Passar a fronteira do ridículo

Novembro 13, 2009

Não tenho opinião formada sobre o Villas Boas. Tirando a banalidade da “aposta de risco”, não consegui encontrar forma de sustentar meia dúzia de argumentos acerca de um homem de 32 anos que tem no currículo de treinador (era para isso que ele ia ser contratado, é bom recordar) um mês de Académica e menos de uma mão cheia de jogos a comandar uma equipa. Dava-lhe o benefício da dúvida. Pela inteligência, perspicácia e profissionalismo que todos lhe apontavam. E que eu não tinha como confirmar. Mas se viesse era o meu treinador, o treinador do Sporting, provavelmente seria já o melhor do mundo e arredores. Embora confesse que, num plano mais racional, me preocupou a forma como tantos olharam para cima a antecipar um novo Mourinho e tão poucos sequer espreitaram para baixo ignorando a possibilidade de outro Luís Campos.

Isto eram os meus pensamentos há meia-hora. Quando já dava por adquirido que seria ele o contratado. Quando não acreditava que o Sporting pudesse prestar-se ao ridículo de, depois de não estancar os rumores sobre ele, depois de ter elementos dos órgãos sociais a fazer campanha por ele, depois de fugas de informação sobre treinadores-adjuntos já escolhidos por ele, depois de um comunicado à CMVM a assumir que estavam a negociar com ele… depois de tudo isto, dizia, prestar-se ao ridículo de não conseguir chegar a acordo com a Académica para libertar o homem.

Ou seja, não me incomoda que não venha o Villas Boas. Porque não sei se seria a melhor opção. Mas incomoda-me, de forma quase ofensiva, que não venha o Villas Boas por pura incapacidade negocial e tremenda inabilidade na gestão do dossier. Não se sabia da cláusula de dois milhões de euros antes de deixar sair tanta informação? Não se sabia da cláusula de dois milhões para dizer logo que não se queria pagar esse montante? Se Villas Boas era a primeira escolha, é absolutamente patético não conseguir contratá-lo por causa da Académica. Se a estratégia era não pagar pela desvinculação de um treinador, então Villas Boas nunca deveria ter sido ponderado. São muitas coisas, e demasiado óbvias, para que consiga aceitar isto. E agora? Arrasta-se a novela? Entra-se numa discussão na praça pública? Braço-de-ferro? Ou puxa-se do trunfo da famosa “segunda opção”? E qual é a segunda opção? É portuguesa? É estrangeira? Já foi contactado? Estava a ser negociado à mesma altura? E porque é que eu tenho a sensação de que está demasiada gente a assobiar alegremente a caminho do precipício?

E com esta brincadeira há uma semana que estamos sem treinador.


O que é feito de ti?

Novembro 13, 2009

Marco Caneira

Vieste para ser um dos patrões da equipa. No campo, claro, mas também no balneário. Lembro-me, por exemplo, que pouco depois do teu regresso definitivo não hesitaste em dar um murro na mesa durante a rábula Moutinho-Everton. Invocaste o estatuto de capitão sem braçadeira, voz de comando, homem da casa, alma da equipa, prolongamento do treinador em campo. E no balneário. E eu achei que tudo isso fazia sentido.

Sempre te vi como uma referência. Daquelas que fazem falta em qualquer equipa. Pela forma como falavas, pelo profissionalismo que mostravas, por todos os sinais de maturidade e experiência que exibias como cartão de visita, parecias-me o contraponto natural ao excesso de juventude que transitava da Academia para a equipa principal.

Mas entretanto foste desaparecendo. As opções tácticas afastaram-te do centro da defesa. A falta de jeito afastou-te da lateral direita. A paupérrima forma física afastou-te da lateral esquerda. As lesões afastaram-te da equipa titular. Foste desaparecendo progressivamente e a bizarra incursão política mostrou o teu interesse por outros mundos. A coisa chegou ao ponto de ter esquecido a tua existência. Li hoje num jornal que tinhas voltado a treinar “sem vigilância médica”. E eu dei por mim a pensar “ah… pois é… o Caneira ainda está no plantel”.

E depois dessa constatação pensei mais um pouco. “Estranho”. A equipa está uma miséria, jogamos um futebol de merda, estamos em 8.º lugar, os sócios contestam, protestam, insultam, o Paulo Bento sai, o Barbosa sai, o Ribeiro Telles sai, o plantel sofre, os jogadores vão deixando cair frases aos bochechos… e tu, que era suposto seres uma referência do balneário, nada, zero, nem uma palavra. O Pedro Silva (o Pedro Silva, foda-se!!!) é o porta-voz do ambiente triste na despedida do Bento, o Adrien Silva (o Adrien, foda-se!!!) é o porta-voz da ideia de que não é a saída do Bento que vai resolver o problema, o Liedson (pelos vistos mais patrão do que tu…) é que veio quase todas as semanas dizer que não podia ser, que isto não podia ser, que os jogadores tinham de fazer mais e melhor… e tu nada! Passou-se Agosto e a saída da Champions. Passou-se Setembro e a caminhada para o abismo. Passou-se Outubro e as eleições autárquicas. Entrámos em Novembro no fundo do poço… e tu nada! O que é feito de ti, homem?

Será que agora, que voltas a treinar “sem vigilância médica” e prestes a estar “sob vigilância de um novo treinador”, vais voltar a dar sinais de vida? Olha lá… e já agora, aqui entre nós: há alguma coisa que nos queiras contar sobre o que se passou nestes últimos meses?


Não me parece mal

Novembro 11, 2009

Sá Pinto

Pelos vistos… dizem uns senhores na telefonia… o Sá Pinto está garantido na próxima estrutura directiva do Sporting. Aguardemos a confirmação.

Se vier com o empenho com que pisava a relva, não duvido que poderá dar um bom contributo ao clube. Antecipo-o como uma boa rede ao treinador. Pelos menos no que diga respeito a desvincular o sucessor de Paulo Bento do (enorme) caderno de encargos que a função de treinador representou nos últimos quatro anos: treinar a equipa, estudar adversários, pensar o plantel, gerir o balneário e assumir a defesa pública de todo o universo futebolístico do clube.

Veremos. Sá Pinto não foi um génio com a bola nos pés. Mas deixou-me boas memórias. Espero que tenha agora, nos gabinetes ou como “tutor” do plantel, a inteligência e astúcia de que necessitamos.


O Sporting e Paulo Bento. Uma perspectiva espanhola

Novembro 10, 2009

Em digressão por terras do Tio Sam, o sempre fiel Jordão remeteu-nos um texto publicado pelo jornalista Axel Torres no blog que tem na edição online do diário “Marca“. Chega com uns dias de atraso – foi escrito no dia da demissão do Paulo Bento -, mas não resisto a partilhá-lo convosco.

“Es curioso: casi todos mis amigos portugueses son sportinguistas. Quizá por ello, pero también por su filosofía de cantera, he seguido con enorme simpatía al SCP en los últimos años. Me he ilusionado con sus nuevas figuras, he sentido frustración cuando el equipo ha jugado peor de lo que podía esperarse por su calidad y, sobre todo, he discutido sobre la figura del hombre que ha centrado gran parte del debate en el entorno del club: Paulo Bento. He apreciado en mis allegados leoninos un amor-odio hacia la figura del que ha sido su técnico durante más de cuatro años. Un amor-odio que puedo comprender y casi compartir. En efecto, hoy, cuando el ex futbolista del Oviedo ha anunciado su dimisión, he sentido simpatía y profundo respeto hacia él, por mucho que ayer por la noche, después del humillante 1-1 en el Alvalade ante el Ventspils, casi pidiera a gritos su cese en un SMS mandado a un hincha del club lisboeta.

El Sporting, es una evidencia, juega mal. A veces, horrorosamente mal. Y podría jugar bien. Debería jugar bien. Con un centro del campo formado por Veloso, Moutinho, Vukcevic y Mati Fernández, se espera algo más que un fútbol brusco, que balonazos hacia arriba, que falta de control. Se espera toque, fútbol combinativo, asociación permanente. Los hombres y el sistema han sido en muchas ocasiones los necesarios. Pero, quizá porque no se han trabajado los automatismos en el juego de ataque, quizá porque no se ha insistido suficientemente en la idea del paso y me muevo, sea por lo que sea, lo que se ha visto en el campo ha sido un desastre. Al fútbol se puede jugar de muchas formas y hay equipos directos que son un espectáculo. Pero los equipos directos utilizan futbolistas adecuados para jugar directo. Y los equipos de toque utilizan jugadores adecuados para jugar al toque. En el Sporting se juntaban varios finos estilistas y luego el balón iba de un lado al otro sin sentido. Por todo ello, hay que pedirle responsabilidades al entrenador, el hombre que ha sido incapaz de convertir la teoría en práctica. Si a ello le sumamos que los resultados estaban siendo aún peores que el juego, con el Braga, el Oporto y el Benfica muy por encima en la tabla -y ninguno de ellos tiene una plantilla muy superior; al menos tan superior como muestra la clasificación-, la situación se había convertido en insostenible. Las críticas eran feroces y jugar en casa había pasado a ser un infierno. No quedaba otra que cambiar de técnico.

No siempre ha sido así. Recuerdo algunos partidos brillantes en la Champions contra el Manchester United o contra la Roma. Partidos en los que sólo faltó pegada, porque, entonces sí, el equipo dominaba, tenía la pelota y creaba ocasiones. Esa magia se ha perdido, pero no debemos olvidar esos tiempos. Tiempos que incluso vieron títulos, como las Copas de 2007 y 2008, dos torneos que acabaron con cinco años de sequía en el club. Eso fue mérito de Paulo Bento, como lo fue, sobre todo, su respeto y su defensa inequívoca de una filosofía, su militancia absoluta a favor de las ideas básicas del proyecto sportinguista. Él, que trabajó con éxito en las categorías inferiores antes de asumir el mando del primer equipo; él, que hizo debutar en la plantilla profesional a Nani, a Miguel Veloso, a Rui Patricio, a Bruno Pereirinha y a Yannick Djaló; él, que consolidó como titular indiscutible e hizo capitán a Joao Moutinho; él, que ganó dos títulos siguiendo las premisas de formar a la base del equipo en Alcochete; él era el más indicado para responder, justo ahora que los resultados eran malos y los hinchas pedían su cabeza, si valía la pena seguir por este camino, si se podía competir con el Benfica y el Oporto sin grandes inversiones de dinero. Y dijo que sí. Que estaba convencido de ello. Y en su respuesta había amor hacia el club. Amor hacia la Idea. Es por ello que todos los que creemos que la política de fútbol base debe ser fundamental para garantizar la continuidad competitiva de aquellas entidades deportivas que no reciben grandes inyecciones económicas externas y que no poseen unos recursos tan elevados como los de sus máximos competidores sentimos hoy tristeza por el adiós de Paulo Bento. Por muy mal que jugara el equipo. Por muy séptimo que estuviera. Por mucho que supiéramos que su ciclo había terminado y que su marcha era necesaria.”


Fico triste, pois claro que fico triste

Novembro 10, 2009

Ronda matinal pela imprensa. Tinha lido que o Bettencourt teria chamado ontem à noite toda a direcção da SAD e do clube (incluindo aqueles vogais mais recônditos) para debater a escolha do novo treinador. Portanto estava curioso. Acordei e tratei de espreitar toda a imprensa desportiva para ver o que de lá teria saído. E fiquei triste, pois claro que fiquei triste.
Bem sei que estes textos dos jornais desportivos são em grande parte um exercício de adivinhação. Mas acreditando que o cruzamento das fontes de todos os diários pode, pelo menos, dar-nos uma indicação sobre as linhas gerais do pensamento de quem nos dirige, dei por mim a engolir em seco e a entristecer.

Pelos vistos, o perfil desejado é “um treinador português com experiência no campeonato nacional”. Percebo a ideia. Admito que faz sentido. Sobretudo atendendo às condicionantes económicas do clube. Faz sentido. Mas o problema está nas limitações da escolha, em função da oferta disponível. E os nomes que pelos vistos foram colocados ontem em cima da mesa chegam a provocar arrepios. Manuel Cajuda?! José Couceiro?! Nelo Vingada?! Augusto Inácio?! Carlos Carvalhal?! Estamos a falar do Sporting ou do Vitória de Setúbal? (com todo o respeito pelo Vitória de Setúbal)
Quero acreditar que estes nomes não são mesmo hipótese. Que não estão mesmo a ser considerados. A simples ponderação destes treinadores (que terão os seus méritos, claro) representa um baixar de fasquia que roça o insustentável. Gostava de perceber a lógica do raciocínio. São treinadores “para aguentar o barco até ao fim da época”? São treinadores “para projectar o(s) próximo(s) ano(s)”? São treinadores “para dar razão ao presidente naquela teoria de que vamos todos morrer de saudades do Paulo Bento”?

Foda-se que eu até pagava para engolir um sapo. Garanto-vos que pagava, e bem!, para beijar a careca do meu conterrâneo Cajuda no relvado de Alvalade, durante os festejos do título. Pagava para ir para o Marquês com umas calças de fato de treino puxadas até ao sovaco, em homenagem ao campeão Nelo Vingada. Pagava para pedir uma estátua ao bi-campeão Inácio, para urrar cânticos ao Couceiro, para colar posters do Carvalhal no meu trabalho. Foda-se… eu pagava para engolir todos esses sapos. Mas, por agora, a ideia de ter qualquer um destes homens no banco de Alvalade como solução para a crise do Sporting, só me faz engolir em seco. E ficar triste. Porque ninguém consegue fazer-me acreditar que um eventual futuro radioso passa por qualquer destes caminhos.
Mas pronto… também posso ser só eu e a minha mania de não conseguir fazer uma crítica construtiva. Às tantas tudo isto faz sentido. Eu é que não estou a ver como.


Ora então… ‘bora lá ser construtivos

Novembro 9, 2009

Luís Freitas Lobo

A ideia de contratar Luís Freitas Lobo para o cargo de director-desportivo do Sporting - ou qualquer coisa do género na estrutura do clube – não me parece completamente desprovida de sentido. Gosto do gajo. Mas só o conheço como “opinador”. O resto, enfim… seria um pouco como aquele cliché dos melões, da respectiva doçura e da necessidade de abri-los para ter certezas.
Uma garantia apenas: ia ser giro ver o Freitas Lobo a passar a teoria para a prática. Mas “giro” não é um conceito suficientemente tranquilizador para a fase que o Sporting atravessa. Veremos o que sai daqui.
E agora a parte construtiva: o que pensam os adeptos, sócios e/ou leitores do Cacifo desta possibilidade?


E agora?

Novembro 6, 2009

Ainda a digerir a notícia. Mas já com opinião formada: era inevitável, claro, por isso saúdo-a. A demissão. Adeus Bento.
Tudo isto era insustentável. A agonia não podia prolongar-se mais. Por muitas virtudes que tenha evidenciado ao longo destes quatro anos (e foram muitas, apesar de tudo), Paulo Bento deixou-se cozinhar em lume brando. E é pena. Não merecia sair assim.
Daqui a uns tempos, quando olharmos para trás, sei que poucos de nós vão conseguir odiar o homem. Nós gostamos/gostámos do Bento. Mas não dava mais: habituámo-nos à teimosia, tolerámos a obstinação, desculpámos as derivas disciplinares, elogiámos a frontalidade e a rectidão, mas não conseguimos aceitar a incapacidade para fazer a equipa evoluir. Ou seja, nunca criticarei o homem. Lamento apenas que o treinador não tenha conseguido mostrar nestes quatro anos que o futebol do Sporting estava a caminhar num determinado sentido. Que fizesse sentido. Pelo contrário: estagnou, definhou, perdeu força num mar de falta de ideias. E o pior é que tudo isto foi acontecendo lentamente.
Posto isto, é altura de pensar no futuro. E, depois de umas rápidas trocas de ideias com alguns cacifeiros, já tenho opinião: tendo em conta a conjuntura actual do clube, da equipa e do balneário, precisamos de um tratamento de choque. Alguém que conquiste de imediato os jogadores, que se faça respeitar automaticamente, que não tenha de estar a perder tempo com as tretas das ambientações e tal. A vertente técnica nem será a mais importante nesta fase. Precisamos é de uma injecção de alma, garra, vontade, força. Moral, sobretudo. E também alguém que proteja os jogadores do aparente desnorte que grassa pela SAD.
Por isso proponho Scolari. Por seis meses. Até ao fim da época. Como Hiddink no Chelsea no ano passado. Conjugando a presença no clube com aquela coisa que ele anda a fazer lá pelo Uzbequistão. Seis meses. Com uma liderança forte no balneário, contactos juntos de empresários para o reforço de Inverno, os brasileiros da equipa motivados e os putos a respeitá-lo. Eu não gosto de Scolari. Da figura, da presonalidade. Eu torci pela saída de Scolari da selecção. Mas reconheço-lhe muito mérito. Sobretudo aquele tipo de mérito que sinto fazer falta ao Sporting nesta fase.


É deitá-lo no divã…

Novembro 5, 2009

200355486-007

… e procurar um psicanalista. Urgente.


Tenham mas é vergonha na cara!

Outubro 30, 2009

“A Associação Juventude Leonina demarca-se oficialmente de qualquer manifestação ou actos que possam vir a ocorrer no próximo domingo, no Estádio José Alvalade, conforme já foi tornado público e noticiado por alguma comunicação social”.
É a posição oficial da mesma claque que aí há uns anos invadiu o relvado de Alvalade durante um “derby”, para expressar de forma altamente civilizada o seu descontentamento perante as incidências do jogo. A mesma claque também conhecida e respeitada pelo civismo dos seus membros nas deslocações do clube. A mesma claque que durante o Sporting-FC Porto do ano passado desatou a cantar “Stojkovic” quando o Patrício sofreu o 1-2. A mesma claque cujo presidente (?) beijou a testa de Betencourt após os desacatos provocados pela claque lampiã no jogo de juniores. A mesma claque que foi uma das pontas-de-lança no processo de demissão de Dias a Cunha e Peseiro. É essa claque, essa mesma claque, que vem agora dizer qualquer coisa como “se houver confusão no domingo, a gente já avisou que não teve nada a ver com isso [interpretação minha]“.

“É preciso muito cuidado, com as emoções ao rubro. A Associação de Adeptos do Sporting não faz manifestações de bancada. Recebemos duas mensagens de origens distintas, mas sem conseguirmos identificar a proveniência, pedindo o nosso apoio para essas acções de protesto. Discordamos dessas atitudes, porque é um cocktail que tem tudo para se entornar e até prejudicar a imagem do clube e as relações entre os próprios sócios”.
É a posição oficial da Associação de Adeptos do Sporting, organismo cuja existência continua a ser um mistério para o meu cérebro e cuja pertinência ou legitimidade para me representar é tão válida como uma moeda de 25 escudos. Who the fuck cares?! “É preciso muito cuidado com as emoções ao rubro?” E se fossem para o caralhinho, em vez de aproveitarem a desgraça do clube para centrarem os holofotes do protagonismo na vossa patética existência?

Dito isto, o Cacifo faz também um esclarecimento: neste espaço ninguém incita quem quer que seja à violência. A unica coisa que fizemos foi apelar aos adeptos para não se deslocarem ao estádio, como forma de protesto para com a miséria de futebol com que temos sido brindados. Não ir ao estádio está nos antípodas das “emoções ao rubro”. E optámos por essa forma de protesto porque somos um grupelho de pacifistas cujo único fundamentalismo é gostar do Sporting. As raras alarvidades que nos damos ao luxo de alimentar são a contundência verbal e o insulto fácil, como quem nos visita já percebeu, nomeadamente pelo registo das caixas de comentários. Mas isso é uma questão de estilo, porque acreditamos que o futebol não se discute com paleios delicodoces.
Quanto aos sms que andam por aí a circular… o apelo para que as pessoas se vistam de branco ou de preto ou para que levem lençóis ou outros atoalhados, parecem-me perfeitamente legítimos. Não vejo onde possa estar o incitamento à violência. Não vejo onde está o “cocktail que tem tudo para se entornar”. O que retiro de tudo isto é que tanto a JL como a famigerada AAS estão comprometidas com o regime e empenhadas em anular qualquer tentativa de fugir ao adormecimento colectivo. Imaginem que estamos todos num hospício: a SAD é aquela senhora de bata azul que nos distribui os comprimidos; a JL e a AAS são os capangas de branco que aparecem de vez em quando para malhar nos que não os tomam. Isto está bonito, está…


A incompetência: um exemplo prático

Outubro 30, 2009

Pedro Barbosa falou ontem ao plantel. O momento é de crise, de preocupação, os resultados não aparecem, as exibições são confrangedoras, a contestação aumenta. Por isso Barbosa falou ao plantel. Chegou à Academia, articulou o discurso, desceu ao balneário, reuniu as tropas e discursou. Até aqui tudo bem. O pior é o resto. Um gajo pega na imprensa desportiva para perceber o que saiu dali, mas não pode deixar de centrar-se num pequeno pormenor no meio do texto:

“Esta foi, aliás, a primeira vez desde que chegou à sua actual posição, que o director-desportivo se dirigiu directamente a todo o grupo de trabalho”, diz A BOLA.

Portanto… temos um director-desportivo que raramente aparece em público, que só dá entrevistas por encomenda quando é inevitável que as dê, que nunca aparece a defender o clube, que não se chateia com essa coisa de dar justificações aos sócios, que deixa desgastar a imagem do treinador nas picuinhices do dia-a-dia, que não tem peso nos mercados internacionais de transferências e que… pelos vistos nem sequer tem o hábito de intervir junto do plantel para perguntar coisas básicas como “mas que caralho se passa neste balneário?”.

Só encontro uma justificação para isto: incompetência. Dele, Pedro Barbosa. Mas sobretudo de quem está acima dele. O Barbosa foi um dos meus jogadores preferidos na história recente do Sporting. Merece o meu respeito por isso. Mas se o homem não tem perfil para desempenhar um dos cargos mais importantes na estrutura do futebol do clube, não pode lá continuar só porque sim. Ou só pelo seu passado desportivo. Ou só por ser amigo do treinador. Não pode. Os critérios não podem ser esses. Dêem-lhe outro cargo, arranjem uma saída airosa… mas assim não pode ser. “Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”, disse ontem o Betencourt ao “CM”. Pois bem, que o prove! Nem que seja para ajudar os sócios a perceberem melhor a ideia de que “mudar de treinador não é a solução milagrosa”. Pelos vistos há coisas bem mais graves nos bastidores do deprimente teatro semanal a que vamos assistindo.


Ainda e sempre arrepiado quando vejo esta merda

Outubro 20, 2009

Decidi partilhar porque estou farto do negrume que nos acompanha. Às vezes é bom espreitar outras coisas.


Outubro 18, 2009

Decidi não ir ao estádio.
O jogo está agora no intervalo. 0-0.
Custa-me já nem conseguir sentir raiva, irritação ou indignação.
Ter pena da minha equipa é o grau zero do sportinguismo.
Decidi não ver a segunda parte.
Desliguei a TV.
Não consigo.
Não dá.
Chega.
O Paulo Bento diz que se sentisse que o problema era ele, que se demitia. E que como não sente que o problema é ele, não se demite.
Como o problema não é ele, devo ser eu. Devemos ser nós. Os adeptos. Só pode. Por isso, obviamente demito-me. Já chega deste espectáculo deprimente. Vou à rua beber um café num sítio que não tenha TV.


Há coisas fantásticas, não há?

Outubro 16, 2009

Um gajo anda aqui entretido a discutir a SAD, as estratégias, as empresas, o universo Sporting, os direitos que passam daqui para ali e dali para acolá, a banca, os accionistas, os empréstimos, os VMOC, a Academia, os terrenos, os gestores, tudo, tudo, tudo. Mas depois parece que passamos sempre ao lado de um facto essencial – que volta e meia reaparece – e cuja explicação continua arredada do meu entendimento. Refiro-me ao seguinte:

“O Sporting passou do oito ao 80 em 14 anos. Ou, de forma rigorosa, dos 6 milhões de contos (30 milhões de euros) de dívida em 1995 para os 76 milhões de contos (380 milhões de euros) em 2009.”

Perguntas simples: como? porquê? de quem é a culpa? quem falhou? por que falhou? 
Atendendo ao passado recente do clube, parece-me óbvio que as explicações terão sempre algum ponto de contacto com o famigerado “projecto Roquete”. E com os seus sucedâneos. Logo, há uma conclusão possível: foi quem nos desgovernou que continua a governar-nos. E como se não bastasse, na famigerada AG a que não pude assistir, o nosso querido líder ainda teve o desplante de dizer o seguinte: “Não vou dizer aqui o passivo consolidado por questões de segurança”. Pois… ‘tá bem.

O que vale é que daqui a poucos dias a bola volta a rolar e o pessoal volta a centrar as atenções no Paulo Bento.


Curiosidades

Outubro 14, 2009

Títulos da manhã na imprensa desportiva online:

A BOLA
“Bettencourt ganha força em Assembleia”

RECORD
“Sócios aprovam plano de Bettencourt”

O JOGO
“Bettencourt anuncia nova Era”

O nome do clube? E o que é que isso interessa? Está feito o serviço: obrigadinho pelas entrevistas simultâneas, obrigadinho pelos editoriais recheados de elogios à “terceira via do futebol português” (Vítor Serpa dixit), obrigadinho por tudo. É o Sporting, sim, mas podia ser uma fábrica de enchidos. O que interessa é que está feito o serviço.


Militância 2.0

Outubro 13, 2009

Sousa Cintra e Jordão chegam ao hall de entrada do “pavilhão” do Sporting, entusiasmados com a ideia de irem assistir a uma Assembleia-Geral decisiva para o futuro do clube. Encaminham-se para a área de acreditações. Ocorre o seguinte diálogo.

Funcionário (F): Boa noite.
Sousa Cintra (SC): Boa noite.
F: O seu cartão?
SC: Está aqui.

O funcionário passa a maquineta pelo código de barras, olha para o monitor, franze a testa e olha para mim.

F:  Há quanto tempo é sócio?
SC: Desde Julho.
F: Não pode entrar.
SC: Porquê?
F: Porque é sócio há menos de um ano.
SC: E onde é que isso está escrito?
F: Foi decidido assim porque a sala está cheia.
SC: Mas onde é que está isso? No site, no comunicado oficial…?
F: O Dr. José Eduardo Bettencourt anunciou no início da sessão. A sala está cheia e não cabe mais ninguém.
SC: Ou seja, sou menos sócio do que os outros?
F: Ninguém está a dizer isso.
SC: Está. Se sou sócio há quatro meses, se tenho as quotas pagas e se não posso entrar numa assembleia-geral do meu clube, é porque sou menos sócio do que os outros.
F: Ninguém está a dizer isso. Mas para você entrar tinha de sair outro sócio.
SC: Ouça, se eu não posso entrar apesar de ter tudo em dia, está a dizer-me isso: sou menos sócio do que os outros. Mas também não vale a pena estarmos aqui a discutir o assunto, porque não vai mudar nada, não é?
F: O senhor também não pode votar porque não é sócio há mais de um ano.
SC: E nem posso assistir à AG, não é?
F: Se quiser há ali uma salinha para onde podemos levá-lo para assistir.
SC: … então deixe lá isso. Boa noite.

Sousa Cintra e Jordão olham um para o outro e encolhem os ombros. Jordão vai lá dentro votar. Sousa Cintra espera cá fora. Minutos depois, outro diálogo.

Sousa Cintra: Votaste?
Jordão: Não pude. As mesas de voto estão fechadas. Temos de esperar pelo fim dos discursos para votar.

Mais um encolher de ombros. Cheguei agora a casa. Viva o Sporting.