PROVETA
Dezembro 20, 2009Soy un perdedor…
Dezembro 13, 2009“… I’m a loser baby, so why don’t you kill me?”
Ok, o Veloso voltou a ser um trinco transparente,
o Patrício voltou a errar,
o Liedson voltou a falhar golos que não pode falhar,
o Abel voltou a ser comido nas costas,
o Matigol voltou a desaparecer do jogo,
o Polga voltou a dar pena,
o Postiga voltou a querer ser o jogador que nunca foi.
o relvado voltou a ser um acto de penosa auto-mutilação do clube,
a equipa voltou a dar vertigens aos calmeirões adversários,
Alvalade voltou a assobiar,
Carvalhal voltou a fazer testes, com praticamente três tácticas diferentes,
a equipa voltou aos consecutivos centros por cima dos nossos anões,
Mas o Sporting perdeu este jogo porque o falhanço está nos genes desta equipa. Não há qualquer cultura de vitória… e isso só o tempo dará (ou não) conta. É a ansiedade antes da decisão, da definição, que dá cabo de toda e qualquer estratégia, táctica, técnica, moral. E também não há um verdadeiro líder, um gajo que dê um berro dentro de campo, que seja respeitado precisamente porque já ganhou e sabe como se faz.
Temo que seja preciso cortar alguns dos mais ilustres galhos desta árvore doente para voltarem a nascer folhas e flores saudáveis.
“Forces of evil on a bozo nightmare”
E mexe, remexe…
Dezembro 9, 2009http://dn.sapo.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=1442317
… se encosta, se enrosca
Se abre se mostra pra mim
Me agarra, me morde, me arranha,
Não mude que eu quero você sempre assim
Quando, você vem com essa cara de menina levada, para a brincadeira…
Dá-me, um arrepio na pele, sinto água na boca, para ficar com você,
Você não tem um pingo de vergonha e todo homem sonha,
Ter alguém assim, realizando minhas fantasias, taras e manias
Você vem pra mim
Uma lady na mesa, uma louca na cama, na maior safadeza,
Você diz que me ama
E na minha cabeça desvairei-o de loucura, quando você começa
Ninguém mais te segura
(Marco, pá, aquele abraço)
REABILITAÇÃO
Dezembro 8, 2009Vitória – 0, Sporting – 2 (BiLiedson)
Nível de endorfinas: Razoável. O Sporting já deixou a clínica de desentoxicação. Já está em casa, a sopas e bananas. Já tem mais músculo futebolístico e, segundo o próprio mister, já sorri. Mais uns adversários tenrinhos e está pronto para sair à rua. A palavra é de Carvalhal e não é por acaso: “reabilitação”. Para não esquecer o grau zero que o futebol do Sporting atingiu durante a bentodependência.
Há, de facto, mais confiança. No toque de bola, no passe de risco, nos (poucos) remates. Mas ainda há muitas intermitências. A mim já me valem pequenas coisas: o Matigol a cavalgar entre adversários, a marcar os livres, a defesa à zona nas bolas paradas, os passes para as costas dos defesas adversários, o renascido Moutinho. Falta muito, mas é bom ver o paciente menos magrinho, com boas cores.
Momento do jogo: Versão malucosdoriso: segundo golo, um disparate perfeito da equipa de arbitragem, em que as falhas do chefe e do bandeirinha se anulam na perfeição. Em conjunto com o disparate do guarda-redes. Versão a sério: superdefesa do Patrício na segunda parte, segurando os três pontos (finalmente).
Prémio Zé Piqueno: O rapaz que fez a falta sobre o Moutinho no final do jogo não é jogador da bola. É uma máquina de cortar carne.
Prémio El Dieguito: Matigol, at last! Passe genial para o primeiro golo, mais dois slalons belíssimos, infrutíferos apenas porque a equipa não sabe ainda o que fazer com eles.
Prémio Gladstone: Lance do segundo golo. Se havia alguém capaz de fazer um disparate deste tipo, era o saudoso Xerife.
Visão Zeman: O inicial 4-1-3-1-1 (ou 4-3-3 como lhe chamou Carvalhal) fascina. Porque se dá muitas opções no ataque e é um bom suporte para recuperar a confiança (muitas opções de passe, alguma fluidez e improviso), também estica a equipa de tal maneira que abre autênticas avenidas para o contra-ataque do adversário. Porque a defesa fica muito recuada e o trinco continua muito sozinho (e não temos um costa-marfinense nem um ganês para colar a equipa). Mas entretém enquanto duram as pilhas.
Depois, o primeiro golo é uma lição de contra-ataque que não me lembro de ver há algum tempo no Sporting. Saída em passe para onde está alguém, por definição táctica, transporte de bola e passe para as costas da defesa. Simples, bonito, eficaz.
O tal segundo esquema que Carvalhal fala é o duplo pivot, que faz recuar o Moutinho e subir o médio mais ofensivo para o ataque, desfazendo o triângulo do meio campo. Foi assim quando o Postiga entrou para o Matigol. Não deu em muito, porque é o Postiga. Mas representa uma maior contenção, para adversários mais difíceis ou para segurar o jogo. Não está mal no papel. Mas…
… há vários problemas por resolver: o Liedson tem, de facto, problemas. Não tanto por não marcar golos sozinho na frente (porque marca), mas porque é-lhe pedido muito mais do que ele se calhar tem para dar: tem de ser um pivot, jogar de primeira para trás, em tabelas com os médios embalados de trás, distribuir jogo. E, como se está a ver (e se calhar era um segredo bem escondido pelo Bento), ele não é assim tão inteligente na leitura de jogo. É esperto, é rato e tem técnica de matador. Mas não lê bem o jogo. Ou porque não sabe ou porque não está habituado. Eu, como acredito na evolução da espécie, prefiro acreditar que ele vai evoluir (no 4-3-3 da Selecção ele não precisa de fazer nada disto… a construção não passa por ele, ele só apoia e finaliza… os extremos e o Deco tratam do resto).
Outro problema é o Veloso. Não serve para médio esquerdo, é lento e indisciplinado, o oposto do Izmailov. Mas centra bem. Com Vuk e Izma prontos, o que fazer ao Veloso? Uma incógnita para o Carvalhal resolver, já que a trinco não dá a estabilidade táctica e até física do Adrien.
Nem vale a pena falar da defesa, já que, neste momento, é quase inimputável: sabemos que os laterais são maus e os centrais assim-assim. Mas neste esquema, são o elo mais fraco. Se a equipa não defende toda, é complicado.
Vivó Sporting… até morrer!: Sopas e descanso. Sopas para o Carvalhal melhorar o futebol, descanso para o Sá controlar o balneário. Passar o Natal tranquilo, debaixo do radar. Se assim for, no início do próximo ano, já se pode começar a sair à rua. Eles reabilitados, nós de cabeça erguida.
O CÃO QUE BEBE DAS SANITAS
Dezembro 4, 2009Grimmy, o cão boneco animado que bebe das sanitas, come o lixo, um bom cão, mas um péssimo hálito.
Grimi, um dos dois jogadores do Sporting mais descontrolado em campo (só acompanhado pelo seu gémeo Pedro Silva), salvou a noite. Bebeu da sanita, como o seu homónimo canino, quando já estava tudo pronto para puxar o autoclismo. O golo foi um bom golo, mas deixou um péssimo hálito… a retrocesso.
O regresso do losango voltou a colocar todos nús no batatal de Alvalade. Sem largura, sem passes rasgados, só toca e foge, toca e foge, toca e foge, com o Postiga de sempre e o Liedson que nunca mais marca um golo. Uma primeira parte deprimente, com um Veloso perdido, dois laterais que não sabem subir nem descer e duas boas excepções: o Moutinho está mesmo de volta e o Adrien dá uma fluidez e pressão ao meio-campo como mais ninguém neste plantel.
Na segunda parte, esticou-se o losango para os lados com o Izmailov (que saudades!) e o Veloso. Apesar do medo cénico que voltou a instalar-se, a coisa melhorou um bocadinho. Bastou a subida do nível médio que representa o regresso do russo.
Em mais um jogo de pré-época, ficam algumas questões:
- O Liedson é o maior. Dito isto, não teria sido melhor estar calado no final do jogo? Não gosta de jogar sozinho, resolve com o treinador. É porque sozinho ou acompanhado (como hoje, porque o Postiga andou para ali a atrapalhá-lo), a verdade é que falhou três golos feitos. E estava bem sozinho, de facto, sem adversários por perto…
- O Adrien ainda está verde. Quando a coisa aperta psicologicamente, é falhar passes à grande, em total contradição com o verdadeiro Adrien. Mantém-se o rapaz a titular? Em detrimento de quem, do Veloso? Jogam os dois lado-a-lado? Com o Moutinho à frente? E o Matigol? Pois… estamos com excesso de pequenos, bons mais frágeis médios. E agora?
- Não temos laterais. Ponto. Compramos quatro e damos estes todos? Eu mantenho o Grimi… assim como assim, sempre bebe das sanitas.
IT’S ALIVE!
Novembro 29, 2009Sporting – 0, lampioes – 0
Nível de endorfinas: Moderado. Provou-se que os piores receios eram efeitos daquelas lendas propagadas pelas vozes do oculto. O Benfica não joga assim tanto e já está a pagar o preço do ar com que encheu o balão. A equipa do Sporting voltou! Está viva! Tivessem os jogadores do Sporting jogado assim desde o início da época… A chicotada de bom senso prolongou-se no derby e não fosse o milagreiro joaquim e já estávamos a oito pontos.
Momento do jogo: Super defesa do joaquim a remate do Veloso. Era o golo dos três pontos.
Prémio Zé Piqueno: Falta do Veloso sobre o Zé Maria. É assim que se param os contra-ataques: à porrada! Maricas…
Prémio El Dieguito: O cabrito do Liedson ao SideShow Bob esteve ao nível do melhor do levezinho nos derbys. Se ao menos estivesse o moreira na baliza…
Prémio Gladstone: Aquele passe do Pedro Silva a cortar o meio-campo directamente para os pés do queniano do Benfica… o único grande erro da equipa em todo o jogo.
Visão Zeman: O bom senso táctico traduz-se no duplo pivot, na recuperação do único verdadeiro trinco da equipa, o Adrien, na entrega da batuta do jogo ao Moutinho (grande capitão!) e na aproximação do Vuk às zonas de decisão. Agora, é preciso mais rotina de jogo, especialmente do Liedson a jogar sozinho na frente, sobretudo na fuga ao fora-de-jogo. As substituições não foram felizes, mais por culpa dos jogadores que entraram que dos que saíram. O monstro levantou-se e já caminha. Agora é começar a correr!
Vivó Sporting… até morrer!: Sobrevivemos ao coma bentiano… as notícias da apatia leonina são manifestamente exageradas! Ainda nem sequer recomeçámos a ganhar e o orgulho verde-e-branco já está de volta! Isto já só acaba no Marquês! SPORTING!
Easy Rider verde e branco
Novembro 25, 2009Uma chicotada de bom senso
Novembro 22, 2009O Costa – 1 (Tó Zé), Sporting – 4 (Veloso, Moutinho, Veloso, Liedson)
Ao som de Peste e Sida, o Liedson abandona o relvado de Belém cansado e dorido. Há algum tempo que não tinha tantas bolas dentro da área. E só este aspecto demonstra que a mudança de treinador, a clássica chicotada, independentemente dos nomes, trouxe bom senso ao Sporting. E tão necessário que ele era, como se percebe pela entrevista do último treinador.
Carvalhal devolveu o Sporting ao 4-2-3-1. Já era hora. E nem hesitou com o resultado ao intervalo: Moutinho tem de ser o organizador da equipa no meio, a segunda opção tem de ser o Matigol. E o Liedson sozinho no ataque era um mito estúpido e inexplicável do último treinador. Aqui ficam os grandes beneficiados da chicotada de bom senso. E o ponto negro:
Moutinho – Há muito, muito tempo que não víamos este Moutinho. Aliás, já nem me lembro do Moutinho a fintar. Hoje vi! Vi o Moutinho a fintar outra vez! E solto, fresco, rápido, líder. Era o Costa, é verdade. Mas também tinha sido o Ventspils.
Pereirinha – Ora aí está o Pereira, o grande beneficiado do regresso do bom senso ao Sporting. Carvalhal é esperto, porque sabe que tem ali ouro… O outro treinador também sabia, mas ninguém percebe o que se passou, entretanto. E ele nunca explicou… deve ter sido o Sá Pinto ou o Rogério Alves.
Liedson – Voltou a ter uma mão-cheia oportunidades de golo perto da baliza. Falhou várias, talvez por falta de hábito.
Ponto negro: A defesa continua medonha. Era o Costa mas não parecia. Polga continua Polga, Tonel voltou a ser Tonel, Grimi já nem é Grimi, Abel sempre Abel. E o Rui está a regredir, parece-me. O duplo pivot (outra decisão sensata) no meio campo engana, porque não estava feito para defender mas para sair a jogar. Ainda assim, as bolas metidas nas costas pelo Costa mostraram como o Carriço é o melhor (ou o único) defesa do Sporting. O regresso da defesa à zona nas bolas paradas (mais bom senso) sempre disfarça, mas é bom que o Carvalhal treine muito, muito os aspectos defensivos da equipa durante esta semana. E que gaste os milhões praticamente só do meio-campo para trás.
Venha o Benfica, com a certeza que o Sporting já abandonou a auto-mutilação. Falta ainda lamber muitas feridas, mas apenas aquelas feitas pelos outros e não por nós próprios. Futebolisticamente, claro, porque o presidente continua à solta. Mas isso é outra história…
Por favor, não estragues tudo
Novembro 21, 2009O Paulo Bento dá amanhã uma entrevista longa e, provavelmente, intensa ao Record. O título da antevisão faz temer o pior.
Depois das alfinetadas das últimas entrevistas, sobre a cultura de vitória e o complexo de inferioridade, esperemos que o Paulo aguente a azia. Porque de azia já estamos todos fartos.
Calma com as carvalhadas
Novembro 16, 2009O presidente prometeu-nos uma surpresa, mas não foi surpresa nenhuma. Aparentemente, está toda a gente surpreendida, sem razão nenhuma. A estratégia dos últimos anos mantém-se: o Sporting contrata bons treinadores adjuntos. Só que contrata-os para treinadores principais. Esta é a razão pela qual eu torci o nariz ao Peseiro, ao Paulo Bento e torço o nariz ao Carvalhal.
O treinador que servia para o Sporting era, de facto, um estrangeiro, com experiência e currículo mas, sobretudo, um gajo que pairasse sobre a realidade do futebolinho: que não lesse jornais, que não visse Trios de Ataque, que se estivesse a cagar para as merdinhas que minam o futebol português. Um gajo que trabalhasse as suas ideias e ensinasse futebol, que melhorasse os jogadores da Academia e os outros. Que desse banhos tácticos aos treinadores básicos que existem em Portugal e não o contrário. Que tivesse histórias para contar, aos jogadores, aos adeptos, aos jornalistas. Histórias de títulos. Só precisava de um Paulo Bento, de um Carvalhal ou de um Peseiro ou lado dele. Esses treinadores existem, mas a actual gestão do Sporting não os quer. Não quer gastar dinheiro, então compra barato e evita ter alguém que exija, de facto, bons jogadores para o clube. Perdemos de duas formas, não temos um treinador bom, nem jogadores bons para ele trabalhar.
Dito isto, estou com o Carvalhal. É incrível o peso que a imagem tem na sociedade contemporânea. O André das Boas era o maior, o próximo Mourinho, aprendeu por osmose, era fantástico, trazia jogadores com ele, o plantel da Académica está apaixonado. Tem três jogos no currículo. O Paulo Bento é que era, um grande treinador, o Ferguson do Sporting, bom homem, deu sempre a cara, salvou o clube. Assumiu o cargo com zero (!) jogos no currículo. O Carvalhal já é treinador há mais de dez anos, teve altos e baixos como vão ter treinadores medianos como o Paulo Bento ou o André das Boas, como teve o Jorge Jesus ou o Jesualdo Ferreira. Mas, como não caiu no goto, é uma “vergonha” para a generalidade dos adeptos.
O treinador pode ganhar jogos mas são os jogadores que ganham os campeonatos. O Sporting precisa de mais dois ou três bons jogadores para lutar, ainda este ano, pelo título em Portugal. Um bom central grande, um bom trinco grande e forte e um bom avançado, outro Liedson, mas em maiorzinho. E precisa de dois laterais razoáveis. Com bons jogadores, o Jesus é o maior, o Jesualdo é tricampeão, o Peseiro quase ganha tudo, o Inácio quebra jejuns. O Carvalhal é igual, o único problema é que está a viver “um sonho”, como o Peseiro e o Paulo Bento. Aceita tudo. Não impõe nada. Mas deixem-no trabalhar e tentar salvar a face do clube este ano. Se correr bem, óptimo, dá-se uma segunda oportunidade mas, espero, com mais jogadores bons. Se não correr bem, pode ser desta que se vá buscar um bom treinador principal, que obrigue o presidente a subir a parada da qualidade do plantel para o nível das verdadeiras ambições do Sporting.
Oh Boas!
Novembro 12, 2009Gosto de coisas Boas! Gosto de Boas comidas. Gosto de umas Boas farófias, por exemplo. Gosto de todas as Boas formas de fazer bacalhau, de Boas chouriças, de Boas cabidelas ou de umas Boas costeletas de novilho. Gosto de um cacho de Boas uvas ou de Boas pêras.
Boas pessoas, também gosto. Pessoas boas. Boas ideias, Boas formas de argumentação, Boas eloquências, Boas acções, Boas sensibilidades, Boas inteligências, enfim, Boas cabeças.
Gosto de cidades Boas, com estradas Boas, arquitecturas Boas, casas de banho Boas ou Boas árvores, daquelas com histórias Boas. Gosto de histórias Boas, no geral, Boas histórias para contar ou ouvir. Boas piadas, Boas gargalhadas. Boas subtilezas, Boas gritarias, quando valem a pena.
Também gosto de coisas Boas no futebol. Boas tácticas, Boas jogadas ao primeiro toque, Boas bicicletas, Boas escolhas no momento de decidir lances, Boas pernas para fazer carrinhos ou Boas mãos num guarda-redes.
E, claro, gosto de gajas Boas. Boas mamas, por exemplo. Boas nádegas. Boas pernas ou outras coisas Boas.
Do Villas-Boas, não sei se gosto. Gosto de pensar que vou gostar. Gosto da perspectiva de vir a conhecer as suas ideias, que espero Boas, para o futebol. É mais um para o clube da dupla consoante, um pormenor se forem Boas as competências do Villas-Boas.
Boas sortes!
Sr. Presidente,
Novembro 9, 2009escrevo-lhe com nervos. Não tanto pelo empate, mais um, da equipa em Vila do Conde, quase inevitável dada a fragilidade mental do colectivo. Mas mais porque o sr. enerva-me. Mexe-me com os nervos, se é que me faço entender. E já ultrapassou o campo do consciente. Quando o oiço, liberta-se-me um químico qualquer no cérebro, uma espécie de suco biliar injectado instantaneamente na cabeça. Irrita-me, enerva-me ou, como diz uma pessoa fixe que eu conheço (…), aborrece-me.
As suas duas últimas actuações na qualidade de presidente eleito e remunerado do Sporting Clube de Portugal já nem sequer me preocupam. No futebol, o que interessa são os golos. Quando o rumo for invertido – e será invertido, melhor ou pior consoante as suas decisões – a sua imagem mudará automaticamente. Passará de “parvo” a “valente”, talvez chegue a “místico” e, se tudo correr muito bem, a “génio”.
Mas as suas duas últimas actuações como presidente do meu clube são – e digo isto tentando apoiar-me mais no consciente e menos na bílis -, numa palavra, medonhas. E, para mim, inesquecíveis, aconteça o que acontecer. Foram uma lição de falta de liderança, carisma, responsabilidade e respeito. Já nem digo falta de respeito pelo clube, os sócios, os adeptos, a sua própria família (que o terá educado melhor, seguramente). Digo apenas falta de respeito por mim. Ou por qualquer outra alma que tenha observado tão triste figura.
Dois aspectos foram particularmente medonhos. Um, a teoria da conspiração, o “terrorismo” de “cretinos” que quer “expulsar do clube”. Ora bem, o Sporting ainda é uma associação desportiva e o sr. não expulsa ninguém. Numa democracia, não se expulsam pessoas. Prende-se ou pune-se quem infringe as regras. Se for o caso, força. Mas não parece que isso o satisfaça ou que sequer possa. Depois, gostaria que identificasse esses terroristas. Nomes e provas desse terrorismo. Porque, com o que disse, os “terroristas” somos todos os que discordam de si e das suas decisões. Ou seja, quer expulsar-me do Sporting, segundo interpreto bem! (… mais uma descarga de bílis)
Outro pico de estupidez foi o tratamento emocional que deu às saídas dos seus amigalhaços. Vamos ver uma coisa: o Sporting não é um clube de bairro nem uma reunião de condomínio. O Sporting é um universo que movimenta 10 milhões de pessoas, um terço a favor, dois terços contra. É uma instituição centenária e altamente profissional (pelo menos na aparência e no estatuto jurídico). Não se tomam decisões numa mesa de café, entre amigos. Pelos vistos, é o que o sr. está a fazer. E, se fala em accionistas ou 150 pessoas que fazem oposição interna a si e aos seus incompetentes amigos, mais uma vez diga quem são. Porque foi o sr. presidente que lhes deu a faca e o queijo para a mão! (… nova injecção de bílis)
Já agora, gostava que tivesse sido tão birrento e imbecil quando fomos expulsos à pedrada de Alcochete pelos criminosos organizados pelo seu querido amigo do Benfica. Não reagiu. Mas contra os seus próprios sócios e adeptos, aqueles que o sustentam (no papel, pelo menos), não teve qualquer problema em perder a cabeça! (… bílis)
Dito tudo isto, deixo-lhe apenas um modesto conselho: decida com instinto de sobrevivência, proteja-se, porque o mundo do futebol e da vida pública em geral é muito cruel. Seja prudente e decida bem. Precisa de sorte mas ela procura-se. O futebol é entretenimento, é um espectáculo, ninguém se preocupa com valores, como disse e bem. Olhe para a Luz, o seu amigo é tudo mesmo um homem de valores ou escrúpulos. E a vida agora corre-lhe bem. Até ao dia que cair e aí o futebol será cruel com ele. Tome as decisões certas, sob pena de ser engolido. E o Sporting sobreviverá, como sobrevive sempre. Como sobreviveu a Jorge Gonçalves, Santana Lopes ou Dias da Cunha.
Quanto a mim, não se preocupe. Eu continuarei a pagar quotas, a ir aos jogos, a comprar gameboxes, agora com energia renovada, já que está perto do fim a miséria futebolística em que nos transformámos há ano e meio. Em relação a si, não tenciono enervar-me mais. Os nervos desperdiçam energia e preciso de muita. O sr. presidente é, claramente, uma péssima razão para gastar energia, quando há outras tão mais interessantes e recompensadoras. A única energia que guardarei para si é para, se o vir no Marquês quando formos campeões, virar-me tranquilamente para outro lado, por pena, vergonha e, admito, alguma superioridade moral.
Cumprimentos.
Paulo,
Novembro 7, 2009chega ao fim esta longa relação. És a categoria do Cacifo com mais ocorrências, perto de uma centena em mais de ano e meio. És, de certa forma, um símbolo deste blog, cujo nome contará sempre com uma imagem mental associada a ti. Em Maio do ano passado, estavas tu já na fase descendente do teu encanto, escrevi isto.
http://ocacifodopaulinho.wordpress.com/2008/05/21/a-cabeca/
Mantenho tudo, obviamente. E, como temia, pioraste e pioraste o Sporting. É pena. Gosto de ti, dás uma segurança incrível a quem está ao teu lado. Aliás, essa virtude acabou por ser o teu problema. Tens razão, devias ter saído no final da última época. O ciclo tinha acabado, futebolisticamente estava morto. Não havia losango, não havia jogadores, não havia evolução, as hierarquias do balneário estavam cristalizadas e as tuas deficiências estavam todas à mostra. Mas continuaste para defender os mais cobardes que tinhas a teu lado. É digno mas não é inteligente.
Agradeço-te algumas emoções inesquecíveis, desde logo aqueles dois derbys históricos, a taça contra o FC Porto e o melhor jogo no Porto na minha memória. Ao contrário do que se diz hoje, não te agradeço a defesa do Sporting em relação aos árbitros e à Liga. Acho mesmo que prejudicaste objectivamente o clube, por puro despeito e feitio e explorando perversamente o trauma colectivo dos adeptos. Mas o maior culpado foi quem não soube pôr travão a essa loucura.
Perdoo-te, naturalmente, a tua incapacidade para fazeres do Sporting campeão. Lembras-me os putos a aprender a andar de bicicleta. Com rodinhas já andas bem e dás tanto ao pedal que quase apanhas os outros. Mas quando te dizem para tirar as rodinhas, é logo um ”se querem espectáculo vão ao cinema”. Curiosamente, quando não tiveste outro remédio se não pedalar, porque já tinham caído as rodinhas, pedalaste que foi uma maravilha. Basta lembrar as já citadas emoções inesquecíveis ou as sequências de vitórias nas duas primeiras épocas.
Não te perdoo apenas duas coisas: a humilhação em Munique, responsabilidade exclusiva tua porque fizeste uma gestão errada do plantel no pior jogo possível; e a falta de humildade. Sim, nunca, nunca, em quatro anos, ouvi uma palavra honesta tua sobre o teu próprio trabalho. Falaste em “assumir as minhas responsabilidades” muitas vezes. Mas nunca “não sei mais. É o que sei, procurarei melhorar, mas isto é o que tenho para dar”. Ainda hoje, ouvindo-te já com saudade, limitaste a dizer com inteligência que o Sporting “só ganhou oito títulos desde os anos 60″ e que há “um complexo de inferioridade” em relação ao Benfica. É verdade. Mas foi o Sporting que te deu a oportunidade de mostrares as tuas qualidades e defeitos ao mais alto nível, como treinador. E as tuas qualidades não foram suficientes para inverter essa lógica, sendo que, nalguns casos muito específicos, foram mesmo os teus defeitos que impediram contrariar essas inteligentes – mas cruéis e até sacanas – afirmações da tua parte…
Mas, enfim, Paulo. Não és perfeito mas gostava de ter ganho contigo. Acredito que até tinha sido possível, com um pouco mais de rasgo, “sem rodinhas”. Agora, desconfio que não vamos ficar por aqui e vai custar-me ver-te no outro lado da barricada, mais evoluído, mais esperto (mas com uma autoflageladora teimosia). Entretanto, vou recordar as tuas flash interviews, com misto de frustração e saudosismo, durante os meses que passarás a comentar jogos na televisão.
Um honesto bem haja.
Um perfeito anormal
Novembro 6, 2009“explicações é à parte”
“hoje é o dia do Paulo, não vou falar do Sporting”
Ajudem o Paulo Bento
Outubro 28, 2009“Como treinador assumo totais responsabilidades”… E então? O que é que isso quer dizer na prática? Como não disse, o treinador do Sporting provavelmente não sabe. Por isso, ajudemos o Paulo Bento. As hipóteses para o que ele queria dizer mas o seu cérebro não conseguiu formular, são:
a) “Amanhã de manhã, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida… à espera que o Pinto da Costa me ligue para substituir o Domingos daqui a um ano”.
b) “Quando chegar ao balneário vou encher 150 flexões. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
c) “Hoje não tomo banho antes de dormir. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
d) “Vou ver todos os jogos do Benfica esta época, em repeat. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
e) “Admito que não treinamos bolas paradas, jogadas de futebol corrido, pressão alta, não consigo motivar os jogadores, temos demasiadas lesões, as contratações foram todas feitas com o meu aval e a meu pedido, o Caneira não foi eleito. E, por isto tudo, pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
f) “Vou pedir desculpa aos sócios e adeptos pelo triste e lamentável espectáculo em que o meu trabalho de treinador profissional de futebol se transformou. E depois pego no meu saquinho lá na Academia, despeço-me do pessoal amigo e vou à minha vida”.
Ajudem o Paulo Bento a ir-se embora. Com dignidade. Com (já pouca) honra. À homem… porque a alternativa é ir-se embora à rato, aliás bem patente nas últimas afirmações: “não tenho culpa da relva, há mais gente que deve assumir as suas responsabilidades”… pois, quanto maior for a ferida, maior a infecção, maior o pedaço de dignidade que se terá de amputar…

Publicado por Douglas
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