Arquivo de Junho, 2012

Quantos golos marcaria este gajo com a camisola do Sporting?

A boa medida e a piada de mau gosto

Um gajo termina o dia a saber que a Liga aprovou uma norma, que proíbe os empréstimos de jogadores a equipas que disputem a mesma divisão, e acorda a ver na banca uma capa que me fez recuar uns anos, com a diferença de que o negócio não envolvia um lateral direito para um plantel onde já temos três melhores (até a situação do Lucho estar de saída se repete com a possível ida do Moutinho para Inglaterra).

Portanto, para já, aplaudo a medida tomada pela Liga e recuso-me a acreditar na capa que coloco abaixo. É que, a ser verdade, só posso sentir-me a tremer perante as contratações cirúrgicas anunciadas pelo engenheiro Godinho…

Então, até 2014

Pronto, terminou. Aquilo que foi anunciado como um pesadelo e acabou por transformar-se num sonho. Essa foi, muito provavelmente, a maior conquista desta selecção. Bem maior do que aquela parva vitória moral defendida pelo iluminado do Rosado, segundo o qual devíamos estar orgulhosos por termos obrigado a Espanha a ir a penaltis.

O jogo foi dividido durante os 90 minutos. Podia ter pendido para cada um dos lados, até porque, acredito, este era um daqueles jogos que se decidiria com um golo. Que poderia ter sido de Ronaldo, o mesmo que nem chegou a poder marcar um penalti. Depois, no prolongamento, houve Patrício contra a armada espanhola. Ganhou o Leão, cujas garras parariam de forma genial a primeira penalidade. Depois, os deuses do futebol castigaram uma mão cheia de gente ao mesmo tempo, no penalti de Moutinho. E nem sabiam o que fazer com um Sergio Ramos à Panenka e com um Bruno Alves a fazer pontaria ao ângulo, daí terem-se esquecido de ajudar o Leão Patrício a crescer um pouco mais nas vezes que adivinhou o lado.

Daqui por dois anos, ele voltará a ser o redes desta selecção. Uma selecção que fez por merecer a nossa atenção e que deverá ver a Geração Academia ser reforçada com André Martins e Daniel Carriço. E onde, quem sabe, o facto de estarmos no país do joga bonito permita a Quaresma sair do banco.

A Geração Academia e os loucos

Li, no A Norte de Alvalade, uma expressão interessante. «Geração Academia», assim se apelidava a vaga de jogadores que, na sua maioria, colocam esta selecção a jogar. Já para não falar do treinador, que fez o estágio em nossa casa. E a verdade é que, para lá de embirrações pessoais e cenas de falta de respeito para quem lhes deu o pão a comer, a verdade é que a expressão agrada-me. Nem que seja pelo facto de valorizar o trabalho por nós feito, algo que tanto irrita os adversários.

Entretanto, ontem vi uma capa do Jogo com o  Bojinov a dizer que quer lutar pelo lugar. E eu, que se tivesse tempo continuaria a ir ao Rossio trocar cromos para terminar as cadernetas, confesso que acharia muita piada a ver este gajo bombar em Alvalade, com aqueles pontapés de fora da área que me fizeram começar a segui-lo estava ele no Lecce.

Hoje, é o Luís Aguiar que volta a falar. Mas no que toca a loucuras a meio-campo, confesso que nem o uruguaio nem o tal do Gelson são dignos de destaque quando alguém se lembra do nome Sporting para destacar aquele Anderson que nós tão bem conhecemos e que, volta não volta, é «colocado» fora do Manchester.

Sinais de vida

Isto de  estar de férias no topo de um penhasco, com vista para o mar, é uma maravilha. O problema é acertar as ligações à net, de forma a voltar a fazer o coração do Cacifo bater.

E que melhor forma de tentar esquecer aquela palhaçada no futsal, bem como a saída do melhor jogador português de hóquei em patins da próxima década para compensar a conquista do título e subida de divisão, do que uma entrevista do André Martins onde se pode ler «O Sporting tem um grande significado para mim, porque desde muito cedo deixei a minha família, a minha terra, para representar um clube que me deu tudo [...] Vou estar grato, para o resto da minha vida, ao Sporting, por ter sido um clube que apostou em mim»

Está no nosso jornal oficial e aposto que, amanhã, vou ter ainda mais dificuldade em encontrá-lo à venda do que tive para encontrar uma ligação à net (o que eu não faço por vocês).

Dia M

Final de futsal, final de hóquei em patins, dia de assinalar o regresso do basquetebol. Porque o Sporting também é isto.

Nem de propósito

Ontem, dia em que o que a selecção me levou a escrever o post anterior, a nossa Academia celebrava dez anos de vida. Muito já se disse, e já se escreveu, sobre o que temos e o que não temos sabido fazer com a maior fábrica nacional (e uma das maiores à escala mundial) de talentos futebolísticos (dois Bolas de Ouro como expoente máximo), e não será este o momento em que julgo ser necessário acrescentar muito mais linhas a esse histórico.

Limito-me a voltar a dizer que me sinto orgulhoso de ser adepto do clube português que dá a devida importância à formação de talentos nacionais, e que mantenho o sonho de ver o meu Sporting tornar-se constantemente conquistador tendo por base esta política. E, já agora, seria impossível deixar passar o artigo publicado no The Telegraph, naquela que é uma forma simpática de assinalar os dez anos de vida da modernização dos nossos escalões de formação (e que por cá é ignorada).

«[...] How is it that Bento has got this Portuguese team playing such cohesive, diligent football? The answer lies in a place called Alcochete, outside Lisbon. It is the site of Sporting Lisbon’s academy and the birthplace of this Portugal team’s football philosophy. Just as Spain have drawn on Barcelona and Germany on Bayern Munich, the Portuguese have looked to Sporting’s remarkable talent school.

In 2002, Bento was a holding midfielder in the Sporting team that won the double under Laszlo Boloni. It was also the year the club opened the Academia Sporting for developing young players. It is a state-of-the-art facility with seven pitches and an on-site hotel for the players.

Sporting try to get players young, whether from the slums of Lisbon or by casting their scouting net wide, as they did in finding Cristiano Ronaldo on Madeira and Simao Sabrosa in the north of the country.

When found early enough, players are able to adapt to Sporting’s extraordinarily high technical standards. Off the pitch a team of tutors and child psychologists work on their educational development. The attention to detail is incredible: Ronaldo’s bone density was measured to see how tall he would get, and his training schedule was adjusted so as not to put too much strain on him during growth spurts.

When Bento retired from playing in 2004, he took over the youth team. He had played alongside graduates like Ricardo Quaresma, Custodio, Beto, Hugo Viana and Ronaldo and imbibed the Sporting way. He selected all five of those former team-mates in his squad for this tournament.

It was working with the next generation that Bento made his name as a coach. He won the youth title in 2005 and was promoted to first-team duties the following season. It was thought to be a short-term appointment but so successful was he that by the time he resigned in 2009 he was the second-longest serving coach in the club’s history.

The team was built around the players he had nurtured in the youth team. Rui Patricio was promoted as goalkeeper, Joao Moutinho came in as playmaker, Miguel Veloso as holding midfielder, and Nani was brought through to replace Ronaldo on the wing. With this group Bento oversaw four consecutive second-place finishes, two Portuguese Cup victories and Sporting’s first progress beyond the group stages of the Champions League.

Those Sporting players make up the core of the Portugal squad.

Out of the 23, Bento picked 10 graduates to take with him to Poland and Ukraine (Varela also came through the Sporting system) and the Sporting way, albeit with a Bento twist, has been the reason behind their success.

Five of the starting XI are Sporting graduates while Joao Pereira, the right back, and Helder Postiga, the striker, have also played for the club.

The team play 4-3-3, with clearly defined roles for the midfield triangle. The No 4 — Veloso — plays more horizontally, covering when team-mates get forward and serving as the fulcrum of play. The No 8 — Raul Meireles — plays more vertically, trying to get from box to box. The No 10 — Moutinho — has the freedom to make the play, to roam between the lines and unpick the defence with his passes.

The Bento twist is to play with a bit more emphasis on defensive solidity than most Portuguese are comfortable with. His Sporting teams were sometimes criticised for being functional so it was no surprise that he faced the same thing after the German defeat.

Yet Bento is clearly playing to the strengths of his players. He is not being negative but simply seeing how much more dangerous Ronaldo and Nani are when attacking the broken lines of the opposition on the counter. If the Czechs get sucked too far up the pitch it will be very hard to resist Portugal’s transitional play.

At 43 Bento is a young coach, ceding two decades to many of his rivals, but in selecting players who he has played with or coached since they were teenagers he has forged a team with a strong identity. The question now is how much further he can lead them into this tournament. The Czechs face an unenviable task this evening »

Banho checo com carimbo verde e branco

Peço desculpa, mas tenho que começar mesmo por aqui. Até porque, acredito, a minha mente não deve ter sido a única a viajar por esses cenários. Depois de gritar «golo!» a plenos pulmões e com algumas jogadas de atraso, recupero o relato que ia fazendo na minha cabeça. «Bem, Nani. Aguenta. Foda-se, não há um médio a dar apoio. Mete! Bem, bem. Centra, Moutinho, centra! Golooooooooooooooo!»
E, obviamente, após terminarem os festejos, o meu comentário foi o seguinte. «Custa-me comamerda ver isto. Isto podia ser um golo do Sporting…»

Para lá da minha cegueira verde e branca, Portugal fez 60 minutos de grande nível. Depois de um arranque medonho, onde o meio-campo não pegava na bola e a dupla de centrais me fez lembrar Polga e Tonel a mandarem biqueiros para a frente, para as correrias loucas do Liedson (epá, desculpem lá, mas há demasiado Sporting nesta selecção), Ronaldo acordou e agitou as tropas (e o Postiga lesionou-se o que fez com que, uma vez mais, se confirmasse que jogamos melhor quando ele não está em campo).
Aquele movimento, em cima do intervalo, com uma recepção fantástica a deixar o defesa para trás e o remate ao poste, foi como que o pronúncio do que nos esperava na segunda parte. E bastou os médios subirem para os checos passarem a jogar num patético 9-0-1, que merecia ter sido castigado com um resultado mais volumoso.

Agora venha de lá a França, que há contas a ajustar (e que começaram naquele jogo em que o cabrão do Platini resolveu mandar para o lixo os dois golos do Jordão). Quer, dizer, agora que falo em Platini, acho que vamos jogar com a Espanha. O rapaz já disse que quer os vizinhos ibéricos na final, a jogar contra a Alemanha, não disse?

 

Acham mesmo que há condições para haver jogo?

Aplaudo, de pé, o comunicado do Sporting a respeito da bandalheira que tem sido a final de futsal (o comunicado está aqui e inclui vídeos).

Acho é inacreditável que os senhores que gerem a modalidade, estejam há dois anos (pelo menos) a assobiar para o lado, deixando as coisas chegar a este ponto. E quase aposto que, se fizermos o tri, para o ano assistiremos a mais uma tentativa baixa de conquistar o título. Que será transmitida em directo, mas que apenas fará corar de vergonha os que não têm motivo para sentir-se envergonhados.

Gestão low cost

«Godinho Lopes, presidente do Sporting, vai assumir o pelouro das infra-estruturas e património, que estava a cargo de Paulo Pereira Cristóvão, que se demitiu recentemente do cargo de vice-presidente. Godinho Lopes fica também com a área comercial, que no início do mandato estava entregue a Carlos Barbosa, que se demitiu no final de janeiro. Estas duas áreas vão ser reforçadas com a entrada de dois assessores não remunerados: José Manuel Silva e Costa (comercial) e João Pessoa e Costa (infra-estruturas/património)».

 

Quem diria que eu voltaria a escrever sobre João Pereira?

Bastou o rapaz fazer uma grande assistência, para a polémica voltar a instalar-se. Foi bem vendido, foi mal vendido, fio uma sorte apanhar quatro milhões, depois do Euro é que se fazia um grande negócio.

Eu fiquei lixado quando a notícia foi confirmada. Achei um negócio de merda despachar um internacional, titular, à beira do Euro, por metade do valor da cláusula. Mais a frio, e para além do estado lamentável em que se encontram as contas do nosso cube, considerei que o negócio podia não ser assim tão mau.

Olhando para os adversários de Portugal, e sabendo dos antecedentes de João Pereira, o risco de podermos ver o interesse no jogador desaparecer, era bem real. Os dois primeiros jogos confirmaram essa ideia. A assistência, frente à Holanda, deu-lhe destaque. Mas valerá esse passe mais 4 milhões?!?
Ou, se preferirem, o golo que o João Pereira marcou, frente ao Nacional, numa chapelada que carimbou a final da Taça, fez com que ele deixasse de ser um jogador quezilento, maioria das vezes pouco inteligente, que decide mal 90% dos lances ofensivos em que se envolve e que, a par de Polga, tinha o seu nome associado a uma elevada percentagem de golos sofridos pelo Sporting?

Eu acho que quatro milhões, foi um oportunidade que não podia ser desperdiçada. Se podíamos ter recebido mais? Sim, podíamos, mas essa não é uma questão que se prenda com dois meses de espera (a não ser que alguém acredite que ele vai resolver dois dos três jogos que faltam e levar a seleção ao título). Essa questão é, tão somente, um dos nossos maiores problemas: a ausência de conquistas e a decorrente incapacidade de valorizar activos que, embora medianos, acabam vendidos por valores inacreditáveis.

Vitamina C

Era do que Portugal precisava. C de Ronaldo e C de laranja.
Parece-me inquestionável que, por melhor que uma equipa possa jogar, será sempre melhor se tiver um dos três melhores do mundo a assumir esse estatuto.  Foi o que aconteceu ontem. Ronaldo puxou dos galões e partiu a louça toda. Continuo a ter pena que ele festeje os golos em tom umbiguista, mas isso será apenas uma questão de gosto e uma preferência por formas de estar. O mais importante foi a forma como gritei golo e o desejo que tive de gritá-lo mais vezes, o que significa que, embora não percebendo certas opções, estou cada vez mais conquistado pelo espírito de Portugal.

Não poderia deixar de destacar a enorme assistênia de João Pereira (compensada com aqueles disparates que o colocam sempre em risco de ir tomar banho mais cedo), as constantes enormes assistências de Nani (só falta marcar, mas também vos digo que aquele lance para 3-1 é todo mérito do redes holandês) e o aparecimento de um meio-campo capaz de espartilhar a defesa adversária em subidas constantes (grande jogo de Veloso e de Moutinho).

Uma palavra final para o Postiga: é uma pena não teres nascido em Andorra… (e é uma pena o Wolfswinkel ter nascido na holanda).

E se este gajo vier mesmo para Alvalade?

O gajo em questão é o da direita, chama-se Ricardo Carvalho e é um dos rumores mais insistentes dos últimos dias. Acho que a qualidade futebolística está a salvo de quaisquer dúvidas, resta saber como estão as pernas aos 34 anos.

O prazer de sofrer

Foi impressão minha, ou o jogo de ontem foi muito parecido com a maioria dos jogos que o Sporting tem feito nos últimos anos? É que nem faltaram gajos medianos a darem um ar de sua graça a alimentarem as teorias daqueles grupos de adeptos que, vá lá saber-se porquê, os adoram.

Um discurso bonito


Paulo Pereira Cristóvão demitiu-se. Ok, já o tinha feito, mas parece que agora é de vez. Ou, então, comprou alguma viagem naqueles sites de descontos e quer ir de férias para voltar mais bronzeado.
Bem, a verdade é que o homem disse adeus ao Sporting com um comunicado que lhe valeu um discurso bem bonito, carregado de espírito leonino, e onde reafirma a sua inocência. Mas, para lá das palavras bonitas, o que sinto é que, uma vez mais, e à semelhança do que esta direcção já me habituou, ficou um enorme vazio no que toca a explicar que raio de obra(s) é que ele tinha que terminar ou deixar encaminhadas, antes de sair pelo seu próprio pé (diz ele).
Provavelmente, dentro de alguns dias será capa de jornal, com uma grande entrevista. Pode ser que, aí, se encontre substância para as palavras bonitas. Entretanto, fica a curiosidade de saber quem é que Godinho vai colocar a gerir as claques.

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