Arquivo de Maio, 2009

Bettencourt marca pontos

[...] Talvez a forma como se integram os jovens tenha que ser um pouco mais pensada e um pouco mais lenta, para haver uma mescla maior entre juventude e experiência [...] Chegar à equipa principal do Sporting tem que ser um fim. Não pode ser um trampolim“, JEB in O Jogo, sobre os jovens jogadores olharem a equipa principal como uma forma de darem o salto para outro campeonato.

Um treinador que vende camisolas

Foi desta forma que Paulo Cristóvão promoveu a sua conferência de imprensa desta tarde (19h), onde apresentará um treinador estrangeiro com experiência. O Cacifo fez uma ronda pelo “diz que pode ser este” da nossa imprensa e deixa-vos uma lista de nomes para quem quiser juntar uma aposta aos números do euromilhões:
Rijkaard, Klinsmann, Laudrup, Co Adriaanse, Trapattoni, Mancini, Balakov, Scolari, Van Gaal, Jozic, Pekerman, Zico, Radomir Antic, Bernd Schuster, Ruud Gullit, Luiz Fernandez… e há até quem diga que esta pode ser uma manobra de diversão para apresentar Jesus.

O Bolton espera por ti

Quer-me parecer que o Miguel Veloso colocou um ponto final no seu percurso como jogador do Sporting. “O Miguel não é defesa esquerdo nem gosta de jogar a defesa esquerdo [...] Querem fazer do Miguel pode expiatório [...] Se o mister quer que o Miguel vá embora, é uma opção dele, não minha”, são apenas algumas das frases que podem ser vistas aqui  e que deixam este futuro Hugo Viana com os dois pés fora do Sporting.

Futebol feliz

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Depois de anos a penar, com Mourinhos, Benitez ou Ancelottis, finalmente o futebol está feliz. Uma obra de dois homens, dois iluminados. Dois catalães cujas decisões e competência fizeram mais pelo futuro do futebol que 20 anos de Champions League. Guardiola e Laporta são as personagens mais importantes do futebol de fato e gravata do século XXI. No mínimo.

A vitória do Barça teve duas ironias: primeiro, não devia ter acontecido, porque foram altamente beneficiados contra o Chelsea. Mas até aí foi uma qualificação para a história, contra o poder que inflacionou o futebol nos últimos anos, destruindo a democracia inerente; depois, ganhou contra-natura, a defender, a controlar… mas com a mesma inteligência táctica, mestria técnica, alma colectiva e rigor mental com que revolucionou o futebol de ataque. E, agora, o futebol moderno.

Para além da incomparável competência do treinador, que junta à capacidade de trabalho e à formação futebolística de excelência, um nível de bom senso raro, este Barça também goza de algo inigualável no futebol moderno: uma gigantesca alma! Um amor à camisola, ao símbolo, à história. Futebolística (Dream Team) e cultural (catalã).

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Finalmente, a vitória deste Barça é a vitória da improbabilidade genética. É uma vitória da esquerda. Não somos todos geneticamente iguais, felizmente. Mas somos todos iguais à luz da lei, somos todos iguais no direito de acesso às oportunidades de sermos melhores, os melhores. Somos todos iguais por precisarmos sempre dos outros, do outro, mesmo do que é diferente. Os pequenos, deformados e feios do Barça impuseram-se aos perfeitos, altos e bonitos do Man U. Porque jogam um futebol que precisa do outro, porque as suas limitações físicas são, de facto, uma vantagem, porque os artistas não são perfeitos. São geniais.

A discussão entre Messi e Ronaldo promete eternizar-se. São dois fenómenos. Mas os dois melhores jogadores de futebol do Mundo, hoje, são o Iniesta e o Xavi. Os motores futebolísticos das duas melhores equipas do mundo, clube e selecção.

Eu tive o privilégio de ver o Barça jogar ao vivo, este ano. Nunca tive tanto prazer em ver o Sporting goleado. Porque só num estádio é que se percebe a dimensão futebolística deste Barça, especialmente no ataque. A perfeição táctica, as jogadas ensaiadas de futebol corrido, o posicionamento militar, o toque e a liberdade para criar, sem complexos. Só no estádio é que percebi que esta é a melhor equipa de futebol que eu vi jogar na minha vida, até hoje. A boa notícia é que, com esta Champions, a probabilidade de ser superada na história aumentou consideravelmente.

PS: Que não se justifique com o exemplo do Barça a aposta do Sporting na formação. Não só é patético, como absolutamente ilusório… Para o Barça é uma questão cultural, para o Sporting é um mero meio de financiamento, que enche o bolso sempre aos mesmos e que dá poucas alegrias aos adeptos. Até nisso, pode ser que a moda do Barça mude alguma coisa em Alvalade (os percursos de Paulo Bento e Guardiola não deixam de ser curioso: circunstancialmente paralelos, mas na essência não podiam ser mais distintos).

É pena

José Eduardo Bettencourt recusou um debate televisivo com Paulo Pereira Cristóvão, que colocaria frente a frente os dois candidatos.

Bettencourt perde uma excelente oportunidade de perguntar ao Cristóvão que é o benemérito que vai oferecer-lhe o terreno para a construção do pavilhão.
Cristóvão perde uma excelente oportunidade de chamar maricas ao Bettencourt, depois deste dar a entender que uma das razões para ficar com Paulo Bento é termos pouco tempo para preparar a pré da Champions e a próxima época.

Nós, adeptos, perdemos uma oportunidade de tirar algumas dúvidas ou, pelo menos, de ouvir o Cristóvão completar o que começou a dizer ontem, na SIC: “O Sporting precisa de um treinador com mais experiência. Não gosto de segundos lugares e não me preenche ficar à frente do Benfica. O que me preocupa é ficar sempre atrás do FC Porto. Paulo Bento, enquanto homem, fez muito pelo Sporting e teve de fazer o que outros, por inépcia, não fizeram, como lhes competia, mas Paulo Bento não será o meu treinador, que anunciarei nos próximos dias, quando tiver tudo acertado“.

Qualquer dia estamos a jogar com extremos!

“A época mal terminou, mas Paulo Bento, de 39 anos, não perdeu tempo e já começou a definir com a estrutura do futebol leonino os contornos do plantel da próxima época, caso continue no comando técnico do Sporting [...] De saída de Alvalade estão Rodrigo Tiuí, Ronny e Romagnoli, fruto de uma temporada menos conseguida. O herói da Taça de Portugal da última época deverá ser cedido por empréstimo, enquanto o lateral-esquerdo e o argentino, ambos com apenas mais um ano de contrato, poderão sair a título definitivo.”, in Record

p.s. – podiam juntar o Abel aos três estarolas…

Dissemos adeus à oitava jornada

Podem falar do empate na Trofa. Da derrota em casa, com o Braga. Ou, se quiserem ser líricos, do empate em Coimbra.

Para mim, e completando o balanço da época feito pelo Douglas no post anterior (e com o qual concordo em quase tudo), a confirmação de que não seríamos campeões deu-se à oitava jornada, quando perdemos em casa com o Leixões. Não agarrámos a liderança e, pior, foi um balde de água fria para aquela que, muito provavelmente, foi a melhor assistência da época, em Alvalade.

2º LUGAR FOREVER

Não me apetece. Esta é a melhor forma de resumir a época 2008/2009 do Sporting. Não me apetece fazer um balanço de mais um ”primeiro lugar dos últimos”. Quatro anos sempre em segundo. Quem quiser contentar-se com taças e Champions, está à vontade… No primeiro ano, depois da catástrofe Peseiro, é positivo. No segundo ano, é aceitável. No terceiro ano, já daria motivo para mudar tudo. No quarto, com a melhor equipa deste ciclo, é inaceitável. É mau. E indesculpável. Porquê?

- o Sporting só ganhou um jogo contra uma equipa igual ou melhor.
- o losango eternizou-se, sem alternativa.
- os jogadores com mais potencial não evoluíram, alguns regrediram.
- fomos historicamente humilhados na Europa por decisões puramente técnicas.
- fizemos apenas uma meia-hora entusiasmante em toda a época.
- fomos objectivamente prejudicados pela arbitragem, numa atitude corporativista do apito motivada pelos comportamentos do treinador do Sporting.
- não temos jogadas estudadas nos lances de bola parada.
- Abel, Ronny, Veloso, Romagnoli e Tiuí ainda fazem parte do plantel e são escolhidos (uns mais que outros) para jogar a titulares do Sporting.

Estas são as razões de mais um segundo lugar. E são razões para acabar com o ciclo, embora já tarde… Aparentemente, não é isso que vai acontecer. No ano passado, por esta altura, eu acreditava – a medo – que o Paulo Bento ia aprender com os erros e saber evoluir. Depois desta época, deixo cair o benefício da dúvida. Para 2009/2010, espero mais do mesmo, talvez com uma (importante) maior dose de bom senso na pessoa que dirige o clube, que pode minimizar alguns erros deste ano. Mas, se o FC Porto voltar a fazer a mesma gestão para dentro (plantel, organização) e para fora (pressões, mecenato), duvido muito que consigamos mais que um segundo lugar. Outra vez.

Dito isto, há momentos e personagens de 2008/2009 para recordar:

Liedson: eu tenho a mania que as camisolas do Sporting que compro têm de ser especiais. Com nomes especiais nas costas. Tenho uma do Sá Pinto. Com o escudo na manga. Tive momentos de dúvida (sobretudo na última época em que jogou), mas agora tenho a certeza que é uma boa camisola, que poderei mostrar com orgulho aos meus netos. Tenho outra do Moutinho. Estava convicto quando a comprei. Português (um critério importante), feito no Sporting, capitão precoce, jogador com potencial fabuloso. Hoje, tenho momentos de dúvida. E desde aquele maldito dia no Algarve, nunca mais a usei. Arrependi-me de não ter uma do Acosta. Depois desta época, não tenho dúvidas: assim que o nome dele estiver no papel, eu meto-me no Metro, saio no Campo Grande, entro na Loja e peço “uma camisola, se faz favor. O nome? Liedson, minha senhora, um dos melhores jogadores da história do nosso clube”.

Vukcevic: depois de tantos meses encostado contra a parede com orelhas de burro, aquelas semanas do regresso foram das mais entusiasmantes da época. Então quando jogou na frente, voltou a mostrar que é o jogador com mais potencial do plantel. O Vuk é, para o Sporting, o que o Hulk é para o Porto. O brasileiro teve um treinador que o ajudou a crescer, psicologica e tacticamente. O Vuk teve o Paulo Bento. Se ficar muitos anos no Sporting, será um ídolo tão grande como o Balakov ou o Sá Pinto. Já é o meu ídolo. Porque tem técnica, garra, golo e é louco. E tem uma capacidade inata de gerar empatia leonina. Priceless…

“Lembras-te daquela segunda parte contra os lampiões?”: quando se falar desta época, a única coisa (positiva) que ficará para a história serão esses absolutamente fabulosos 45 minutos. Muito pouco… mas bom.

Golo do Liedson contra os lampiões: o momento futebolístico do ano em Alvalade.

Primeiros oitavos de final na Champions: alguém acha mesmo que valeu a pena?

Mais uma fornada: Adrien, Patrício, Carriço, Pereirinha… nasceu o futuro do Sporting. Mas que futuro? Um Sporting estagnado, corporizado por Moutinho, Veloso e Djaló? Ou um Sporting feliz, em que estes jogadores, daqui a 12 meses, valham, futebolisticamente, o dobro do que valem agora? Eis o Grande Dilema…

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 30

OS ÚLTIMOS DEZ
Sporting – Paços de Ferreira  2-0
Sporting – Rio Ave  2-0
Leixões – Sporting  0-1
Sporting – Naval  3-1
Vit. Guimarães – Sporting  1-2
Sporting – Estrela da Amadora  2-1
Académica – Sporting  0-0
Sporting – Vit. Setúbal 2-1
Marítimo – Sporting 1-2

Sporting – Nacional
(domingo 24; 19h00)
Chega hoje ao fim a época em que conquistámos o tetra da segunda posição. Guardando balanços para outras núpcias, chegamos ao último jogo com metade do plantel entrevado ou castigado, o que obrigará Paulo Bento a apresentar a seguinte equipa: Patrício (ou Tiago); Tonel, Polga, Carriço e Ronny; Adrien, Pereirinha, Romagnoli e Yannick; Liedson e Derlei.

A adaptação de Tonel a defesa-direito não causará grandes problemas, pois o que Abel faz não será complicado de igualar, mas tenho pena que não seja uma oportunidade para Cedric jogar.
Já agora, e e tendo em conta que o Paulo Bento vem ler o Cacifo, arrisco a deixar uma sugestão: quando a equipa atacar, o Tonel que se junte a Polga e Carriço, formando uma linha de três, permitindo a Ronny subir à linha média e Yannick assumir-se como extremo esquerdo. É capaz de surpreender o MM.

p.s. – não posso deixar de achar curioso que nenhum dos quatro júniores convocados seja extremo ou jogue junto à linha (tirando o defesa-direito Cedric, claro). Diogo Amado joga ao meio, mais defensivo, Rabiu e Renato Neto são mais ofensivos, com este último a descair várias vezes para a direita. Tudo bem que, por exemplo, o Diogo Rosado estava nos sub-19, mas temo que este seja mais um exemplo da filosofia de jogo de PB: losango forever! 
(já agora, Portugal ganhou 3-0, com um golo de Rosado, boa exibição de Wilson Eduardo e uma dupla de centrais saída de Alcochete, Pedro Mendes e Nuno Reis, que também marcou. Ah, e o tal de Rui Fonte, avançado que acabou de crescer no Arsenal e vai voltar a Alvalade, inaugurou o marcador).

Para sempe Leão

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“”Não sei quando será formalizada a renovação. Estamos todos tranquilos e aguardamos por indicações do Sporting. Ficou tudo acordado na última reunião. As pessoas são sérias e não gostam de falar antes de tudo assinado. Só falta mesmo a assinatura, e o processo eleitoral não vai prejudicar em nada. Há seriedade no Sporting. Tenho muito respeito e carinho por José Eduardo Bettencourt, Miguel Ribeiro Telles e Rita Figueira… Todos eles vão continuar, logo haverá continuidade“, Gilmar Veloz, in O Jogo.

Sim, Liedson vai ser do Sporting por mais três anos“, Gilmar Veloz, in A Bola.

09/10 já mexe

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Parece confirmar-se aquilo que o Cintra já tinha dito aqui, até porque o jornal O Jogo também noticia que Bolton, Man City, Tottenham ou Arsenal serão o destino de Miguel Veloso.

E, já que falamos em contratações, ontem, na RTPn, gostei de ouvir o Bettencourt dizer duas ou três coisas, nomeadamente:
- “considero-me um candidato na linha de sucessão, que não de continuidade”
- “Faltou-lhe uma pontinha de sorte [a Paulo Bento], mas a ambição de vencer pode materializar-se a muito curto prazo, sem, contudo, falarmos de dinheiro ou falta dele, com discurso de coitadinho. Comigo, não. O que for pedido para a equipa será atendido, mas sem demagogia“;
- “Não recebo lições de sportinguismo de ninguém! Para debates não tenho muita paciência, mas se quiserem concursos sobre as equipas de futebol, basquetebol e andebol do clube, desafio-os a todos!” (ou seja, o ténis e o golfe parecem, finalmente, postos de lado)

Vergonhoso até ao fim

Nas últimas jornadas temos assistido a um amarelar cirúrgico dos jogadores do Sporting, mostrando o dito cartão a todos aqueles que estão à beira do castigo. Abel, Portiga e Miguel Veloso foram os mais recentes contemplados, juntando-se a Pedro Silva na lista de castigados.

Agora… Moutinho, que até já cumpriu castigo por ter visto o quinto amarelo em Guimarães, mas que volta a ficar de fora por “injúrias e ofensas à reputação”… de Bruno Paixão.

Mas será que ainda ninguém disse aos palermas que gerem a Liga, que o Benfica já não passa do terceiro lugar?

p.s. – Se a esta vergonha juntarmos os lesionados Caneira, Grimi, Rochemback, Izmailov, Vukcevic, e os “vamos lá ver se recuperam” Polga e Tonel, ficamos a saber que, para a recepção ao Nacional, Paulo Bento conta, actualmente, com Pereirinha, Carriço, Ronny, Adrien, Romagnoli, Yannick, Derley, Tiuí e Liedson. Será que temos mesmo que deixar cinco dos nossos melhores júniores, irem, um dia antes, à selecção de sub-19?

O meu Figo

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Acabou. Luís Figo, o jogador de futebol da minha vida, acabou a carreira.

Quando for velho, quando os putos da altura me falarem do mais recente produto da Academia sportinguista, mais um candidato à Bola de Ouro, eu responderei com um saudosista, “o melhor de todos foi o Figo, nunca houve mais nenhum igual”. Estou, hoje, a dezenas de anos de distância, absolutamente convencido que nunca haverá um jogador de futebol assim.

Para mim, na relação que mantenho com o futebol, seguramente mais nenhum jogador de futebol chegará, da mesma forma, ao meu sistema nervoso central. Porque eu cresci com o Figo. E o futebol cresceu em mim com o Figo. A minha ligação ao Sporting potenciou-se com o Figo. A minha paixão pelo futebol moldou-se com o Figo. Com o futebol do Figo, eu fui testemunha privilegiada de uma absolutamente improvável combinação de arte, trabalho, coragem e liderança. O Figo dentro das quatro linhas foi, na sua progressão, uma lição de vida.

O homem pouco me interessa. Pouco me interessou, sempre. Talvez uma escolha semi-consciente, quando se começou a perceber que o homem tinha pouco a ver com o futebolista. Mas, nesta esquizofrenia constante, o futebolista era tão grande que tornava o homem inferior e descartável. Um Peter Parker para o Spiderman.

O Figo do Sporting foi o ponto da partida, de uma importância para o meu sportinguismo que, quem conhece o meu percurso de vida clubística, perceberá (aos outros, poupo-os por tímida modéstia). O Figo do Barcelona acompanhei-o como se toda a minha geração estivesse à prova na Europa. Era ali que íamos mostrar o que valíamos. E valemos muito. Inesquecíveis fintas. A “bicicleta”, as simulações dos centros que punham os defesas à roda, os golos contra o Real Madrid, aquele fabuloso golo no épico da Taça de Espanha contra o Atlético de Madrid, de fora da área, na sequência de um canto. A confirmação de um talento construído na base do trabalho. Um líder, um símbolo.

Pelo caminho, o percurso inigualável do melhor jogador português de sempre na selecção. O mais consequente do futebol champanhe de 1996, o fabuloso líder de 2000, a melhor equipa de Portugal que eu vi jogar.

O Figo do Madrid valeu pelo primeiro ano e meio. Já era outro símbolo, de coisas que abomino. Mas com a bola nos pés, fez a segunda melhor época da sua carreira. Com a globalização às costas, continuou imparável em campo. Mágico. Depois, aquela lesão, acabou para sempre com o meu Figo. O melhor extremo direito da história do futebol. Sobrou o líder, o guerreiro, o capitão. Ainda ouve uma reciclagem do Figo original no Euro 2004, onde fez os dois jogos mais marcantes da sua carreira, para mim. Não tanto pelo talento, velocidade, instinto, que já lá não estavam na plenitude, mas por isso mesmo. Porque, como um leão maduro, não foi atrás da presa. Deixou a presa vir até ele. E devorou-a. Contra a Espanha foi um exemplo épico de liderança, levando uma nação às costas. Contra a Holanda, fez o melhor jogo de sempre pela Selecção. Um jogo perfeito. A imagem dele na Luz, com os papelinhos azuis e brancos a voar, é a imagem do momento mais doloroso da minha vida futebolística, um daqueles que invade a galeria da vida real. Porque eu queria ganhar. Mas queria ganhar com ele.

O primeiro ano em Itália ressuscitou-o pelo orgulho. Foi na altura certa para o futebol mais difícil do mundo. Deu uma contínua e regular lição de classe amadurecida. Como um Grand Torino, como o Grand Torino. Depois, foi uma lenta valsa até ao fim.

O Figo será sempre vítima do homem. Mas a história julgará o futebolista. E esse foi o melhor jogador de futebol da minha vida. “Eu vi o Figo”. Que melhor posso dizer quando for velho?

Frases

José Eduardo Bettencourt, o mais forte candidato à presidência do Sporting, deixou bem claras as suas ideias: “Paulo Bento forever!”

Eu, que até gosto do José Eduardo Bettencourt, aproveito para deixar bem claras as minhas: estou farto de ficar em segundo! (só para enumerar um dos pormenores bentianos que me enfastiam)

Diário de campanha I

A corrida mais louca do mundo já está na estrada. Confirmando as melhores expectativas, os candidatos a Rei Leão já protagonizaram episódios à altura do fabuloso potencial de parvoíce que apresentam. Eis o primeiro diário desta campanha que verá os diversos patrimónios de estupidez digladiarem-se pela conquista de um cantinho no nosso coração.

(nota: abreviamos a nomenclatura das personagens a dois nomes. Por conforto, para tentar que o ACP pague meia-página de publicidade no Cacifo,  mas também com a missão de combater uma avassaladora praga social como a “umnomeprópriodoisapelidos” que fez mais mossa na militância sportinguista que o fosso do novo estádio. A propósito…)

Pedro Souto e o fosso - o seu administrador financeiro sombra apresentou à imprensa algumas ideias do candidato, seguramente ocupado numa visita de negócios aos stands de carros em segunda mão de Fernão Ferro. A pérola estratégica que maior destaque merece é a épica tarefa (só ao alcance de Souto, aparentemente) de tapar o fosso de Alvalade. Ora aí está, finalmente, a propalada inovação! Num golpe de génio, pisca o olho à Cimpor para uma parceria, transforma aquele espaço na saudosa pista de tartan por onde poderão voltar a passar Maria José Valério em carros descapotáveis (fornecidos pelo presidente), bem como os alegres cabeçudos de Torres Vedras, agora personalizados em figuras da história recente do Benfica. Pelo caminho, aproveita para fazer desaparecer o Tiuí e dará aos sócios o impagável espectáculo de ver betoneiras a despejar cimento durante dois dias.

Dias Ferreira e as prioridades - Falhou um jantar em que os membros da hidra (inspirado termo surripiado à Última Roulote) procuravam convencê-lo a ocupar um lugar de destaque na lista de Carlos Barbosa (o advogado). Porquê? Tinha que ir à SIC participar no seu já lendário programa de gritaria e descontrolo taberneiro… evento onde terá versado todas as teorias sobre a sua candidatura a presidente do Sporting… candidatura que estaria mais definida se tivesse comparecido ao jantar da hidra… mas que faltou para discutir cenários… a questão coloca-se: e se o Sporting jogar à segunda à noite? Será, ele, o primeiro líder que assiste em directo aos jogos nos estúdios da SIC, com direito a golos gritados e cuspidos na tromba do caixadóculos do Cervan?

Carlos Barbosas e o complexo da pila pequena - Eis que surge o primeiro dislate da campanha. Carlos Barbosa contra Carlos Barbosa. Um Kramer contra Kramer leonino. O presidente do ACP inaugurará um novo estilo de comunicação no Sporting. Qualquer mal entendido custará meia página dos jornais de maior circulação do país. Paga pelo clube. “O Sporting vem esclarecer que o sr. Carlos Barbosa citado ontem na imprensa como o condutor do Suzuki Swift que tentou abalroar o autocarro onde ia Dom Duarte de Bragança, não tem qualquer ligação ao dr. Carlos Barbosa, presidente da Sporting SAD. Pelo erro e confusão que gerou na família leonina pedimos as nossas desculpas”.
Já o outro Carlos Barbosa promete suplantar o incumbente Soares Franco como o presidente mais monótono e menos carismático de todo o futebol da Euroásia. Para funcionar como boneco de um ventríloquo convém, ao menos, abrir a boca.

Paulo Cristóvão, o Florentino da Gomes Freire – Vive num afã. Reúne com Soares Franco para conhecer o passivo do clube. Manda o seu vice estudar os números. Anuncia uma apresentação aos sócios. Vê-se que está feliz com este protagonismo gratuito. E promete “já tenho jogadores”. A água na boca dos sócios cresce… finalmente isto fica mais interessante. Há nomes! Há unhas! Venham elas… Certamente a birra de Ronaldo não aconteceu esta semana por acaso. O CR7 prepara-se para ser anunciado como um dos vários jogadores de elite mundial na carteira de Cristóvão, com Pato, Essien e Ibrahimovic, todos com as mães raptadas num armazém de Mem Martins. Entretanto, já fez o reparo de que na conferência de imprensa agendada não apresentará jogadores. Um sinal, porventura, de que a compra do Essien está tremida…

A 23 dias do juízo final, Menezes Rodrigues e Rogério Alves esconderam-se um bocadinho. O primeiro estará muito provavelmente a estudar a viabilidade de uma candidatura ao rival da Segunda Circular, onde o seu perfil circense se adapta melhor. O segundo quer é mesas de AG, onde pode sentir-se feliz, entre garrafinhas de águas, copos virados ao contrário em papelinhos redondinhos cortados em ondas, e folhas em branco com o cabeçalho do Sporting.

A luta promete. Neste momento, aposto numa fusão automóvel entre Carlos Barbosa e Pedro Souto, que apresentará como reforço Luiz Miguel Militão, para liderar a obra de enchimento do fosso. E aposto que Dias Ferreira nunca irá candidatar-se. E que Cristóvão tem no bolso os direitos desportivos de João Pereira, Zé Manel e Paulo China.

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