Arquivo de Novembro, 2010

Falemos, então, de coisas bonitas


O futsal continua a dar-nos alegrias (enorme vitória sobre o campeão espanhol) e a ser motivo para os Sportinguistas estão vivos e bem vivos.
E, a propósito de futsal, foi fantástica a intervenção do Benedito, em pleno relvado de Alvalade, antes do jogo com os tripeiros, não foi?
Para mim, temos ali futuro director desportivo.

Estou farto de ti, ó Nuno Ribeiro!

Ou Maniche, se preferires.
Estou-me literalmente a cagar para que batas no peito quando marcas um golo. Aliás, até podes vir a marcar dez golos que nos levem à final da Liga Europa, que continuarei a estar farto de ti e a contorcer-me de nervos quando penso que deves estar prestes a renovar por mais um ano.
Estou farto da tua falta de pernas para um jogo com um ritmo um pouco mais elevado (contra o Porto, duraste 40 minutos).
Estou farto de ver-te dar porrada, pondo constantemente em risco acabarmos o jogo com 11.
Aliás, acho uma vergonha teres sido titular, no sábado. Se eu fosse teu colega de equipa, sentia-me no pleno direito de, quando me apetecesse, espetar um porradão num adversário e ser expulso. E, depois, de exigir manter a minha titularidade, por mais que tivesse prejudicado a equipa. E, porque deves ter mesmo essa certeza de que és sempre titular, deste-te ao desplante de voltares a agredir um jogador de forma vergonhosa.
Tenho pena, muita mesmo, que não tivesses voltado a ver o vermelho. Podia ser que alguém se passasse da cabeça e te fosse aos cornos a ti e a quem te põe a jogar.

Então e agora, já podemos contar convosco para correr estes vassalos da direcção do nosso Sporting?

“A Associação Juventude Leonina vem informar e explicar o porquê de ter retirado a sua faixa oficial no jogo do passado sábado, dia 27, contra o F. C. Porto.
A Associação Juventude Leonina retirou a faixa oficial da claque em forma de protesto contra a actual direcção do Sporting Clube de Portugal devido ao seguintes factos:

A Associação Juventude Leonina tinha uma coreografia preparada para este jogo, onde durante 2 semanas várias pessoas cederam o seu tempo e onde foram gastos algumas centenas de euros para a elaborar. Pois que a direcção do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL impediu que a mesma se realizasse.

A coreografia consistia na abertura de uma frase na bancada B que iria dizer: “PASSAM JOGADORES, PRESIDENTE E TREINADOR…” complementada com uma outra frase que seria aberta na bancada A, que dizia: “MAS SÓ O SPORTING É O NOSSO GRANDE AMOR”.

Pois a direcção do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, decidiu retirar a primeira frase, depois desta já estar colocada. A direcção da Associação Juventude Leonina achou por bem e em forma de protesto, não abrir frase nenhuma relacionada com a coreografia, bem como retirar a sua faixa oficial.

A juntar a isto, também foi barrada a entrada pelo SPORTING CLUBE DE PORTUGAL a elementos da Juventude Leonina que tivessem vestida uma camisola que dizia nas costas “TRIPEIROS…NÃO OBRIGADO”. Vergonhoso!

Como se não basta-se, na porta 3 mandaram colocar o corpo de intervenção da PSP que fechou várias entradas desta porta o que levou a que vários sócios do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, entrassem no estádio já com mais de 15m de jogo. Mais uma repressão policial na sequência dos ultimos acontecimentos verificados em Coimbra.

Resumindo fomos censurados em nossa própria casa, enquanto os do norte abriram as frases que quiseram, fizeram a coreografia que quiseram e insultaram e ofenderam o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL da forma que quiseram, tudo isto com o consentimento da Direcção do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.”

É isto que temos! (Sporting C.P. 1, F.C. Porto 1)

O Sporting não é mais do que isto. Uma equipa incapaz de segurar um jogo em inferioridade numérica. E sem ideias para capitalizar a vantagem de jogar em superioridade. Um treinador sempre ao sabor da maré. Sem capacidade para intervir no que o desenrolar do jogo oferece. É triste. Nesta didatura em que ninguém ousa afirmar-se como alternativa, o caminho só pode ser uma revolução. A cultura de exigência neste clube não pode ser isto. Só isto!

A paixão

 Sou do Sporting desde os cinco anos.
Não me perguntem o que me levou a escolher o clube do leão, pois os 28 anos passados sobre essa data não me permitem ter noção da razão da minha escolha.
Escolhi, pronto. E, quase três décadas volvidas, sinto-me amargurado com o meu clube como penso nunca ter-me sentido.
Parece que, a cada novo dia, há um motivo extra para irritar-me, como que convidando a desligar-me, aos poucos, de algo que faz parte de mim desde sempre.
A verdade é que, por mais que queira, não consigo ficar indiferente ao que se passa com o meu Sporting, muito menos na véspera de um jogo onde temos muito a ganhar, a começar pelo respeito pela camisola verde e branca.

Se cresci a achar que podíamos ganhar a tudo e todos com equipas onde cabiam Leal, Miguel, Barny, Eskilsson, Ali Hassan, João Luís II, Vital, Quim Berto, Rodolfo Rodriguez, Ivo Damas, Luís Miguel, Luís Filipe, Nené, Vinícius, Leão ou Bruno Marioni, entre tantos outros, treinados por pérolas como Cantatore ou Waseige, porque razão teimo eu em duvidar dos actuais jogadores e treinadores?
Se sempre apostei que ganhava ao Nápoles de Maradona e Careca, ao Inter de Klinsmann e Matthäus ou a qualquer Porto de Mourinho, porque razão hei-de fazer o contrário perante o Porto de Hulk e Falcão?

“É uma questão de paixão”, respondo a mim mesmo.
A mesma paixão que fazia encher o velhinho Alvalade.
A mesma paixão que me fez acreditar, mesmo quando não ganhávamos nada.
E amanhã, dia em que volto a Alvalade, é precisamente isso que peço que me devolvam.
A paixão.

É nisto que devemos acreditar

(não deixem de ouvir a última frase do vídeo)

Lenha para a fogueira

No excelente post que escreveu abaixo, Douglas diz “De tão pequeno que aparenta ser, Costinha foi outro dos cobardes desta história [...]  alguém vai atirar várias pedras e fugir…”.
Ora, se este artigo for verdade, parece que o rei dos fatos está farto de atirar pedras e tem enorme peso em muita da merda que vai fazendo com o que nosso clube nos cheire mal. Muito mal.

Cobardes

(escrever isto custa-me. Tudo o que diz respeito ao Moutinho, custa-me. A ferida ainda está aberta e demora a sarar. Por isso…)

Não vou ao jogo. Não vou porque não posso. Apenas duas coisas me impediriam de ir a este jogo. E uma delas acontece precisamente à mesma hora da partida. Ainda bem. Porque não estaria mentalmente disponível para assistir ao que se vai passar em Alvalade. A cobardia é das características de personalidade que mais desprezo nos animais humanos. E no sábado estarão em exposição muitos animais. E muito cobardes.

O cobarde instrumental. O próprio Moutinho. Não lhe perdoo a traição. Não a traição ao clube, porque disso já temos escola, mas a traição à imagem que fiz dele. Mas esse problema é meu. Ele é cobarde porque alguém com tomates, apesar de insatisfeito, perseguido, cansado, teria resistido à transferência para um rival – e logo este rival, o corrupto, o do sistema que tanto o prejudicou -, teria resistido e aguentado por respeito ao clube que lhe deu tudo, aos adeptos que o respeitaram, acarinharam, o defenderam sempre e que confiaram nele como símbolo de algo intangível. Ele é rico e bem sucedido porque o futebol não é só uma profissão instrumental. É uma paixão. A sua decisão de atacar a irracionalidade do futebol em nome da sua razão egoísta é mais uma cavadela num buraco que, no limite, acabará por destruir este fenómeno global. Não tem perdão. Mas com o tempo, a minha desilusão tem-me afastado dele, para o bem mas sobretudo para o mal. Não lhe desejo mal. É imaturo, egoísta e cobarde. Não fez por mal, fez porque, tal como no campo, é bom mas não é um génio, nem sequer alguém especial.

O grande cobarde. O Bettencourt é uma lição de cobardia. Se a cobardia fosse uma cadeira universitária, o nosso presidente dava para um semestre. Os cobardes lidam mal com a verdade. Fogem dela para se esconderem. Foi o que ele fez, foi cobarde porque não nos disse a verdade sobre o que se passou com o Moutinho. Até hoje. Foi cobarde porque não teve a coragem de resolver o problema que envolvia o maior símbolo moderno do clube. O capitão do clube. Foi cobarde porque responsabilizou a maçã e não falou da árvore, podre e seca. Foi fraco perante o forte. Submisso. E cobarde, perante o evidente e ilegal assédio dos ventos corruptos do Norte. Foi sendo cobarde ao longo dos meses até que na iminência do incêndio que ele próprio ateou, há meses, faz outra intervenção absolutamente cobarde sobre o caso. E corre a tentar apagar um fogo que já está completamente fora do seu alcance. Duplamente cobarde, faz lembrar os putos que atiram uma pedra, fogem e, quando são apanhados, dizem que foi o colega do lado. Triste, num homem desta idade, pai de filhos. E será cobarde quando receber o amigo corrupto em Alvalade como se fosse alguém respeitável. E cobarde será quando levar com as labaredas e disser que foi o colega do lado. A propósito…

O pequeno cobarde. De tão pequeno que aparenta ser, Costinha foi outro dos cobardes desta história. Não vale muito, portanto, poupo nas palavras. Mas fico curioso para ver como acabará este seu ciclo no Sporting… alguém vai atirar várias pedras e fugir…

Os cobardes perigosos. As claques, pagas e organizadas para atacarem o alvo errado. São cobardes porque vão fazer o Moutinho passar por algo que nenhum deles, individualmente, conseguiria suportar. E vão fazê-lo em grupo. São cobardes porque desde o triste dia em que isto começou, calaram-se perante os euros que jorram do Visconde de Alvalade. Calaram-se perante a incompetência, a cegueira, a burrice e talvez a má fé de uma direcção, de um presidente, que não está à altura dos valores que eles próprios cantam para o clube. São cobardes porque em vez de montarem uma contestação e oposição coerente a esta gestão danosa, calam-se. Preferem atacar os fracos e baixar as calças perante os fortes. São cobardes porque não lutam e, por omissão, são co-responsáveis da destruição em curso. São perigosos porque não atiram só pedras. E são cobardes porque quando tudo arder, serão os primeiros a fugir.

O Sporting não terá equipa para limpar esta minha mágoa, a mágoa que vai incendiar Alvalade. A vida corre mal para a maioria do povo anónimo e magoado que irá encher as bancadas, incendiando ainda mais a revolta. Os cobardes perigosos vão adicionar gasolina. O grande cobarde não terá pulso na coisa. O pequeno cobarde vai desaparecer. E o cobarde instrumental vai fazer aquilo que faz melhor: lembrar a todos porque é que me custará tanto vê-lo a jogar com aquela camisola em Alvalade. Não vou. E ainda bem.

(só tenho pena de não ir por uma razão: não vou estar neste jogo histórico da vida do Sporting ao lado do outro soldado que me acompanha sempre nestas batalhas leoninas. Já passámos por muito os dois, nas várias bancadas do Sporting, por emoções inesquecíveis, por desilusões inacreditáveis. Este jogo não é mais um jogo e, por isso, não queria deixar de estar ali ao lado. Com os dentes cerrados. Desculpa, Jordão, mas és o único remorso com que fico por não ir a este jogo).

מועדון כדורגל הפועל תל אביב


Amigo Douglas, parece que não é apenas no estádio do Besiktas que se vive um grande ambiente. Reparaste como se festeja em casa de um tal Hapoel de Tel Aviv?

E a maçã podre?

Bettencourt: “Moutinho foi sempre um profissional fantástico”

É uma pena sujar as linhas do Cacifo com referências às pessoas com quem temos pesadelos. É trágico encher este espaço com palavras e retirar o foco do essencial. E neste caso, o essencial é mesmo o post do Douglas. Por isso, não se distraiam com mais este delírio do nosso Presidente e leiam o que ficou para trás. E, sobretudo, lembrem-se (alguns) do que é e já foi o Sporting. Como é possível a irresponsabilidade chegar a assumir contornos de insulto à inteligência das pessoas?

Çarşı, her şeye karşı!*

As equipas estão prontas para o apito inicial, o árbitro dá a bola a Ricardo Quaresma para o primeiro toque do jogo. De repente, os 30 mil adeptos do Besiktas levantam todos (todos!) os braços e começam a gritar “oooooohhhhhhhhh”. Eu penso, no meu quadro mental ocidental, que vão gritar Besiktas assim que o Quaresma tocar na bola. Mas não. Calam-se todos (todos os 30 mil, velhos, novos, crianças, mulheres, todos). Alguém na bancada central grita até três, soltam-se duas pombas brancas e todo o estádio urla “Besiktas”. E começam 30 mil a saltar e a cantar.

O início de um jogo do Besiktas, um normal jogo da Liga turca, é assim. É um puro choque de adrenalina.

Assistir ao vivo a um jogo do Besiktas é uma experiência incrível, quase incompreensível. Meia-hora antes, o estádio fica cheio e durante 30 minutos canta-se. Não com raiva, mas com paixão. Canta-se de uma bancada central para o topo, dentro da mesma bancada, para o outro topo mais pequeno, canta-se da bancada VIP. Canta-se de todo o lado. Minutos antes do jogo, o chefe dos Carsi, a maior claque do clube, costuma ir ao relvado liderar o cântico inicial antes do jogo. No jogo deste fim-de-semana, não foi. Mas liderou da bancada o estádio todo, cheio de adeptos fanáticos pelo facto de serem adeptos daquele clube, independentemente do que acontece no relvado.  

Este absoluto desvario tem raízes na história do próprio clube, apadrinhado por Ataturk, o herói da revolução turca que fundou a república e acabou com o sultão. O Besiktas é o único clube turco com a bandeira da Turquia no símbolo. Antes do jogo, canta-se o hino nacional com uma emoção especial. Os Carsi são mais do que uma claque, são um modo de estar na vida, como os próprios gostam de dizer. Fundaram-se nos bazares do centro de Istanbul, têm um forte carácter social, auto-classificam-se de anarquistas, mas também se definem como sendo tolerantes, anti-racistas, anti-sectários, anti-machistas, pró-ambiente, etc. É uma maneira de estar na vida, mais que um grupo de adeptos de futebol. São de esquerda num país islâmico, com uma recente deriva conservadora. Mas o Besiktas é a sua razão de ser e o amor ao clube é indescritível.

Eu vi o jogo no topo maior, onde cabem 15 mil adeptos. Os Carsi estão na central, como deve ser. A electricidade que vem das bancadas influencia, naturalmente, o que se passa no relvado. Os jogadores parecem, por vezes, mais ansiosos que o normal. Mas os adeptos nunca os deixam cair. Estão sempre a celebrar, até à revelia do próprio jogo. No último jogo, o Besiktas deu a volta ao marcador, com influência decisiva do Quaresma – que, a propósito, é o rei das bancadas, um em cada cinco adeptos tem o nome dele nas camisolas, e quase todos têm camisolas. Quase a meio da primeira parte, os adeptos entusiasmaram-se com um cântico em particular, uma espécie do nosso “faz golo”. Estiveram naquilo um bom minuto, com quase todo o estádio entretido a cantar ou a observar quando… o Konyaspor empatou. Mais de metade do estádio não viu. Levaram um soco no estômago mas, uns minutos depois, lá estavam eles a gritar outra vez.

O facto de terem jogadores como o Quaresma, o Guti, o Bobo, ajuda. Terem sido campeões há dois anos, também. Mas ser do Besiktas é mais que isso, até porque, com o empate final, saíram do estádio tão aziados como eu tenho saído de Alvalade. Mas aquela paixão, aquela militância fundacional é inspiradora. Gostava que o Sporting fosse assim. Obviamente, será outra coisa, nos dias melhores. Tão ou mais violenta nas vitórias, mas proporcionalmente deprimente nas derrotas.

Deve ser bem mais divertido ser do Besiktas, foi o que eu pensei enquanto saía do estádio, um velho estádio sem azulejos, nem bares. Um estádio sujo e desconfortável. Mas com alma.

*Carsi is agains everything!

Quem canta?

“Sintam o cheiro
do porco traidor
Que brincou com o nosso grande amor

Aqui nasceste
Foste capitão
Mas tu não passas dum porco lampião

Filho da puta,
és um cabrão
Consegues ser pior que o Simão

João Porquinho
Se Deus quiser
Tu hás-de ter o destino do Fehér!”

P.S.- Peço desculpa pelo esquecimento. Não fui eu que escrevi a letra desta canção. Eu não vou cantá-la mas tenho ideia que o ambiente vai aquecer.

E uma grande temporada é?

Bem, para mim é ser campeão, vencer, pelo menos, uma das duas taças e ficar entre as quatro últimas equipas de uma competição europeia.
Vem isto a propósito das palavras de Liedson, que se mostra confiante para o clássico e diz que ganhar ao FCPorto pode ser o ponto de partida para uma grande temporada.
Tendo em conta que o campeonato já lá vai, o que poderia ser uma grande temporada? Ganhar as duas taças e a Liga Europa, e garantir apuramento para a Champions?

Venham de lá os lampiões, na meia-final

2 Janeiro 2011: Sporting-Naval
19 Janeiro 2011: Sporting-Penafiel
29 Janeiro 2011: Estoril-Sporting

Batata quente

Com que cara Paulo Sérgio olhará para André Santos se, frente ao Porto, o deixar no banco para jogar com a dupla Mendes – Maniche?

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