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Polaroid da Vergonha

Memorizem a melhor fotografia do nosso clube. Guardem o melhor shot do Sporting actual.

De um lado, praça cheia e uma multidão em delírio à espera de celebrar com o novo Presidente. Do outro, meia dúzia de pessoas (filho, primo e tio, talvez) numa sala fechada e um Presidente cobarde a proclamar a medo o discurso de vitória. É um clube centenário com 3 milhões de adeptos. Parecia uma família na leitura do testamento a fazer partilhas.

Agora, mais do que nunca, é tempo de reflectir. Somos nós que podemos fazer a diferença. Os sócios mais novos. Os não sócios. Todos os que podem tomar o relevo dos mais antigos na mudança geracional. Só assim se pode assegurar que diferenças residuais que possam ser maquilhadas com jogos de bastidores não aconteçam. Quando todos os que somos do Sporting assumirmos que a desilusão sentida não deve dar lugar ao abandono. O Sporting precisa de ter sócios. Que paguem (a vida é difícil, eu sei) e que votem pela mudança.

O Sporting Somos Nós!

Num dia que se espera de mudança, não nos podemos esquecer que o Sporting é maior do que qualquer candidato ou presidente que venha a ser eleito. Apesar de me sentir um comunista de 86 como o Cintra tão bem descreveu, não deixarei de ser do Sporting após o acto eleitoral. Um clube desta dimensão não se pode dar ao luxo de ter cerca de 35 mil sócios pagantes. Bem sei que não sou ninguém para dar lições de Sportinguismo. O contexto de crise e os sucessivos fracassos apelam à desmobilização. Mas nós somos o Sporting. E se queremos ser grandes, temos que nos comportar como tal, independentemente de não vermos o nosso ponto de vista reflectido na futura Direcção.

Highlight desta Eleição!

Ao menos há circo para o povo.

 

As minhas eleições (antes do debate)

Godinho Lopes: O Mafioso da Continuidade

Apresenta como cartão de visita ter sido uma das pessoas directamente envolvida na construção do novo estádio. Começamos mal. Um gajo que deixa que seja construído uma aberração daquelas não pode ser boa gente. Um estádio sem alma. Com um fosso cretino e muito pouco rentável. Um relvado mal projectado que parece um viveiro de fungos. Um muro de cimento que fica exactamente na linha de quase todas as câmeras de televisão e que nunca ninguém se lembrou de pintar. Uma escolha de azulejos e uma pintura arrojada que mais parecem um hino à bimbalheira. Cadeiras de todas as cores. Poderia continuar mas acho que já chega. Tenho apenas a dizer que o velho Alvalade ao fim de 40 anos parecia velho. Querem apostar que este não dura 15 até parecer um monstro obsoleto? Depois há a questão da personalidade e da lista. Quanto ao facto de ter pertencido a anteriores e maléficas direcções não lhe fica bem. Não me agrada. Quer dizer que também andou por lá. E, portanto, mesmo que já tenha sido há algum tempo, conhece e teve influência em decisões que nos prejudicaram. Sobre o seu passado obscuro e os casos em que pode estar a braços com a justiça, não me pronuncio porque não conheço os mesmos. Em relação à  lista, aí sim é que a porca torce o rabo. Carlos Freitas já esteve tempo demais no clube. Conhece o mercado, sim senhor. Não é mau de todo mas também não acho que seja um génio. Trouxe alguns bons jogadores. O nogócio Liedson é a bandeira do seu trabalho. Mas também apostou em muito boa gente que ele, certamente, agora gostaria que ninguém se lembrasse. Koke, Bueno, Gladstone para citar alguns. Afirmar que o clube precisa de €13 milhões para despesas imediatas e mais €100 milhões para equilibrar e tornar a equipa de futebol competitiva e com futuro, não só é uma evidência, como é admitir que a gestão anterior deveria acabar na barra do tribunal. E se é o próprio a dizer isso, como se explica a presença de Nobre Guedes? O homem que presidia ao Conselho fiscal e que deixou o clube sem dinheiro para pagar a água é o mesmo que tem a honra de integrar novamente esta lista. Volta o gajo mas agora com bigode e pode ser que ninguém repare? É isso? Salva-se Luís Duque. Sempre teve a visão e gosto por coisas exageradas. Podem dizer que é um despesista. Mas como estou farto desta visão mesquinha e pequenina do clube sempre a olhar para os tostões, até gosto da ideia de um louco que acha possível o Sporting ir buscar o Messi.

Bruno de Carvalho: O Menino Bonito da Blogosfera

Entendo algumas das razões que levam as pessoas a apreciarem o seu discurso mas acho que há também uma boa dose de irracionalidade na escolha. Não tem carisma. Tem um discurso pouco aglutinador e convincente. Tem algumas boas ideias para o Sporting e faz questão em demarcar-se de tudo o que representa o passado. Por outro lado, vejo-o sempre como sonhador e romântico. Afirmar que o Sporting não pode continuar assim porque este não é o Sporting que ele conhece desde que visitava a nave para ver o Livramento a patinar soa bem. É bonito e vai directo ao coração. Mas significa exactamente o quê? O clube está a sangrar por todo o lado. Não é com poesia e lirismo que a malta vai lá. Quais são as medidas concretas? Tem ideias? Boa! E dinheiro? A carteira é a primeira coisa que ele devia mostrar. Sempre que penso neste Bruno Carvalho e na sua proposta, imagino-me a mim e o pessoal do Cacifo num jantar alucinado. Decidíamos que o Cintra ficava a Presidente. O Douglas no Conselho Fiscal. Eu próprio na Assembleia Geral. E o Cherba como Manolo Vidal a Vice-Presidente para o futebol. Sobre a lista, até agora conhecemos Inácio. O nome provoca um orgasmo imediato no universo leonino. É o homem do título dos 18 anos. Por muita merda que faça, está nos nossos corações. Merece o nosso respeito eterno. Mas vice-presidente para o futebol? Não sei. É como o Benfica ir buscar o Toni para treinador.

Dias Ferreira: O Pitbull que Ladra mas não Morde

É um canino raivoso que se espuma há vários anos. Passeia o seu ódio de morte por tudo e todos em programas de TV de gosto duvidoso. É irmão da Ferreia Leite. Uma desgraça nunca vem só. É uma espécie de político do Sporting. Fez carreira como dirigente. Já esteve em várias direcções ao longo de vários anos. Nunca resolveu nada e fala como se nunca tivesse responsabilidade por nada do que se passa. A única coisa boa que lhe reconheço é ser do Sporting. Relativamente à lista, temos Paulo Futre. Um símbolo da nossa formação. Por todos os motivos que somos conhecidos no mundo. Jogador excelente. Mesquinho nas atitudes. O primeiro grande traidor da Academia. Diz sempre que é do Sporting mas nunca o foi quando o clube precisou. Já teve afirmações grotescas no passado. Como director desportivo, esteve algumas temporadas no Vicente Calderón onde fez um trabalho que ninguém consegue lembrar. Reconheço, no entanto, a esta candidatura uma preocupação que me satisfaz. Trazer para o clube figuras mediáticas. Futre é Futre. Abre portas e traz prestígio. Rijkaard é o treinador. A mesma forma de pensar. Um grande nome enquanto jogador. Campeão Europeu no Barcelona como treinador. À partida, um homem que bebeu do melhor. Os princípios atacantes do Ajax e do Barcelona de Cruyff e a zona defensiva do Milan de Sacchi. É também um nome que põe o Sporting no mapa mundi do futebol. Quando se contrata, é diferente um jogador perguntar ao agente “Mas quem é que treina essa equipa?” e o gajo responder “É o Pál Serge, um merceeiro lá da terra”. Na prática, teve um bom desempenho no Barça. O resto, foi um desastre. Descida de divisão no Sparta de Roterdão logo no início de carreira, prestação mediana com a Holanda e despedimento no Galatasaray. No Barça, foi também muitas vezes conotado como um homem permissivo e pouco duro no balenário. Associado ao declínio de carreira de Ronaldinho e Deco. Diz-se que depois de vencer a Champions nunca foi capaz de incutir nos jogadores uma mentalidade ganhadora. Estes são apenas dados estatísticos que é preciso lembrar sempre que se fala deste holandês. Como princípio, louvo a visão. Olhar para cima. Deixar de lado as medianias tipo Carvalhal e Paulo Sérgio. Logicamente, não é o melhor do mundo mas reconheço a tentativa de corte radical com tudo o que foi feito até agora.

Pedro Baltazar: O Beto e a Entourage de Cascais

Homem conhecedor do clube por dentro. Há quem diga que é um grande Sportinguista. Há quem o acuse de não passar dum porco aproveitador por fazer negociatas com as acções do clube em benefício próprio. Para mim, tem sempre um ponto a favor. Demarcou-se de Bettencourt. E isso, nem todos foram capazes de fazer. Diz-se por aí que é o homem que maior oposição pode fazer a Godinho Lopes, sobretudo, se convencer Bruno de Carvalho a alinhar no esquema. Não compreendo a ligação mas fico à espera para ver se isto tem mesmo pernas para andar. Aposta em Zico para treinador. Sobre este tema, um apontamento. Não compreendo o cisma com o Zico. Sim, porque é o Pelé branco, porque foi grande enquanto jogador, porque tem ou teve um avô que é do Sporting. Porreiro. E trabalho enquanto treinador? Que me lembre, uma época fantástica que levou o Fenerbache aos quartos-de-final da Champions League (o Koeman também fez o mesmo e até ganhou campeonatos na Holanda). No Japão, nada de especial. Na Rússia, nada para assinalar. É um nome que vende por ele próprio. É melhor do que o que nos têm dado de certeza. Pode ser importante para trazer jogadores. Quanto ao resto, não sei. Sobre a lista, um verdadeiro tiro no pé: Santana Lopes. O pior Primeiro Ministro da história de Portugal e alguns outros cargos públicos exercidos de forma patética. No Sporting, ficará para sempre associado enquanto Presidente do clube a uma votação para acabar com algumas modalidades históricas. Promoveu também o acto de gestão mais estúpido da história do Sporting. A quota extraordinária que tinha um valor absolutamente ordinário. E que teve como resultado a sua revogação depois da desistência de muitos sócios que deixaram de pagar durantes anos a fio. Enquanto Presidente da Câmara de Lisboa, não pode fugir à acusação de favorecimento dos Lampiões numa verdadeira atitude de caça ao voto tão ao seu jeito.

Abrantes Mendes: O Zarolho Eterno Candidato

Não merece grandes comentários. Luta para ser diferente mas nunca diz nada de novo.

Zeferino Boal: O Pateta do Circo

É o artista convidado para animar esta corrida eleitoral. Diz que se vai sentar no banco se for Presidente. Fixe. Sem opinião, é uma fraca figura pronto a desistir.

Para mim, dizer “vamos deixar de ser escravos dos bancos” vale rigorosamente nada. O Sporting vive condicionado pela banca. É uma contingência com que todos terão de lidar. Não é uma coisa que se gosta ou deixa de gostar. É a realidade que condiciona o trabalho do futuro Presidente. Como até agora, não apareceu nenhum Sheikh pronto a passar um cheque em branco, as dívidas aos credores fazem parte obrigatória do caderno eleitoral. O que importa é como vai ser feita a negociação da dívida e o cunho próprio que cada candidato ou futuro presidente vai imprimir durante o mandato. As pessoas, mesmo em organizações que podem estar limitadas financeiramente, podem e devem fazer a diferença pelas ideias e pelo espírito empreendedor.
Quanto ao resto, faço minhas as palavras do Douglas. Venham buscar o meu voto!

Mais eleições…

Treinador de Paulo Futre é Rijkaard

Segundo o jornal “A Bola” parece que o candidato Dias Ferreira já tem acordo com treinador. O que acham do regresso de uma das famosas unhas?

E segundo ouvi por aí, parece que o candidato favorito da blogoesfera, Bruno Carvalho, estaria na disposição de abdicar em favor do outro candidato beto, Pedro Baltazar. Será mesmo assim?

Probabilidades Matemáticas

É tão certo 2 + 2 serem 4 como o Sporting sair-se melhor na fotografia se jogar menos.

Como todos os que assistiram à eliminação com o Rangers, senti um nó na garganta quando sofremos o golo nos descontos. Por que razão não corre nada bem? Por que motivo não temos só um bocadinho de sorte? Porque caralho não posso só desta vez ter motivos para me sentir satisfeito pela vitória? Será que não podemos ter uma alegria (por mais patética que seja) nesta merda de época. Estes foram os pensamentos que tive naquele momento de desilusão.

O jogo acaba. E eu ponho-me a pensar outra vez. Agora mais a frio, ponho-me a imaginar o jogo com o PSV e lembro-me do que aconteceu este ano ao Feyenoord. Medo. O meu sonho termina. A minha frustração dá lugar a uma sensação de alívio.

Foda-se, quanto menos jogarmos menos possibilidades temos de fazer figuras que nos envergonhem. Seja um PSV, um Liverpool, um Manchester City ou no pior dos cenários um Benfica ou um Porto. É a primeira vez que isto acontece. Desejo que o Sporting compita menos porque, simplesmente, estou farto de ser gozado. Não quero ser mais o cabeçudo. Cansei-me. Há incompetência a mais no clube para pensar que poderia ser de outra maneira se tivéssemos passado esta eliminatória. É estatística pura. A realidade confirma isso a cada jogo.

É nisto que se tornou o Sporting para mim. É triste mas é verdade.

Mas Quem Será o Pai da Criança?

Como dizia a letra da canção que tocou em tudo o que foi baile de verão,”Mas quem será o pai da Criança”?

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Na realidade, e ao que tudo indica, a resposta é fácil. Digamos que o pai da criança é o José Eduardo Bettencourt. A mãe não interessa. Uma rameira qualquer, provavelmente. Padrinhos é o que não falta à criança. Costinha, Couceiro, Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, Rogério Alves, Orgãos Sociais do Sporting, Conselho Leonino, BES, BCP, Paulo Bento, Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio, Dias Ferreira, Rui Oliveira e Costa e Eduardo Barroso.

A família é numerosa e corro o risco de deixar alguém de fora. Perdoem-me, por isso. Mas todos estes, directa ou indirectamente, são responsáveios por terem deixado o menino nas nossas mãos.

E quem é esta criança?

É o Sporting. Um clube catatónico. Com uma Direcção demissionária mas que se acha na legitimidade de gerir com um critério mais do que duvidoso. Autora moral dos maiores atentados futebolísticos dos últimos anos:

Sem Liedson, valor e símbolo do clube. Incapaz de o vender no melhor momento. Incapaz, em alternativa, de o segurar e fazê-lo terminar a carreira no clube. Incapaz de entender que o mesmo estava na curva descendente da carreira há anos sem nunca ter demonstrado vontade e perícia para garantir a sua natural sucessão. Incapaz de entender que mesmo na curva descendente da carreira este Liedson é mehor com uma perna de pau do que todos os outros que ficaram e a quem se convencionou chamar de atacantes.

Sem Moutinho, capitão e símbolo do clube. Incapaz de o vender quando o valor de mercado apontava noutra direcção. Incapaz de o fazer crescer enquanto futebolista. Incapaz de o contrariar e apresentar-lhe um projecto vencedor. Aceitar com naturalidade a sua ida para um rival directo.

Sem Izmailov, valor e símbolo da arte de bem jogar. O único verdadeiro desequilibrador do plantel. Incapaz de garantir uma estrutura que o fizesse sentir cómodo. Abrindo frentes de batalha numa questão onde a guerra estava perdida à partida.

Sem um plantel competitivo e sem futuro à vista.

Sem símbolos e jogadores do passado entregues à causa.

Com menos adeptos e menos sócios.

Mais longe do primeiro lugar e da Champions League.

Refém da Banca, da Olivedesportos, do Jorge Mendes e do Pinto da Costa.

Com um estádio novo cheio de bicho e caruncho.

Submerso num profundo coma em que a cultura da impunidade se instalou e viciou toda a gente desde o Presidente ao gajo do torniquete.

Na realidade, pouca importa saber quem o pai da criança. Porque na verdade, o menino está nas nossas mãos. E é a nós, sócios e adeptos do Sporting, quem cabe a difícil missão de o educar e fazer crescer nas melhores condições possíveis.

É isto que temos! (Sporting C.P. 1, F.C. Porto 1)

O Sporting não é mais do que isto. Uma equipa incapaz de segurar um jogo em inferioridade numérica. E sem ideias para capitalizar a vantagem de jogar em superioridade. Um treinador sempre ao sabor da maré. Sem capacidade para intervir no que o desenrolar do jogo oferece. É triste. Nesta didatura em que ninguém ousa afirmar-se como alternativa, o caminho só pode ser uma revolução. A cultura de exigência neste clube não pode ser isto. Só isto!

E a maçã podre?

Bettencourt: “Moutinho foi sempre um profissional fantástico”

É uma pena sujar as linhas do Cacifo com referências às pessoas com quem temos pesadelos. É trágico encher este espaço com palavras e retirar o foco do essencial. E neste caso, o essencial é mesmo o post do Douglas. Por isso, não se distraiam com mais este delírio do nosso Presidente e leiam o que ficou para trás. E, sobretudo, lembrem-se (alguns) do que é e já foi o Sporting. Como é possível a irresponsabilidade chegar a assumir contornos de insulto à inteligência das pessoas?

Quem canta?

“Sintam o cheiro
do porco traidor
Que brincou com o nosso grande amor

Aqui nasceste
Foste capitão
Mas tu não passas dum porco lampião

Filho da puta,
és um cabrão
Consegues ser pior que o Simão

João Porquinho
Se Deus quiser
Tu hás-de ter o destino do Fehér!”

P.S.- Peço desculpa pelo esquecimento. Não fui eu que escrevi a letra desta canção. Eu não vou cantá-la mas tenho ideia que o ambiente vai aquecer.

Não é um clique…

É simplesmente Format C:

O Corno Manso

“Depois de ontem [anteontem], na Figueira da Foz, teres sido mal-educado com um sócio com o dobro dos teus anos de associado, somente porque ele não votou em ti e o assume, deixa-me que te diga, José Eduardo: És inapto para a função, és mimado, és ressabiado e és o maior erro de casting do dirigismo desportivo europeu! Graças a Deus que estás de passagem”, escreveu Paulo Pereira Cristóvão na sua conta do facebook.

Desconheço a veracidade da história. Não adivinho se Bettencourt está apenas de passagem. E não tenho em posse dados estatísticos que permitam afirmar que existe na europa mais algum dirigente desportivo com tamanha inaptidão. Mas uma coisa salta à vista: Trabalha-se mal para os lados de Alvalade. E a coisa não é de agora.

Último Exemplo: O Pinheiro. Como dizia e bem o Cintra, nem um pinheiro nem um cepo para a malta rir. Concordo com a ideia. Não há dinheiro para trazer alguém que acrescente qualidade, o melhor é mesmo ficarem sossegadinhos. Mas será assim tão difícil, mesmo sabendo o contexto (poucos recursos, fraco poder apelativo para jogar num clube perdedor e campeonato sem expressão), contratar um avançado de jeito?

Passaram 7 anos desde que o Liedson aterrou em Lisboa. Corria o ano de 2003 quando pela última vez o Sporting acertou em cheio na contratação de um avançado. 7 anos. 7 anos em que tentámos de tudo para dar o devido apoio ao nosso 31. João Pinto ; Marius Niculae ; Elpídio Silva, Sá Pinto, Douala, Silvestre Varela,  Pinilla, Deivid, Carlos Bueno, Alecssandro, Purovic, Djaló, Derlei, Rodrigo Tiuí, Hélder Postiga, Saleiro, Pongolle, Mota e Koke. Nomes e mais nomes durante anos a fio. Uns melhores outros piores. Missão: Encontrar o parceiro ideal para o Liedson. Não foi possível. E 7 anos depois, partimos para a nova época com um Liedson 7 anos mais velho e alguns problemas evidentes na bagagem. Falta de velocidade e explosão e até um faro goleador que hoje estará um pouco mais entupido.

O que faz a direcção do Sporting? Gasta o que tem e o que não tem num avançado no mercado de Janeiro e dispensa-o no início da época seguinte. O pessoal aguarda impaciente o capítulo seguinte. Atiram-se nomes em barda para a imprensa e espera-se pelo santo dia 31 de Agosto. É agora, terão pensado muitos. É desta que vamos mesmo contratar um gajo decente que as meta lá dentro. Foca-se o discurso erradamente na altura do jogador quando até podia ser um pigmeu que marcasse 25 golos por época e se complementasse com o Liedson, e no final de tudo, tanto fumo dá em coisa nenhuma. Ou como diria José Nicolau de Melo, a monhanha pariu um rato. Começamos mais uma época exclusivamente dependentes de um jogador cada vez mais na curva descendente da carreira e não se tem um gesto de cortesia para com alguém que já deu tanto ao clube. Ainda não é desta que o Liedson vai ter o casamento perfeito. Prefere o Sporting depositar todas as fichas nos “mood swings” do Djaló, na prometida e patética ressurreição futebolística do Postiga e na crença imbecil que o Carlos Saleiro é que é.

7 anos. 7 anos e alguns presidentes e directores desportivos depois. Não conseguimos amealhar dinheiro suficiente, nem sequer vender a banha da cobra a alguém por esse mundo fora falando da maravilha que é jogar no Sporting. Continuamos a achar que os campeonatos se ganham com 1 único avançado que rende 15 golos por época. Santa ingenuidade.

Realmente, não sei se é predicado exclusivo do JEB ser inapto para a função, mimado, ressabiado e o maior erro de casting do dirigismo desportivo europeu como disse Paulo Pereira Cristóvão. Apenas sei que nem Pinheiro Bravo nem Manso. É apenas um Corno. Um Corno Manso!

Odeio…

O Hélder Postiga e a sua participação inócua no processo de construção de jogo…

O Abel e o seu futebol trolha de lateral das distritais…

O Yannick Djaló e os seus constantes erros técnicos básicos…

Nem o melhor treinador do mundo poderia salvar uma equipa composta por fulanos desta índole.

Sou incapaz de chorar…

Desculpem lá. Não me levem a mal. Mas já chorei tudo o que tinha a chorar quando em criança o Futre apareceu no Estádio das Antas a fazer aquilo que deveria ter continuado a fazer em Alvalade. Partir a loiça toda. Era um jogador que me enchia as medidas e que eu, de uma forma canhestra, tentava imitar todos os dias na escola ao ponto de me obrigar a jogar com o pé esquerdo sendo naturalmente destro. Nesse dia, lembro-me de não perceber o motivo daquela mudança. Adorava o Futre.

O Moutinho (ainda bem para mim) não me provoca esse tipo de reacção. Acho que é um óptimo jogador, adorei a forma fulminante como apareceu na equipa, depositei durante algum tempo legítimas esperanças que se transformasse em algo mais. Mas não é mais do que isso. Depois disso, começou a fazer o caminho inverso. Vítima da prisão táctica de um treinador limitado, não conseguiu fixar-se nunca num lugar. Ainda hoje é comum entre Sportinguistas uma célebre discussão. Onde joga melhor o Moutinho? Há quem diga que é um 10 embora não tenha chegada nenhuma e valha muito poucos golos por época. Há quem lhe veja capacidade para ser um 6 mas depois lhe aponte a falta de poder físico. Há quem afirme que ele é um 8 e precise de alguém ao lado a destruir para que ele possa construir jogo a partir de trás. No fundo, é um pouco de tudo e nada disto ao mesmo tempo. Vítima da polivalência e dos problemas do clube com os treinadores, chega aos 23 anos numa completa crise de identidade. Não sabe quem é.

Faz falta à equipa. Acho que sim. Se acreditarmos que o Paulo Sérgio fizesse dele aquilo que todos acreditamos. Se jogar o mesmo que nas duas últimas épocas, talvez não. Se acho que deveria ser um jogador inegociável? Acho que não.

Se concordo com a sua venda para o F.C.Porto? Não. Absolutamente. Não se fazem negócios deste tipo a troco deste dinheiro. Querem levar o Moutinho e o Moutinho também acha que é um jogador à Porto? Paguem a cláusula de rescisão. Como disse o Cintra, não se vendem sentimentos.  Nao se fortalecem clubes rivais. Não se alimenta o que se crítica. Não se fazem alianças com o que se combate. Não se delapida património. Mais uma vez JEB provou ser um imbecil e o PC o maior abutre do futebol português. O clube presta um péssimo serviço aos sócios. Vende pelo valor errado, ao clube errado.

E o jogador? E o nosso capitão? É a vítima pela qual se deve chorar baba e ranho? Não. O Moutinho também era o líder e o símbolo do clube. Líder promovido a capitão da equipa principal. Símbolo do maior tesouro do clube: A Academia. De repente, parece que toda a gente se esqueceu disso. Ele era líder, capitão e símbolo do clube. Jogava no clube há 11 anos como já houve aqui não se cansou de o repetir. E o que é que isso interessou no momento de aceitar ir para o Porto? Esse sentimento é apenas válido para a SAD? Não haverá responsabilidade repartida neste status? Se fosse um verdadeiro capitão ele concordaria em jogar no Porto? Foi forçado pelo Costinha e pelo JEB porque se incompatibilizou com o Ministro?

Recuso-me a olha para isto só com um olho. O olho do Sportinguismo doentio que se acha maior do que tudo e clama ofensa e ser mais Sporting do que os outros. Desculpem lá mas não vou chorar por um jogador que demonstrou ser pequeno na directa proporção do seu corpo. Os jogadores passam. O clube fica. Fico triste por constatar que somos geridos por uma cambada de patetas e por não coseguirmos incutir nos jogadores o amor ao clube. Pelo João Moutinho, não vou chorar. Já fui estúpido o suficiente quando chorei pelo Futre. Era miúdo.

Casamento à Vista?

Adeus, Capitãzinho! Parece que sim.

É um clássico dos divórcios. A história começa assim. Primeiro vem o desamor. Depois surgem os pequenos problemas. A seguir, passa-se a embirrar por tudo e por nada. Acordar todos os dias de manhã e olhar para o lado torna-se um problema. Nesta fase, há quem assuma que a vida não pode continuar assim e se faça à estrada. Noutras situações, fecha-se os olhos e aproveita-se para fugir em frente. Mas a vontade e a alegria não são mais as mesmas. O barco começa a meter água por todos os lados. É a altura propícia para aparecerem os primeiros amantes. E quem não se conforma com o que tem mas demonstra falta de coragem agarra-se ao que lhe aparece de novo. É só coisas bonitas, projectos de futuro a dois e promessas de uma vida feita de felicidade.

Agora só falta Moutinho e Sporting dizerem o não. Assumirem isso e assinarem os papéis. Para que os dois fiquem livres de compromissos e possam dizer o sim a quem queiram. Segundo consta, até parece que o namoro vem de trás e vai acabar em casamento. Parabéns aos noivos. Na fotografia do enlace falta mesmo o Padre que tudo fez para abençoar esta santa união. Mas pode ser que o Paulo Bento se junte à festa e consiga reproduzir este modelo onde capitães imberbes promovidos a Senhores de Balneário mas sem liderança real, sejam capazes de passar à história pelo pior: Liderança auto-destrutiva, incapacidade evolutiva atroz, personalidade bipolar e infidelidade compulsiva.

É o fim anunciado para uma triste história. Um exemplo de má gestão desportiva. O Sporting enganou-se. Confiou cedo demais num homem sem princípios. E fez dele um exemplo. Insistiu no erro e enganou-se outra vez ao não o despachar quando a relação começou a azedar. O capitão também errou. Porque aproveitou mal as condições que um clube único dá aos jovens e nunca soube valorizar-se . Cresceu fora do campo, comprou casas, fez academias, casou-se, foi roubado pelo pai. A cabeça inchou. O corpo mirrou. Não se fixou em nenhuma posição, não fortaleceu os bracinhos para aguentar a braçadeira, não treinou remates, não aprendeu a marcar golos. Sonhou alto e ficou cada vez mais pequeno.

Por isso, ficou fora do Mundial. Com toda a justiça. E vai embora. Mais cedo ou mais tarde. Para o Porto ou não. Mas vai.

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