Sporting – 2 (Vuk, Liedson), Equipa do Alberto João – 0
Nível de endorfinas: razoável. Exibição competente, 20 minutos iniciais com um jogo fluído, com alguma criatividade na posse de bola. Algo mole na travagem das saídas rapiditas do Marítimo, mas sólido na defesa. Jogadores nos sítios certos costuma dar nisto. A saída do gordo marcou o abrandamento na hora de arriscar. Não tanto por ele, mas porque a equipa começou a pensar demasiado antes de fazer. E porque o Roca tem mais tempo a bola no pé. Na segunda parte, apatia na recuperação de bola e más decisões em vários contra-ataques. Depois da expulsão, alguma confusão pela mudança táctica mas, após o ajuste no chip dos jogadores, a coisa foi andando até ao segundo golo.
Isto é tudo muito bonito mas o jogo do Sporting resume-se a isto: numa noite gelada, dois momentos lembraram-nos que há vida para além do frio… Que há trópicos, que há Liedson. Ele desequilibra, decide, é o danoninho. Assim, ele é o Acosta de 2000 ou o Jardel de 2002. Se continuar assim, vamos lá. Se não continuar, vai ser preciso muita, muita sorte.
Momento-chave: Os golos. Nestes jogos, marcar é o mais difícil. E o mais produtivo. Acalma o pessoal todo, dentro e fora de campo. E, como faz questão de nos lembrar em quase todos os jogos, o Postiga dificulta muito o trabalho do melhor marcador estrangeiro da história centenária do Sporting.
Prémio El Dieguito: Controlo de bola perfeito, finta genial e assistência involuntária para Vuk. Golo. Levezinho.
Prémio Zé Piqueno: Roca. Não tanto pela maldade, mas pela malícia. Ou, se quisermos, pela manha. Em 10 minutos fez quatro faltas. Para parar os ataques do Marítimo que, com o Veloso em campo, escorregavam por ali fora.
Prémio Gladstone: Também é azar. Ou não será? Primeiro lance em que o gordo parecia um jogador de futebol a sério e, pimba, lesão muscular. Ahahah… “Ó pai, traz-me aí o gelo… e os donuts, sff”.
Visão Zeman: Um losango com alguma fluidez porque tem três criativos que pensam relativamente rápido, executam razoavelmente bem e um tipo de jogo mais directo em relação ao Pipi Style. Moutinho não faz os movimentos do Romagnoli, fica mais no meio a atacar e recua mais a defender. Logo, funciona como um verdadeiro 10, não se esconde nas linhas. E isso dá mais opções de passe aos outros. E raramente perde a bola. A defender é que é mais complicado, corre tanto para compensar os gordos que acaba por rebentar, como na última meia-hora.
Com a saída de Vuk, um 4-4-2 clássico. Óptima decisão de Paulo Bento que, diga-se, fez um jogo sem mácula (titulares, substituições e alterações tácticas… as lesões também facilitaram a vida). Moutinho, cansado, ficava atrás. E bola para os extremos, Pereirinha e Izmailov. Um golo e algumas oportunidades. Bonito e eficaz… no momento certo do jogo.
Uma palavra para Pedro Silva. Confiante com a bola, péssimo a defender. Para Caneira, o melhor central do Sporting. Para Vuk, muito mais amigo do seu amigo. Para Roca, que parece um motor a diesel, precisa de meia-hora para aquecer. Para Grimi, “calma”. Para Postiga, “que sorte tão grande tiveste em jogar com o Mourinho, fez-te a vida”.
Vivó Sporting… até morrer!: Numa noite estranha, não tanto pelo frio, mas mais pelo bizarro ambiente nas bancadas (alguém mais percebeu?), demos um raro passo para assumir a liderança. Ao contrário de tantas vezes no passado. Liedson resolve. E se resolver mais vezes, vamos dar mais passos destes…