Arquivo de Fevereiro, 2011

Aprendemos alguma coisa?

É a pergunta que me apetece fazer, no dia em que a dupla de animadores de feiras, Sérgio&Cabral, esvazia, finalmente, o seu cacifo na Academia.
Mas aprendemos o quê, perguntam vocês?
Estou curioso para saber se aprendemos a pensar duas vezes, antes de entregarmos a presidência a alguém que parte para as eleições com uma programa que cabe numa folha A4?
Estou, também, curioso para saber se já nós fartámos de tentar encontrar o próximo Mourinho (ou qualquer coisa do género)? Peseiro ia sendo um tiro de sorte, depois Paulo Bento, depois Carvalhal, depois Paulo Sérgio, num continuado cavar do poço onde, em vez de petróleo, encontrámos merda (e da grossa).

A resposta será dada em breve mas, a julgar pelos leões que começam a dizer que estão dispostos a ir a jogo com “Duques” (com as finanças entregues a quem já lá está) e por aqueles que apontam o caminho do sol numa nave comandada por um tal de Leonardo com apelido de ditador madeirense, temo a resposta à minha pergunta e temo, ainda mais, vir a ver citado o iluminado Cabral e o seu histórico “paciência…”.

CABRALADAS, O REGRESSO

O melhor momento deste jogo foi quando faltou a luz em minha casa. Foram os 10 minutos mais fortes do meu sportinguismo, esta noite.

Mas o momento voltou a pertencer ao Cabral, que vai deixar saudades. Pelo sentido de oportunidade humorística. A minha insanidade leonina é tal que já está na fase do riso histérico. Portanto, exige-se uma leitura cuidada do pensamento desta grande figura da comicidade portuguesa (quiçá, mundial)…

…”O futebol é assim mesmo”. É. Um recurso inteligente às bengalas de outros grandes, imortalizada por Fernando Santos em Alvalade.

“Há muito pouco a falar”. Há, porque há pouco para pensar. Como não há muito pensamento, opta-se pela reduzida oralidade. Mais uma vez, inteligente. Talvez marcasse mais pontos com um mais tradicional “que quer que lhe diga”. E repare-se que não há “pouco”. Há “muito pouco” para falar. Só peca por excessivo. Não há nada para falar.

“Tivemos bem. Lamentavelmente, não conseguimos marcar golo. Paciência”. Repare-se na utilização de um advérbio mais comum na língua espanhola. Uma piscadela a outros mercados? Já o diagnóstico mantém a total alienação da realidade. Gosto da opção, mas preferia outra abordagem, um pouco mais demente. Eu apostava num “continuamos a acreditar no título, enquanto for matematicamente possível”. O Cintra gostava mais de um “assim não vamos lá. Acho que com a partida de hoje, tudo se complicou”. Em qualquer dos três casos, uma total alienação. Já a “paciência”, revela o nacional-porrerismo desta gente, gente boa, bem disposta, é preciso é saúde, um copo de tinto resolve tudo, amanhã o sol nasce na mesma, o galo cantará, importante é sermos dignos e trabalharmos. Um clássico.

“Não… o futebol é assim mesmo.. o fim da relação concretizou-se”. A típica negação de início de resposta, comum nas estratégias de auto-defesa. Branco ou tinto? “Não, branco”. Delicioso. Repetição do momento intelectual mais forte, acrescentado posteriormente pela “eficácia é tudo. Não fomos eficazes”. E uma referência ao divórcio entre o clube e o chefe de equipa, o seu chefe. O único líder da equipa técnica, diz ele. Equipa da qual Cabral pertence. Líder que foi despedido. Mas Cabral não… Isto ou é muito estúpido, para além da compreensão humana, ou é genial, para além da compreensão humana.

“Compreendo perfeitamente a sua pergunta”. Óptimo, está meio caminho andando.

“Paulo Sérgio faz tudo em grupo”. Um bombom. Podemos fazer o que quisermos com este docinho, cortesia de Cabral. Mas eu prefiro imaginar um final de refeição com todos os membros da equipa técnica presentes. A determinada altura, Paulo Sérgio pede um café. Todos – e são muitos, os cabrões – pedem um café. Paulo Sérgio levanta-se e peida-se. Cabral ri-se e vira-se para o grunho do Nélson (ex- defesa esquerdo, que deve ter diálogos palpitantes com o Cabral): “viste, o mister faz tudo em grupo, pá”. Paulo Sérgio peida-se outra vez. E todos se peidam. Chega a ser ternurento, só de imaginar.

“Saímos daqui satisfeitos”. Claro. Sempre. Sempre satisfeitos. Paciência, o que é preciso é saúde.

“O Paulo fez o máximo e esse máximo ninguém pode apontar nada”. Para além da criatividade gramatical, Cabral constata o óbvio, com uma clarividência desarmante. Ele deu o máximo dele, que é muito pouco, tão pouco como o pouco que há para falar. É tudo muito poucachinho. Mas é o máximo. E para Cabral, estes cinco minutos (só? pareceram mais, o tempo passa devagar quando as palavras correm livres) são também o máximo… o seu máximo de carreira, o seu topo. A partir daqui será sempre a descer. É pena, o mundo é cruel.

PS: Diz-me o Cintra no final do jogo: “se me dessem a escolher entre o Postiga e o Tiuí, eu escolhia o Tiuí”. Eu também!

PS2: Apesar desta catástrofe disfarçada de época futebolística, o Sporting está em 3º. Não admira que os Cabrais deste futebol tenham lata para acharem que são capazes de chegar ao Sporting. O que já admira – e muito – é que alguém os contrate.

Jogando ao quem é quem

«O meu treinador é um treinador estrangeiro, que nunca treinou em Portugal e que fala três línguas», Dias Ferreira.

E a minha resposta é… Zico.

Completando a frase

   “Sem ti não podemos piorar” ou “sem ti, (já) não era sem tempo”.

 Porra, estava a ver que não… (depois logo discutimos o 1,5 milhões que nos custou esta vergonhosa brincadeira)

Depois de pedir aos santinhos?

 

«Manuel José é o treinador a quem Zeferino Boal quer entregar o comando do Sporting, em caso de vitória nas eleições do clube, no próximo dia 26 de março. O consultor e candidato a render José Eduardo Bettencourt no cargo de presidente já chegou à fala com o técnico e nessa primeira abordagem deixou claro que se trata da sua “primeira escolha” para o lugar agora ocupado por Paulo Sérgio, ficando agendada para os próximos dias uma conversa mais detalhada», in Record.

Então, mas em entrevista ao mesmo jornal, o homem não fugiu do Sporting como o Castelo Branco fugiria da Megan Fox?

Mais um mistério leonino

As lesões musculares. Umas atrás das outras.
De quem é a culpa? Do planeamento da preparação física? Do departamento médico? Dos jogadores?
Já agora, no caso do Pedro Mendes, e se a culpa for mesmo do… desgaste, agradecia que chegassem a um acordo que anulasse o último ano de contrato. Não estou para voltar a aturar isto durante a próxima época.

Probabilidades Matemáticas

É tão certo 2 + 2 serem 4 como o Sporting sair-se melhor na fotografia se jogar menos.

Como todos os que assistiram à eliminação com o Rangers, senti um nó na garganta quando sofremos o golo nos descontos. Por que razão não corre nada bem? Por que motivo não temos só um bocadinho de sorte? Porque caralho não posso só desta vez ter motivos para me sentir satisfeito pela vitória? Será que não podemos ter uma alegria (por mais patética que seja) nesta merda de época. Estes foram os pensamentos que tive naquele momento de desilusão.

O jogo acaba. E eu ponho-me a pensar outra vez. Agora mais a frio, ponho-me a imaginar o jogo com o PSV e lembro-me do que aconteceu este ano ao Feyenoord. Medo. O meu sonho termina. A minha frustração dá lugar a uma sensação de alívio.

Foda-se, quanto menos jogarmos menos possibilidades temos de fazer figuras que nos envergonhem. Seja um PSV, um Liverpool, um Manchester City ou no pior dos cenários um Benfica ou um Porto. É a primeira vez que isto acontece. Desejo que o Sporting compita menos porque, simplesmente, estou farto de ser gozado. Não quero ser mais o cabeçudo. Cansei-me. Há incompetência a mais no clube para pensar que poderia ser de outra maneira se tivéssemos passado esta eliminatória. É estatística pura. A realidade confirma isso a cada jogo.

É nisto que se tornou o Sporting para mim. É triste mas é verdade.

Ó tempo, volta para trás

«As melhores recordações são as que tenho de ver Alvalade cheio em jogos da Taça UEFA. O público fazia uma coreografia nas bancadas em verde e preto, o espectáculo mais lindo que eu vi uns adeptos fazer. [...] Espero que o Sporting volte a viver grandes noites europeias em Alvalade. Espero que tenham sorte nessa Liga Europa. O clube e os adeptos merecem ter alegrias», William Douglas.

Gostei do que ouvi

No dia em que Bruno Carvalho apresentou Augusto Inácio como homem forte para o futebol («O Sporting tem a oportunidade de escolher entre a mudança e a continuidade» / «Aquilo que aconteceu foram muitos falhanços e muito dinheiro desperdiçado» / «Estou convencido que Bruno de Carvalho irá vencer as eleições e que nunca serei o treinador do Sporting» / «Queremos gastar melhor para ter um plantel melhor, mesmo que não tenhamos uma equipa como dos outros. Quando fui campeão, em 99/00, não tinha o melhor plantel, mas acabámos por ser campeões»), convido-vos a ouvirem esta entrevista que o candidato deu à Antena 1 e ao Record e a dizerem-me se concordam com o título deste post.

 http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Bruno-de-Carvalho-candidato-leonino.rtp&article=417606&visual=16&layout=55&tm=67

Aposto que foi este gajo que escreveu o comunicado…

… (não teve foi ninguém a editar-lhe o texto, como acontece no jornal).
«Nunca escondi que aprecio a postura que Paulo Sérgio sempre manteve no comando técnico do Sporting. O treinador tem mérito na comunicação, na forma como tentou implementar um modelo de jogo próprio de quem quer dominar, independentemente do adversário, e na coragem que evidenciou na defesa dos seus pupilos, sem fugir à responsabilidade nos maus momentos», Jean-Paul Lares, in O Jogo.

“Conjunturas”

Erro? Lapso freudiano? Sugestão? Honestidade envergonhada? Ou mais uma “cabralada”, mais um sinal exterior de que o clube tem gente muito fraquinha e má a gerir os seus destinos? Todos. Até na secção “Língua Portuguesa”.

“Tais notícias são meras conjunturas sem nenhuma base de veracidade, que visam transmitir a ideia de que existe um vazio no poder e que a Sporting, SAD está a ser gerida de fora para dentro, o que não tem qualquer correspondência com a realidade”

Sim, são conjunturas, de facto. Isto é uma conjuntura. Este Sporting é uma conjuntura. Uma assustadora conjuntura, que nenhuma conjectura consegue tornar pior. Nem mesmo aquela em torno do futuro do seu treinador. Que, nesta conjuntura, continuará, apesar das conjecturas.

Triste isto.

É por estas e por outras…

… que depois acabamos a contratar Cristianos ou a forçar a ideia de que o Salomão é uma verdadeira mina. Onde é que têm andado os nossos olheiros, gestores ou raio que parta esta gente desde a época 2009/10, ano em que o puto de 18 anos, Zé Luís, foi melhor marcador do campeonato de júniores (25)? O mesmo puto que, no ano seguinte, e assim que começou a jogar pela equipa principal do Gil Vicente, assinou um contrato com uma cláusula de 5 milhões, porque não enganava e porque já tinha várias equipas de olho nele.

Portanto, passou-se 2009, passou-se 2010 e, agora, esse mesmo avançado, rápido, raçudo, com faro de golo e cabedal para não fugir aos defesas, que ainda há meia dúzia de semanas deu água pela barba ao Porto, parece estar já encaminhado para Braga para os próximos quatro anos. Se tudo correr bem, em Janeiro de 2012 damos 12 milhões por ele…

Como é que chegámos… a isto?

Dissecando o zombie

Por muito que alguns dos que, diariamente, nos ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é não gostem, a definição que o Douglas encontrou para o Sporting parece-me perfeita: zombie ou morto-vivo. Não creio, no entanto, que apenas dois ou três pedaços do zombie estejam livres da podridão que, nos últimos dois anos, semana após semana, alastra pelo corpo deste Sporting em agonia. Vai daí, lembrei-me de dissecar o zombie.

Cérebro
Foi aqui que o vírus teve início, trazido das planícies alentejanas por um senhor de olhos esbugalhados atrás de óculos fora de moda. Os que se lhe seguiram – uma espécie de Dom Quixote agarrado à coca, um cabeçudo de Torres amigo do whisky e crente de que valia mais três segundos lugares do que um primeiro, e um bandalho ordinário que fica na história do clube pelas piores razões – apenas contribuiram para alimentar os agentes infecciosos que grassam pelo corpo do nosso Sporting. Curiosamente, no dia 26 de Março, temos oportunidade de mexer no cérebro e começar a tentar que o antivírus faça efeito.

Olhos
Turvos… raiados de sangue… quase cegos. A culpa não é deles, mas sim das lentes que lhes deram. Umas lentes que servem para Paços de Ferreira, para Leixões, até para a Selecção, mas que levaram, nos últimos 30 meses (ao tempo que andamos nisto…) o clube para um verdadeiro deserto de ideias, de conhecimentos tácticos e, pior, para um derserto de identidade e de conhecimento da grandeza do clube. Para este zombie, jogar bem é esforçar-se e, no final, dizer que vamos levantar a cabeça. Não admira que o pescoço esteja todo fodido, de tantos esticões…

Boca
Não há. Não há uma voz de comando. Não há um grito. Não há um soldado capaz de guiar as tropas e minimizar a incapacidade do comandante para o cargo que desempenha. O zombie está mudo.

Pescoço / Cervical
Disse-o acima: tudo fodido. Das sete vértebras que minimizavam o andar marreco e de cabeça em baixo, uma está no estaleiro, outra foi para o Porto, outra foi para o Génova, outra enlouqueceu e não há treinador que lhe deite a mão, outra foi sambar a troco de uns milhares de euros que nos permitam, no final da época, pagar a cirurgia para lipoaspirar o sebo gadelhudo que se alojou na cintura. Sobram duas vértebras, demasiado tenrinhas e desamparadas para conseguirem fazer o que quer que seja.

As mãos
É das partes do zombie em melhor estado, muito por culpa de uma das vértebras tenrinhas que, apesar de tudo, vai conseguindo melhorar (mesmo sem alguém que o ensine). Claro que Patrício, fruto desse processo de crescimento, continua a enterrar de quando em vez, mas é dos pedaços do zombie que devemos preservar. Tiago, por uma questão de acreditar que sabe o que é o Sporting, poderá ser aproveitado para treinar os guarda-redes das camadas jovens. E o alemão, se quiser, pode ficar e ajudar o Rui a crescer.

Os pés
Dos nove dedos que restam ao zombie, aproveitam-se três e dois meios: Torsi (haja um defesa que não manda biqueirada para a frente), João Pereira (haja atitude a sério) e Carriço, pese embora este último dê indícios de poder estar afectado pelo virus. Os meios são Evaldo, a quem sou capaz de dar o benefício da dúvida e esperar para ver o que joga com um treinador decente, e Cedric, escondido num abrigo à espera que o surja a cura.
Os restantes dedos não têm qualidade para encher uma chuteira com mais de cem anos de história e aspirações a vencer. Ou porque já deram o que tinham a dar (Polga), ou porque são dos jogadores mais patéticos de que tenho memória (Grimi).

A cintura
Gorda e pesada. Maniche é um verdadeiro insulto para qualquer Sportinguista. Não tem lugar, obviamente. Pedro Mendes tem qualidade, mas o motor começa a dar sinais de cansaço (ainda assim, penso que é importante mantê-lo, até pelo carácter e experiência que representa para o balneário). André Santos é, claramente, para manter. Zapater… eu sei lá o que vale Zapater…

O coração
É curioso como o jogo de ontem mostrou que ainda existe alguém capaz de fazer bater o coração do zombie. Matías Fernandez fez, provavelmente, o seu melhor jogo ao serviço do Sporting, e deixou-nos esperançados num futuro onde Valdés e, quem sabe, Vuk, levarão o sangue limpo a todo o corpo (e há um tal de Tales que, de tão pequenino, nem se vê. Dá para emprestarem?)

Os braços
Para este zombie, em tempos conhecido como o maior fabricante de asas futebolísticas, abrir os braços é um constante esgar de dor (não só para ele como para nós). Cristiano ia abrir um rodízio com Paulo Sérgio e Cabral. Yannick é outro Varela ou outro Lourenço (como preferirem), incapaz de fazer mais do que seis ou sete jogos a sério por época, passando o resto do tempo entre movimentos tecnicamente aberrantes, o posto médico e o sofá, vendo os vídeos da Luciana a vomitar. Salomão só estará pronto para o Sporting depois de um ano numa equipa que lhe permita ir ganhando estaleca, enquanto não tira o aparelho dos dentes.

As pernas
Já viram que só temos duas? Postiga e Saleiro. Está tudo dito.

A alma
Somos nós e, confesso, ontem fiquei com a ideia de que seremos capazes de recuperar o zombie. Desde que não voltemos a dar-lhe um dador de sangue também ele infectado. Nesse caso, o melhor mesmo é dar um tiro na cabeça deste farrapo verde e branco.

ZOMBIELÁXIA

O Sporting, este Sporting, é isto:

E é o Djaló, e é o Grimi, e é o Polga, e é o André Santos, e é Postiga, e é o João Pereira, e é o belíssimo veterano Pedro Mendes…

e é o treinador-adjunto Cabral… é o Saleiro, é o Maniche… é o Maniche!!

…é uma merda. Não é o Sporting. É um morto-vivo.

Salvaram-se o Mati e o Torsi. Coitados. Força rapazes, aguentem-se que já faltou mais…

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