Arquivo de Janeiro, 2013

Marius Niculae la la la la la

Pouco me importa se foi uma jogada para aquecer o coração dos adeptos, sei que vi regressar um jogador com lugar no meu. Que me recorda uma vitória sobre o porto, com um grande golo, à luz do dia, no velhinho Alvalade; que me recorda uma frente de ataque inacreditável com Jardel e João Pinto e Quaresma; que me recorda aquela noite memorável, no vira vira sobre o Newcastle. Um jogador que sempre respeitou o meu clube e que verei com orgulho pendurar as botas de Leão ao peito.

Agora… agora não sei se posso continuar feliz, por mais pequena e ilusória que seja essa felicidade. Decidam-se lá, de uma vez por todas, se o Niculae pode ou não jogar esta época, foda-se!

 

Actualização (16h26): O diretor de competições da Federação Romena, Dumitru Mihalache, garante que a época de futebol no país segue as indicações da FIFA: “só começa com o primeiro jogo do campeonato, o que torna a Supertaça um jogo da temporada anterior”. ”Seguimos as regras da FIFA sobre as transferências de jogadores e portanto temos esta interpretação: a temporada é o período que vai do primeiro jogo do campeonato ao último jogo do campeonato. Por isso nesta situação não podemos incluir a Taça da Roménia e a Supertaça”, esclareceu ao Maisfutebol. E prosseguiu: “Analisando a situação, a Supertaça é um jogo da época anterior, apesar de ter sido jogada a 14 de julho”. Assim, se esta também for a interpretação da FIFA, o Sporting poderá inscrever e utilizar Niculae (in Record)
Alguém tem o número de telefone do Platini (ou dos amigos dele, do Qatar)?

É a prenda de aniversário do Paulinho?

Niculae 6

Com a devida vénia: Parabéns, Paulinho!

paulinho

E esta, hein?

Bruno Pereirinha e o Sporting chegaram a acordo para a rescisão do contrato que ligava ambos até ao final da época. O defesa/médio, de 24 anos, irá representar a Lazio, 3.ª classificada da Serie A, assinando um contrato de três épocas e meia.

Quem é Paulo Henrique?

Não faço ideia. Mas agrada-me o facto de ter-se procurado um jogador já adaptado à Europa e, parece-me, com características diferentes das de Wolfswinkel (isto na perspectiva de estarmos a reforçar a frente de ataque, e não a compensar a saída do holandês). Gosto da pinta a la Júlio Baptista e se vier por empréstimo, melhor, não vá dar-se o caso de ser outro Ribas.

VOETBAL-PLAY-OFSS-HEERENVEEN vs NAC

p.s. – gostei de ouvir o agente do Marcelo Boeck, confrontado com o interesse do Sevilha, dizer que o Sporting não quer deixá-lo sair.

Um discurso… à Sporting

«Sabemos que somos superiores. Não vamos ser irónicos ou politicamente corretos em relação a isso. Dificilmente iremos perder este jogo, mas temos de nos motivar de outra forma, criando, através da equipa técnica, objetivos próprios que vamos ter de cumprir para manter um ritmo de jogo apelativo».

As palavras pertencem a João Benedito (quem mais poderia ser?, apetece perguntar) e antecederam a recepção ao Piratas de Creixomil. Mais do que o resultado final desse jogo (11-3), fica um discurso que se perdeu no que toca ao nosso futebol profissional. E, o pior, é que a principal razão para isso acontecer nem se prende com o enorme crescimento dos adversários que, hoje, chegam a Alvalade como se esse fosse o reduto ideal para conquistar pontos. Nós é que nos temos tornado num grande… cada vez mais encolhido.

Irritações

Irrita-me ter feito um bom jogo, ter pressionado, ter recuperado bolas, ter criado jogadas em ambos os corredores, ter, enfim, visto algum futebol em Alvalade, e não ter ganho.
Irrita-me ter menos quatro pontos à custa de uma equipa como o Guimarães. E constatar que essa equipa sonha com a Europa, só reforça a pobreza de época que estamos a fazer e a ideia de que o nível deste campeonato anda mesmo muito por baixo.
Irrita-me termos tido pouco sangue frio depois de termos chegado ao empate.
Irrita-me termos contratado o Khalid para despachar o Ogushi.
Irrita-me que aquele enorme pontapé do Carrillo tenha terminado na trave. E, mais ainda, irrita-me ouvir assobios para o peruano, vindos de pessoas incapazes de perceberem que, nos 40 jogadores que compõem a equipa principal e a equipa B, não há outro capaz de fazer o que ele fez nessa jogada.
Irrita-me que o Wolfswinkel tenha falhado a aquela cabeçada, a fechar. E que, aos olhos de muita gente, cada falha dele, valha dez vezes mais do que qualquer golo que marque. Pode ser que, até quinta-feira, se faça uma festa com a sua saída, porque metemos uns tostões ao bolso e porque o que há mais por aí são avançados capazes de marcar uns 20 golos no que resta da época (já agora, irrita-me ter ouvido o Jesualdo dar a entender que o jogador não estará 100% focado em ficar. Então, caro Jesualdo, e será o Sporting capaz de dar a entender aos seus jogadores que quer mesmo ficar com eles, ao invés de andar a tentar negociá-los com qualquer um que se chegue à frente?)

Doppietta!

blogdoano

Já está. Segunda edição dos blogues do ano, segunda vitória sem espinhas.
Um enorme obrigado a todos os Leões que, diariamente, ajudam a dar sentido à expressão «o Cacifo é do caralho!». A vitória também é vossa, obviamente.
Um aplauso aos organizadores da iniciativa, o Aventar, que isto de compilar dezenas de blogues não deve ser simples. Era escusado era terem criado uma categoria chamada “desporto”, para um qualquer outro blogue de futebol ter hipótese de ganhar um prémio de consolação.

p.s. – que isto sirva de inspiração para mais logo!

Financeiro vs desportivo

É assim que vivemos actualmente, sendo Ínsua um bom exemplo.
De acordo com o CM, «o Atl. de Madrid aceitou, ainda, assumir uma dívida de 800 mil euros que o Sporting tinha com Insúa, relativa a direitos de imagem. Além disso, os ‘colchoneros’ aceitaram pagar 400 mil euros a Emiliano Insúa (empresário e irmão do futebolista) por intermediação no negócio que levou o esquerdino do Liverpool para o Sporting. No total, a percentagem que o Sporting detinha (35%) de Insúa foi avaliada em 4,2 milhões de euros. O passe está ainda repartido por Liverpool (32%), jogador (18%) e Sporting Fund, gerido pelo BESI (15%)». E, ao que se diz, o Sporting poderá, ainda, vir a receber 35% de uma futura transferência.

É menos chocante, sem dúvida, uma espécie de lavar de mãos que até deve ter valido conversa sobre Elias e, quem sabe, “Póngólé”. Mas, por outro lado, perdemos o melhor jogador para uma posição em que temos andando constantemente à deriva. Mais, perdemos alma. Alma que Ínsua transmitia aos adeptos, que transmitia aos companheiros de balneário. Alma que cuja falta tanto nos temos queixado (depois admiram-se da ligação que Capel tem à bancada). Alma que dá vitórias e, ou esteja eu muito enganado, vitórias que permitem vender os medianos ao preço dos melhores (ou bater o pé, no caso destes últimos).
Depois de duas presidências ruinosas e a cinco dias do fecho de um mercado que parece um filme de terror, é para isto que caminhamos: um Sporting sem alma, refém de fundos e, cada vez mais, com um plantel… zinho.

p.s. – a ser verdade, a notícia foca um ponto tantas vezes aqui questionado: os dinheiros atrasados. Só à família Ínsua, devia-se mais de um milhão. Quem votou em Godinho, deve ter a latejar na cabeça frases como «Há vendas em função do projeto e não em função das necessidades – e esta é a grande diferença. Vender a qualquer preço só para permitir que se paguem salários não!»

p.s.2 – seria demasiado fácil eu abordar a temática «a equipa precisa é de estabilidade», não seria?

p.s.3 – hoje é o último dia para ajudarem a conquistar o título. cliquem AQUI e votem no Cacifo para melhor blogue de Futebol do ano

Não são rebajas, são enrabajas!

A sério… eu não quero acreditar nesta merda… os 3,5 milhões são pela totalidade do passe?!? Portanto, despachámos um dos nossos melhores jogadores por cerca de… 1,2 milhões?!? Vá lá, alguém desminta isto. Por favor…

Prozac

O Burquina Faso vs Etiópia está a ser um jogo do cacete!

Rebajas!!!

insuamadrid

É este o resultado de promessas eleitorais como:
«Se gostava de ter jogadores europeus? Claro, mas exceto os jogadores de grande qualidade que estejam em fim de carreira, que é possível, é difícil ir buscar um jogador europeu que já esteja a jogar cá porque são preços elevados. Consegue-se com fundos e empresários? Claro, outros como nós conseguem, mas temos de ver a relação custo-benefício. O Adebayor, por exemplo, por 14 milhões de euros, que é sua a cláusula, é um bom nome para o Sporting, claro…  E o Sporting conseguia dar?  Tem as condições de qualquer clube europeu para ir buscar parte dos passes dos jogadores. Precisa de ter credibilidade, um técnico e um diretor bons e com prestígio»

ou como
«O projeto é para ganhar, não quero ficar dependente da venda dos jogadores. Há vendas em função do projeto e não em função das necessidades – e esta é a grande diferença. Vender a qualquer preço só para permitir que se paguem salários não. Jamais venderia um jogador para um rival»

ou como
«A independência passa por isso, tenho de ganhar. Se baterem uma cláusula de 30 milhões é outra coisa, vender um jogador para depois aguentar uma época desportiva ou algo do género acabou. A grande mudança é essa – eu, Luís Duque e Carlos Freitas viemos aqui para ganhar, não para vender os jogadores e equilibrar o passivo»

Se quiserem continuar até vomitarem, basta clicarem aqui.

Eu, se não se importam, vou limpar a boca e, com toda a certeza, deixar chorar a alma. Acabaram de tirar-me um pouco da que restava como, infelizmente, eu já temia no final do post «Essa coisa, ultrapassada, do amor e das referências».

 

És tu, Pires de Lima?

E não é que é mesmo?!? Ele que, ainda ontem, chamava irresponsáveis a quem não quer esperar pelo final da época, para analisar friamente o trabalho de Godinho?!? (e, no caso dele, com o extra de poder vir a dar mais uma festarola lá para o norte…)

pires de lima

 

p.s. – a pérola foi retirada daqui.

Essa coisa, ultrapassada, do amor e das referências

«Cada vez me capacito mais de uma coisa: ídolos, referências ou símbolos não são feitos de defesas, golos ou juras de amor eterno…isso é dever profissional ou forma fácil de agradar. Ás vezes confundem-se, injustamente, estes conceitos sem que se tenha a garantia do carácter da pessoa», João Benedito.

Eu conheci o Sporting através da rádio. E dos jornais, que me ajudavam a aprender a ler. Tinha cinco anos e, nessa altura, falava-se muito do amor à camisola, a mesma que eu pedi como prenda, dois anos depois. Falava-se de craques e de ídolos. Dizia-se que o Manuel Fernandes era a alma do Leão, que o António Oliveira era um dos melhores jogadores da nossa história, que o Jordão era elegante, que o Carlos Xavier e o Mário Jorge eram diamantes a lapidar e que o Meszaros tinha um talento para defender bem maior do que o bigode com que jogava.

Depois apareceram Venâncio e Morato que, segundo os mais velhos, eram Leões de verdade. Eu nunca gostei muito deles como jogadores, mas defendia-os como se fossem os melhores do mundo. Também apareceu um gajo com nome de escritor, um tal de Rodger Wylde, e outro com nome giro para ser boneco do Match Day, o Boskovic, que, mal sabia eu, haviam de ser uma espécie de pré-aviso para a carrada de estrangeiros sem qualidade que, desde essa altura, foram tendo a honra de vestir a mais bela camisola do mundo. E, qual cometa, apareceu um puto (bem, o puto era eu, diga-se em abono da verdade) cheio de estilo, chamado Futre. Eu só ouvia falar do Futre. O mesmo que me confundiu, ao aparecer a celebrar golos com a camisola de um clube de que ninguém gostava. Felizmente havia o Manel, sempre lá, como referência de bem jogar e de amor à camisola.

O amor foi reforçado quando apareceu Damas. E o que eu chorei quando, no México 86, disseram que ele tinha tido culpa de perdermos contra Marrocos. Damas, Damas, Damas, até hoje Damas, símbolo desse tal amor, referência, craque, relegando para o banco o enorme e ilusório Katzirz, que animava o velhinho Alvalade tocando com o pé na barra durante o aquecimento. Havia, também, Litos, capítulo primeiro de toda uma história de eternas promessas que nunca chegam ao patamar vaticinado, e dois gajos com nome que ficava no ouvido; Saucedo e Eldon. Seguiu-se Raph Mead, ídolo de muito boa gente, e Duílio, ensaiando o samba no centro da linha mais defensiva. E o Manel, sempre lá. Mais o Jordão. E o Damas, claro.

Bem no coração do jogo, ia-se impondo uma espécie de arrastão, chamado Oceano. Tosco, como um artesão sem jeito, impressionava pelo que corria, pelo que destruía, pela força, pela dedicação. A camisola ficava-lhe bem. Mais à frente, um mexicano chamado Negrete, inspirava-me a tentar pontapés acrobáticos sem ter noção de que alcatrão não é relva. Marlon Brandão veio rotulado de craque, mas transformou-se num claro exemplo de que é bem mais fácil sê-lo com camisolas que pesam menos do que a verde e branca. E os dois estarolas, Houtman e McDonald, quais gigantes de torres plantados na área, incapazes de, juntos, valerem meio Manuel Fernandes (que por lá continuava, imagine-se. Com o Damas, claro).

Mas o Manel estava cansado, e deixou o balneário entregue a Damas e Venâncio, com Oceano, Morato e Xavier como guarda de honra. E tentou-se suprimir o vazio deixado na frente com o goleador Paulinho Cascavel, com o buliçoso Tony Sealy (podia ser irmão do Tom Jones) e com um puto chamado Cadete que, depois de crescer, tratou de manchar as memórias de uma noite mágica à chuva, frente ao Celtic, festejando estupidamente, naquela que foi a sua casa, um golo com a camisola dos principais rivais.

Estávamos no final da década de 80 e, num ano em que chegava um ex-lampião bom de bola, Carlos Manuel, um avançado sueco, Eskilsson, irmão gémeo do vocalista dos Europe, e despontava um jovem chamado Paulo Torres, a minha galeria de notáveis ganhava três nomes: Ricardo Rocha, patrão da defesa; Silas, craque, craque, craque; e Douglas, provavelmente o meu jogador preferido da minha história verde e branca, que se juntou a Oceano para tomar conta do meio-campo. Para todos os efeitos, eu passei a ser o Douglas em todas as peladas. E a querer jogar de meias em baixo e sem caneleiras, nos meus primeiros passos como jogador federado (sim, também usei cabelo à Douglas).

Fiquei com Douglas, mas perdi Damas. Felizmente, a memória tornou-se menos dolorosa por, para o seu lugar, ter chegado um gajo com pinta de maluco, Ivkovic (iv-iv-ivkovic! iv-iv-ivkovic!), o tal que, em pleno San Paolo, defendeu um penalti do Maradona e que viria a repetir a gracinha ao serviço de uma das selecções de que mais gostei até hoje, a Jugoslávia. Na frente, um tripas que resolveu vir terminar a carreira com estilo, Fernando Gomes, ao centro um gajo sem jeito nenhum para a bola mas com um pontapé inacreditável, Valtinho, e os primeiros passos do primeiro dos dois melhores do mundo por nós formados, Luís Figo.

Veio Luisinho, tão craque que, hoje, há quem tente ter nome igual e só consegue fazer merda. E veio um treinador porreiraço, Marinho Peres, a quem ainda marquei um golo de bicicleta, numa jogatana nas areias da Caparica. Havia um Careca, tão irritante, e a oportunidade de ver chegar duas referências polvilhadas com mais amor do que canela sobre pastéis de belém: Balakov, jogador de nível mundial, e Iordanov, o eterno mochilas (“primér gol párá Sporting, estar muito féliz”, dizia ele).  Idolatrei Bobby Robson, treinador tão fixe como um jogador, odiando Sousa Cintra por tê-lo despedido. Fiquei com o nem sempre compreendido Juskowiak, com um dos melhores do mundo que nunca chegou a sê-lo, Cherbakov (e o que eu chorei, incapaz de estudar para o teste de alemão dessa tarde, depois de saber que um gajo pouco mais velho que eu, comungando a mesma paixão, ia ficar preso a uma cadeira de rodas) e guardei mais um nome dos meus jogadores preferidos, Valckx. Paulo Sousa chegou com requintes de malvadez quase tão grandes como a sua qualidade futebolística (outro de nível mundial), mas um tal de Carlos Queiroz conseguiu deitar a perder o que teria sido uma época de sonho. Vivíamos a época dos craques, daqueles que teriam vendido infindáveis camisolas se as camisolas tivessem nomes como hoje. Aos que já lá estavam, juntaram-se o senhor Marco Aurélio, Naybet e Amunike. E apareceu um tal de Ricardo ‘Coração de Leão’ Sá Pinto.

Ia-se cantando “u-a, Outtara!”, para entreter a malta, tentando esquecer o desaparecimento de referências. Oceano e Iordanov aguentavam o barco, Sá Pinto dava coração, e Pedro Barbosa começava a dividir as bancadas. Um jovem chamado Beto celebrizou o festejo de golos agarrando o símbolo do Leão, Rui Jorge conquistava-nos, e Acosta aterrava em Lisboa, fazendo-me sonhar com as compilações de golos que acompanhavam a sua chegada. Schmeichel, de braços abertos ocupando meia capa de jornal, deixava-me de coração aos pulos. Um puto, Duscher, entrava para o meu top 5 de jogadores preferidos. E André Cruz era pedra basilar de uma das maiores alegrias que senti até hoje. Tivemos Babb, tivemos João Pinto (um bom exemplo de saber não cuspir no prato onde comeu), tivemos Jardel, mas eu gostava mais de Quaresma, de Hugo Viana e de Niculae. Fomos campeões. E apareceu Cristiano Ronaldo, o segundo a conquistar o mundo com a marca do Leão, até hoje exemplo pela forma de quem lhe deu bases. Paulo Bento acompanhou o surgimento de CR, e, para lá de outras questões, mostrou ser irrepreensível no que toca a respeitar a camisola verde e branca.

Entramos na última década. E, para lá de Pedro Barbosa, de Beto, de um podia ter sido, mas não foi, chamado Miguel Veloso, e do regresso de Sá Pinto, apenas me surgem três nomes com inegáveis ligações ao coração dos adeptos leoninos: João Moutinho, Izmailov, e Liedson. Muitas das nossas esperanças, numa história recente, passaram pelos pés destes três jogadores. Cada um à sua maneira, com a conivência de quem nos dirige, para quem futebol é negócio e que mostra ser incapaz de ver a clara tentativa do fcp em trepar no futebol português à conta do “empequenecimento” do Sporting, souberam atirar a matar sobre os já tão castigados adeptos.

Está visto que isto só nos magoa a nós. Que lágrimas na despedida, só valem as nossas. É enxugá-las (felizmente que a minha filha não tem idade para ter tido um deles como ídolo, e que eu não tenho que amparar-lhe tal desilusão). E, enquanto rezamos para não serem vendidos, a preço de saldo, os jogadores que ainda nos transmitem alguma alma, refugiemo-nos nas mãos de um tal Rui Patrício, esperando que as mesmas embalem e defendam uma nova fornada de Leões, capazes de voltar a fazer-nos acreditar nessa coisa, ultrapassada, do amor e das referências.

A linha editorial

Nos últimos tempos, tenho visto a expressão “linha editorial” ser utilizada várias vezes nas caixas de comentários. E há mesmo quem garanta que, como forma de demonstrar que não concorda com a linha editorial, não vota no Cacifo no concurso a decorrer, que, entre outras categorias, visa eleger o melhor blogue de futebol do ano.

Permitam-me, então, tentar deixar claro qual é a linha editorial do Cacifo.
O Cacifo orgulha-se, desde o seu início, de ser um blogue do caralho. Por duas razões muito simples: por tentar escrever, com a máxima qualidade possível, posts que tenham como tema o Sporting; por ser um blogue sobre o Sporting, escrito por e para Sportinguistas, onde a liberdade de expressão é ponto assente.
Ora, nessa liberdade de expressão inclui-se, obviamente, a de quem escreve. Um blogue que não viva de opinião, não é um blogue; é alguém a fazer revista de imprensa ou, para quem prefira o termo utilizado pelas marcas, a fazer clipping.

Numa altura em que é a minha opinião que serve de motor ao Cacifo, é sobre ela que recaem as críticas. Até aí, tudo bem. Se eu tivesse problemas em conviver com elas, mais ou menos pertinentes, mais ou menos lógicas, mais ou menos fundamentadas, dificilmente teria um blogue. Muito menos lutaria por tentar que esse blogue fosse um agregador de Sportinguistas e chegasse ao máximo de adeptos que seguem o Leão. Mas, se no que toca à discordância de opiniões e ideias estamos conversados, o mesmo não acontece quanto a posições políticas. Porquê? Porque, infelizmente, há quem ache que o Cacifo se tornou numa forma de combater o Godinho Lopes e de promover o Bruno de Carvalho.

Lá está, são livres de assim pensarem, mas, e pelo menos é esse o espírito com que escrevo e continuarei a escrever, o que me interessa é “lutar” por aquilo que acho melhor para o Sporting. Se acho um jogador uma merda, digo. Se acho um treinador uma merda, digo. Se acho um presidente uma merda, digo. E, neste caso, acho que o que Godinho Lopes tem feito enquanto presidente do Sporting é uma valente merda. A todos os níveis. Tanto que, neste momento, a direcção que comanda o destino do Sporting está longe de ser aquela em que muitos votaram.

Assim sendo, o que defendo, e tendo em conta que o dito senhor continua a achar que é a solução e não parte incontornável do problema, é que seja dada a palavra aos sócios e que estes tenham a oportunidade de expressar o que pensam a respeito do trabalho feito neste ano e dez meses, mais coisa, menos coisa. Eu não quero que Godinho Lopes continue a ser presidente do Sporting? É verdade, não quero. Isso é sinónimo de querer entregar o poder a alguém? Não, não é. É sinónimo de acreditar que isso é o melhor para o Sporting, com a garantia de que, sem qualquer problema, a seu tempo e perante novos projectos, vos direi em quem recairá o meu voto.

 
p.s. – peço-vos o favor de não confundirem a linha editorial com o desagrado perante vários comentários. Eu também não gosto, e fiz questão de escrevê-lo, de trocas de ideias que se transformam em troca de ofensas (e, não, não se trata de um simbólico “vai pró caralho!”), tal como não gosto de ver a formação de pequenos “gangs” apostados em perseguir determinados comentadores. E, sim, também sinto falta de duas mãos cheias de nomes que por aqui comentavam. Às vezes sabia-me bem poder fazer o mesmo. Mas, depois, e também por saber que mesmo em silêncio continuam a frequentar o Cacifo, é também por eles que faço questão de abrir, diariamente, a porta do Cacifo a todos os Leões. O resto, é convosco.

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