Nível de endorfinas: Razoável. Grande primeira parte! O melhor futebol que se viu o Sporting jogar desde o empate do ano passado, em casa, contra a Roma (o festival de meia-hora contra os lampiões foi em condições muito especiais). Rapidez na troca de bola, acutilância, confiança, pressão alta, agressividade com inteligência. Futebol de uma equipa que está entre as melhores 16 da Europa. Faltaram os golos, contra um Porto muito fraco, agonizado, com os jogadores a parecerem querer despedir o treinador.
Entrada lenta na segunda parte, mas a crescer gradualmente depois da oportunidade do Moutinho de cabeça. Depois, acabou o jogo. Ou melhor, acabou o futebol. E começou outra coisa. Não gosto de falar de árbitros. Não é para isso que eu dou um tempo importante da minha vida ao futebol. E não entro pelo discurso paranóico da cabala por uma e só uma razão: mostrem-me as provas e eu compro a conspiração. Sem provas, todos temos direito à presunção de inocência. No entanto, reconheço que a pressão deste jogo para o Porto era enorme. Uma pressão que chegou, claramente, ao relvado.
Dito isto, o que se passou foi um caso gravíssimo de incompetência. Porque se eu me distrair e atropelar alguém numa passadeira, vou preso. Se fosse polícia e disparasse contra um suspeito em fuga e o matasse, ia preso. Se fosse médico e rebentasse um figado para tirar o apêndice, ia preso. Se sou incompetente, tenho de pagar pelos meus erros. O sr. Bruno Paixão devia sair da arbitragem e ser castigado, pagando uma indemnização a quem pagou para assistir a este jogo. O erro é aceitável em qualquer profissão. O erro sistemático tem de ser punido.
Momento do jogo: Defesa do Helton ao cabeceamento do Moutinho. Acabava-se o jogo e começava o fim de um ciclo para o Porto.
Prémio Gladstone: Abel. Pelo penalty tão mal marcado (alguém acreditou mesmo que ele ia marcar… e, a propósito, onde estava o Liedson?)… mas sobretudo pela falta de inteligência no golo do Porto: a hesitação na dobra ao Roca (alguém acreditou mesmo que ele apanhava o Hulk depois do meio campo?) foi digna de um juvenil das distritais. E um exemplo de incompetência ao nível da do árbitro.
Prémio Zé Piqueno: A falta do Pedro Emanuel sobre o Moutinho. Aquilo não é burrice, é o sangue a ferver nas veias dos olhos.
Prémio El Dieguito: A primeira parte do Izmailov é um hino ao futebol! Uma lição do que é um grande jogador de futebol. O jogo do Moutinho a seguir ao empate é do mesmo calibre.
Visão Zeman: O losango funcionou muito bem enquanto houve superioridade no meio campo (até à entrada do Tomás Costa) e enquanto o Romagnoli durou. Depois acabou-se, sobretudo por causa da expulsão do Caneira. Com a entrada do Djaló, o Paulo Bento fez bem ao metê-lo a fechar o lado direito, quando a defender, para libertar mais o Moutinho para o meio. Tacticamente, um jogo perto da perfeição. Com confiança e velocidade, o losango funciona. Faltou matar o jogo. E uma equipa competitiva tem de matar o jogo, para não ficar à mercê da (in)competência alheia.
Algumas análises individuais: Grande jogo de Veloso, o melhor dos últimos 24 meses; excelente jogo do Caneira, que tem de jogar sempre a central porque é o líder da defesa (impressionante a descida de rendimento do Polga quando jogou com o Veloso ao lado); Rui Patrício parece um guarda-redes a sério, daqueles italianos; Liedson menos em jogo com o Postiga ao lado (com o Derlei, é o contrário… vale a pena ler, a este propósito, a análise do sr. Lobo no Expresso); Djaló regrediu uns meses na confiança (porque será?). Rodrigo Bonifácio marcou o melhor penalty da noite (a seguir com atenção…).
Vivó Sporting… até morrer!: Grande ambiente, com a equipa a beber do estádio e o estádio da equipa. Quando jogamos bem, somos os melhores adeptos do mundo!
Racionalmente, a eliminação da Taça pode trazer, quando tudo acalmar, dividendos: 1) já chega de Taças, que as levem os tripeiros ou os lampiões. Agora, não há desculpas: a equipa tem de se concentrar, exclusivamente, no título. E, se jogar muitas vezes assim, fica bem mais fácil; b) o Jesualdo vai ficar no Porto mais umas semanas, numa equipa que parece um cadáver em decomposição. Quanto mais tarde for feita a renovação do ciclo tripeiro, menos tempo haverá para recuperar este ano; c) o sentimento de injustiça pela arbitragem e pela eliminação depois de um jogo tão bom, pode contrabalançar a perda de confiança que surja com a derrota (embora nada justifique o nível das declarações de Paulo Bento na conferência de imprensa: para se ser contudente e eficaz nas critícas, não é preciso ser taberneiro – eu não gosto que o treinador do Sporting se comporte como um bêbado descontrolado… chamem-me exigente).
Novembro 10, 2008 ás 10:24 am |
Se o Sporting fez o melhor jogo da época, esta é a tua melhor análise da época. Mais logo, com mais calma, comento.
Já tinha saudades tuas, rapaz :)
Novembro 10, 2008 ás 10:53 am |
O Paulo Bento, como todos nós, está farto! Tem obrigação de se controlar, mas não está fácil. Também me irrita a tese das cabalas e o discurso do “fomos roubados”, mas a paciência tem limites, sinceramente… Qualquer árbitro que fizesse o que o Paixonette fez num Estádio do Dragão ou mesmo da Luz tinha muito poucas hipóteses de sair de lá vivo.
Quanto ao demais, espero que, de facto, isto seja um “make or break”. Não há Taças para ganhar (a da Liga não pode entrar nestas contas), acabaram-se os prémios de consolação, por isso, Paulo, está na hora de ganharmos Campeonatos. For the record, eu acredito no Paulo Bento.
Na lista dos pontos positivos, destaco também uma subida nos níveis exibicionais da equipa, que espero se mantenha. Não sou ingénua ao ponto de pensar que vamos jogar assim em todos os jogos, mas acredito que podemos jogar bem melhor do que jogámos em Outubro.
Novembro 10, 2008 ás 10:54 am |
Boa análise. Como sou parte isenta neste jogo (só jogo mais logo) faltou dizer que os jogadores fizeram tudo para elevar ainda mais a incompetência deste “árbitro”. E finalmente não adormeci a ver um jogo do Sporting. Jogo entusiasmante, gostei de ver.
Novembro 10, 2008 ás 12:53 pm |
só um post destes me fazia levantar a moral e ver o resultado de ontem como um ponto positivo na nossa caminhada para o tão ambicionado título.
parabéns, excelente análise!
agora vou gostar de ver os passarinhos a jogar com os gladiadores de ontem.. isto se os passarinhos não se espalharem com o aves.. era mais lindo ainda..
saudações leoninas
Novembro 10, 2008 ás 2:29 pm |
Bom jogo do Sporting, se a partir de agora jogarmos sempre com esta vontade e velocidade, acho que podemos ser campeões. A arbitragem foi muito muito pobre mas desta vez acho que não foi por isso que perdemos. A expulsão do Caneira é ridicula mas a verdade é que mesmo com 10 estivemos sempre por cima deles.
Perdemos o jogo porque, num canto, decidimos atrasar para o meio campo e depois vimos um rinoceronte a tentar apanhar um comboio. Ou seja, perdemos porque o Porto aproveitou a única oportunidade de golo que teve durante 120 minutos.
Continuo sem perceber a contratação do Rochemback. O Paulo Bento só joga em losango, está mais que visto. E o Rochemback não pode jogar com o losango. Se fica no vértice recuado, joga mal porque é lento e faz muitas faltas. Se joga do lado direito, não joga porque não sabe o que fazer ali. Jogar à frente não pode porque não tem talento suficiente. Se nunca vamos jogar com 2 médios lado a lado, o Rochemback é um terrivel erro de casting e, pior, parece que vai jogar sempre!
Quanto ao penalty do Abel, será que sou o único que tinha a certeza absoluta que o gajo ia falhar? O Izmailov não marcaria melhor? E que aconteceu ao Liedson?
Também uma palavra ao presidente, é uma vergonha que permita que aquele senhor se sente na tribuna de Alvalade.
Novembro 10, 2008 ás 2:33 pm |
sabem que mais? para mim pior do que perder foi voltar a ver aquele filho da puta do pinto da costa sentado na tribuna do nosso estádio e ao lado do nosso presidente. Imagino o que este cabrão se riu ao ver o que se ia passando no relvado.
Novembro 10, 2008 ás 7:28 pm |
[...] LEVEM LÁ A TAÇA…por O Cacifo do Paulinho Posted November 10, 2008 Filed under: Cópias digitais | Tags: bola, confiança, fcp, Nível, paixão, pressão alta, sporting, taça, troca | Nível de endorfinas: Razoável. Grande primeira parte! O melhor futebol que se viu o Sporting jogar desde o empate do ano passado, em casa, contra a Roma (o festival de meia-hora contra os lampiões foi em condições muito especiais). Rapidez na troca de bola, acutilância, confiança, pressão alta, … LER MAIS> [...]