“Sou uma pessoa que diz o que pensa…

… e o que não penso, não digo”.

Pegando na forma de estar do Paulo Bento, expressa durante a entrevista de ontem, aproveito então para dizer o que penso sobre aqueles 90 minutos de troca de palavras.
Não querendo alongar-me muito, até porque o Sousa Cintra e o Douglas já analisaram de forma extremamente válida o que ontem se passou,  passo a apontar o seguinte:

– basicamente, não temos um modelo de jogo alternativo. Parece que não houve tempo para trabalhá-lo na pré-época. Mas o Paulo Bento diz que sim, que há. E até diz que a culpa de levarmos três batatas em Braga não foi culpa do modelo alternativo, implementado ao intervalo. O que eu vi foi que, realmente, entrámos na segunda parte com mais atitute, deu a sensação que podíamos empatar, mas depois o nosso lado esquerdo da defesa virou um passador, onde o Polga tinha a estranha tarefa de jogar como um meio central/meio lateral (será que o Paulo Bento não se lembra que o Peseiro, numa traumatizante deslocação a Paços de Ferreira, decidiu utilizar o Polga a defesa esquerdo e levou uma quase mão cheia?).
No fundo, acho que o modelo alternativo não existe e que não passa de uma espécie de grito de revolta, um “bora lá, caralho!”, que até pode resultar se os jogadores estiverem num dia Bueno;

– Se um dia fosse convidado para almoçar em casa do Paulo Bento, um almocinho domingueiro, aposto que a mesa ia ser posta com os pratos dispostos em losango. E que, em seu redor, o Miguel Veloso ia ser um guardanapo, o Moutinho um garfo, o Izmailov uma faca e o Romagnoli a faquinha para barrar o pão com manteiga.
O Paulo meteu na cabeça que esse sistema é o melhor do mundo, e não abdica dele. Logo, para o ano, caso ele fique, será mais do mesmo.

– perguntaram-lhe porque razão não se pensou num jogador que pudesse dar outra elasticidade ao maldito losango. No fundo, um substituto directo do Nani. Ele não respondeu. Perguntaram-lhe porque razão o Sporting não dá continuidade à tradição de ter extremos de qualidade. Ele diz que o Liedson não se sente confortável a jogar em 4-3-3.
Caro Paulo, no tempo do Boloni, vi o Sporting jogar com o Jardel e o Niculae na frente e o Quaresma à direita. Digo mais, caro Paulo, neste momento até tem dois avançados, Liedson e Vukcevic, que não se importam de pressionar os defesas e, mais importante ainda, tem um Vukcevic que pode jogar descaído para qualquer das alas e que nunca lhe dirá não se lhe pedir para pressionar um dos laterais adversários, quando não tivermos a bola. Portanto, caro Paulo, a equipa poderia ter um extremo, esquerdo ou direito.
Mais curioso ainda, caro Paulo, é ouvi-lo dizer que o Moutinho fez toda a sua formação jogando numa táctica de 4-3-3, ou seja, como um dos dois médios que jogam à frente do trinco. Engraçado… é que eu também me recordo de ver o Izmailov, na selecção da Rússia, fazer uma posição semelhante, ou seja, o Paulo tem o Veloso para a posição mais recuada, o Moutinho e o Izmailov para jogarem à sua frente. Depois o Vukcevic, o Liedson e, ora lá está, vinha mesmo a calhar um extremo. Não há dinheiro? Há o David Caiado, no Estoril.

– “se me perguntassem por um médio, eu respondia João Moutinho (…) temos um jogador que só sabe jogar a 10, o Romagnoli (…) Não considero fundamental para a evolução do Moutinho, fixá-lo numa posição”.
Porra, Paulo!

– eu enviei um e-mail para o programa. Não o leram, claro. Apenas leram mails patéticos, cheios de palmadinhas nas costas. E o meu mail até era giro. Falava do Moutinho e do Romagnoli. Falava do Stojkovic. Falava do Vukcevic e do tempo que se demorou a subi-lo no terreno, insistindo semanas a fio num Purovic (que até poderia marcar muitos golos nos júniores do Sporting, porque se joga com extremos). Até dizia que esta teimosia fazia lembrar a demora em colocar o Veloso no lugar do Custódio, e pedia uma explicação breve para a falta de alma com que a equipa jogou a final da Taça.
Fiquei triste por não ter respostas. No fundo, como se tivesse acabado de ver o Sporting jogar, e continuasse sem ter uma resposta para as primeiras partes a ver navios ou as quase inexistentes oportunidades de golo que se criam.

 p.s. – a não ser que haja um levantamento popular em tons de verde e branco, basta ganharmos ao Benfica na meia-final da Taça e ficarmos em segundo lugar, para o Paulo Bento cumprir o contrato até ao fim, ou seja, mais uma época. Depois da entrevista de ontem, fiquei com essa certeza.

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