Sporting, o desvio (Freitas Lobo)

Ok, eu admito que o discurso do homem às vezes é demasiado pretensioso. Afinal de contas é só futebol, é só uma bola e onze homens de cada lado, é só um desporto, entretenimento, que parece não conjugar com a sua postura de “filósofo-cientista do esférico”. De qualquer forma, não consigo deixar de gostar de Luís Freitas Lobo. Porque o homem vê o futebol de um lugar de onde poucos o vêm, o que lhe permite fazer belas análises sobre o jogo e todas as suas envolventes. Hoje há mais um exemplo disso, no Expresso. Sobre o Sporting. Sobre a inexistência de alas no jogo do Sporting. Sobre o erro histórico que se está a cometer. Um texto excelente. Está lá tudo. Não falta nem uma vírgula.

Sporting, o desvio

No passado chamavam-lhe os wings. Era o termo inglês que definia, na origem, os extremos da equipa, aqueles homens que jogavam junto às faixas, a tocar a linha de fundo. No vento das tácticas foram desaparecendo. Mas há sempre quem resista. E faz a diferença. Recordam Futre, Figo, Simão, Quaresma, Cristiano Ronaldo, até Nani. Todos com ‘berço’ comum. Nenhum outro clube produziu, nos últimos anos, tantos extremos na essência como o Sporting a nível mundial. E com qualidade fantástica. Um ‘must’ da sua formação que se tornou imagem de marca. Poderia também, com o talento mágico destes exemplares, tornar-se a imagem do seu estilo e cultura de jogo. Como o Barcelona produz médios-defensivos cerebrais, número 6, o Sporting produz extremos ziguezagueantes de pôr a cabeça à roda aos adversários.
Mas a realidade táctica traz novas ideias. Encolheu os ombros a esse legado quase mágico e espetou quatro estacas na relva do meio campo: o geométrico losango, apoiante de dois avançados móveis, daqueles que também vão ver como estão as coisas nas faixas, já criou raízes no relvado de Alvalade. Os extremos, essa casta que conduz a bola com uma varinha de condão, esfumou-se.
Todos os modelos e sistemas de jogo são legítimos e, no limite, todos também podem ser vencedores. Paulo Bento é um dogmático do 4×4x2 losango e não vem mal ao mundo e ao Sporting por isso. É uma ideia de jogo como outra qualquer. Aliás, na dinâmica da táctica, nem é preciso ter extremos de raiz para se atacar bem pelos flancos. Existem outros meios (laterais a subir, médios a descair, etc) mas não duvidem que é com extremos que se faz melhor.
O que, porém, causa mais impressão é como o tal clube, que recentemente formou tantos desses super-extremos em vias de extinção, jogue há várias épocas sem ter na sua equipa principal um único exemplar desse tipo. E, pior, nem procura por eles. É quase como virar as costas ao ‘toque de Midas’ que o seu destino lhe dera para criar uma superior cultura estilística de jogo”

9 Respostas para “Sporting, o desvio (Freitas Lobo)”

  1. Virgílio Diz:

    Cintra: é verdade q não lhe falta uma virgula. Falta-lhe apenas novidade.

    Claro que dito pelo ‘filósofo-cientista do esférico’ tem outro valor, mas a ausência de extremos neste Sporting de PB, já teve muitos comentários e análises por essa blogosfera leonina afora… Do losango e respectivas estacas então nem se fala…

    Este é só mais um contributo. Ahh, só mais uma coisa. Um contributo com o qual concordo. É um disparate o SCP não aproveitar a sua histórica propensão para a lavra de extremos espectaculares. E sim, dentro dos comentadores, analistas e paineleiros existentes nos media desportivos tugas, LFL parece-me ser dos melhorzinhos. Pelo menos parece ser imparcial… Coisa rara naquele meio…

    SL!

  2. Sousa Cintra Diz:

    É pela forma como está escrito. Repito: está lá tudo.

    • cherbakov Diz:

      É bem verdade, Cintra, mas permite-me que te recorde que és um daqueles que ainda encontra forma de ser tolerante para com o Paulo Bento e com o maldito losango.

      No final desta prosa, só faltou o Freitas Lobo perguntar: “porque razão deixam treinar à parte, junto a Ronny e Tiuí, um jovem que já foi apontado como o novo grande talento Made in Alvalade, em vez de lhe darem uma derradeira hipótese de mostrar que pode realmente brilhar e, porque não, de dar ao plantel uma solução de romper pelas alas? Sim, falo de Fábio Paim”.

  3. Tite Diz:

    O homem escreve bem e percebe de futebol científico até dizer chega. Eu não…
    Acontece que desde mais de meia época passada dissemos todos, em conjunto, que PB até poderia ser um grande treinador ou vir a sê-lo, mas que AINDA O NÃO É.
    Acho que esta época não me apetece voltar a repetir tudo de novo. Não me apetece esgrimir argumentos com leões que o defendem a todo o custo “4ever”.
    Depois do jogo de hoje percebemos que o treinador dos holandeses bastou-lhe perceber o nosso estilo de jogo para o neutralizar ao fim de 20 minutos e dar-lhe totalmente a volta nos segundos 45 minutos.
    O que fez o nosso Treinador? NADA que valha a pena comentar.
    Abraços leoninos com Rugidos de dor

  4. Placebo Diz:

    Gostei do jogo e da atitude dos jogadores, mas….

    Não é o nosso “estimado” nº4 que faz um carrinho para a atmosfera no 1º lance de golo do feyenãoseiquê?

    Não é o nosso “eterno” nº4 que assiste ao 2º golo, a 2m de distância, de fora da pequena área, a cobrir eventual entrada do guarda-redes adversário. Sem saltar (lá esboçou a intenção, como tem feito nos últimos 4-5 anos por cá…), a contemplar?

    E as charutadas?

    Mas pronto, enalteça-se o “espírito de liderança” do “craque”, a “experiência” (???), o equilíbrio que traz ao balneário, sei lá que mais. Isso deve ser tudo muito, mas mesmo MUITO importante, para eu ainda estar a pregar neste deserto com tão poucos répteis a concordar, contra este merdas de jogador….

    Um lampião qualquer, comentador da TVi, ainda gozou com o pessoal, enaltecendo-lhe uma qualquer virtude pontual que, confesso, me escapou.

    Apesar dele, gostei.
    Mas custa tanto gostar, com ele….
    Raismapartam!

    Vulgo, o “Coração de Leão”

    • cherbakov Diz:

      Placebo,
      começo a ficar preocupado com esta tua insistência no Polga. Não porque as actuações do rapaz estejam isentas de erros, antes porque chegas ao ponto de apontar-lhe culpas que não são dele.

      Quer dizer, o Caneira faz aquela triste figura no segundo golo e tu achas que a culpa é do Polga?
      Raismapartam, que não devo estar a ver bem!

  5. pedja Diz:

    tens toda a razão Placebo! Nem sabes como fico feliz por agora perceber k não sou o unico a ver k akele gajo faz 50% merda o resto é só estilo.
    Qd apertam c ele deita-se!!!! E dps manda vir c os colegas p dar a entender k os outros é k fizeram merda…

  6. RFF Diz:

    O Problema não está nos centrais. Alguém vislumbrou um amostra de futebol no meio-campo do Sporting na segunda parte?

    http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2009/07/o-comeco.html

    Mas vamos em frente que existe sempre um último a rir…

    Saudações Leoninas

  7. Placebo Diz:

    Cherbakov

    Caneira foi mamado?
    Nem vi, mas até acredito, Caneira, com o seu nível exibicional baixo desde o ano passado, costuma mesmo assim esforçar-se, e estar “nos sítios” onde a bola cai.

    Mas o k estava a fazer Polga qdo Caneira foi mamado? Consegues-me explicar? Que linha de passe, que adversário, estava ele a cobrir, naquele cruzamento?
    O que raio anda o nosso central a fazer nas bolas por alto, cruzadas para a nossa área? (já não falo na outra…).

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