Arquivo de Março, 2012

2-1. Podia ser melhor? Podia.
Mas foi com mesmo resultado que fomos duas vezes à Holanda: primeiro contra o Feyenoord, depois contra o AZ. Contra os primeiros «demos um banho na banheira» de Roterdão, contra os segundos perdemos anos de vida e o coração quase parou. Nesse ano acabámos na final.

(já agora, foi com 2-0 em casa que fomos duas vezes enxovalhados na Áustria)

Este Sporting já não come cerelac

Não merecia o Rui, não mereciam os mais de 40 mil nas bancadas, não merecia o Sporting. Aquele penalti e aquele golo foram um final injusto para uma noite que podia ter sido perfeita, escancarando as portas das meias-finais e de uma invasão a Bilbao. Os golos de Izma (grande, grande momento de futebol) e de Insua (ao fim de seis ou sete anos parece que voltámos a trabalhar os lances de bola parada), haviam sido o materializar de uma segunda parte de alto nível, onde a falta de pernas (e a incompreensível não expulsão de Papa Gueye)  impediu a equipa de procurar o terceiro golo e sentenciar a eliminatória.

E, parece-me, foi precisamente essa falta de pernas que esteve na base da táctica de Sá Pinto (nota elevada na abordagem ao jogo, traída pelas substituições forçadas dos três homens que tinham estado em dúvida). Uma primeira parte morna, de alguma contenção (demasiada, para quem via de fora), entregando a iniciativa ao adversário até por volta dos 35 minutos, altura em que Matías começou a libertar-se, Schaars se chegou mais à frente e Carriço começou a ganhar quase todas as bolas divididas e a encurtar as linhas de passe adversárias. Só faltou Wolfswinkel não fazer aquela triste figura no remate (?) de ressaca ao falhanço da defesa adversária.
No final, o 2-1 é escasso para o que se passou e deixa-nos com a certeza de que nos esperam mais 90 minutos que colocarão à prova os nossos corações. Que, e comprovei-o esta noite, já não batem por um Leão com cerelac seca nos bigodes, mas sim por um Leão que parece ter amadurecido de repente, gerindo tempos de jogo, sabendo o que fazer com a bola e ansioso por mostrar que é ele o rei da selva. Principalmente quando joga em casa.

SPOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORTING!

hoje escreves tu: Mudanças de Fundo

Todas as quartas, a voz dos cacifeiros salta da caixa de comentários para a primeira página, naquela que considero uma forma de enriquecer o blogue, de reforçar o Sportinguismo e de agradecer a todos os que, diariamente, ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é ( quem quiser saber as regras, clique aqui).
O post desta semana é assinado por Luís Supico, um dos LS que por aqui deixam a sua opinião.

 

Mudanças de fundo
by Luís Supico

Acho que todos nós percebemos que o Sporting tem de mudar. Uns acham que está na altura de uma nova direcção (ou esta nem ter entrado sequer), outros novos jogadores, outros novos treinadores, o que quer que seja para melhorarmos de vez – eu acho que temos de mudar de mentalidade. E isso só começa com as modalidades.

Começo pelo princípio.
O Sporting é um clube eclético. A razão de ser para a sua nascença, a sua existência e expansão foi graças ao clube no seu todo e não ao futebol sozinho. Claro que o futebol ajudou e muito, mas a base não foi essa nem é esse o clube que conhecemos (pelo menos eu). Aguentámos durante anos e anos sem uma única vitória no futebol – todos os da minha geração de trintões – porque tinhamos um clube forte nas modalidades: Voleibol, Basquetebol, Andebol, Hóquei em patins, Ténis de mesa, Atletismo, Bilhar, é dizer uma modalidade que éramos bons em tudo; tudo isso dava-nos muitas alegrias e fazia-nos suportar o resto – que era o futebol, a merda de resultados e as bocas na escola no dia seguinte. Que saudades de ligar a televisão e ver sempre o Sporting na RTP2 a jogar uma modalidade qualquer, de ver e estar na Nave cheia que nem um ovo, acabar o jogo que estivesse lá dentro e passar para o estádio para ver o futebol… Tudo cheio de gente e tudo cheio de esperança sempre. Acreditem: aguentámos aquele tempo todo por causa das modalidades, ponto final. Mas este Sporting é diferente. Sem chama, sem interesse, sem abnegação nem vontade de sofrimento, sem carácter nem hombridade – falo dos Sportinguistas (eu inclusivé) e não do futebol e não vejo o meu Sporting a reerguer-se enquanto não formos de novo em Portugal o maior clube nas modalidades.

Dito isto, não basta só termos as modalidades para elas estarem lá, temos de ganhar nas modalidades. Sempre. Votei a favor da ideia do Roquete de acabar com as modalidades pelas mesmas razões que votaria de novo se fosse proposto, com os mesmos pressupostos: o objectivo era o de congelar as modalidades que estavam a dar prejuízo, manter as mais saudáveis e mais rentáveis, limpar as contas do futebol e, por inerência, do clube para, no prazo de 5 anos sermos campeões 2 a 3 vezes no futebol e voltarmos a ter as modalidades congeladas de volta, desde que não dessem prejuízo ou fosse mínimo. Fomos campeões no futebol 2 vezes dentro desses 5 anos mas com custos muitissimo superiores ao que estava planeado, não só financeiramente (que é sempre importante) mas acima de tudo, porque nos cinjimos aos problemas do futebol e só do futebol. O buraco financeiro que havia antes do Roquete aumentou exponencialmente e, como tal, deixou de haver hipótese de voltarmos a ter as modalidades de volta.

No que toca a mudança de mentalidade, começo por dizer que não gosto de comparações. Acho que dizermos que se os outros clubes têm nós também temos de ter é falta de ambição – devemos sempre ver o que se passa nos outros clubes para estarmos a par do que se passa à nossa volta, mas fazermos as coisas porque os outros fazem, vivermos centrados no que se passa ao lado é meio caminho andado para desaparecermos; devemos ser pro-activos acima de tudo e estar sempre um passo à frente dos outros clubes, pensando acima de tudo nas nossas virtudes e nas nossas forças e isso passa por voltarmos a ter um clube verdadeiramente eclético (bastantes mais modalidades que agora temos) e trabalharmos à séria para que sejam vencedoras. Acreditem: quando há uma dinâmica de vitória num clube, qualquer que seja a modalidade, faz com que o resto do clube se levante. Quanto mais modalidades (e modalidades vencedoras), maior seremos. Quem se lembra (como eu) dos anos 80 sabe do que falo: quando se falava em desporto em Portugal falava-se no Sporting e isso atrai muita gente, atrai mais patrocínios mais dinheiro, cria mais nome, o que faz com que mais pessoas queiram fazer parte deste clube, sejam jogadores, treinadores, sócios ou comuns adeptos. Custa tempo e dinheiro? Claro que sim. É difícil? Óbvio. Mas para sermos vencedores temos de ser ambiciosos (não megalómanos) e isso só funciona se voltarmos a ser o que sempre fomos: o maior e melhor clube de Portugal em modalidades.

Um abraço.

Sportinguismos

Nos dois últimos dias, dei comigo a pensar: que tipo de Sportinguista serei aos olhos de quem lê o que escrevo? Será que o facto de opinar quando considero pertinente, recusando-me a omitir o que penso a bem da tão propalada estabilidade, faz de mim um «terrorista»? Um mau Sportinguista?

Vem este pensamento a propósito das críticas feitas a Bruno de Carvalho, no seguimento das suas críticas ao desempenho da actual direcção durante o primeiro ano à frente do clube. Parece-me que Bruno escolheu o caminho mais complicado para estar na oposição. No sentido inverso ao de Dias Ferreira, Pedro Baltazar ou Abrantes Mendes, recusa-se a fazer o papel do opositor silencioso que não se manifesta para dar ares de um suposto Sportinguismo superior.  Bem pelo contrário: aponta o dedo sempre que considera ter que fazê-lo, numa atitude que o coloca perante o risco de ser rotulado como o gajo que só fala quando é para atacar e falar mal (optando os adeptos que assim pensam em ignorar, por exemplo, o interesse da comunicação social em promover tudo o que cause alarido, minimizando a presença e comentários em momentos de festa).

Ora, eu aplaudo o correr desse risco. E digo mais; a meu ver, perpetua a ideia que me foi passada ao longo da última campanha eleitoral: ele é o único que se sente realmente incomodado com a monarquia em que tornou dirigir o Sporting e o único apostado em fazer abanar a linhagem. Isso faz dele um Sportinguista oportunista ou um mau Sportinguista? Então, eu também sou um mau Sportinguista. Porque foi esta diferente forma de estar e de pensar que me fez optar no momento de votar. E é esta forma de estar e de pensar que considero fundamental continuar a existir enquanto não for sólida a certeza de que o rumo escolhido seja o mais acertado.

Se não se importarem…

… guardo as apreciações ao trabalho do Godinho e companhia para o final da época. Tentei começar a escrever mas, para além do sentimento de que é cedo para fazer um balanço, a minha cabeça desviava-se para quinta-feira. Tanto, que até o verdadeiro Cherba resolveu dar um ar de sua graça.

«O Sporting está muito mal. Quarto lugar? Quinto lugar? O que é isto? O Sporting tem de lutar pelo título, tem de ganhar! [...] Há muito tempo que não ganha nada. Antes de mais tem de começar a ganhar. Depois sim, pode pensar em jogar bonito. Jogar bonito e não ganhar não serve para nada. Espero que o Sá Pinto tenha tempo para colocar a equipa a ganhar. [...] O Metalist é uma equipa muito distante do Shakhtar ou do Dínamo Kiev. Não tem o mesmo poder. É um clube para andar em terceiro ou quarto lugar na liga ucraniana. Na Europa é mais perigosa, porque pode utilizar mais estrangeiros, mas é acessível. Podia ter saído um At. Madrid ou um At. Bilbao e aí sim ia ser difícil. Acho que o Sporting segue em frente e, entrando nas meias-finais, tudo pode acontecer».

Um ano de Godinho

É verdade, já lá vai um ano sobre a noite mais afinada de sempre. Há muito para dizer, pois que há, mas para já, dentro da minha cabeça, continua a doer uma simples constatação: se tivéssemos ganho em Setúbal e em Barcelos, e tendo em conta que ainda vamos jogar com os três da frente (e que eles também jogam entre si), podíamos estar a pensar em lutar pelo título.

Banho de bola

Desta vez em casa de lampiões (pobre Leão que por lá anda perdido). Novamente sem margem para dúvidas.
Uma vez mais, obrigado a todos os cacifeiros. Que este seja o primeiro caneco que o Sporting ganha este ano!
(Estou à espera do prémio, mas desligaram as luzes e ligaram a rega automática).

Restos de um fim-de-semana

Não sei o que esperavam vocês, mas eu esperava um pouco mais, frente ao Feirense. Sim, acredito que a motivação não fosse das maiores e foi notória a desaceleração no segundo tempo mas, porra, sabe sempre a pouco ganhar 1-0, ainda para frente ao último. E pior sabe ficar com a sensação que se, por algum acaso, sofrêssemos um golo, ia ser uma valente merda para conseguir os três pontos.

A minha primeira nota de destaque mais para o público. Cerca de 30 mil, num sábado à noite (sempre este merda de horário), frente ao último, com a equipa a jogar pelo mínimo dos mínimos (4º lugar), é uma assistência digna de registo e uma excelente base para, espero, os números da próxima quinta-feira.
Depois, o bom jogo de João Pereira, a par de Capel o mais capaz de dar alguma velocidade ao jogo. E se ao espanhol por vezes falta cabeça por tê-la demasiado em baixo, ao lateral direito falta cabeça por ter um cérebro que dá para jogar ao berlinde (até me admiro como é que não foi expulso ou fez um penalti).  Rui Patrício, claro, porque nem só de grandes defesas vive um guarda-redes e quando a inspiração é pouca ao menos que se tenha alguém atrás a dar segurança. Uma boa primeira parte de Renato Neto (ainda assim, e peço desculpa ao rapaz, não me parece jogador para o Sporting), boa entrada do André Martins e um pormenor que acho que não escapou a ninguém: a exibição estava tão morna, que Sá Pinto se viu obrigado a deixar Izmailov em campo até ao final, até porque o russo se mostrava o mais clarividente entre todos os escolhidos. E por falar em clarividência, espero que, frente ao Metelist, o Wolfswinkel marque os golos que falhou sábado à noite.

E se a equipa principal cumpriu com os serviços mínimos, os juniores mostraram estar de regresso com a vitória, por 3-4, em Guimarães. Depois de terem estado a perder por 3-0, os pequenos Leões rugiram bem alto numa reviravolta que os coloca perante a possibilidade de irem ao Seixal conquistar o primeiro lugar. Resta saber se terão que enfrentar algum artista como o do jogo que abriu a fase final do campeonato.

A propósito de artistas, tem contornos patéticos a intervenção daquela personagem  chamada João Gabriel. Diz ele, à 24ª jornada, que «os árbitros não podem aldrabar a classificação e, nesta altura, a classificação está aldrabada por influência directa dos árbitros». Eu diria que a classificação está aldrabada desde que o Xistra meteu o apito à boca, em Alvalade, o João Ferreira repetiu o gesto, em Barcelos, e o Olegário deu um ar da sua graça, em Guimarães. Estávamos na primeira jornada, oh lampiãozeco.

 

Importam-se de repetir?

«O Feirense é uma equipa aguerrida, combativa e forte nas bolas paradas. Vem a Alvalade jogar num posicionamento baixo e está motivada. Mas nós somos o Sporting e jogamos em casa [...] O jogo tem 90 minutos. Se ao minuto 20 o Sporting ainda não está a dominar ou a demonstrar qualidade de jogo, não quer dizer que tenha de ser penalizado e perder o jogo», Ricardo Sá Pinto, na conferência de imprensa.

Em poucas palavras, Sá Pinto resumiu quase tudo: as várias faltas que nos esperam mais logo, um autocarro bem diferente da vanette que trouxe o Guimarães, a obrigação de ganhar sem espinhas e uma alfinetada nas arbitragens, nomeadamente na de Barcelos (e, já agora, na peida dos Sportinguistas que praticamente defenderam que por termos entrado mal em jogo, devíamos comer e calar com o Paixão).
No que me toca, e tendo em conta que voltam a haver bilhetes a seis euros, desafio os leões que lerem estas linhas a estarem em Alvalade e a repetir os mais de 34 mil espectadores que marcaram presença contra ManCity e contra Guimarães. E, já agora, desafio a equipa a voltar a oferecer-nos algo do género.

 

p.s. – já agora, se tiverem possibilidade, passem pelo Estádio José Martins Vieira, na Cova da Piedade, para o jogo de homenagem ao grande Vítor Damas. É às 14h30.

E tu, quem colocavas no lugar de Schaars?

Eu gosto muito do André Martins, mas ainda gostava mais de ver o Marat ao lado do Elias, dando as alas a Jeffren e Carrillo (o Capel está a precisar de descansar).

Diz-me o que pensas, dir-te-ei quem és

Domingos falou, pela primeira vez, sobre o Sporting. E, em termos gerais, teve uma postura correcta. Agradeceu aos adeptos, disse respeitar a opção tomada pela direcção e manteve a coerência de discurso ao afirmar que precisava de tempo. Mas meteu os pés pelas mãos ao afirmar que acha que não falhou nada.

Ora, e sendo muito sincero, faz-me confusão que alguém, depois de ser eliminado da forma patética como fomos eliminados da Taça da Liga, pense que não falhou nada. Acho grave (para o seu futuro profissional, claro) que, mais a frio, Domingos também considere que o discurso adoptado, apontando consecutivamente o dedo aos jogadores, também tenha sido o ideal. E, depois, o «pormaior» de, em três meses, ter-se revelado incapaz de suprimir a ausência de Rinaudo.

Ora esta, parece-me, é uma das primeiras grandes vitórias de Sá Pinto. Não faz dele um iluminado, longe disso, até porque eu e muitos de vós já há muito tempo que apontávamos o recuou de Elias e de Schaars como a melhor solução para a equipa na ausência do argentino. Pior, sem Rinaudo, Domingos mostrou não ter um plano B, uma ideia, algo que transformasse o futebol do Sporting em algo ligado e pensado (aliás, um dia ainda gostava de poder perguntar-lhe porque razão levámos uma pré-época a preparar uma equipa com dois avançados e, em competição a sério, nunca mostrou ter esse esquema táctico bem ensaiado).

Hoje, pese as más entradas em Setúbal e em Barcelos, só alguém com opinião formatada poderá afirmar que o Sporting é uma equipa sem princípios de jogo. Se ainda está tudo assente em bases pouco sólidas? Claro que está. Claro que Sá Pinto ainda tem um longo caminho a percorrer na sua formação como treinador. Claro que a aposta na posse de bola ainda emperra quando apanhamos equipas que só pensam em defender. Mas percebe-se que os jogadores percebem o que o treinador quer. E, mais importante, que tentam fazê-lo.

Não sei onde esta aventura (continuo a encarar assim a aposta em Sá Pinto, optando pelo Sportinguismo em detrimento de um nome com créditos firmados) nos levará. Não sei se Sá Pinto será o nosso Guardiola, ou apenas mais um a ser engolido numa nova decisão de fuga para a frente. Sei que, depois de ter ouvido falar Domingos, cujo despedimento considerei bastante questionável, dei comigo a pensar que isso pode ter sido o melhor que nos aconteceu. Ao comparar os jogos que o Sporting fez frente ao City, com os que fez frente à Lazio, Domingos passa-me a imagem de alguém incapaz de assumir os seus erros e demasiado focado na ideia «eu sou mesmo bom». A mesma ideia que fez Villas Boas passar de iluminado a puto arrogante e borrado.

Depois dos banhos e massagens

«Sá Pinto é muito ambicioso e consegue motivar-nos a todos. Tenho uma relação muito próxima com ele e, como também já foi avançado, está a ensinar-me muitas coisas novas, como a movimentação dentro e fora da área ou como enganar os defesas. Fala inglês comigo e isso também ajuda [...] Mudámos recentemente de treinador e acredito que vamos acabar bem a época. Vamos à final da Taça de Portugal e estamos nos quartos-de-final da Liga Europa onde, frente ao Metalist, temos que confirmar que não foi por acaso que eliminámos o Manchester City», Wolfswinkel, na Voetbal International..

hoje escreves tu: Entrar nos eixos

Todas as quartas, a voz dos cacifeiros salta da caixa de comentários para a primeira página, naquela que considero uma forma de enriquecer o blogue, de reforçar o Sportinguismo e de agradecer a todos os que, diariamente, ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é ( quem quiser saber as regras, clique aqui).
O post desta semana é assinado por Samuel Ramos, um Leão que sofre à distância, na Suíça, mais precisamente (não estranhem a falta de acentuação, a culpa é do teclado).

 

Entrar nos eixos
by Samuel Ramos

Sou Sportinguista (assim mesmo, com maiuscula, porque nao eh um estado que possa ser descrito de outra forma) desde que me lembro de ser alguem. E ser Sportinguista representa uma parte muito importante da minha personalidade, em tudo o que faco. Os nossos ideais de Esforco, Dedicacao, Devocao e Gloria teem-me acompanhado desde cedo, quer na minha vida pessoal, quer profissional.
E foi na senda destes ideais que no ano passado abracei um novo desafio profissional no estrangeiro, o que me obriga a que, mesmo mantendo duas Gameboxes no mais belo estadio do mundo, eu sofra ah distancia com aquele que eh um dos meus grandes amores. E acreditem meus amigos: se no passado eu sofria com tudo o que rodeava o meu Clube, neste momento fico doente e louco por saber que, por estar longe, pouco ou nada posso fazer para mudar o estado de coisas em que o meu Sporting caiu.

Eu sei que os rapazes ainda sao capazes de nos oferecer noites historicas como a que aconteceu em Alvalade, contra os endinheirados do manchester city (assim mesmo, em minusculas, que eh como escrevo o nome de todos os outros clubezecos)…sim, porque a noite de manchester nao foi para mim historica, porque nunca uma derrota do meu Clube podera algum dia ser historica! Mas o que eh um facto eh que jah ha muito tempo que nao vejo o meu Clube com capacidade para dar a volta ao texto…e atencao que eu atravessei os 18 anos de travessia no deserto, mas onde todos os anos via o estadio cheio, a equipa a jogar bom futebol e o nosso plantel recheado de bons jogadores…podiamos nao ganhar um chavelho, mas ninguem no pais e poucos na Europa jogavam o futebol que nos jogavamos!

Entretanto, fomos campeoes um par de vezes (que alegria imensa, ver todo um pais em comunhao e vestido de verde…ainda teem que me explicar a teoria dos 6 milhoes…) e parecia que o rumo havia sido encontrado: uma mescla de jovens com potencial acabados de sair da Academia (Ronaldo, Quaresma, Viana…), combinados com alguns jogadores experientes e com qualidade insuspeita (JVP, Andre Cruz, Rui Jorge) e recebidos por verdadeiros simbolos do clube, que percebiam o que significava vestir aquele manto sagrado (Pedro Barbosa, Sa Pinto, Iordanov). Tinhamos um rumo, um objectivo (ser 3 vezes campeoes a cada 5 anos) e uma estrategia!

A verdade eh que tudo falhou…
Passados 10 penosas epocas, atravessamos o segundo mais longo jejum da nossa historia. E, aquilo que para mim eh mais grave, perdemos o rumo, deixamos de ser ambiciosos nos objectivos (a treta do segundo lugar ser bom so tem cabimento na cabeca de um mentecapto que nao conhece a historia deste grande Clube…e quando um mentecapto chega a presidente do nosso Clube, fica grande parte da historia explicada…) e toda e qualquer estrategia se esfuma apos a primeira derrota ou infelicidade.

Entao o que fazer para voltarmos a entrar nos eixos?
Na minha opiniao, a resposta ate acaba por ser relativamente simples e centra-se em 4 eixos fundamentais: Direccao, Treinador, Jogadores e Adeptos/Claques.

Em relacao ah Direccao, tem que haver coragem na definicao de um Rumo claro. E este Rumo nao pode mudar ou desviar-se apos a primeira contrariedade! Para mim, o Rumo passaria pela manutencao do treinador (lembrem-se que ate o Ferguson levou uma carrada de anos ate ganhar alguma coisa…), pela manutencao da maioria do plantel, com dispensas baseadas numa analise custo-beneficio, pela introducao gradual e meticulosa de jovens da academia e pela contratacao pontual, especifica e cirurgica de alguns (poucos) reforcos. Desta forma, garantiamos um corte de custos, um potencial aumento de proveitos atraves da promocao e potencial venda futura dos miudos (lembram-se que estao valorizados como “valor zero” no balanco, pelo que as mais-valias sao enormes quando os vendemos) e, mais importante que tudo o resto, garantiamos que tinhamos uma verdadeira EQUIPA, e nao apenas um conjunto de jogadores.

Em relacao ao Treinador, desde ja admito que nunca gostei do Sa enquanto jogador. No entanto, prefiro mil vezes ver um gajo sentado no banco e saber que ele esta a sofrer tanto ou mais do que eu do que ver la um andrade ou um gajo de carnide. Chamem-me maluco, mas eh minha conviccao que uma pessoa, por mais profissional que seja em todas as situacoes, se esforca mais quando aquilo que faz lhe da prazer e quando se identifica com a organizacao e os objectivos que o empregam. Posto isto, penso que ele sera para manter e que deve ter como Objectivo, acima de qualquer outro, jogar futebol bonito e de ataque. So assim poderemos voltar a encher o nosso Estadio e os dos outros! E acredito que, se tivermos uma Equipa a jogar bom futebol e ao ataque, os nossos Objectivos ficam mais proximos.

Quanto aos Jogadores, penso que apos um ano a jogar juntos, ja se conhecerao o suficiente para encararem a proxima epoca com optimismo. Acredito mesmo que temos um bom plantel, com uma boa mescla entre jogadores feitos e de qualidade (Schaars, Ismailov, Elias), com jovens com potencial (Carrillo, Capel, Wolkswinkel), faltando verdadeiros simbolos do Clube, mas que pode ser facilmente ultrapassado pelo facto de termos uma equipa tecnica da casa. Penso que tem que ser efectuado um bom trabalho fisico de base (a quantidade de lesoes desta epoca tem que ser evitada a todo o custo!) e temos que formar um plantel onde tenhamos duas opcoes validas para cada lugar, contratando cirurgicamente e com criterio.

Para os Adeptos/Claques penso que ficarah o trabalho mais ingrato. Temos que ter paciencia e nao abandonar a equipa ah primeira contrariedade, como fazem os nossos vizinhos de carnide. Temos que gritar e apoiar os nossos bravos ate ao ultimo minuto e dar tudo pelo nosso Amor. Mas temos que fazer algo que se tem revelado cada vez mais importante nos ultimos tempos: temos que transformar a nossa casa e qualquer outro estadio onde o nosso Sporting jogar um autentico inferno para os nossos adversarios, sejam estes a equipa adversaria ou a equipa de arbitragem. Temos que deixar de ser os cavaleiros da virtude que acabam sempre comidos de cebolada! Temos que ser activos e procurar criar o ambiente certo para que, no momento em que nos queiram prejudicar, pensem duas vezes. Nao quero que nos favorecam, dado que isso sao vitorias que so orgulham andrades e carnides…quero apenas que sejam justos e que nos deixem vencer ou perder dentro de campo e usando as mesmas armas que nos!

Peco desculpa pelo post longo e enfadonho, mas esta eh a minha visao do Sporting Clube de Portugal e achei por bem partilha-la com quem por ele sofre tanto ou mais do que eu. Nao sou o dono da verdade e muito menos acho que tenho a solucao magica para salvar o nosso amado Clube, mas uma coisa vos posso garantir: dentro de 4 meses nasce mais um Socio e Fanatico Sportinguista e nao quero que ele tenha que passar pelo sofrimento e pelos desgostos que o pai ja enfrentou! Ja bastam todos os problemas que a vida nos cria todos os dias, nao eh preciso que uma das coisas que mais amamos no mundo tambem decida fazer-nos a vida negra.
No entanto, uma coisa eh certa e essa eu poss prometer: o Guilherme sera tao ou mais Sportinguista que o pai!!!

SL

Alguém me explica isto como se eu fosse um puto de cinco anos?

«O Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal informa que, no âmbito do processo de reorganização e simplificação do universo empresarial do Sporting, foi hoje aprovado pelos Conselhos de Administração das sociedades Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD e Sporting Património e Marketing, SA o projecto de fusão por incorporação da Sporting Património e Marketing, SA na Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, com a consequente extinção da primeira.
A fusão permitirá resolver a situação dos capitais próprios da Sporting SAD, que hoje se encontram negativos, e que desta forma passarão a positivos.
Por outro lado, a fusão permitirá concentrar todas as actividades económicas relacionadas com o futebol numa única entidade, a Sporting SAD, eliminando custos duplicados decorrentes da existência das duas sociedades, permitindo uma optimização dos recursos e a constituição de uma estrutura mais coesa, constituída apenas por duas entidades: o Clube e a Sporting SAD.
A operação de fusão permitirá ainda ao Sporting Clube de Portugal manter a maioria do capital social da Sporting SAD, mesmo depois da conversão das VMOC em capital da SAD.
Finalmente, a concretização da fusão terá impacto positivo na Sporting SAD ao nível do cumprimento das regras de Fair-Play financeiro da UEFA, facilitando a obtenção da rentabilidade mínima exigida pela UEFA a partir do Exercício de 2013/14.

O Conselho Directivo»

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