Maldita interrupção…

Agosto 31, 2008

Só jogamos com os lampiões e os tripeiros daqui a um mês. Que pena. Pelo que se viu esta noite, se os jogos fossem já para a semana, menos que os seis pontos era muito mau.

Não me espantou nada a falta de ligação do futebol dos lampiões, a confusão, o pífio Aimar, o (nosso conhecido) inconsequente Martins, o assustado Reyes ou o deslocado (na posição e no país) grego. Já a falta de pernas desta equipa, tendo em conta o “messias” que veio de Liverpool, foi uma surpresa.

Fiquei particularmente espantado com a incapacidade dos tripeiros de acabar com um Benfica moribundo e com apenas sete ou oito jogadores aptos em campo. Apesar de terem regressado à táctica normal, não foram capazes de sequer morder a baliza do Quim após a expulsão. Falta de ideias, confiança e de pernas.

Ambos vão melhorar com o tempo, ajustar-se aos novos jogadores. O Jesualdo há-de voltar a perceber à força que não pode inventar muito (porque não sabe), como o fez na 1a parte (patética aquela postura gilvicentiana). O Quique há-de perceber que o Aimar vai arrastar demasiado a equipa com ele (mais para baixo que para cima) e que o Martins não é realisticamente fiável. E acabará por perceber que o 4-4-2 clássico com extremos e Cardozo e Suazo é a melhor solução.

Quanto mais tarde perceberem as coisas, maior terá de ser a vantagem pontual do Sporting. Repito que o Sporting tem a obrigação de passar as primeiras cinco jornadas em primeiro lugar com vantagem… veremos se não dá mais tiros nos pés…


O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 2

Agosto 29, 2008

É um estádio bonito, novo… arejado

Sp. Braga – Sporting

Segunda, 1 Setembro 2008
Estádio Axa, 21.15

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

Os senhores do tempo dizem que durante o fim-de-semana deve chover na zona norte do país, mas se tudo correr bem segunda já será um dia de sol. No entanto, este Estádio Axa que continua a ser chamado de 1º de Maio, de Municipal de Braga e até de A Pedreira, tem a particularidade de, precisamente, ter pedra em vez de topos, o que faz dele um estádio frio como poucos. É claramente melhor ir lá jogar em Setembro do que num gélido Janeiro, mas volto a sugerir que façam-se acompanhar por um casaquinho.

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Braga é o principal candidato ao prémio “Dor de Cabeça dos Três Grandes 2008”, com a curiosidade de apresentar um plantel com mais soluções do que alguns plantéis com que o Sporting se assumiu candidato ao título nas últimas duas décadas. Carlos Freitas chegou e desatou a comprar tudo o que mexia, principalmente avançados (Mossoró, Alan, Meyong, Rentería e até o velhinho Paulo César, ex-União de Leiria, juntaram-se a Jorginho, Wender, Matheus e Linz), dando a Jorge Jesus um considerável poder de fogo e uma maior segurança na baliza, com a recuperação de Eduardo, emprestado ao Setúbal.

Ainda sem conhecer o sabor da derrota tanto em jogos de preparação como oficiais, o Braga tem jogado numa espécie de losango, só que com extremos e não médios interiores nas alas (Alan e César Peixoto), o suficiente para ir ganhando enquanto espera que alguns jogadores importantes recuperem de lesões e que o entrosamento da defesa melhore (ponto a explorar).

 

Este homem é um Mister

Assumo desde já: não gosto do Jorge Jesus, mesmo sabendo que é um dos treinadores mais competentes cá do burgo, que passou pelo Sporting enquanto jogador e que teve a brilhante ideia de dizer que ia passar a jogar com defesas manetas, depois de terem assinalado um penalti contra a sua equipa, por bola na mão.

Irrita-me aquele seu estilo “vaidosolas”, aqui e ali polvilhado de falsa modéstia, já para não falar do facto de ser lampião. Mas a verdade é que o “Cruyjff de Felgueiras”, onde se deu a conhecer trazendo o clube para a 1ª divisão, tem um percurso interessante com passagens simpáticas pela Amadora e por Leiria, indo o maior destaque para a sua passagem por Belém, onde conseguiu apurar-se para a UEFA e ir à final da Taça de Portugal (sendo encavado pelo Liedson).

Adora que as suas equipas consigam “dominar o espaço e o tempo”, outra das frases inesquecíveis deste mister que caiu nas boas graças dos cacifeiros Jordão e Sousa Cintra.

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

A tentação é eleger o Linz como a estrela desta equipa, mas o jogador que mais tem dado nas vistas neste início de época é o médio uruguaio, Luís Aguiar. Joga na posição 10 e não será boa ideia darem-lhe muito espaço à entrada da área, porque o rapaz adora tiro ao alvo.

 

A vantagem de ter duas pernas!

Confirmando o grau de dificuldade desta deslocação, não é nada simples eleger um “perna de pau” na equipa bracarense. Há, isso sim, dois ou três gajos com a mania que são melhores jogadores do que realmente são e nesse aspecto tenho que destacar o João Pereira, um dos jogadores que mais odeio na nossa Liga.

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, este é daqueles jogos que servem para uma equipa poder afirmar-se definitivamente como candidata ao título. É um dos jogos mais complicados que teremos durante toda a época (dava jeito ter o Polga) e, assim de repente, penso que o melhor conselho que posso dar-te, para além de sermos os primeiros a marcar para terminarmos com os contra-ataques à Jesus, é o de explorares o lado direito do Braga.

O Alan esquece-se demasiadas vezes de ajudar o João Pereira a defender e este traste tem uma capacidade de controlar os nervos quase nula, portanto já sabes para que lado deve descair o Derlei (e podes sempre pôr o Vuk em cima dele). Com jeitinho, o pequeno lampião é expulso depois de cuspir-se todo a insultar o árbitro.

 

Vamos jogar no Totobola

Braga – Sporting: X 2


As bolas decidiram, está decidido

Agosto 28, 2008

Liga dos Campeões 08/09
Fase de Grupos

Grupo C
Barcelona
Sporting
Basileia
Shakhtar Donetsk

Está aberto o Cacifo.


Autofagia

Agosto 27, 2008

1- Gostava, como sócio e gameboxer, que o sr. Paulo Bento me pedisse pessoalmente desculpa pela primeira parte…
2- Gostava que o Veloso fosse homenzinho…
3- Gostava que o Postiga não jogasse no Sporting…
4- E assumo, aqui, hoje, depois de uma das mais humilhantes primeiras partes da história do Sporting, que gostava que os seguintes jogadores fossem aplaudidos de pé no próximo jogo em Alvalade: Tonel, Abel, Izmailov, Romagnoli e Djaló! Obrigado, sinceramente.
5- Gostava mesmo que o Postiga não jogasse no Sporting…

Apesar de tudo, há consolo.


Pormenores

Agosto 27, 2008

Pormenor 1: na Dica da Semana que tinha hoje na caixa de publicidade do prédio, vem uma entrevista com o João Pinto. Destaque na capa, com a frase “Era a altura indicada para passar o testemunho”. Abro, para “morder” os produtos em destaque, e dou de caras com uma foto do João equipado à Sporting, mas o melhor ainda estava para vir. Quando espreito os créditos da foto (manias), leio o seguinte: “foto gentilmente cedida por João Vieira Pinto”. Quase tive vontade de ler a entrevista, só para ver se ele dizia que era do Sporting desde pequenino.

Pormenor 2: vocês acham que o Rodrigo Bonifácio da Rocha, mais conhecido por Tiuí, alguma vez na vida sonhou pisar a relva do Santiago Barnabéu, ainda por cima a titular?

Pormenor 3: o Vukcevic está no banco. Isto promete.


O meu cantinho PETA

Agosto 27, 2008

O Sporting organiza amanhã uma tourada. É “A Noite das Bandarilhas”, que assinala o seu 102.º aniversário. Eu, quando fizer 102 anos, também vou convidar coisas que mexam para lhes espetar umas merdas no lombo. Talvez lampiões. Mas lampiões grandes e obesos, porque com essa idade já não terei, seguramente, a visibilidade apurada. Mas o que interessa é que, quando fizer 102 anos, haja lombos grandes e que se mexam. Para espetar merdas. Diz que é uma óptima forma de comemorar aniversários. 

A tourada do Sporting vai ter o Joaquim Bastinhas e o Luís Rouxinol que são, segundo a Lusa – esse meu boletim de informação equestre –, “os dois maiores intérpretes da arte de bandarilhar a duas mãos”. É, portanto, nestes intérpretes e nas suas quatro mãos que eu vou querer que os toiros marrem como se não houvesse amanhã. Depois, a arena recebe também os matadores Luís Procuna e António Ferreira. De acordo com a Lusa (quem mais?) são “dois excelentes cultores do tércio de bandarilhas, pela emoção com que o  realizam”. Do Ferreira contam, aliás, que “no passado dia 22 de Julho, em Mont de Marsan, França, (…)  triunfou com o corte de uma orelha ao toiro da cerimónia”. Fico, portanto, a torcer para que os toiros executem um valente par de tércios de cornadas nos testículos destes dois senhores. 

Como informação extra, a Lusa conta-nos que, na “festa” de aniversário do Sporting, “serão lidados sete bonitos toiros da ganadaria Manuel Veiga” (a objectividade parece que se eclipsa nos boletins tauromáquicos da Lusa). Conta-nos também a Lusa que a ganadaria Manuel Veiga “foi  fundada em 1968, a partir de um lote de vacas de Rafael Calado e sementais  de António Silva”. Giro, giro, era que a “festa” de aniversário do Sporting terminasse com os toiros a sementarem o lote de vacas das mulheres dos senhores toureiros.

(Por antecipação, digo já que o desejo de ver toiros a sementarem pessoas é extensível aos amigos do Miguel Ralão, no caso de também se indignarem com esta minha opinião sobre touradas. Mas só para os amigos do Ralão. Os outros podem discordar à vontade).


Não Há Estrelas no Céu

Agosto 26, 2008

Estrela da Semana – Nós

 

Nascidos, criados e aculturados no seio da família sportinguista. Em especial, os milhares que comungam quinzenalmente na paróquia de Alvalade. Nós os que deixamos bem claro a atitude e o espírito que nos acompanhará durante a nova época. Porque há coisas que nunca mudam. E uma hora de jogo bastou, para para que a massa verde e branca mostrasse a raça e as garras do leão. Primeiro erro grosseiro de um árbitro em Alvalade e a postura de sempre. Vaia monumental a acompanhar o penalty e consequente  perseguição ao árbitro ao mais estilo PIDE  durante o resto do jogo. Desde o clássico, “boi preto” ou “ladrão” até ao muito acarinhado “gatuno” ouvimos de tudo um pouco. Palavras várias mas sempre com o registo e a marca da casa. Dedos na boca para assobiar ou em riste conforme a situação e o gosto pessoal. Porque há uma questão cultural que não pode ser esquecida. E de pais para filhos a herança de criticar o árbitro deve ser transmitida desde nascença. Para quem lá estava, e para quem viu de fora, a mensagem passou. Não perdoaremos erros dos árbitros. Nem penalties inventados. Só a nosso favor. E fazemos questão de o demonstrar logo a abrir. Na jornada inaugural para que ninguém se esqueça disso mesmo.  Que o Sporting somos nós. Porque nós, em Alvalade, levantamos a voz para que não suceda o mesmo que aos outros 6 milhões que um dia foram roubados e não gostaram da ideia. Nós nunca gostamos. Desde o princípio ao fim!

Lembrem-se disto, seus GATUNOS!

 


Prémio “por-que-é-que-as-pessoas-não-se-calam-mesmo-após-terem-feito-merda-da-grossa?” da semana

Agosto 26, 2008

Luís Ramos, árbitro auxiliar do jogo Sporting-Trofense:

“(…) São questões para resolver internamente e que não vale a pena trazer para o domínio público.”

E LOGO DEPOIS:
“’Os amigos e a família têm-me ajudado a recompor deste momento. Têm sido eles o meu porto de abrigo. Já fui treinar, já libertei o stress’, disse o árbitro, admitindo que só na televisão percebeu que se tinha equivocado.”

 

In CM

 


Sporting&Saudade (Melo)

Agosto 26, 2008

Melo (em ortografia arcaica Mello) é um relativamente frequente apelido de família da língua portuguesa. Sua origem provável poderá ser uma corruptela do nome de uma ave, o melro. Diz-se à boca pequena que, apenas neste caso, pode ser do frango a proveniência do sobrenome…invejas. 

 

 

Melo, este belo exemplar de guardião, tem honras de abertura nesta pretensa magnífica rubrica semanal.

Foi o grande protagonista do defeso de 81, numa transferência relâmpago desde o Vitória da cidade berço. Jogou 3 anos de Leão ao peito, campeão da regularidade, nunca saiu do banco de suplentes.

Joaquim Alberto Castanheira de Melo não se confinava à condição de guarda-redes, disponível e solícito, era o próprio que verificava manualmente a pressão das bolas. ( vidé foto) Rezam as crónicas  que, graças a Melo, entre 81 e 84 nunca houve bolas chôchas nos aprontos matinais lá para as bandas de Telheiras.

A sua saída para o Belenenses foi uma perda irreparável, um dos muitos erros que provocaram a triste travessia do deserto que percorremos durante tantos anos.

 

Que saudades do Melo.

Tinha classe.

 

 

Nota- Na foto, Melo representa o Belenenses… Foi a pala amarela, não resisti.

 

 


Será que ele sabe do que está a falar?

Agosto 25, 2008

Ainda não consegui formar uma opinião definitiva sobre a matéria. Daí a decisão de lançar o debate: o que vos pareceu a reacção do Paulo Bento ao (clamoroso) erro de arbitragem no nosso jogo com o Trofense?

Por um lado, percebo que não haja tempo a perder na marcação de uma posição quanto aos erros de arbitragem. Bem vistas as coisas, nas próximas quatro jornadas vamos defrontar as três equipas que muito provavelmente andarão connosco até ao fim da época nas primeiras posições da tabela. Há jogos importantes em perspectiva. Por isso, percebo que não possamos “deixar passar” acontecimentos como aquele hilariante penalty, sob pena de nos colocarmos numa posição passiva que permita a repetição de erros destes.

De qualquer forma, e por outro lado, confesso que me custa começar a época logo com este discurso. “Não tenho dúvidas”, respondeu o Paulo Bento, quando questionado sobre se o Sporting terá de lutar contra outras forças além dos 15 adversários no campeonato. Será mesmo assim? Será mesmo necessário adoptar logo este espírito de guerrilha contra os árbitros na primeira jornada? Estaremos mesmo convictos de que isto vai ser um fartar vilanagem em favor dos nossos directos rivais? Ou é uma questão estratégica?

Seja como for, mesmo atendendo a todas as (ridículas) circunstâncias que envolveram o penalty, a reacção pareceu-me um pouco exagerada e, sobretudo, demasiado generalizada para meu gosto. Mas isto sou eu, que se calhar estou a ver mal as coisas. Aliás, espero bem não estar aqui dentro de 4 ou 5 semanas a escrever qualquer coisa como “pois, o Paulo Bento bem nos avisou”.


O quarto árbitro – 1.ª jornada

Agosto 25, 2008

O que faz um quarto árbitro? Levanta placas, vê os pitons dos suplentes e manda acalmar os habitantes dos bancos de cada equipa. É o queixinhas de serviço. Vê os jogos em plano privilegiado e ainda embolsa umas valentes centenas de euros. É por isso necessária uma nova cultura de exigência para com estes homens que, sendo árbitros e fazendo parte do espectáculo, não sopram no apito nem agitam bandeirinhas. O Cacifo inicia hoje o seu contributo para mudar o status quo.

4.º árbitro do Sporting-Trofense
Bruno Esteves (A.F. Algarve)

Pontuação: 2 pontos (de 0 a 10)

Nota artística – 2
Bruno teve uma actuação ordinária. À falta de problemas para gerir nos bancos de suplentes, deixou-se estar por ali. Passou 90% do tempo de jogo junto à linha, de pernas abertas e braços cruzados, abusando do recurso à coreografia porteiro de discoteca. Horrível atitude, a não contribuir minimamente para dignificar a função. Nem umas “corridinhas para aquecer”, uns “saltinhos para dar uso aos músculos” ou o sempre bonito “sentar na casota”. Nada. Péssimo desempenho artístico.

Nota técnica – 3
No levantamento das placas também não esteve particularmente brilhante. Nota 5 para a substituição de Areias, ainda na primeira parte. Foi o melhor gesto técnico em todo o jogo, onde revelou convicção, entrega e paixão. Mas depois esqueceu-se de diversificar e percebeu-se que não sabe mais do que aquilo. Repetiu-se até ao último levantamento de placa. E foi bem visível a insatisfação dos adeptos perante esta vergonha: na altura em que levantou a placa para a entrada de Caneira, mereceu todos os assobios que se faziam ouvir no estádio.

Nota disciplinar – 1
Aproveitou a última substituição do jogo (a entrada de Postiga) para “despachar serviço” e meteu à mistura o tempo de desconto do jogo. Quis ser protagonista, complicou, gerou dúvida e mal-estar nas bancadas. As doces palmadinhas que deu nas costas de Valdomiro quando este reentrou no terreno depois de lesão, também não ajudam à pontuação final. Erros de principiante, que lhe podem custar uma semana na jarra dos quartos árbitros. São actuações como estas que provam a necessidade de profissionalizar o sector da arbitragem.


ROCA ‘N’ ROLL!!

Agosto 23, 2008

Sporting – 3 (Tonel, Izmailov e Djaló), Homens da Trofa – 1 (Pinheiro)

Nível de endorfinas: muito satisfatório: festival de bola nos primeiros 35 minutos. Deu gosto ver o carrosel. 10 minutos para descansar até ao intervalo. 15 minutos iniciais da 2ª a adivinhar novos golos e com o losango a rodopiar e bem oleado. Depois, erro do Polga e mudou tudo, regressando a nuvem do ano passado. Com uma diferença: o jogo esteve sempre na mão dos homens de barba rija da equipa.

Momento-chave: Penalty e expulsão: se não tivessem acontecido, os homens da Trofa tinham saído com cinco ou seis no saco. E tinha sido a grande oportunidade para o Postiga marcar pelo Sporting…

Prémio El Dieguito: Sem discussão: golo de calcanhar do Djaló! Que maravilha. Menos óbvio: abertura do Roca para o Izmailov, minutos antes de sofrermos o penalty: classe pura!

Prémio Gladstone: O disparate da noite é cortesia de Anderson Polga. Péssimo timing na abordagem à bola, deixando escapar Zé do Gol e, depois, um erro infantil com consequências sérias para a equipa: golo sofrido, 10 em campo, ausência em Braga. Um capitão não faz disparates destes…

Prémio Zé Piqueno: Valdomiro, Areias, Milton do Ó: é escolher. Gostei especialmente dos pitons cravados na perna do Derlei (2ª parte) e do empurrão ao Djaló contra os placards de publicidade. Estes meninos vêm com a rodagem toda das batalhas campais do nosso futebol secundário.

Visão Zeman: O losango está num rodopio. E obedece ao mestre Roca. É verdadeiramente impressionante: o gajo define tudo: vai para o meio, logo alguém ocupa o seu lugar na direita. Vai para a direita e suga todo o meio campo, que o segue para pequenas tabelinhas. A sua movimentação define o jogo da equipa toda. E, depois, com a bola nos pés, faz tudo: lança a 25 metros, dá toques de meio metro para um gajo que vem atrás, é imprevisível e torna o Sporting imprevisível. Que tenha saúde, é o que se deseja. E muita caminha.

Substituições: A saída do Pipi não foi feliz. Perdemos o controlo do meio campo com um homem a menos. Já não havia ali ninguém para dar linhas de passe. E o Derlei e o Djaló estavam perdidos lá na frente. Quando entra o Pereirinha para o Djaló, a coisa melhorou, obviamente: 4-4-1, linhas de passe, progressão… tranquilo até ao fim.

Vivó Sporting… até morrer!: A entrega da Supertaça entre um anão e um gigantone, claro, foi o momento Sporting da noite. Mas não foi o único, infelizmente: a histeria colectiva que se seguiu ao lance do penalty fantasma, num jogo de 3-0, também é muito Sporting. E a assobiadela à saída do árbitro é sintomática deste modo de viver o futebol que eu me esforço para não partilhar (nem sempre consigo, admito). Apitar em Alvalade deve ser um pesadelo para qualquer árbitro. Depois, vê-se, só fazem merda… (o erro do Polga foi tão grosseiro como o do fiscal-de-linha. Ponto.)


O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 1

Agosto 22, 2008

O Cacifo do Paulinho passa, a partir de hoje, a ocupar semanalmente uma das suas prateleiras com a rubrica O Bloco de Notas do Gabriel Alves, um espaço onde analisaremos o próximo adversário ao mais ínfimo pormenor.

Sempre a pensar no Sporting e em todos os que nos visitam, esta será a primeira de muitas novidades que preparámos. Tantas, que acreditamos que até o Miguel Nuno virá do Oriente a galope na sua Oxallys, só para poder espreitar o que se passa neste blogue que é uma verdadeira dressage e luta sempre pela nota 10 em termos de reprise.

Aiô, Silver!

 

É um estádio bonito, novo… arejado

Sporting – Trofense

Sábado, 23 Agosto 2008
Alvalade XXI – Estádio José de Alvalade, às 20.45

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

Prevê-se uma excelente noite para a prática de futebol, com uma temperatura a rodar os 16º. Para quem vai para a bancada, a camisola oficial, versão manga comprida, será o ideal. Aos mais friorentos, aconselhamos que se façam acompanhar por um casaquinho (nem que seja para o mítico “pôr pelos ombros”). O cachecol é obrigatório.

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Trofense tem como objectivo a manutenção e deverá surgir em Alvalade com o seu esquema de 5-3-2 a dar ideia que é um 3-5-2. Portanto, três centrais para os nossos dois avançados e dois laterais, Zamorano e Areias (sim, esse mesmo) que normalmente estacionam na zona de meio campo. Na intermediária, Toni conta com a experiência de Delfim (sim, esse mesmo) e Ricardo Nascimento (que está em dúvida), acompanhados por Pinheiro. Na frente, aposta na velocidade de Hélder Barbosa e de um avançado mais fixo, que poderá ser Edu Sousa ou Zé Carlos, ou então de uma dupla mais móvel com a inclusão de Lipatín.

Começaram mal a época, perdendo 2-0 na Madeira, frente ao Nacional, para a Carlsberg Cup.

 

Este homem é um Mister

António Conceição, Toni para os amigos, é o homem que dirige a embarcação Trofense. Num estilo castiço, quiçá saloio, conta no seu currículo com uma subida de divisão ao serviço da Estrela da Amadora, com quem ficou depois em 9º lugar, tendo mesmo ganho em Alvalade, por 1-0, num jogo em que o Sporting fez mais de 20 remates à baliza e em que Liedson falhou um penalti, já nos descontos. Tendo já passado pela Naval e Vitória de Setúbal, repetiu a subida na época passada, fazendo história ao trazer o clube da Trofa ao convívio com os maiores do nosso “futebolinho”.

 

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

Hélder Barbosa, emprestado pelo FCP, é a mais valia desta equipa, mas por vezes esquece-se que não está a jogar sozinho. Ricardo Nascimento é patrão. David Caiado e Tiago Pinto são dois produtos da nossa Academia que dificilmente pisarão o relvado de Alvalade. O primeiro tem estado lesionado, o segundo tem que convencer o Mister Toni que é melhor que o camelo. Perdão, que o Areias.

 

A vantagem de ter duas pernas!

Uma defesa liderada por Milton do Ó e Valdomiro, a que se junta o Areias (cheira-me que este rapaz está na rua antes do intervalo, mas pode ser só impressão minha), merece levar pelo menos quatro batatas, mas nesta galeria de cromos da equipa adversária prefiro destacar Zamorano. Porquê? Mede 1,60m e quase aposto que tem um Fiat Punto todo “tunnado”

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, já sabes que o Trofense vem jogar para o 0-0, fechadinho com cinco defesas, portanto a ideia é carregar pelas alas. Os laterais deles ficam lá atrás, os médios têm que ajudar nas linhas e o centro do terreno dos gajos fica descompensado. Descompensado e esgotado, porque há lá gente prontinha a pendurar as chuteiras.

 

Vamos jogar no Totobola

Sporting – Trofense: 1


Guerra é guerra…

Agosto 21, 2008

… e nós continuamos a ganhar batalhas!


A “caminha” do Sporting

Agosto 21, 2008

Aproveito a onda de bom senso dos nossos vizinhos sobre a histeria colectiva que, órfã dos McCann, decidiu, este Verão, virar-se para o desporto (enquanto prática física que não se resume ao pontapé na bola). E aproveito, sobretudo, a sua óptima observação objectiva do fenómeno para contextualizar o papel do Sporting em todo este cenário moralista. Estou à vontade porque só me interesso a sério por dois desportos. Uma escolha pessoal e de vida. Com o objectivo, aliás, de tentar ter uma vida.

Não fico, por isso, particularmente afectado se os nossos atletas não ganham. Mas, como acredito que os ídolos nos desportos geram potenciais atletas em todos nós, estimulam a prática desportiva na sociedade e, no limite, melhoram a saúde do país, acho um pouco preocupante o que se está a fazer com estes tipos. E, embora ache que o rapaz do peso ficará para a história do país com uma das declarações públicas mais disparatadas (ou hilariantes) de sempre, parece-me que os atletas são o último e mais fraco anel de uma longa cadeia de incompetência. Não são eles os principais culpados por nenhum puto dizer, daqui para a frente, “pai, quero ser como o Marco Forte” ou “mãe, deixa-me saltar para a areia como a Naide Gomes”. Quando muito, alguns pais mais engenhosos conseguirão convencer as crianças a sair da cama com a ameaça de que “não queres ser gozado como o Fortes, pois não”.

Os clubes são, para mim, os principais responsáveis por esta perda de credibilidade do desporto em Portugal. Não há ídolos. Há piadas. O preço é que, daqui a uns anos, não haverá atletas. Haverá mais Malucos do Riso. E isso é culpa dos clubes no geral e do Sporting em particular. É claro que há uma grande falta de organização federativa e olímpica, porque os meios, embora parcos parecem garantir os mínimos, literalmente. Aliás, parece que, de repente 15 milhões de euros chegavam para pôr Portugal no topo do mundo: para quem não tem noção, isso é quase uma gota do Orçamento de Estado. E é “peanuts” comparado com os benefícios que os clubes têm por serem de utilidade pública. Precisamente pelo seu papel na sociedade.

O Sporting, focado nas receitas, nos EBITDA, no project finance, no futebol, esqueceu-se do seu papel como formador de atletas de alta competição, de ídolos do desporto. O papel que tem na disponibilização de condições para a sociedade praticar desporto. O presidente já disse que, tendencialmente, o Sporting será um clube de futebol, ao estilo britânico. Eu já defendi, aqui, a importância do papel dos clubes no modelo associativo do desporto português. O Sporting construiu um estádio excelente para o futebol, um dos dois desportos que eu sigo (depois de ter acabado com o outro). Mas ignorou a piscina, a pista de atletismo, o ginásio (no estilo clássico e não pós-moderno de engate), os treinadores, os projectos a prazo, os protocolos com as escolas, os saraus, os estágios de formação, os encontros regionais, etc. Enfim, ignorou o seu papel social. Deixou isso na mão dos pais endinheirados (não admira que, depois, tenhamos o destaque dado ao patético dressage ou ao rapaz da vela de Cascais que está cansado. Ou, a outro nível, ao raguêbi). Esses não preocupam. Os seus frustrados praticantes têm opções na vida. Mas os milhares de putos que não têm onde praticar desporto, a única coisa que fazem é olhar para a TV, jogar playstation e sonhar em ser o Cristiano Ronaldo (e vão encher os bolsos dos génios que dirigem as escolas particulares de futebol).

Deixo um exemplo que indigna especialmente quem tem 15 anos de desporto federado. Hoje, para treinar qualquer desporto num dos grandes clubes portugueses, é preciso pagar. Pagar!!!! E não é pouco. Antes, davam-nos condições muito básicas, mas não nos obrigavam a pagar. Aqueles que gozam com os atletas olímpicos e indignam-se com o “dinheiro dos contribuintes”, deviam era protestar no próximo jogo do Sporting, Benfica ou Porto. Porque são eles que estão a fazer a “caminha” ao desporto nacional.