Arquivo de Outubro, 2009

A morte lenta

“Acredito que podemos renascer como a fénix, mas temos de o fazer rapidamente”

“As coisas estão a correr muito abaixo do esperado, mas não devemos nem podemos esquecer os últimos anos, pois houve títulos desvalorizados e o segundo lugar foi ridicularizado. Obviamente não era a ambição nem a fasquia”

“ A grande desilusão é a qualidade exibicional, mas os próprios jogadores dizem que não tem nada a ver com o treinador”.

“Há auto-exigência de um grupo brioso, unido, que está incondicionalmente com o treinador, e um grupo desejado pelo Paulo Bento”

“O Paulo Bento faz, claramente, parte da solução, embora todos reconheçamos que a cada dia que passa… Se sentisse que ele era parte do problema”

“Consigo separar amizade de competência e trabalho”

“Não tenho certeza nenhuma de que, com outro, as coisas vão melhorar”

“Os jogadores sentiram que as pessoas exigiam e não tinham alternativa senão ganhar, mas os outros tiveram possibilidade de investir mais e também têm ambições”

“Acho que colocaram o patamar num nível que se calhar não era sustentável”

“A exigência condiciona a ‘performance’”

“O apoio dos adeptos ao Paulo Bento é inequívoco e se alguma vez sentisse que o Paulo bento era parte do problema, tomava outra decisão”

“Para fazer um grande investimento, só pegando em receitas das próximas épocas e jogar tudo num ano. Eu não assumo essa responsabilidade”

“Esta contenção leva-nos, muitas vezes, a investir em segundas e terceiras opções nas contratações”

“Não estamos à espera de nenhum milagre. Sabíamos que tínhamos um conjunto de debilidades este ano. Quando assumi a presidência do clube, tentei aproximar mais as pessoas, galvanizar mais as pessoas”

“Os sportinguistas estão cansados de não ganhar e, hoje em dia, a bitola é mais exigente. Sentimos que, logo no primeiro jogo, os jogadores já tinham a cabeça debaixo de água”

“O bom início de época do Benfica também influencia. A onda foi bem criada, e os resultados deprimem o sportinguista e animam o benfiquista”

FOI PARA brindar-nos com estas alarvidades, elas sim deprimentes, que José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting Clube de Portugal (engasgo-me a dizer coisas com SAD, peço desculpa), decidiu ir, ontem, ao canal TVi24. Ficámos todos a saber que o sr presidente continua a defender o treinador para lá do razoável, assente na estranha ideia de que, esse apoio ao líder do grupo, funciona como nota de estabilidade para a equipa e para o clube.

Está completamente errado, sr presidente.
Essa enganadora estabilidade apenas serve para aumentar a onda de descontentamento e o sofrimento daqueles que, perdoe-me dizê-lo, directa ou indirectamente acabam por pagar o seu ordenado (que é mais baixo que o do Abel, eu sei, mas que, ainda assim, deve ser um ordenado muito interessante). Pior, sr presidente, essa aposta na estabilidade em forma de casa de madeira à beira do lago assente em estacas comidas pelo bicho e apodrecidas pelo passar do tempo, passa a ideia de que, para si, pouco importa ganhar ou perder. E, acredite, a continuar assim, vamos perder tudo ou, se preferir, não vamos ganhar nada, nem uma daquelas Taças que servem de cavalo de batalha a quem se contenta com a mediania e chama mau sportinguista a quem diz que o Sporting tem é que ser campeão.

Duvido, sr presidente, que se o sr não tivesse proferido aquele maldito forever por altura da campanha eleitoral (mas que raio terá passado pela cabeça daqueles que deram esmagadora maioria a um projecto que tem como figura de proa um treinador sem mais para dar-nos?!?), por esta altura já tínhamos outro treinador. Seria o destino de qualquer um que estivesse a fazer o que tem feito Paulo Bento.

E o que é que está a fazer Paulo Bento? Também ele fecha os olhos aos sinais, claros, diria eu, de que este Bentanic há muito se afundou. Não deixar o leme, deixou de ser sinal de coragem. É, isso sim, um preocupante sinal de falta de ambição envolta na certeza de que, com a conivência do presidente, a solução é deixar tudo na mesma.

Eu não vou à bola com o Bento

tshirtDizem que domingo é dia dos sócios e que até há bilhetes a cinco euros. Por nós, podia ser de borla.
É isso. Depois do que se passou ontem, em Guimarães, e das palavras do JEB, hoje na Academia, resolvemos dizer BASTA!

Enquanto o Paulo Bento continuar a transformar o Sporting numa dor profunda para todos os que amam a camisola verde e branca com o leão ao peito, os membros que representam o núcleo duro do Cacifo não voltam a ocupar o seu lugar nas bancadas de Alvalade.

O que aqui deixamos, é um apelo a que todos os Sportinguistas façam o mesmo. Talvez as bancadas vazias consigam passar a mensagem que os assobios não têm sido capazes de passar: este não é o nosso Sporting!

Ajudem o Paulo Bento

“Como treinador assumo totais responsabilidades”… E então? O que é que isso quer dizer na prática? Como não disse, o treinador do Sporting provavelmente não sabe. Por isso, ajudemos o Paulo Bento. As hipóteses para o que ele queria dizer mas o seu cérebro não conseguiu formular, são:

a) “Amanhã de manhã, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida… à espera que o Pinto da Costa me ligue para substituir o Domingos daqui a um ano”.
b) “Quando chegar ao balneário vou encher 150 flexões. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
c) “Hoje não tomo banho antes de dormir. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
d) “Vou ver todos os jogos do Benfica esta época, em repeat. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”. 
e) “Admito que não treinamos bolas paradas, jogadas de futebol corrido, pressão alta, não consigo motivar os jogadores, temos demasiadas lesões, as contratações foram todas feitas com o meu aval e a meu pedido, o Caneira não foi eleito. E, por isto tudo, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
f) “Vou pedir desculpa aos sócios e adeptos pelo triste e lamentável espectáculo em que o meu trabalho de treinador profissional de futebol se transformou. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.

Ajudem o Paulo Bento a ir-se embora. Com dignidade. Com (já pouca) honra. À homem… porque a alternativa é ir-se embora à rato, aliás bem patente nas últimas afirmações: “não tenho culpa da relva, há mais gente que deve assumir as suas responsabilidades”… pois, quanto maior for a ferida, maior a infecção, maior o pedaço de dignidade que se terá de amputar…

Já chega?

bettencourt12

Ou ainda não? Afundamos mais um pouco? Até ao limite da insanidade? Ou o patamar da irrelevância não chega? Talvez quando tivermos 5000 doentes no estádio, talvez nessa altura o nosso presidente tome uma decisão… Talvez. Porque se há treinador para trazer o Sporting de volta à 1ª divisão é o Paulo Bento. Isso, seguramente. Agora, manter o Sporting com um nível de respeito próprio minimamente equivalente ao dos seus sócios e adeptos, isso já tenho dúvidas. Afinal de contas, esta época o Sporting ainda não foi superior a ninguém, colectivamente. Logo… é afundar… até à Liga Vitalis. Só é preciso lesionarem-se o Liedson, o Moutinho e o Carriço… é a esta distância que estamos da descida…

Sinceramente, não consigo compreender como alguém que tem esta decisão nas mãos – uma decisão tão óbvia que dói – consegue dormir… nem digo dormir descansado… digo dormir!… e isto vale tanto para o presidente como para o treinador…

O Bloco de Notas do Gabriel Alves: jornada 8

É um estádio bonito, novo… arejado
Vit. Guimarães – Sporting
27 de Outubro 2009, 20h15, Estádio D. Afonso Henriques

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Jogar numa relva verdinha e sem buracos deve ser fantástico, não deve?

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Guimarães está na merda, em penúltimo, e outro resultado não podia esperar-se depois de terem contratado o Nelinho das calças acima do umbigo. No último jogo, para a Taça, ganharam ao Feirense (3-1) e jogaram num 4-2-3-1 que facilmente passa a 4-3-3.

Este homem é um Mister
Penso já aqui tê-lo dito, mas vou repetir: considero o Paulo Sérgio um dos melhores treinadores cá do burgo, com considerável margem de progressão e com uma postura porreira. Parece-me uma aposta acertada do Guimarães.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Desmarets é o melhor jogador do Guimarães e, confesso, não percebo como para as bandas de Alvalade se pensou em contratar o Peixoto quando, no clube rival, joga este rapaz. Enfim, perspectivas… ah, e depois há um tal de Nuno Assis que, com toda a certeza, vai tentar voltar a mostrar que foi um talento da cantera leonina mal aproveitado (na cabeça dele, claro).

 A vantagem de ter duas pernas!
Vocês acreditam que o João Alves já equipou de leão ao peito e, imagine-se, até marcou um golo em balão, depois de ter escorregado? Flávio Meireles é um trauliteiro de primeira e o centro da defesa vimaranenses tem sido um verdadeiro canavial.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, tu dizes que “nada pode aumentar a pressão que já temos”, mas acredita que não ganhar em Guimarães vai tornar tudo muito mais insuportável. Entretanto, disseste também “Acredito que podemos chegar ao topo a começar já neste jogo”. Assim sendo, resta-me deixar de ser racional e acreditar também! Força Sporting!!!

Vamos jogar no Totobola
Vit de Guimarães- Sporting   2

O Machadês – Lição nº1

“Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino. Podem pintá-lo de amarelo, azul ou vermelho, como quiserem. Há coisas que não mudam, são valores absolutos.”

O Manuel Machado ganhou a minha preferência na corrida ao banco do Sporting. Qual Spalletti, qual Laudrup, qual quê. O que eu quero é um Académico que se expresse nestes termos acerca de um rival.

Onde é que eu já vi isto?

“”[...] o pior jogador do clássico: Fábio Rochemback. A atuação de Rochemback merece um parágrafo exclusivo. Chegou ao Olímpico como grande reforço a meio do campeonato, não conseguiu jogar bem uma única vez e, ontem, foi nada menos do que bisonho. Rochemback passou o jogo a receber a bola na zona intermédia e a levantá-la para a área do Inter, com um dos seguintes resultados: na mão do guarda-redes, na cabeça do defesa-central ou para fora. Não conseguiu marcar, não conseguiu passar, não conseguiu chutar, não conseguiu driblar. E ainda assim foi mantido em campo o tempo inteiro. Em vez de tirar Rochemback, Autuori, por algum motivo, subtraiu da equipa o melhor jogador da primeira parte: Douglas Costa”, David Coimbra, editor executivo de desporto do jornal Zero Hora, na análise ao derbi entre o Internacional e o Grêmio.

p.s. – se a ideia passa mesmo por comprar mais um médio, dava para fazer um esforço e trazer o Rúben Micael para Alvalade?

O ladrão, a falta de vergonha e as estranhas prioridades

Lucílio Baptista voltou a fazer das suas, estando directamente ligado à perda de pontos do Braga. E, como não podia deixar de ser, o principal beneficiado poderá ser o clube a quem o dito senhor resolveu entregar uma Taça da Liga. No seguimento desta coincidência que, por certo, não passará disso mesmo, o jornal A Bola volta a ultrapassar todos os limites da falta de vergonha, brindando-nos com uma capa que é um autêntico nojo.

Ainda assim, e é essa a principal razão deste post, o pasquim lampião noticiou, no fim-de-semana, que “Com o aproximar do mês de Janeiro, a SAD continua a fazer a normal pesquisa de mercado à procura de jogadores que possam constituir uma mais-valia para o plantel de Paulo Bento e o sul-americano, mais especificamente o argentino, é um dos que tem sido privilegiado nas últimas observações. As lacunas no plantel sportinguista estão identificadas, provavelmente nem todas poderão ser colmatadas como gostariam os responsáveis pelo futebol profissional, mas a prioridade passa por encontrar mais uma solução para o meio campo [...]“

A pergunta imediata é: reforçar o meio campo?!? Então… e a defesa? Melhores laterais? Um central capaz de varrer o jogo aéreo? Ok… o meio-campo. Mas o quê? Mais um médio interior que consiga jogar à direita e à esquerda e que, se for preciso, faça bem posições centrais? Ou vamos, definitivamente, comprar jogadores para as alas que ajudem a enterrar o maldito losango?

A pergunta seguinte é: porquê a Argentina? Ou, se preferirem, e esta é uma pergunta com a qual já “parti a cabeça” a outros amigos cacifeiros, porque não África? Continua a fazer-me confusão este virar de costas a um continente onde não faltam talentos capazes de conciliar técnica e força, e para o qual apenas os franceses parecem estar de olhos abertos. Sim, há muito bons jogadores na Argentina mas, salvo raras excepções, demoram uma eternidade a adaptar-se ao nosso futebol.

O Campeonato do Mundo de sub-20 foi, aliás, belo exemplo do poderio do continente africano, com destaque para o Gana, que depois de uma prova exemplar de futebol de ataque, aguentou o Brasil na final e venceu nos penaltis. Será que os enviados do Sporting ao referido mundial, anotaram no bloquinho, por exemplo, o nome do defesa direito ganês, Samuel Inkoom? Do médio Ibrahim Ayew? Ou do avançado Adiyiah?
Claro que há mais talentos africanos, como Tresor Mputu (Congo), Ahmed Saad (Líbia) ou Kermit Erasmus (África do Sul) , entre tantos outros. Será assim tão complicado descobri-los antes dos chamados tubarões?

E, mesmo que não se queira aponta a lança a África, será que o bloquinho dos nossos espiões apontou, por exemplo, o nome do defesa-central brasileiro Rafael Toloi? Ou, mesmo que não tenham tido o trabalho de ir até ao Egipto, será que já olharam para um defesa-central do Rio Ave, chamado Fábio Faria, com óptimo jogo aéreo e com apenas 20 anos, o que lhe dá enorme margem de progressão?

Ok, pronto, vamos lá à Argentina. Só vos peço para não trazerem outro Romagnoli. Ah, e se não for ser muito exigente, que não deixem escapar o Rabiu Ibrahim…

Mão-de-obra

Disse-me um Sportinguista, depois de afirmar que não se importa de jogar mal e ganhar: “os lampiões é que se fartam de marcar golos. Também, com aqueles jogadores todos que compraram…”.
Eu respondi: “vai pró caralho, meu. Tu achas que nós, com um treinador que saiba o que significa jogar ao ataque, não temos jogadores para dar 3, 4 ou 5 a várias equipas?”

Faço-vos a mesma pergunta e até acrescento: eu não trocava o Veloso, o Moutinho, o Vukcevic, o Matías, o Izmailov e o Liedson, pelo García, o Ramires, o Di Maria, o Aimar, o Saviola e o Cardozo.

O melhor golo de sempre do Moutinho?

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Ou uma flor cheira melhor sozinha no deserto que num canteiro entre outras?

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Europa, jornada 3

É um estádio bonito, novo… arejado
Futbola Klubs Ventspils - Sporting
22 de Outubro 2009, 20h05, Ventspils Olimpiskai Stadium

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Dois graus, meus amigos, é a temperatura que se fará sentir à hora do jogo. Aposto num Liedson de luvas e colants, feliz por jogar num relvado sem crateras.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Quem diria que, por esta altura, o Ventspils estaria com possibilidade de apurar-se para os oitavos da Liga Europa? Campeões em título e donos da liderança no campeonato letão, empataram em Berlim, com o Herta (1-1), e em casa, com o Heerenveen (0-0), mantendo inalterado o seu esquema 4-5-1, com Edgars Gauračs sozinho na frente e rápidas tentativas de saída em contra-ataque.

Este homem é um Mister
De forma surpreendente, o Ventspils trocou de treinador depois  do play-off de acesso à Champions, despedindo o ucraniano Roman Grygorchuk, que havia guiado a equipa a três títulos consecutivos na Letónia. Para o seu lugar chegou o italiano Nunzio Zavettieri, antigo técnico das camadas jovens do AC Milan e do Inter, que também já foi adjunto na Unidese. Os dois empates registados na Liga Europa mostram bem a escola deste senhor (ou será que esta coisa de empatar faz parte do estilo de quem vem das camadas jovens?).

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Edgars Gauračs foi o herói, em Berlim e é craque da selecção de sub-21 da Letónia. E pela Letónia anda perdido um avançado português, que até foi formado no Sporting, chamado João Martins.

 A vantagem de ter duas pernas!
Aleksandrs Kolinko, Andrejs Pavlovs, Vitālijs Astafjevs e Jurijs Laizans são internacionais A pela Letónia, mas arrisco dizer que nenhum jogador do Ventspils tinha lugar no Sporting e que o defesa italiano Alessandro Zamperini vai ser expulso.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, tu até podes dizer que está um frio do caraças e que na Letónia há maior propensão ao aparecimento de icebergs, mas se o Titanic verde e branco não regressar a Lisboa com três pontos no porão, é uma vergonha!

Vamos jogar no Totobola
Futbola Klubs Ventspils - Sporting   x 2

Cantinho Zandinga
já não acredito nos astros…

“Só por causa disso?”

- Tou?
- Boa noite, é do Sporting.
- Desculpe?
- Estou a ligar-lhe do Sporting para saber se está interessado em aderir ao tarifário Sporting, que lhe dá 10% de desconto nas cham…
- Desculpe lá, mas não tou a perceber…
- Falo-lhe do Sporting Mobile, que lhe dá um cartão com carregamentos e…
- Ó amigo, não vale a pena que eu não estou interessado.
- Mas… nem no cartão recarregável?
- Não! Este ano não gasto nem mais um euro com o Sporting…
- Porquê?
- Porquê!?!? (Risos) Você não vê os jogos de futebol?
- (…)
- Acha que os jogos do Sporting dão vontade de gastar dinheiro no clube?
- Só por causa disso?
- Ó amigo, vá lá à sua vida e deixe-me em paz.
(desligo)

Foi esta a chamada que interrompeu o meu serão. “Só por causa disso?”. A frase continuou a soar na minha mente durante mais alguns minutos. Este é o estado do clube. Um rapaz de uma qualquer empresa de marketing liga a um sócio e gameboxeur em nome do Sporting e questiona a razão do meu divórcio comercial com o clube. E, pelo tom, até foi uma pergunta sincera, sem ironia. Eu acho que até tinha preferido a ironia. O gozo, de algum lampião disfarçado de operador de call center. Mas não… foi honesto, completamente alienado da desilusão colectiva que se apoderou da alma do clube.

O episódio é revelador. Como a carta que recebi esta segunda-feira a propor a ida ao jogo da Taça contra o Penafiel (na véspera…), tendo em conta a “busca incessante de melhores condições para os seus Sócios”. Isto só não é de uma total falta de respeito, porque é simplesmente estúpido e um comportamento acéfalo de uma organização amadora. É gerir um manicómio com técnicas de gestão aplicada.

E é grave. Porque revela que ninguém no clube parece perceber os perigos do Sporting Corporate. Não há Corporate sem Sporting. Não há Mobile sem Sporting. Não há cash-flow sem golinhos, sem futebol. E quando se investe recursos no Corporate, sobram défices no relvado, sobram buracos no tapete. É uma inversão da lógica. Não se investe no “core business” e desperdiça-se dinheiro no marketing de uma coisa podre. Se não estivesse podre, nem era preciso muito marketing. Mas quem escolhe poupar dinheirinho, não pode querer estimular o consumo. 

Se o rapaz me tivesse ligado em plena euforia futebolística eu tinha, provavelmente, subscrito o Sporting Mobile, para gritar golos entre amigos, para mandar sms com imagens tremidas das coreografias da claque. Teria ido ao jogo da Taça, mesmo pagando mais uns euros. Já teria comprado duas camisolas, a do Liedson e a do Vukcevic, talvez até a do Matigol. Teria os novos cachecóis, uma ou duas garrafas de vinho, um abre caricas, uma ou duas bandeiras, provavelmente uma bola verde e branca.

Agora, gasto o dinheiro em cinema (a conselho do Paulo Bento). Quanto às chamadas do Sporting, só se for para mandar aquela gente toda para o caralho!

O Paulo Bento ainda treina aqui? (dia 1460)

Pois é, caros leões. Faz hoje quatro anos que o Paulo Bento assumiu o comando técnico do Sporting Clube de Portugal, substituindo um fragilizado e desorientado José Peseiro.

A estreia oficial deu-se a 23 de Outubro de 2005, com um empate em Barcelos (2-2), o mesmo resultado que viria a registar-se uma semana depois, no Bessa. O momento alto viria a ter lugar à 20ª jornada, quando fomos dar um banho de bola à Luz, vencendo por 3-1, e dando início a uma série de dez vitórias consecutivas que criaram a ilusão de podermos ser campeões. O sonho foi desfeito da forma mais dura: em Alvalade, perdendo com o Porto (0-1), que viria a sagrar-se campeão com mais sete pontos do que nós. 

As expectativas eram altas para 2006/2007, e a equipa correspondeu, disputando o campeonato até ao fim com o Porto (ficámos a apenas um ponto de distância, na célebre época da mão do Ronny em Alavalade, ou do miserável empate, 0-0, frente ao Desportivo das Aves, também em Alvalade). Esta foi, também, a única época bentiana em que a equipa entrava em campo pronta a resolver os jogos na primeira parte, postura compensada com a vitória na Supertaça (frente ao FCP), na Taça de Portugal (frente ao Belenenses) e uma equilibrada prestação na Champions, com destaque para a vitória frente ao Inter e o empate em Munique.

A partir de 2007/08 começou a derrocada. Ficámos a 14 pontos do Porto, marcámos menos golos, perdemos mais cinco jogos. Perdemos a final da Taça da Liga por termos entrado com os tomates apertadinhos frente ao Vitória de Setúbal. Ficámos em 3º no nosso grupo da Champions (atrás de Roma e Man United), o que nos permitiu disputar a Taa UEFA, onde viríamos a ser eliminados, em casa, frente a um defensivo Glasgow Rangers. Salvou-se a Taça de Portugal, com uma meia final épica (5-3 ao Benfica) e uma final onde fomos claramente superiores ao FCP (2-0).

Com a vitória na Taça de Portugal e o apuramento para a Champions, com direito a estar no pote 2, a servirem de balões de oxigénio, Paulo Bento manteve-se no comando para 2008/09. Ficámos a apenas quatro pontos do Porto (sempre esta merda do “estivémos perto”), sendo eliminados pelos mesmos tripeiros da Taça de Portugal (em Alvalade, com um jogo polémico, onde fomos eliminados nos penaltis). Voltámos a chegar à final da Taça da Liga, entregue por Lucílio Baptista ao Benfica. E, na Champions, fizemos duplamente história: passámos pela primeira vez aos oitavos de final e, todos vaidosos por lá estarmos, levámos 12-1 (no conjunto das duas mãos) do Bayern de Munique.

Esse foi, quanto a mim, o momento chave para o que se passa actualmente. Paulo Bento não sentiu vergonha nem se demitiu. Quem mandava também não sentiu vergonha nem o demitiu. Depois veio Bettencourt e, ainda com menos vergonha, disse que o queria “forever”.

O resultado está à vista: um futebol paupérrimo, três vitórias, dois empates e outras tantas derrotas, apenas 8 golos marcados e 6 sofridos, que nos colocam a 10(!!!) pontos do primeiro lugar. Falhámos o apuramento para a Champions fazendo os melhores jogos da temporada (frente à Fiorentina), e estamos com duas vitórias na Liga Europa. O Estádio de Alvalade tem as bancadas cada vez mais descompostas e um relvado que nos coloca ao nível de qualquer campo do Burkina Faso. A descrença está completamente instalada, embora Bettencourt e companhia continuem a ver em Paulo Bento uma solução para o problema.

Para mim, essa teoria de que a solução para o problema é o próprio problema, não faz sentido. Aliás, para quem está sempre a apelidar Paulo Bento de “milagreiro” e afins, rebuscando estatísticas de apuramentos para a Champions e artimanhas do género, resta-me terminar com números: em 189 jogos como treinador do Sporting, Bento tem 116 vitórias, 43 empates e 29 derrotas, o que dá uma média de 61% de vitórias. Uma merda, diria eu, se fosse treinador de um clube como o Sporting.
Mais merdoso, só se atentarmos na média de golos marcados (também podia falar dos sofridos, nomeadamente em bolas paradas, e no estranho facto do Paulo, em quatro anos, nunca ter achado necessário contratar defesas altos): 1,64 golos por jogo, confirmando a teoria de Bento de que prefere jogar feio e ganhar qq coisinha e de que os adeptos, se querem espectáculo, devem ir ao cinema. E o jeito que daria ter as centenas que vão aos cinemas do Alvaláxia nas bancadas do nosso querido José Alvalade…

Quem manda não acha estranho?

O campeonato está parado há 15 dias. Supostamente, os adeptos sentem falta de ver o seu clube jogar. A direcção permite a entrada “de borla” aos portadores de gamebox. O dia está bom. A hora é simpática. Mas nem assim se chega aos 15 mil adeptos na bancada.
Alguma coisa se passa, ou não?

“Sigan mamando”

Finalmente, uma análise lúcida sobre os resultados da AG do Sporting.

“Que la chupen y que la siguen chupando”.

Obrigado Maradona. Mais uma vez.

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