro, absorvo a informação, preocupo-me e só depois reparo que a frase termina com “…na estrutura leonina para a próxima época”. A frase completa deixa-me mais tranquilo. Mas confesso que depois de ter visto o jogo de domingo (houve jogo no domingo, não houve?), dou por mim a pensar se o “Record” não estará a fazer jornalismo de antecipação.

Já agora, ainda no “Record” de hoje, secção Sporting, na página ao lado, a 18, lê-se no subtítulo de outra notícia: “Técnico aplica conceitos próprios na correcção de aspectos tácticos da equipa”. Não li a notícia. Mas adivinho que seja excelente.


O que vais tu fazer, João?

Julho 22, 2008

Caro João Moutinho,

Que raio vais tu fazer para o Everton? A ser verdade o que leio por aí, só me resta perguntar-te: que raio vais tu fazer para o Everton? Ganhar mais? Ganhar o dobro, o triplo? No mundo real, no mundo em que vivo, eu até compreenderia esse argumento. Mas… Quanto ganhas hoje, João? 750 euros? 1000 euros? 5000 euros? Desculpa, Joáo, mas tenho de repetir a pergunta: que raio vais tu fazer para o Everton? Arriscar ser o próximo Hugo Viana do futebol português?! Foi isso que te fez correr durante estes anos?!

Foste das melhores coisas que aconteceu ao Sporting nos últimos tempos. Em todos os aspectos. Com a bola no pé, sobretudo. Mas também em humildade, capacidade de sacrifício, abnegação. Mostraste esforço e dedicação. Tiveste alguma glória ao levantar dois canecos com a braçadeira de capitão (Taça e Supertaça). Agora era boa altura para completar o lema. Bastava mostrares alguma devoção. Não muita. Bastava alguma. Este é um daqueles momentos em que podes marcar a diferença entre um “símbolo” e um “profissional”. Se optares pelo primeiro, não te esqueceremos. Se fores pelo segundo caminho, passas a ser mais um.

A ser mentira que queiras ir para o Everton, a ser verdade que acreditas que tens capacidade para mais e melhor do que o Everton, a solução é simples: marcas uma conferência de imprensa e esclareces as coisas. “Senhores do Everton, muito obrigado, agradeço a atenção, mas estou bem onde estou. Não me levem a mal, mas não troco o clube que me criou por um qualquer Everton deste Mundo. Com 21 anos, não me faltarão oportunidades de experimentar outros desafios”. Repito: é simples.

A ser mentira que queiras ficar no Sporting, a ser verdade que trocas sem qualquer problema de consciência o Sporting que te criou por qualquer Everton deste Mundo, então é ainda mais simples: chega-te à frente e esclarece as coisas. “Adeptos do Sporting, obrigadinho por tudo, mas eu ando aqui é para ganhar a vida e não posso perder a oportunidade de ir para qualquer clube que me pague 250 mil euros por mês. Não me levem a mal, isto é tudo muito bonito, mas vou pra onde me pagam mais e para onde dá jeito ao meu empresário, que também precisa de ganhar uns euritos com a transferência”. Ou então explica-nos também qual o papel da direcção do Sporting em todo este processo. Explica-nos, por favor, se és assim tão imprescindível quanto apregoam, ou se és apenas (mais) um activo que eles não se importam de alienar. Mas em qualquer dos casos, se fores para o Everton, para esse grande Everton, faz-me só mais um favor: poupa-nos a lenga-lenga do “devo muito a este clube e serei do Sporting para sempre”.

Um abraço, João. E fica bem. Mas acima de tudo, decide-te. Começo a ficar farto do teu silêncio sobre este assunto.

PS: Acho triste que a direcção do Sporting não perceba que, muito provavelmente, nem daqui a 10 anos teremos outro jogador com as características (futebolísticas e humanas) do João Moutinho. Senhores da SAD: é por de mais evidente que este é um daqueles jogadores que qualquer clube europeu tentaria preservar a todo o custo no plantel. Nem que tivessem de abdicar do ordenado de 4 ou 5 Farneruds para triplicar o ordenado do João. O João, caso não tenham reparado, é mais do que um jogador. É mística. É balneário. É raça. É sentir o clube. Se a indústria do futebol caminhou neste sentido da “lei do Euro”, adaptem-se. Abram excepções na gestão do plantel. Vendam os meninos-vedetas e fiquem com aqueles que sentem que os sócios realmente estimam. 25 milhões de euros? As perdas não financeiras deste negócio vão reduzir bastante esse encaixe que pretendem esfregar-nos na cara justificar o negócio.

PS2: Este argumento não é meu, mas vejo-me forçado a roubá-lo (porque quem de direito não se chega à frente para expô-lo): claramente, temos de investir mais na componente humana da nossa formação em Alcochete. Sim senhor, somos grandes a formar jogadores, saem de lá a tratar muito bem a bola e tal, grandes vedetas, grandes atletas, grandes artistas. Mas começa a ser constrangedor ter de lidar todos os anos com estas situações. Sejamos claros: as birras por quererem sair a qualquer custo, a gestão de carreira centrada no salário e a facilidade de “cagar” no clube em que foram criados começam também a já fazer parte da nossa distinta escola de formação.
Primeiro o Figo  e as suas “pesetices” (Sporting e Benfica; Juventus e Parma; Barcelona e Real Madrid).
Depois o Ronaldo e as suas aselhices (a novela Man Utd e Real Madrid).
Noutra dimensão, as birrinhas do Nani no ano passado e as birrinhas do Veloso este ano.
Num plano ainda mais grave, a facilidade com que o Quaresma ou o Simão vestiram as camisolas de rivais.
Senhores da formação: é trancar as playstations na garagem e ensinar às crianças que há outros valores na vida além do dinheiro, fama, gajas ou carros.


Temos os melhores guarda-redes do Mundo

Julho 16, 2008

Chama-se Rui Batista, era suplente no Fulham. É internacional sub-21, onde costuma ser suplente do Rui Patrício. Foi formado no Vit. Setúbal, tem 21 anos e é “do Sporting desde pequenino”. Vem para substituir o Stojkovic. Está fechado o leque de guarda-redes do nosso plantel 2008/09. Rui Patrício, Tiago e Rui Batista. Por esta ordem? Não sei. Mas apetece-me ser optimista: temos o melhor trio de guarda-redes do Mundo.


O outro Paulinho, esse diamante em bruto

Julho 16, 2008

Rio Maior, Santarém, 16 Jul (Lusa) — Os ex-internacionais portugueses  Sá Pinto, Jorge Costa, Capucho e Romeu obtiveram 15 valores na avaliação  final do curso de treinadores de futebol UEFA Advanced, que decorreu em  Junho, anunciou hoje a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).   

Além das classificações de “bom” do responsável pelas relações externas  e internacionais do Sporting, Ricardo Sá Pinto (15,3), do treinador do Olhanense,  Jorge Costa (15) e dos ex-jogadores do FC Porto, Capucho (15,3) e Romeu  (15,2), o ex-internacional português Paulinho Santos obteve a avaliação  “suficiente”, com 12,7 valores como nota final.  

 

 


As pausas do Paulo Bento

Julho 15, 2008

Quando Paulo fala, Paulo usa muitos segundos para respirar entre as verbalizações. Essas pausas serão, este ano, bem mais relevantes do que o que Paulo tiver para dizer. Porque serão um barómetro. Uma espécie de sondagem. Um voto à boca da urna. Para a minha paciência. (As pausas são um sinal exterior da dificuldade em comunicar os pensamentos. Mas também são uma espécie de cicatriz. O Figo é um bom exemplo: quando se fala sem um filtro mental forçado, diz-se muita merda).

Bom, as pausas podem vir a soar como momentos de genial introspecção de um homem inspirado e visionário. Se o Patrício explodir (não literalmente, embora valesse o bilhete de época se testemunhado ao vivo) ou se vier um redes decente, se a defesa funcionar como um verdadeiro dique (Caneira, Tonel, Polga, Grimi, sim, Abel, Caneira, Polga e Grimi, também, Abel, Tonel, Polga e Caneira, não), se o losango funcionar (Veloso traumatizado e pronto para a vida de adulto, Roca e Moutinho no leme e Romagnoli já sem o peso da equipa em cima; ou Moutinho e Roca no leme, Vuk e Izma nas alas; ou Veloso ou Roca, Vuk e Izma e Moutinho, raros foram os anos com tantas soluções fiáveis), se o ataque marcar golos (big issue: ninguém é seguro mas todos podem funcionar). Neste cenário, até eu passarei a esperar um segundo antes de cada palavra. Estilo: “bom dia… um segundo… queria… um segundo… uma sandes… um segundo… de queijo… um segundo… sem manteiga… um segundo… e um galão… um segundo… morno. Mão…um segundo… bola… um segundo… andebol, basquetebol… pé… um segundo… bola… um segundo… futebol.

Mas as pausas também podem soar, nos próximos meses, como terríveis incertezas de alguém em pré-paralisia intelectual, que roçarão no meu sistema nervoso central ao ponto de me injectar do meu assento e começar a partir a TV com a cabeça. E aí, o Patrício dará um frango a cada cinco jogos, o Abel regressa no pico do seu declínio, o Tonel continua na dupla com o Polga e o Caneira não chegará para as encomendas. Ou o Ronny joga. O Veloso continua gordo, o Roca fica mais gordo, o Vuk faz birras, o Izma chora no túnel, o Moutinho lesiona-se, o Romagnoli tropeça em cada tufo mais alto de relva, o Pereirinha dá uma de Carlos Martins. No ataque, o Liedson nunca mais volta a ser levezinho, o Derlei mantorriza-se, o Tiuí é o Tiuí, o Djaló volta a ser o Yannick e o Postiga volta a ser o Postiga.

Neste momento, as pausas do Paulo Bento ainda me fazem sorrir. Mas a acalmia rapidamente acabará. A maré vai acelerar, os ventos vão começar a soprar forte e o sangue vai aquecer. Daqui a uns meses, as pausas do Paulo Bento já dirão muito. E bastará muito pouco para passarem de geniais a patéticas, e vice-versa. Esse é o signo desta época. Não há concessões. Ou vai ou racha. Para mim e para ele.


Subtilezas

Julho 15, 2008

E eis que se fez luz neste cérebro! Ao ler isto no “Record” de hoje, lá consegui perceber o enigma das 478 entrevistas que o Soares Franco já deu àquele jornal no último ano. E o porquê do corte de relações entre a direcção do Sporting e ”A Bola”. Porra, é que andava mesmo intrigado. Mas agora já percebi…


Custou mas foi…

Julho 15, 2008

Tivemos de passar pelo Euro2008. Depois o caos no futebol português. A UEFA, o FCP, a Champions, o SLB. Nos entretantos, levámos com a novela Aimar. Aimar vem, Aimar quase, Aimar mais longe, Aimar garantido, Aimar sim, Aimar não. Pelo meio, pra encher chouriço, os treinos, as baterias de exames, as peladinhas, os de colete azul a ganharem aos de colete amarelo. Até que, finalmente, e bem de mansinho, chegámos lá. Já não era sem tempo. 15 de Julho. “Manchester United quer Paulo Bento“. Este é o título que assinala de forma defintiva o início da silly season. Sejam bem vindos. Por mim, confesso que já tinha saudades.


Duas décadas

Julho 14, 2008

Uma salva de palmas para o Sr. Aurélio Pereira, que há 20 anos coordena o departamento responsável pela descoberta de novos talentos.
Obrigado por duas décadas de dedicação, que transformaram o Sporting num viveiro sem igual a nível nacional e com poucos que se lhe comparem a nível internacional.