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É uma chatice estes gajos quererem cumprir promessas eleitorais

«[...] Estamos, também, a ultimar a auditoria de gestão. Ela já está definida nos seus termos gerais, mas, nos últimos dias, temos vindo a afinar pormenores dessa auditoria que vai abranger os últimos vinte anos da actividade do clube, incluindo todos os mandatos passados e incluindo os aspectos mais nevrálgicos da gestão dos últimos anos, tais como  património, aprovisionamento, fornecimento e contratações», Bacelar Gouveia, Presidente do Conselho Fiscal, em entrevista à Rádio Renascença.

 

Estou só à espera da conferência de imprensa

campanhas bancos

 

 

p.s. – espero não ter que me cruzar com o Carlos Barbosa nos tempos mais próximos.

Estou contigo para o que der e vier, Sporting!

Ontem, o Bruno Gimenez antecipou o cenário no seguinte comentário: «off-topic: Vai ser convocada uma Conferência de Imprensa pela Direcção do Sporting para amanhã, e não vém aí boas notícias. Todos os cenários estão em cima da mesa. Do que consegui apurar a banca sugeriu a Bruno de Carvalho para perder a maioria da SAD, e diz que tem investidores. Desconfia-se que Godinho Lopes está a tentar ganhar por via administrativa o que não conseguiu ganhar nas urnas, e prepara-se juntamente com o BESI para ficar sócio maioritário da Sporting SAD. Para o conseguir, a banca bloqueou já as contas da Sporting SAD (arrecadou a receita dos 4 milhões dos direitos televisivos na semana passada) para fazer cair a direcção e tomar o poder. O assalto está a ser liderado pelo BESI e pela KPMG.»

Hoje, a capa da Bola (principalmente a deste jornal), vai totalmente ao encontro deste cenário nojento. Nojento é mesmo o único adjectivo que encontro para classificar os jogos de bastidores destas hienas, que não se conformam com a ideia de terem visto escapar-lhes o clube dos dentes. Quiseram calar os sócios, tentando impedir uma AGE por todos os meios; quiseram enganá-los, escolhendo um nome pomposo nas eleições; agora, temerosos do resultado da auditoria de gestão e sabendo que os investidores externos apenas podem entrar com capital no clube após acordo com a banca, querem obrigar Bruno de Carvalho a entregar a SAD a investidores propostos por estas mesmas hienas.

Se ainda havia quem quisesse encolher os ombros perante a entrevista de Daniel Sampaio (esta, esta, esta, esta aqui), esta é a prova de tudo o que ele disse.
Amigos, Camaradas, Leões. Não sei o que Bruno de Carvalho vai dizer, na conferência de imprensa agendada para o meio dia. Só lhe peço que não ceda, nem um milímetro, nem que para isso tenha que ameaçar com a insolvência e o deixar estes filhos da puta destes banqueiros agarrados à dívida. Nem que tenhamos que começar do zero. Porque sei que, tal como eu, existem milhões de outros Sportinguistas que estão com o seu Sporting para o que der e vier!

«Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube!»

A frase é fantástica e encerra a entrevista de Daniel Sampaio ao DN. Uma entrevista que todos, todos, mas mesmo todos os Sportinguistas devem ler. Uma entrevista aterradora, deixando claro como a água aquilo que, aqui e em tantos outros blogues, se foi dizendo, pedindo para que todos os que amam este Leão verde e branco abrissem, de uma vez por todas, os olhos. Leiam, mas leiam mesmo! É doentio. Doloroso. Fez-me ranger os dentes de raiva, qual Leão perante um bando de hienas. Mas, caros Leões, é mais um motivo para enchermos Alvalade e gritarmos, a uma só voz «Viva o Sporting Clube de Portugal! É nosso outra vez!»

Quando a sua Mesa da Assembleia Geral (MAG) foi eleita numa lista diferente da do Conselho Direi ivo (CD) de Godinho Lopes sentiu que o mandato ia ser intranquilo?
À partida não era bom, mas no primeiro ano os dois órgãos trabalharam bem. Nesse período fez-se a revisão dos estatutos, o regulamento eleitoral, houve reuniões de trabalho e o Sporting não estava na situação má em que esteve depois no segundo ano do mandato. Houve, no entanto, o episódio da destruição dos votos. Foi feita antes do prazo e comunicada pelo telefone.

Quem fez essa comunicação?
Godinho Lopes a mim – nessa altura ele não se dava muito bem com Eduardo Barroso (ndr. Presidente da MAG). Disse-me que ia destruir os votos e eu respondi que tínhamos que ver. Consultei os juristas da MAG e eles responderam-me que o prazo corria. Telefonei a Godinho Lopes e os votos já tinham sido destruídos. A MAG nunca falou sobre isso porque não queria desestabilizar. Foi o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão que avançou para essa situação. Aí começou uma posição de desconfiança em relação ao vice-presidente, mas por uma questão de lealdade institucional ficámos em completo silêncio. Só em dezembro tomámos posições mais públicas de crítica ao CD.

E internamente quando adotaram essa posição mais crítica?
Em meados de 2012… o CD nas reuniões que mantinha connosco e com o Conselho Fiscal (CF) funcionava de forma interessante; o presidente falava durante uma hora seguida. Falava de milhões sobre coisas que percebíamos que não tiniram uma sedimentação rigorosa. Nunca vi membros do CD emitirem uma posição significativa sobre o Sporting. Ele falava sozinho, passava o tempo e a reunião acabava.

Depois houve o caso Cristóvão.
No qual houve uma grande divergência entre a MAG e o CD. Tive uma conversa com esse vice-presidente que é hoje arguido e que muito me inquietou. Nessa conversa comunicou-me que espiava os jogadores.

Comunicou-lhe isso assim?
Estava com os meus netos a pedir autógrafos aos jogadores junto dos carros deles onde estavam as mulheres e namoradas, e de uma forma surpreendente para mim veio ter comigo contando-me episódios da vida íntima dos jogadores e mostrando-me mensagens entre um jogador e a sua namorada. Posto isto alertei o presidente.

O que lhe disse Godinho Lopes?
Disse que todos os clubes faziam isso. Eu disse que não acreditava que todos os clubes vão ao ponto de saber as relações íntimas, e estou a falar de relações afectivas e sexuais, e que isso seja motivo para um vice-presidente ter mensagens da vida íntima dos jogadores. Foi-me mostrado no telemóvel do vice-presidente a mensagem de um jogador para a sua namorada e a resposta dela. Nessa mesma conversa o vice-presidente disse-me que havia um jogador que tinha uma relação extraconjugal. A expressão que utilizei foi que “quero é que eles joguem bem, com quem dormem não me interessa”. Respondeu-me que estava a proteger os activos. Avisei Godinho Lopes, que para além da resposta de que todos os clubes fazem isso, disse-me que era o primeiro a chamar atenção para isso.

Concluiu que Godinho Lopes estava a par disso?
Evidentemente e achou aquilo perfeitamente natural. Depois rebentou o caso Cardinal. A MAG teve um almoço com Godinho Lopes. Aí dissemos que a situação era grave e que o Sporting devia constituir-se assistente do processo e que o vice-presidente devia sair, porque estava sob suspeita. Foi-nos respondido que ia haver uma reunião do CD para analisar a situação, na qual não se demitiu. Isto foi evoluindo, o vice-presidente acabou por se demitir devido a outros crimes que não tinham a ver com o caso Cardinal e nós insistimos que o Sporting devia constituir-se como assistente e encarar a possibilidade de pedir uma indemnização. A resposta foi negativa e a partir daí as relações degradaram-se.

Conte-nos lá o processo da polémica AG que não se realizou?
No início de janeiro surgiu o requerimento. Mas a verdade é que nós podíamos ter convocado a AG através do nosso presidente Eduardo Barroso. A MAG do ponto de vista estatutário pode ser ela a requerer uma AG de destituição. Nunca o fizemos por uma questão de lealdade institucional. Dissemos que nunca o faríamos mas se um grupo de sócios o quisesse fazer nós tínhamos que analisar as condições. A 2 de janeiro, com as assinaturas a correr, pedimos uma reunião ao CD em que dissemos que uma das soluções que podia haver passava pela demissão do CD para que não houvesse uma AG de destituição.

Quando percebeu a intransigência de Godinho Lopes em demitir-se e falar com membros do CD?
Isso foi-nos sugerido por Abrantes Mendes, que tinha passado por um cenário igual no tempo de Jorge Gonçalves. Fizemos contactos, que não eram ao acaso, Aureliano Neves e Rui Paulo Figueiredo disseram-nos várias vezes que se queriam demitir. Eu próprio falei com Daisy Ulrich. Disseram que iam pensar. Entretanto, a MAG tem contactos com os bancos credores… Sim, pedimos audiências oficiais ao BCP e ao BES. Aí a conversa com José Maria Ricciardi foi institucional. O que ele nos disse em janeiro era que a reestruturação não estava feita, mas que ia ser feita. Ele sempre foi contra a AG porque considerava que ia interromper a reestruturação. Não havia reestruturação, havia projectos. A 25 de janeiro fomos recebidos no BCP pelo seu presidente, Nuno Amado, que nos disse que não havia reestruturação nenhuma. E mais, garantiu-nos que o BCP só colaborava com a reestruturação com tudo escrito, quer com o atual presidente, quer com o futuro se houvesse eleições. “Não vamos continuar a dar apoio ao Sporting sem um plano de reestruturação completamente escrito com o apoio do CF do Sporting, o atual ou o futuro”, disse-nos Nuno Amado. Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do CD, que numa reunião em dezembro nos chegou a dizer que a reestruturação iria ser feita até final de dezembro.

Godinho Lopes queria perpetuar-se no poder?
Não tenho dúvidas. Fez tudo para que a AG não se realizasse. Ele tinha a certeza que ia ser destituído.

Na conferência de imprensa sobre o funcionamento da AG foi atingido com ovos…
Fui avisado de que devia colocar um polícia à paisana. Através dos meus contactos um sócio do Sporting, o Comissário Pinho, foi assistir à paisana. Foi a nossa sorte. Na primeira parte, com os jornalistas, correu bem. A segunda parte era com os sócios. Estávamos no auditório e tínhamos solicitado aos serviços que identificassem os sócios. Essa identificação não foi feita. Depois começaram os insultos e os palavrões e sete ou oito indivíduos levantaram-se e atiraram ovos. O Comissário Pinho barrou a saída, pediu reforços e as pessoas foram identificadas. Foram sete pessoas identificadas que eu não sei quem são. E o processo seguiu para a polícia e para o DIAR Depois constituí-me assistente do processo e tenho também uma investigação particular para acompanhar o processo.

Foi aliciado para ser presidente do Sporting?
Aliciado não, fui convidado. A história do golpe de estado radica em duas reuniões que existiram e que mostram como o Sporting funcionava. A 5 de janeiro houve um encontro em que se falou de vários problemas do Sporting.

Quem esteve nesse encontro?
Pedro Baltazar, Alexandre Patrício Gouveia, Eduardo Barroso, eu, Rui Morgado e Luís Natário [ambos elementos da MAG]. Nessa reunião, e era assim que funcionava o Sporting e eu espero que nunca mais funcione assim, as pessoas disseram: Estamos em contacto com José Maria Ricciardi [presidente do BES Investimento] e temos que ver como vai ser o futuro do Sporting, isto não pode continuar assim. Aí foi combinado um jantar a 8 de janeiro na casa de Eduardo Barroso.

Quem estava presente?
Eduardo Barroso, eu, Luís Natário, Rui Morgado, João Sampaio, José Maria Ricciardi, Alexandre Patrício Gouveia e Pedro Baltazar.

E nesse jantar o que se passou?
Falou-se da AG, na qual o CD podia ser destituído e que ia haver eleições a seguir. E as pessoas perguntavam: “O que é que vamos fazer ao Sporting?”. Falámos de cenários, podia haver listas, não haver, uma comissão de gestão e falaram-se em 17 nomes para essa comissão.

Pode revelar alguns?
Vera Jardim, Rocha Vieira, Rui Vinhas da Silva, Abrantes Mendes, Soares Franco, Artur Torres Pereira, etc.

E o que se decidiu?
Nesse jantar soube histórias espantosas. Um pequeno grupo é que designava o presidente ideal. Quando se diz que é o candidato da banca devo dizer que é o candidato de um banqueiro.

Refere-se a José Maria Ricciardi?
Com certeza. Nesse jantar ele dizia que eu era a pessoa ideal para ser o presidente do Sporting. E até me foi oferecida uma remuneração… a combinar.

Foi José Maria Ricciardi que o convidou para ser presidente do Sporting?
Claro, foi ele que me convidou. E foi ele que me contou que com José Eduardo Bettencourt procedeu-se da mesma maneira; havia nomes e um grupo escolheu José Eduardo Bettencourt.

Foi assim também com Godinho Lopes?
Com Godinho Lopes foi diferente. Andavam à procura de uma pessoa e Godinho Lopes foi ao BES ter com José Maria Ricciardi para lhe dizer que queria ser presidente. E José Maria Ricciardi considerou-o uma pessoa válida. Isto é aquilo que não pode voltar a acontecer no Sporting, felizmente não aconteceu agora, porque todos os candidatos criticaram a gestão anterior e ganhou o candidato, que não entrou, seguramente, nestes jogos de bastidores. Porque não era o candidato favorito destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas que estiveram nesse jantar disseram que era uma pessoa sem perfil para ser presidente do Sporting.

Esse grupo queria encontrar alguém que fizesse frente a Bruno de Carvalho?
Claro, o convite a Daniel Sampaio tem a ver com isso, porque sabiam que eu era da lista de Bruno de Carvalho há dois anos. Sabiam que ia ser difícil para Bruno de Carvalho combater-me, porque temos uma relação muito cordial.

Como é que o tentaram convencer?
Nesse jantar José Maria Ricciardi disse que já tinha contactado investidores, que tinha o meu nome aceite pelos investidores e aprovado por um grupo de notáveis do Sporting. Rejeitei por duas razões. Primeiro porque não tenho disponibilidade nem conhecimentos. Segundo porque achei o processo terrível. Como se escolhe um presidente desta maneira, sem programa, sem saber o que a pessoa verdadeiramente pensa só porque é uma pessoa conhecida e que se pode opor a um candidato do povo do Sporting? Recusei, uns dias depois José Maria Ricciardi telefonou-me a insistir nesta situação e eu tomei a recusar. Eduardo Barroso chegou a ser convidado para presidente da MAG…

Na sua hipotética lista?
Sim. Como recusei pensou-se numa alternativa, a tal comissão de gestão, e foi-me perguntado, por José Maria Ricciardi, Pedro Baltazar e Alexandre Patrício Gouveia, se eu podia presidir essa comissão. Todos estavam desejosos que aceitasse. Não fechei completamente a porta, por uma questão de serviço ao Sporting. O que transpareceu é que estava a organizar uma comissão de gestão e a protagonizar um golpe de estado contra Eduardo Barroso.

Sentiu que os notáveis tinham medo de que Bruno de Carvalho fosse eleito presidente?
Medo? Eu diria pavor.

A quem se refere?
José Maria Ricciardi, Godinho Lopes, Nobre Guedes. Várias vezes nos disseram que se Bruno de Carvalho fosse eleito o Sporting acabava. O novo presidente vai ter uma prática diferente. Pode correr mal, mas espero que corra bem. Vai cortar a direito, vai poupar, não vai ter luxos e, sobretudo, vai estar com os sócios. Tem um enorme significado ter-se sentado no banco. Vai ter uma ligação com os jogadores e os sócios diferente. Não se pode ter a relação distante que Godinho Lopes tinha com os jogadores e o desprezo que tinha pelos sócios. A elite do Sporting tinha um profundo desprezo pelos sócios.

Com Bruno de Carvalho significa que essa elite deixou o Sporting?
Espero que sim e para sempre. O Sporting tem que voltar-se para uma matriz popular. O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde. E isso faz com que seja para algumas pessoas um clube elitista.

A elite vai dificultar a vida a Bruno de Carvalho?
Já andam a dizer que vai durar três meses. Cá estarei para denunciar essa elite, quero essa elite varrida do Sporting. Tudo farei para que não tenha novamente acesso ao poder.

Eduardo Barroso disse: “Estou farto de castas de pseudo dirigentes, verdadeiros terroristas de fato e gravata”. Quem são esses terroristas?
Pessoas ligadas ao CD e Conselho Leonino (CL). Até 23 de março o Sporting foi dominado por um pequeno grupo de pessoas bem-falantes, que estão afastadas dos sócios do Sporting. E explico. Godinho Lopes propôs-me que chegasse junto dos miúdos do movimento e dissesse para eles retirarem o requerimento. E eu respondi “ó Luís não vou fazer isso. Não trato nenhum sócio do Sporting por miúdo, são pessoas licenciadas e respeitadas, depois são apenas o rosto dos 800 ou mais sócios que subscreveram o requerimento. Não vou pedir para retirar nada”. Estas pessoas pensam assim dos sócios.

Os sócios não mandavam no clube?
Até 23 de março não mandaram. Havia um desprezo total, visível em várias AGs. As propostas dos sócios eram sublinhadas com sorrisos e apartes de membros do CD. Havia um desrespeito pela opinião dos sócios que fosse diferente da deles. No CL a mesma coisa. As intervenções dos conselheiros eram por que razão não tinham acesso ao croquete. Uma verdadeira vergonha.

Já percebi que acha que Bruno de Carvalho está a devolver o clube ao povo. E aos títulos?
Aos títulos não sei. Sem promessas, devemos dizer que nos vamos esfarrapar para ganhar. O Sporting só tem uma solução: matriz popular. Devolver o Sporting aos sócios, ouvi-los, transformar o CL num órgão de trabalho ou, então, extingui-lo. Votei em Bruno de Carvalho, mas tem que provar. Daqui a um ano posso ter uma má opinião, mas ele vai ter uma prática diferente. É um homem do povo, não é um marquês. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.

 

actualização: afinal, a entrevista é bem maior do que a que aqui publiquei (e com muito mais revelações inacreditáveis, claro). Ficam os links para que possam lê-la na íntegra:

http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147491&page=-1


http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147505&page=-1


http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147501


http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147502

 

Efectivamente, um clube diferente

Quando olho para as fotos da presença de Godinho Lopes na tomada de posse de Bruno de Carvalho, não posso deixar de achar fantástico o facto do gajo conseguir despedir-se sem levar umas valente lambadas naquela tromba. Somos mesmo diferentes.

Abrir de portas

Existe um gesto sintomático na tomada de posse de Bruno de Carvalho: o abrir, pelas próprias mãos, das portas do auditório aos sócios que estavam do lado de fora. As conclusões ficam à medida da cabeça e da azia de cada um.

Quanto ao resto, o reforçar deste sentimento de esperança.

«O Sporting nasceu de um sonho de alguém que se lembrou um dia de fazer um clube desta dimensão que tanto nos orgulha. Também tive um sonho no antigo Estádio de Alvalade e, passado 35 anos, é uma honra estar aqui como presidente do Sporting»

«A força que nos deram para iniciar este mandato é importante para que, interna e externamente, todos percebam que o Sporting está vivo e com vontade de voltar a demonstrar a sua garra e a sua força»

«Todos os membros dos órgãos sociais eleitos vão dedicar-se de corpo e alma ao nosso clube, com o empenho, competência e rigor que necessitamos. Temos um árduo trabalho pela frente, mas encaramo-lo de forma consciente e com alma, garra e determinação de leões que é o que realmente somos»

«Temos de trabalhar para construir, temos de construir para ser sustentáveis e assim iniciarmos a mudança positiva e o desenvolvimento que todos ambicionamos e que necessitamos e que é nosso por direito»

«A nossa formação de excelência está ao serviço de todas as seleções de diferentes modalidades. O desporto nacional necessita de um Sporting forte, ganhador, impulsionador de novos paradigmas. O Sporting iniciará, hoje, um caminho próprio, que honre e dignifique o historial do clube e do desporto nacional».

«Comprometemo-nos a ser um parceiro atuante e com voz nas diversas instituições, nomeadamente nas federações e nas ligas. Faremos ouvir a nossa voz e exigiremos o respeito que merecemos no panorama desportivo nacional. O Sporting quer ter as melhores relações institucionais com todos os clubes, mas numa base de respeito mútuo»

«O Jesualdo Ferreira está como treinador e é nessa condições que vamos a Braga na próxima segunda-feira para trazer a vitória. Se fica para a próxima época? Está tudo em aberto e o que está mais em aberto é fazermos o nosso trabalho em conjunto em prol do Sporting» [...] «Sempre disse que Jesualdo é o nosso treinador, está tudo bem, as pessoas estavam ansiosas para que nos encontrássemos, já nos encontramos e vamos estar juntos nos próximos sete jogos para os vencermos a todos. Estamos juntos eu, o Jesualdo e o Virgílio para ganharmos os jogos todos.» [...] «O Vírgilo vai seguir para Itália para ganhamos a Next Gen, eu estarei no sábado com a equipa B para vencermos ao Benfica e estarei segunda-feira em Braga para ganharmos ao Sp. Braga. Estamos todos imbuídos de um espírito de exigência máxima.»

 

Carta aberta ao novo presidente

Bruno,
permite-me que assim te trate, nesta que é a minha forma de dar-te boas-vindas à presidência do nosso Sporting.

Começa hoje, oficialmente, a materializar-se o teu sonho de criança. Tal como há dois anos tens a preferência da maioria dos sócios e, olhando para os números, já não são apenas os sócios mais novos a confiarem-te os destinos do clube. É verdade que foi preciso bater no fundo, para milhares de Leões perceberem que não podíamos continuar reféns de um tipo de gestão despida de sentimento, mas, como costuma dizer-se, vale mais tarde do que nunca.

E é precisamente do fundo que vais começar. O Leão, que aprendemos a amar, chega-te às mãos mais enfraquecido, dorido, cambaleante e endividado do que alguma vez nos recordamos de ter visto. E com uma oposição mais perigosa do que nunca, feita de gente que viu escapar-lhe por entre os dedos o poder instituído; de gente que teme ver a sua péssima gestão desmascarada por uma real auditoria; de gente que fez do nosso Sporting o Sporting deles e que quis calar a voz dos sócios; de gente que apela à união enquanto afia facas e procura espetá-las antes mesmo de deixar-te tomar posse.

É um desafio do cacete, pois que é, mas até por aí, creio, faz sentido a presença de uma pessoa como tu. Aquele «é nosso outra vez!» é, mais do que um grito de conquista, um grito de revolta. Teu e nosso. É um respirar, depois de tantos minutos submersos que os nossos pulmões ameaçavam rebentar. É o desarmar o colete de força que nos indiciava como loucos, por pedirmos um Sporting com emoção, com sangue quente, longe das mesas de reuniões onde, por entre um criquete e uma combinação de tacadas ou raquetadas, se traçava o destino de um clube cada vez mais empresa. É, em última análise, o rugir de um Leão farto de ser estrela de circo. E de obedecer às ordens de domadores pedantes, confiantes que a aritmética lhes confere a capacidade de afrouxar um animal que nasceu não para temer, mas para ser temido.

Cabe-te, agora, fazer-nos acreditar que é esse Leão que vai reerguer-se. Que é ao lado desse Leão que vamos caminhar, como exército verde e branco saído de uma inapagável porta 10-A. A mesma porta que faz parte das tuas memórias, tal como a “Nave”, as meninas da rítmica, os jogos sem speakers, as camisolas de malha às riscas tricotadas pela avó ou o campo de treinos, ali ao lado. Espero que nunca te esqueças que, tal como nós que aqui escrevemos neste Cacifo a verde e branco pintado, desse teu passado. Desse nosso passado que, nos últimos anos, foi remetido para uma caixa sem cor e etiquetado com um “utilizar pouco e apenas quando der jeito”. Acontece que nós somos esse passado. E, agora que tens nas tuas mãos o nosso presente, nunca te esqueças que é nessas memórias que poderás encontrar a força que nos unirá rumo ao futuro, ensombrando adversários, externos ou internos, e deixando pelo mundo a marca Sporting Clube de Portugal.

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Está confirmado

E esta imagem ilustra, na perfeição, aquilo que eu espero que represente este virar de página.

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Honra aos outros candidatos

Merece o meu aplauso a reacção tanto de Carlos Severino, consciente de que lhe aconteceu o que se esperava, como de José Couceiro, como que aliviado por se  despedir de um papel que, sinceramente, nunca me pareceu com real vontade de desempenhar (e, agora, escolham  vocês quais dois dois papéis estou a falar).
Cada um à sua maneira, no rescaldo de uma noite longa, também eles souberam gritar “Viva o Sporting Clube de Portugal!”

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Viva o Sporting Clube de Portugal! É nosso outra vez! (take 1)

Gira-discos (porque o estado de alma leonino também se canta)

«Está nascendo um novo líder…»

Respirar de novo

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Inadmissível

Quatro horas para contar votos electrónicos?!? Isto no Sporting é sempre um problema quando as eleições colocam em causa o poder instituído… pqp!
Se não se importarem, vou jantar. Lá para as duas da manhã deve haver novidades.

Gira-discos (porque o estado de alma leonino também se canta)

Está quase, foda-se…

Faltam as afinações

Bruno de Carvalho é o próximo presidente do Sporting, segundo a sondagem do jornal Record feita à boca das urnas.
O candidato da Lista B poderá ter uma percentagem entre 53 e 58 por cento, enquanto José Couceiro, da Lista C, alcança 40 a 45 por cento dos eleitores. A votação de Carlos Severino fica-se pelos 1 a 3 por cento.

actualização: Segundo soube o Expresso, a lista independente ao Conselho Fiscal, liderada por Vicente Caldeira Pires, teve também um resultado surpreendente

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