Nacional – 1 (Nené), Sporting – 1 (Vuk)
Nível de endorfinas: Médio. Ponto prévio: odeio a Choupana. É, para mim, o estádio mais difícil de Portugal para o Sporting. Sempre foi. Salvo raríssimas excepções, é sempre um suplício jogar ali. Os tambores, as pandeiretas, o timbre agudo das velhas a cantar “o Nacional é o maior!” (hoje até tinha um som que parecia uma folha de alumínio a abanar). A sirene da Segunda Guerra Mundial! O estádio semi-deserto. O clima (do início solarengo à névoa húmida em dois minutos). Os muros. Fico mais tenso neste jogo que nalguns clássicos. Portanto, para ser fiel à minha convicção, escaparam-se dois pontos mas este inferno ficou para trás.
Dito isto, o Sporting sentiu a ansiedade. Na primeira meia-hora, em que entrou muito mal, vítima dos próprios erros mas também de uma bem montada equipa do sr. Machado. E nos últimos 15 minutos de descontrolo táctico, em que o sr. Machado decidiu partir o jogo, e o Sporting teve medo de errar e não quis ser feliz. Na filosofia colectiva de jogo e nas decisões individuais dos jogadores. A liderança esteve, por exemplo, nos pés de João Moutinho. Era difícil mas conseguiu construir a oportunidade. Não conseguiu decidir. Como todo o Sporting.
Momento-chave: defesa de Rui Patrício no penalty. Grande defesa! Depois, sempre seguro nas bolas pelo ar (incrível que não se valorize isto, depois do Sporting ter perdido uma Liga e Portugal um Europeu, à conta destes lances). No golo, foi enganado pela apatia do Polga ao fazer-se à bola, mas também avançou demasiado, sem nexo… e sofreu um grande golo.
Prémio Gladstone: Polga. Pareceu durante muitos momentos o verdadeiro Gladstone.
Prémio Zé Piqueno: Rochemback, na cotovelada mazinha que podia ter custado a expulsão com o velho e bom Martins Dragão dos Santos. Apesar deste lance infeliz, Roca fez a melhor exibição desde que regressou ao Sporting. E foi o melhor jogador em campo.
Prémio El Dieguito: Só um pequeno pormenor da física impediu aquele remate de Izmailov de entrar na baliza. Mas foi monumental na mesma.
Visão Zeman: Aqui é que está a culpa própria. O losango congelou durante meia-hora porque os jogadores estavam à nora com o esquema que tinham pela frente. Três centrais, em que dois acompanhavam os nossos móveis avançados. Dois alas que apoiavam o ataque e mudanças rápidas de flanco suportadas por três médios centros, a rodearem o desamparado Roca. Depois do penalty defendido, o Sporting começou a ser mais rápido a circular a bola, o Nacional esmoreceu.
Começou a segunda fase do jogo. E aí, voltámos a ter de levar com a merda do Postiga. O Paulo Bento tem de tomar uma decisão e rápido: ou quer continuar a apostar seja lá no que for que o Postiga dá à equipa; ou o Liedson não marca golos. Enquanto está em campo, o tripeiro rouba as linhas de passe todas ao Liedson, mas não segura uma bola. O Liedson teve uma (uma!) oportunidade de golo nesse período e foi um balão da defesa. Sem o Postiga, marcou um golo em fora-de-jogo milimétrico e deu outro a marcar ao Moutinho (em 15 minutos).
Depois, repare-se bem no marcador do golo do Sporting… o Vuk marca golos até sentado numa sanita, dentro do balneário. É impressionante. E deve jogar na área, onde sempre que lá foi criou perigo. Azar a lesão. Com o Pereirinha, manteve-se o losango. O que penalizou o próprio, que rende muito mais como um clássico carrillero. A teimosia do Paulo prospera e isso penaliza-nos contra adversários ligeiramente acima da média.
Vivó Sporting… até morrer!: Foi um treino no processo de controlo da ansiedade que iremos viver nos próximos meses. Também faltou a estrelinha de campeão, que o Porto teve no mesmo estádio. Destes dois ingredientes – e da merda do Postiga – será feita a história deste Sporting.
Janeiro 25, 2009 ás 1:47 am |
Era a bola do Moutinho. Aquela bola do Moutinho, no fim, tinha de entrar. Estrelinha de campeão era isso. Aquela bola entrar.
Janeiro 25, 2009 ás 9:53 am |
Boa análise, foi pena o resultado, a conversa seria outra, diametralmente oposta de outras, que não esta, como disse bem sóbria.
O “gordo” jogou bem, como quase sempre, a meu ver.
O Postiga também não merece carregar com tamanha cruz que lhe dá, o rapaz esforça-se, e a bola é mesmo redonda.
E lá temos o Polga, que diz quase sempre “presente” nos lances decisivos.
Ainda hei de ver uma defesa este ano com Abel, Carriço, Tonel e Caneira. Até me virão as lágrimas aos olhos….
Janeiro 25, 2009 ás 4:15 pm |
Alguém explica-me porque é que o Pereirinha não joga na direita e o Vukcevic fica a 2.º avançado, o Moutinho lado a lado com Rochemback e Izmailov na esquerda(ontem pouco subiu, muito por causa de um jogo fraquinho, mais um, do Grimi. Eu gostava muito dele, mas nesta forma prefiro mesmo o Caneira ou o M. Veloso na esquerda.)? Será assim tão difícil?
E porque é que o Liedson é obrigado a ir buscar constantemente bolas a meio-campo e andar a correr para a linha e fazer cruzamentos?
Quanto ao resto, azar e o pior jogo do Nacional frente a um grande esta época. Mas muito do azar evita-se quando se põe a melhor equipa nos jogos a doer…
Janeiro 25, 2009 ás 9:55 pm |
Cintra, a estrelinha que falta para ser campeão portugês, era o golo do Liedson não ser anulado. Agora diz-se que os 3 grandes foram recentemente muito beneficiados. O que se esquecem de dizer é que os roubos dos outros valem 3 pontos na Liga, enquanto que para nós valem 2 pontos irrelevantes na Taça da Liga.
Outras coisas:
– Num jogo emocionante com lances de perigo até ao fim, os comentadores da SportTV pareciam que estavam a comentar um jogo de snooker.
– Quantos penalties já defendeu o Patricio? Assim de repente só me lembro de ter sofrido um golo de penalty. Se fosse o Moreira, já tinha tido 15 capas, 10 entrevistas e já tinham falado com toda a familia e vizinhos.
– Porque caralho joga o Postiga?? Como é possivel ter gasto dinheiro e pagar um salário tão alto naquela merda?
Janeiro 26, 2009 ás 8:45 am |
- A ansiedade, sem dúvida. Foi impressionante a quantidade de bolas que se perderam em passes mal feitos ou tempos de reacção tardios. Apanhei uma camada de nervos à conta das bolas que iam saindo pela linha lateral e dos contra-ataques que deixavam de sê-lo devido a decisões precipitadas.
- Dizes que foi o melhor jogo do Roca e que ele foi o melhor em campo. Concordo com a primeira parte e com toda a certeza esse jogo bem conseguido deve-se preciamente à ansiedade que era necessário controlar. A experiência fez-se sentir e só foi pena uma das duas bombas que ele mandou não terem entrado (já começa a ser altura de ver este gajo marcar um golo)
- Rui Patrício. Grande, muito grande. Cintra, devias antecipar o teu mea culpa, coisa que eu já fiz há alguns meses. A defesa ao penalti é fantástica e a confiança com que segurou todas as bolas ainda mais. Quanto ao golo, prefiro dar mérito ao avançado, mesmo tendo em conta que fez o chapéu com a canela…
- É verdade… o Polga conseguiu alternar o bom com o horrível, sendo o perfeito exemplo do lado negro aqele lance, perto do final, em que deixou o Nene isolar-se
- Em contrapartida, Carriço justificou aquilo que eu tinha afirmado no post “dúvida central”: para mim, dos quatro centrais, seria sempre o meu titular. E já o vejo como futuro capitão de equipa
- Postiga… concordo totalmente com o que escreveste, Douglas, mas confesso que há outro jogador que me irrita tanto ou mais: Abel. Eu não suporto ver jogar o Abel! Chega! Ponham o Caneira à direita.
- Paulo Bento. Só tenho uma pergunta: porquê, Paulo? Não gostaste de marcar cinco golos? Não gostaste de ver a equipa jogar bem? Então, para quê dar novo passo atrás?
- A estrelinha de campeão. É verdade que aquele lance do Moutinho, em cima do apito, quase me fez estatelar sobre a mesa da sala. É verdade que a cabeçada do Carriço entrará nas próximas cinco vezes. É verdade que o remate do Izma foi o golo do ano em todas as nossas cabeças, mas… também é verdade que aquele penalti podia ter sido o nosso fim.
- A propósito de penalti. Aquilo só é penalti contra o Sporting! A forma patética como o avançado se atira para o chão, só engana árbitros que desejam ser enganados. Mais curioso, é ver que no mesmo dia, em jogos decisivos, tivemos dois árbitros da associação do porto a dirigir esses mesmos jogos. E o que aconteceu em Braga é, deixem-se de merdas, uma vergonha de todo o tamanho. O circo está montado.
Janeiro 26, 2009 ás 11:58 am |
Muito sinceramente eu acho que não podemos entrar tão lentos em jogos desta importância. Resolvemos o jogo e depois circulamos a bola, não o contrário. Seja como for continuamos na luta e é obrigatório ganhar na trofa.
Janeiro 26, 2009 ás 2:42 pm |
- Para quando um treinador com instinto matador? Acho que pagamos o facto de ter um treinador que nunca jogou em equipas ofensivas (excluindo o Sporting de Boloni), que sufocam o adversário, que causam pânico em cantos e livres. Não somos um Oviedo com adeptos mais exigentes.
- Para quando encontrar um lugar para o Moutinho e parar de pensar que pode fazer todas as posições? A 2ª parte do paços foi um bom exemplo. Sem Moutinho, Paulo Bento sente que não pode forçar o losango pq não tem ninguém para tapar os buracos nessa merda de táctica. Logo, não inventou, colocou os extremos nos extremos, o rochemback com alguém que jogue ao lado dele sem improvisar, o vuk podia atacar com pulmão e liedson era um pivot que todos sabiam por onde andava.
Pq? Pq o Moutinho não estava para compensar as subidas do vuk, a falta de velocidade do roca, apoiar o nosso defesa direito autista, as perdas de bola do postiga, as fugas do liedson para a linha.
A minha sugestão – video dos jogos do duscher qd jogava com o vidigal atrás para o Moutinho ver, com legenda “a partir de agora fazes isto, mas melhor”. Este dvd até pode ter como extras “como rematar melhor que um junior”, “chora menos e honra essa braçadeira histórica”.
Sinceramente, se é para bater recordes de jogos seguidos, ele que jogue como joga o lampard. Neste losango perdemos um óptimo médio centro, para ganhar um tapa buracos num meio campo que não teria esses buracos sem ele.
É como comprar cola para arranjar um vaso que se partiu de propósito para usar a cola.
- Para quando um estudo científico que comprove que o Abel vê a dobrar? Só assim se explica como falha metade dos lances, pq parece que tenta sempre adivinhar qual olho é que está a ver bem.
Janeiro 27, 2009 ás 12:34 am |
Careca, genial essa metáfora! Aprecio metáforas e essa foi das mais acertadas em que tropecei nos últimos tempos. Também porque é sobre um jogador que aprecio especialmente. Aprecio tanto que fico cego às suas imaturidades, às desilusões, aos defeitos. Aquele golo falhado continua a invadir-me o cérebro nos momentos mais calmos do dia. O Moutinho era o marcador perfeito daquele golo. Mas o Moutinho que já só existe na minha cabeça. O Moutinho médio-centro, o Moutinho capitão, o Moutinho sportinguista, o Moutinho decisivo. Não o Moutinho tapa-buracos, o Moutinho que não decide nada, o Moutinho que só resolve os problemas dos outros, vítima das suas qualidades e dos defeitos do seu treinador… o Moutinho UHU…
Abril 14, 2009 ás 4:50 pm |
queria agradecer pelas informacoes estou sofrendo de ansiedade e horrivel so quero me curar