A pré-época das pré-épocas

As pré-épocas profissionalizaram-se.

Hoje, na agenda dos clubes, já não há apenas cargas físicas, treinos tácticos, coletes verdes contra coletes amarelos, contratações. Há digressões, torneios megalómanos de regras difusas, patrocínios, viagens intermináveis, direitos de TV, prémios de presença milionários.

Por arrasto, a agenda de férias do adepto já não contempla apenas a passagem matinal pelo quiosque a caminho da praia; há jogos para conciliar com a actividade famíliar, noitadas para ver aquele torneio, saídas precoces da praia porque vai estrear-se o coiso, jantares interrompidos porque vai a penalties. Tudo isto agravado por um novo sintoma: as exacerbadas euforia ou angústia de pré-epoca, aceleradas pelos media.

Porque os media também levam tudo a eito: jogos, comentários, análises sobre treinos, debates sobre contratações e até programas exclusivamente dedicados a amplificar e discutir meros rumores. Um gajo reflecte sobre isto, vê o Rita na SIC Notícias, cruza-se com esta imagem do antigamente e… só pode ter pena por não poder voltar àquele tempo que já passou.Rita e Manel

Às voltas com as voltas que isto dá

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O regresso de Nani pode representar um dos melhores reforços da história recente do clube. Da equipa também, claro, mas sobretudo do clube. Basta que este regresso seja cumprido com o maior profissionalismo possível. Nem lhe peço poemas de amor ao clube. Só profissionalismo. Porque bem necessitados andamos de bons exemplos na ligação entre o que somos e o que formamos. Ao aceitar regressar, ainda que temporariamente, Nani arrisca fazer pelo futuro do Sporting muito mais do que aquilo que imagina.

Agora é ver se a malta não se esquece de desatar a assobiá-lo, como quando ele tinha 18 anos e falhava um drible…

Da fé

“Acredito em tudo. Só não acredito que seja possível meter um guarda-chuva no rabo e depois abri-lo”.

Raúl Águas, treinador do Sporting, fevereiro de 1990, n'”A Gazeta dos Desportos”.