Calma com as carvalhadas

Novembro 16, 2009

O presidente prometeu-nos uma surpresa, mas não foi surpresa nenhuma. Aparentemente, está toda a gente surpreendida, sem razão nenhuma. A estratégia dos últimos anos mantém-se: o Sporting contrata bons treinadores adjuntos. Só que contrata-os para treinadores principais. Esta é a razão pela qual eu torci o nariz ao Peseiro, ao Paulo Bento e torço o nariz ao Carvalhal.

O treinador que servia para o Sporting era, de facto, um estrangeiro, com experiência e currículo mas, sobretudo, um gajo que pairasse sobre a realidade do futebolinho: que não lesse jornais, que não visse Trios de Ataque, que se estivesse a cagar para as merdinhas que minam o futebol português. Um gajo que trabalhasse as suas ideias e ensinasse futebol, que melhorasse os jogadores da Academia e os outros. Que desse banhos tácticos aos treinadores básicos que existem em Portugal e não o contrário. Que tivesse histórias para contar, aos jogadores, aos adeptos, aos jornalistas. Histórias de títulos. Só precisava de um Paulo Bento, de um Carvalhal ou de um Peseiro ou lado dele. Esses treinadores existem, mas a actual gestão do Sporting não os quer. Não quer gastar dinheiro, então compra barato e evita ter alguém que exija, de facto, bons jogadores para o clube. Perdemos de duas formas, não temos um treinador bom, nem jogadores bons para ele trabalhar.

Dito isto, estou com o Carvalhal. É incrível o peso que a imagem tem na sociedade contemporânea. O André das Boas era o maior, o próximo Mourinho, aprendeu por osmose, era fantástico, trazia jogadores com ele, o plantel da Académica está apaixonado. Tem três jogos no currículo. O Paulo Bento é que era, um grande treinador, o Ferguson do Sporting, bom homem, deu sempre a cara, salvou o clube. Assumiu o cargo com zero (!) jogos no currículo. O Carvalhal já é treinador há mais de dez anos, teve altos e baixos como vão ter treinadores medianos como o Paulo Bento ou o André das Boas, como teve o Jorge Jesus ou o Jesualdo Ferreira. Mas, como não caiu no goto, é uma “vergonha” para a generalidade dos adeptos.

O treinador pode ganhar jogos mas são os jogadores que ganham os campeonatos. O Sporting precisa de mais dois ou três bons jogadores para lutar, ainda este ano, pelo título em Portugal. Um bom central grande, um bom trinco grande e forte e um bom avançado, outro Liedson, mas em maiorzinho. E precisa de dois laterais razoáveis. Com bons jogadores, o Jesus é o maior, o Jesualdo é tricampeão, o Peseiro quase ganha tudo, o Inácio quebra jejuns. O Carvalhal é igual, o único problema é que está a viver “um sonho”, como o Peseiro e o Paulo Bento. Aceita tudo. Não impõe nada. Mas deixem-no trabalhar e tentar salvar a face do clube este ano. Se correr bem, óptimo, dá-se uma segunda oportunidade mas, espero, com mais jogadores bons. Se não correr bem, pode ser desta que se vá buscar um bom treinador principal, que obrigue o presidente a subir a parada da qualidade do plantel para o nível das verdadeiras ambições do Sporting.


Oh Boas!

Novembro 12, 2009

Gosto de coisas Boas! Gosto de Boas comidas. Gosto de umas Boas farófias, por exemplo. Gosto de todas as Boas formas de fazer bacalhau, de Boas chouriças, de Boas cabidelas ou de umas Boas costeletas de novilho. Gosto de um cacho de Boas uvas ou de Boas pêras.

Boas pessoas, também gosto. Pessoas boas. Boas ideias, Boas formas de argumentação, Boas eloquências, Boas acções, Boas sensibilidades, Boas inteligências, enfim, Boas cabeças.

Gosto de cidades Boas, com estradas Boas, arquitecturas Boas, casas de banho Boas ou Boas árvores, daquelas com histórias Boas. Gosto de histórias Boas, no geral, Boas histórias para contar ou ouvir. Boas piadas, Boas gargalhadas. Boas subtilezas, Boas gritarias, quando valem a pena.  

Também gosto de coisas Boas no futebol. Boas tácticas, Boas jogadas ao primeiro toque, Boas bicicletas, Boas escolhas no momento de decidir lances, Boas pernas para fazer carrinhos ou Boas mãos num guarda-redes.

E, claro, gosto de gajas Boas. Boas mamas, por exemplo. Boas nádegas. Boas pernas ou outras coisas Boas.  

Do Villas-Boas, não sei se gosto. Gosto de pensar que vou gostar. Gosto da perspectiva de vir a conhecer as suas ideias, que espero Boas, para o futebol. É mais um para o clube da dupla consoante, um pormenor se forem Boas as competências do Villas-Boas.

Boas sortes!


Sr. Presidente,

Novembro 9, 2009

escrevo-lhe com nervos. Não tanto pelo empate, mais um, da equipa em Vila do Conde, quase inevitável dada a fragilidade mental do colectivo. Mas mais porque o sr. enerva-me. Mexe-me com os nervos, se é que me faço entender. E já ultrapassou o campo do consciente. Quando o oiço, liberta-se-me um químico qualquer no cérebro, uma espécie de suco biliar injectado instantaneamente na cabeça. Irrita-me, enerva-me ou, como diz uma pessoa fixe que eu conheço (…), aborrece-me.

As suas duas últimas actuações na qualidade de presidente eleito e remunerado do Sporting Clube de Portugal já nem sequer me preocupam. No futebol, o que interessa são os golos. Quando o rumo for invertido – e será invertido, melhor ou pior consoante as suas decisões – a sua imagem mudará automaticamente. Passará de “parvo” a “valente”, talvez chegue a “místico” e, se tudo correr muito bem, a “génio”.

Mas as suas duas últimas actuações como presidente do meu clube são – e digo isto tentando apoiar-me mais no consciente e menos na bílis -, numa palavra, medonhas. E, para mim, inesquecíveis, aconteça o que acontecer. Foram uma lição de falta de liderança, carisma, responsabilidade e respeito. Já nem digo falta de respeito pelo clube, os sócios, os adeptos, a sua própria família (que o terá educado melhor, seguramente). Digo apenas falta de respeito por mim. Ou por qualquer outra alma que tenha observado tão triste figura.

Dois aspectos foram particularmente medonhos. Um, a teoria da conspiração, o “terrorismo” de “cretinos” que quer “expulsar do clube”. Ora bem, o Sporting ainda é uma associação desportiva e o sr. não expulsa ninguém. Numa democracia, não se expulsam pessoas. Prende-se ou pune-se quem infringe as regras. Se for o caso, força. Mas não parece que isso o satisfaça ou que sequer possa. Depois, gostaria que identificasse esses terroristas. Nomes e provas desse terrorismo. Porque, com o que disse, os “terroristas” somos todos os que discordam de si e das suas decisões. Ou seja, quer expulsar-me do Sporting, segundo interpreto bem! (… mais uma descarga de bílis)

Outro pico de estupidez foi o tratamento emocional que deu às saídas dos seus amigalhaços. Vamos ver uma coisa: o Sporting não é um clube de bairro nem uma reunião de condomínio. O Sporting é um universo que movimenta 10 milhões de pessoas, um terço a favor, dois terços contra. É uma instituição centenária e altamente profissional (pelo menos na aparência e no estatuto jurídico). Não se tomam decisões numa mesa de café, entre amigos. Pelos vistos, é o que o sr. está a fazer. E, se fala em accionistas ou 150 pessoas que fazem oposição interna a si e aos seus incompetentes amigos, mais uma vez diga quem são. Porque foi o sr. presidente que lhes deu a faca e o queijo para a mão! (… nova injecção de bílis)

Já agora, gostava que tivesse sido tão birrento e imbecil quando fomos expulsos à pedrada de Alcochete pelos criminosos organizados pelo seu querido amigo do Benfica. Não reagiu. Mas contra os seus próprios sócios e adeptos, aqueles que o sustentam (no papel, pelo menos), não teve qualquer problema em perder a cabeça! (… bílis)

Dito tudo isto, deixo-lhe apenas um modesto conselho: decida com instinto de sobrevivência, proteja-se, porque o mundo do futebol e da vida pública em geral é muito cruel. Seja prudente e decida bem. Precisa de sorte mas ela procura-se. O futebol é entretenimento, é um espectáculo, ninguém se preocupa com valores, como disse e bem. Olhe para a Luz, o seu amigo é tudo mesmo um homem de valores ou escrúpulos. E a vida agora corre-lhe bem. Até ao dia que cair e aí o futebol será cruel com ele. Tome as decisões certas, sob pena de ser engolido. E o Sporting sobreviverá, como sobrevive sempre. Como sobreviveu a Jorge Gonçalves, Santana Lopes ou Dias da Cunha.

Quanto a mim,  não se preocupe. Eu continuarei a pagar quotas, a ir aos jogos, a comprar gameboxes, agora com energia renovada, já que está perto do fim a miséria futebolística em que nos transformámos há ano e meio. Em relação a si, não tenciono enervar-me mais. Os nervos desperdiçam energia e preciso de muita. O sr. presidente é, claramente, uma péssima razão para gastar energia, quando há outras tão mais interessantes e recompensadoras. A única energia que guardarei para si é para, se o vir no Marquês quando formos campeões, virar-me tranquilamente para outro lado, por pena, vergonha e, admito, alguma superioridade moral.

Cumprimentos.


Paulo,

Novembro 7, 2009

chega ao fim esta longa relação. És a categoria do Cacifo com mais ocorrências, perto de uma centena em mais de ano e meio. És, de certa forma, um símbolo deste blog, cujo nome contará sempre com uma imagem mental associada a ti. Em Maio do ano passado, estavas tu já na fase descendente do teu encanto, escrevi isto.

http://ocacifodopaulinho.wordpress.com/2008/05/21/a-cabeca/

Mantenho tudo, obviamente. E, como temia, pioraste e pioraste o Sporting. É pena. Gosto de ti, dás uma segurança incrível a quem está ao teu lado. Aliás, essa virtude acabou por ser o teu problema. Tens razão, devias ter saído no final da última época. O ciclo tinha acabado, futebolisticamente estava morto. Não havia losango, não havia jogadores, não havia evolução, as hierarquias do balneário estavam cristalizadas e as tuas deficiências estavam todas à mostra. Mas continuaste para defender os mais cobardes que tinhas a teu lado. É digno mas não é inteligente.

Agradeço-te algumas emoções inesquecíveis, desde logo aqueles dois derbys históricos, a taça contra o FC Porto e o melhor jogo no Porto na minha memória. Ao contrário do que se diz hoje, não te agradeço a defesa do Sporting em relação aos árbitros e à Liga. Acho mesmo que prejudicaste objectivamente o clube, por puro despeito e feitio e explorando perversamente o trauma colectivo dos adeptos. Mas o maior culpado foi quem não soube pôr travão a essa loucura.

Perdoo-te, naturalmente, a tua incapacidade para fazeres do Sporting campeão. Lembras-me os putos a aprender a andar de bicicleta. Com rodinhas já andas bem e dás tanto ao pedal que quase apanhas os outros. Mas quando te dizem para tirar as rodinhas, é logo um ”se querem espectáculo vão ao cinema”. Curiosamente, quando não tiveste outro remédio se não pedalar, porque já tinham caído as rodinhas, pedalaste que foi uma maravilha. Basta lembrar as já citadas emoções inesquecíveis ou as sequências de vitórias nas duas primeiras épocas.

Não te perdoo apenas duas coisas: a humilhação em Munique, responsabilidade exclusiva tua porque fizeste uma gestão errada do plantel no pior jogo possível; e a falta de humildade. Sim, nunca, nunca, em quatro anos, ouvi uma palavra honesta tua sobre o teu próprio trabalho. Falaste em “assumir as minhas responsabilidades” muitas vezes. Mas nunca “não sei mais. É o que sei, procurarei melhorar, mas isto é o que tenho para dar”. Ainda hoje, ouvindo-te já com saudade, limitaste a dizer com inteligência que o Sporting “só ganhou oito títulos desde os anos 60″ e que há “um complexo de inferioridade” em relação ao Benfica. É verdade. Mas foi o Sporting que te deu a oportunidade de mostrares as tuas qualidades e defeitos ao mais alto nível, como treinador. E as tuas qualidades não foram suficientes para inverter essa lógica, sendo que, nalguns casos muito específicos, foram mesmo os teus defeitos que impediram contrariar essas inteligentes – mas cruéis e até sacanas – afirmações da tua parte…

Mas, enfim, Paulo. Não és perfeito mas gostava de ter ganho contigo. Acredito que até tinha sido possível, com um pouco mais de rasgo, “sem rodinhas”. Agora, desconfio que não vamos ficar por aqui e vai custar-me ver-te no outro lado da barricada, mais evoluído, mais esperto (mas com uma autoflageladora teimosia). Entretanto, vou recordar as tuas flash interviews, com misto de frustração e saudosismo, durante os meses que passarás a comentar jogos na televisão.

Um honesto bem haja.


Um perfeito anormal

Novembro 6, 2009

“explicações é à parte”

“hoje é o dia do Paulo, não vou falar do Sporting”

“não tenho nada para dizer [aos sócios] agora, era preciso descodificar”
“neste país, já ninguém sabe o que são valores”
“90% de votos é uma coisa, 90% de capacidade de decisão é outra. Temos de reflectir todos”
“[treinador novo?] não estou preparado para isso”
“daqui a algum tempo, 100% dos sportinguistas vão ter saudades do P. Bento”
Uma conferência de imprensa verdadeiramente vergonhosa para a história do Sporting. E que deixa evidente o que se passa no Sporting: o Paulo Bento era o único que percebia disto. Percebe pouco, infelizmente para o Sporting e para ele. Mas é um homem do futebol e à altura do Sporting. Já o presidente é um perfeito anormal. Esperemos que venha alguém mandar nesta merda a partir do banco, como o Paulo Bento, mas mais competente e experiente.
Ah, e sr. presidente, vá ter birras para o caralho!

Ajudem o Paulo Bento

Outubro 28, 2009

“Como treinador assumo totais responsabilidades”… E então? O que é que isso quer dizer na prática? Como não disse, o treinador do Sporting provavelmente não sabe. Por isso, ajudemos o Paulo Bento. As hipóteses para o que ele queria dizer mas o seu cérebro não conseguiu formular, são:

a) “Amanhã de manhã, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida… à espera que o Pinto da Costa me ligue para substituir o Domingos daqui a um ano”.
b) “Quando chegar ao balneário vou encher 150 flexões. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
c) “Hoje não tomo banho antes de dormir. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
d) “Vou ver todos os jogos do Benfica esta época, em repeat. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”. 
e) “Admito que não treinamos bolas paradas, jogadas de futebol corrido, pressão alta, não consigo motivar os jogadores, temos demasiadas lesões, as contratações foram todas feitas com o meu aval e a meu pedido, o Caneira não foi eleito. E, por isto tudo, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
f) “Vou pedir desculpa aos sócios e adeptos pelo triste e lamentável espectáculo em que o meu trabalho de treinador profissional de futebol se transformou. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.

Ajudem o Paulo Bento a ir-se embora. Com dignidade. Com (já pouca) honra. À homem… porque a alternativa é ir-se embora à rato, aliás bem patente nas últimas afirmações: “não tenho culpa da relva, há mais gente que deve assumir as suas responsabilidades”… pois, quanto maior for a ferida, maior a infecção, maior o pedaço de dignidade que se terá de amputar…


Já chega?

Outubro 28, 2009

bettencourt12

Ou ainda não? Afundamos mais um pouco? Até ao limite da insanidade? Ou o patamar da irrelevância não chega? Talvez quando tivermos 5000 doentes no estádio, talvez nessa altura o nosso presidente tome uma decisão… Talvez. Porque se há treinador para trazer o Sporting de volta à 1ª divisão é o Paulo Bento. Isso, seguramente. Agora, manter o Sporting com um nível de respeito próprio minimamente equivalente ao dos seus sócios e adeptos, isso já tenho dúvidas. Afinal de contas, esta época o Sporting ainda não foi superior a ninguém, colectivamente. Logo… é afundar… até à Liga Vitalis. Só é preciso lesionarem-se o Liedson, o Moutinho e o Carriço… é a esta distância que estamos da descida…

Sinceramente, não consigo compreender como alguém que tem esta decisão nas mãos – uma decisão tão óbvia que dói – consegue dormir… nem digo dormir descansado… digo dormir!… e isto vale tanto para o presidente como para o treinador…


O melhor golo de sempre do Moutinho?

Outubro 23, 2009

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Ou uma flor cheira melhor sozinha no deserto que num canteiro entre outras?


“Só por causa disso?”

Outubro 21, 2009

- Tou?
- Boa noite, é do Sporting.
- Desculpe?
- Estou a ligar-lhe do Sporting para saber se está interessado em aderir ao tarifário Sporting, que lhe dá 10% de desconto nas cham…
- Desculpe lá, mas não tou a perceber…
- Falo-lhe do Sporting Mobile, que lhe dá um cartão com carregamentos e…
- Ó amigo, não vale a pena que eu não estou interessado.
- Mas… nem no cartão recarregável?
- Não! Este ano não gasto nem mais um euro com o Sporting…
- Porquê?
- Porquê!?!? (Risos) Você não vê os jogos de futebol?
- (…)
- Acha que os jogos do Sporting dão vontade de gastar dinheiro no clube?
- Só por causa disso?
- Ó amigo, vá lá à sua vida e deixe-me em paz.
(desligo)

Foi esta a chamada que interrompeu o meu serão. “Só por causa disso?”. A frase continuou a soar na minha mente durante mais alguns minutos. Este é o estado do clube. Um rapaz de uma qualquer empresa de marketing liga a um sócio e gameboxeur em nome do Sporting e questiona a razão do meu divórcio comercial com o clube. E, pelo tom, até foi uma pergunta sincera, sem ironia. Eu acho que até tinha preferido a ironia. O gozo, de algum lampião disfarçado de operador de call center. Mas não… foi honesto, completamente alienado da desilusão colectiva que se apoderou da alma do clube.

O episódio é revelador. Como a carta que recebi esta segunda-feira a propor a ida ao jogo da Taça contra o Penafiel (na véspera…), tendo em conta a “busca incessante de melhores condições para os seus Sócios”. Isto só não é de uma total falta de respeito, porque é simplesmente estúpido e um comportamento acéfalo de uma organização amadora. É gerir um manicómio com técnicas de gestão aplicada.

E é grave. Porque revela que ninguém no clube parece perceber os perigos do Sporting Corporate. Não há Corporate sem Sporting. Não há Mobile sem Sporting. Não há cash-flow sem golinhos, sem futebol. E quando se investe recursos no Corporate, sobram défices no relvado, sobram buracos no tapete. É uma inversão da lógica. Não se investe no “core business” e desperdiça-se dinheiro no marketing de uma coisa podre. Se não estivesse podre, nem era preciso muito marketing. Mas quem escolhe poupar dinheirinho, não pode querer estimular o consumo. 

Se o rapaz me tivesse ligado em plena euforia futebolística eu tinha, provavelmente, subscrito o Sporting Mobile, para gritar golos entre amigos, para mandar sms com imagens tremidas das coreografias da claque. Teria ido ao jogo da Taça, mesmo pagando mais uns euros. Já teria comprado duas camisolas, a do Liedson e a do Vukcevic, talvez até a do Matigol. Teria os novos cachecóis, uma ou duas garrafas de vinho, um abre caricas, uma ou duas bandeiras, provavelmente uma bola verde e branca.

Agora, gasto o dinheiro em cinema (a conselho do Paulo Bento). Quanto às chamadas do Sporting, só se for para mandar aquela gente toda para o caralho!


“Sigan mamando”

Outubro 16, 2009

Finalmente, uma análise lúcida sobre os resultados da AG do Sporting.

“Que la chupen y que la siguen chupando”.

Obrigado Maradona. Mais uma vez.


Não!

Outubro 13, 2009

Joaquim_Oliveira

“Foi celebrado em 2001 com a Olivedesportos, SA, em regime de exclusividade, um contrato sobre os direitos de transmissão televisiva para as épocas de 2001/2002 a 2007/2008. Até ao exercício transacto, o pagamento dos direitos televisivos, por parte da Olivedesportos, era efectuado directamente à Sporting Património e Marketing (SPM), debitando a Sporting, SAD a SPM por esse mesmo montante. A partir do presente exercício, a Sporting Comércio e Serviços (SCS), debita directamente os direitos à Olivedesportos, e a SAD recupera junto da SCS 30% dos mesmos a título de recuperação de despesas”.

Isto está na nota 26 do relatório e contas da Sporting, SAD da época 2008/2009. E é por isto que eu sou contra a passagem da SCS para a SAD, como será proposto a votação nesta AG. 

Pode parecer complicado mas não é, se tivermos presente que a Olivedesportos, cujo contrato com a SAD vai até 2013, renovável por mais cinco anos, controla 10% do capital da… SAD. Ou seja, eu não quero que o meu sócio minoritário na minha mercearia seja, também, o meu fornecedor de bananas. Porque se eu recusar o preço do quilo da banana que ele me faz e quiser procurar outra Chiquita, o meu sócio vai pressionar e, no limite, tornar a minha vida num inferno, para que eu aceite o preço… que ele próprio faz… da banana.  Ainda para mais, quando ele também trata dos placards das marcas que me patrocinam. Marcas essas com as quais ele trabalha há anos e das quais é sócio também.

Podia descrever a falta de bondade de passar a Academia para a SAD (o activo com mais valor do Sporting a poucos anos de ficar ao lado de um aeroporto internacional) ou da criação dos VMOCs, os “terríveis VMOCs”, que farão do principal credor, patrocinador e financiador do clube num dos proprietários da Academia, via VMOCs (é inevitável que ninguém compre dívida de uma sociedade tecnicamente falida, nem mesmo os adeptos doentes… logo, fica em casa, nos bancos colocadores).

Mas a chave do futuro do futebol português, do Sporting, das empresas de media nacionais e, por consequência, do pensamento colectivo do País, são os direitos de TV. Foi o dinheiro da TV que impulsionou os grandes impérios futebolísticos da Europa no presente. E é a falta desse dinheiro que está a atrofiar o futebol português e o Sporting.

Eu não votei Bettencourt não só pelo disparate do “Paulo Bento Forever” mas, sobretudo, porque o JEB foi a invenção de uma cara mais popular (sabe-se lá porquê) para levar a cabo uma missão que o pateta do Franco não conseguiu. Na sombra, manobraram, como manobram ainda, as figuras de sempre, desde o BES (cujo vice-presidente está no conselho fiscal do Sporting) ao Oliveira, o gajo das bananas. E no que o Franco falhou três vezes, JEB tenta agora ter sucesso. Tudo o resto – futebol, militância, sócios, modalidades, pavilhão, etc. – é fogo de vista. A AG de hoje é prova disso. O que interessa é pôr os direitos de TV na SAD para manter o “status quo”. Para prolongar a estrutura do poder podre.

O argumento de que se trata de fortalecer a SAD com activos que sirvam de garantias mais fortes ao financiamento, baixando os custos da dívida, é válido. É justo, até. Mas o problema são os actores de todo este plano da pólvora. Fossem todos independentes e dissociáveis e eu admitia a bondade da proposta. Assim, não quero mais estas bananas e enquanto não tiver outras não acredito que a mercearia ganhe a autonomia necessária para crescer como merece e pode.

Por muito que custe admitir, o Sporting já não é dos sócios porque o clube não sobrevive com o que os sócios dão. Sobrevive com receitas externas, vindas de parceiros de negócio. Em qualquer negociação, cada uma das partes luta pela melhor parte do bolo. Quando uma das partes está nos dois lados, o Sporting já nem recebe a sua parte do bolo que é justa. Limita-se a dar a farinha, a água, acuçar, manteiga, os ovos. O bolo é comido por todos os que estão à mesa, do lado de lá e de cá. E o clube fica com as migalhas, que vão chegando para alimentar os famintos em que todos nós nos tornámos.

Quem votar “sim” esta noite, está contente com as migalhas. Quem votar “não” está farto e quer uma fatia do bolo, se faz favor.


Uma derrota que magoa…

Outubro 12, 2009

Caneira perdeu as eleições por 32 votos. Os almargembispenses não confiaram na sua sagacidade política.

… e agora? Será que o sr. Caneira já pode dedicar-se a tempo inteiro à sua profissão? Ou ainda pensa candidatar-se a mais alguma coisa enquanto é pago principescamente para ficar no banco, jogar “tocado” ou passar a semana no ginásio? Parece que o lugar de chefe da estação dos CTT de Corroios está em aberto… ou o de chefe da banda do Alandroal…


Missing in action

Outubro 6, 2009

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Então e por onde anda a oposição do Sporting? Desapareceu no mesmo buraco de uma certa e determinada criança loira? Ou já fez toda a promoção que precisava ao seu distinto livro? Ou foi silenciado pelo odor afrodisíaco da hidra?


O FIM

Outubro 5, 2009

É com tristeza que anuncio aqui, hoje, o fim da minha colaboração com o Cacifo. Durante quase 20 meses vivi uma experiência fantástica, que julguei impossível dada a minha parca experiência no mundo cibernauta e, em particular, no universo da blogosfera. Mas chega o momento em que a única atitude a tomar é pôr o meu ego de lado.E sair. Enquanto ainda há memórias positivas, dignidade, que devem superar quaisquer estilhaços de orgulho que se possa ter. Deixo um agradecimento a quem me acompanhou nesta aventura e a todos aqueles com quem partilhei as minhas ideias acerca do mundo sportinguista. Este é o fim…

… se eu fosse o Paulo Bento e o Cacifo fosse o Sporting… isto era o que eu faria. Felizmente, o Cacifo não é o Sporting. O Cacifo continua, dentro das suas nulas ambições e despreocupadas limitações, a discutir o Sporting. A entreter ou a mandar achas, quando aqueles que o visitam e nele participam assim o entendem. Se o Cacifo fosse este Sporting passaria semanas sem uma actualização. Ignoraria tudo e todos à sua volta e ficaria vazio… como vazio é o futebol do Sporting actualmente. Sem honra, nem glória. Uma excrescência blogueira. Uma vergonha.

O Sporting, esta noite contra o Belenenses, como na quinta-feira contra o Hertha, é um insulto. Às memórias de todos nós, à razão de ser de todos os adeptos. A história do futebol está repleta de momentos assim: em que os jogadores têm medo de jogar à bola, em que as relações interpessoais dentro de um balneário são mais importantes que o respeito pela camisola. O balneário está todo partido e o ambiente deve ser assustadoramente podre. No Dragão algo mudou. Conspira-se pelos corredores, no duche, nos parques de estacionamento. Ver o jogo que o Liedson ou o Moutinho fizeram hoje é acreditar que o Paulo Bento já perdeu a sua confiança. Já não se recupera disto, só torna o futuro mais longíquo e difícil.

10 pontos perdidos em sete jogos, desvantagens largas para os rivais. Só os factos justificam o despedimento. Mas é preciso visão e coragem para tomar essa decisão, se o Paulo Bento não for homenzinho. Contudo, mais grave que os pontos perdidos, é o futebol jogado. Deprimente. Miserável. O presidente bem pode vir atacar o Benfica, num assomo patético de populismo. Mas não percebe que, goste-se ou não da estratégia da “fuga para a frente”, há, hoje, uma diferença fundamental: o lampião diverte-se com o futebol. Nós, não, sofremos, desesperamos. O lampião regojiza-se com os golos. Nós, frustramo-nos com os erros. O lampião enche os estádios e vai pagando o investimento louco que foi feito. Nós, temos o estádio cada vez mais vazio e atrofiamos na contenção de custos. Mais que uma estratégia de merceeiro, já é uma gestão suicida.

Eu não vou, obviamente, deixar o Cacifo. O Sporting é grande, muito, muito maior que os pequenos homens que o lideram hoje. O Sporting continuará depois deles saírem, só não se sabe em que estado. O Cacifo também, nas tempestades e na bonança. E eu, não serei nunca o primeiro a sair do relvado debaixo de um coro de assobios como fez o Liedson esta noite. Eu prefiro espelhar o meu comportamento em personagens como o Tonel. Não interessa se é bom ou mau. Nestes momentos de terror, um homem que caminha em direcção a uma Bancada Sul a distilar ódio e frustração, praticamente sozinho, de peito aberto, a aplaudir os sócios, é um exemplo. E são estes homens que têm os proverbiais colhões para perceber quando o seu orgulho não é mais importante que o Sporting. Fossem o Paulo Bento ou o Bettencourt feitos da mesma massa, e já estariam a escrevinhar o contrato de rescisão por mútuo acordo.


Histórico!

Outubro 2, 2009

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O Paulo Bento continua a acrescentar linhas nos pergaminhos do Sporting! Depois da pior goleada da história do clube na Europa, assumiu a inteira responsabilidade pelo pior jogo de futebol do clube na Europa. Sempre contra teutónicos. Sempre deprimente. Mas como depois de todas as tempestades, há alguma bonança, como depois de todas as catástrofes entre as mais altas figuras do Estado, há sempre uma “boa conversa”, o Paulo Bento também inscreve o seu nome como o treinador que conseguiu fazer o Sporting ganhar, pela primeira vez, contra os teutónicos. Ora aqui está uma bela oportunidade para parabenizar um treinador que admite, candidamente, que “acredito que, este ano, será muito difícil atingir os nossos objectivos”.

Ora aí está a toalha a escorregar das mãos, no primeiro dia de Outubro. É claro que o Paulo continua a piscar o olho, depois de um jogo na Europa em que foi claramente beneficiado pela arbitragem, à “cabala” que está montada contra ele, para o aniquilar, levando o Sporting pelo caminho. Mas que bela mensagem de confiança para o balneário, composto por jogadores que – em jogos como este – parecem que antes de entrar em campo estiveram a meia hora anterior a discutir uns com os outros.

Os adeptos assobiam porque estão fartos deste Sporting merdoso e medroso. Os jogadores não sprintam porque estão fartos de correr para nada, não rematam porque estão fartos de meter a bola nas bancadas, passam para trás porque estão fartos de falhar os passes mais simples. Até o Paulo Bento parece estar farto dele próprio e das suas parcas ideias, conspirações e limitações. O Paulo Bento parece até estar farto do Sporting. Nós e eles continuamos a fazer o que nos compete, porque somos doentes (nós) e profissionais (eles). Mas é como ir para um trabalho que odiamos só porque precisamos de ser pagos ao final do mês.

Sr. presidente, não está o sr. farto também? Deles e de nós? Não será caso de assumir as suas responsabilidades e fazer qualquer coisa? Tipo, ou despede o treinador ou despede-se do clube. Porque, para receber o salário milionário que recebe, pode ir tranquilamente assinar contratos de leasing ali para o lado da Pç de Espanha.

Não culpo um único jogador, depois de um jogo destes. Porque gosto deles quase todos, porque valem todos mais (nalguns casos muito mais) do que estão a jogar. Responsabilizo o treinador, mas não o culpo. Não sabe mais, dá a cara pelo clube. Já devia ter sido corrido há um ano. Ou devia ter saído pelo próprio pé em Munique, mas o orgulho é uma coisa fodida. Portanto, só resta uma cabeça: a do sr. Presidente que, corrijam-me se estiver enganado, mas ainda não fez nada, absolutamente NADA, desde que foi eleito, para melhorar o Sporting e o futebol do Sporting. Bem pelo contrário…