Falta uma semana

A oito dias do arranque oficial da época 2008/09, é este o panorama leonino:

Redes
– Rui Patrício
– Tiago
– Stojkovic (????)

Defesas
– Abel e Pedro Silva
– Polga, Caneira, Tonel, Daniel Carriço
– Ronny

Médios
– Veloso e Adrien
– Moutinho, Rochemback, Izmailov, Romagnoli, Pereirinha, Vukcevic

Avançados
– Liedson, Derlei, Djaló, Postiga, Tiuí

Olhando para o quadro, o plantel está praticamente definido, embora as “pontas soltas” sejam bastante importantes:

Na baliza, há duas dúvidas: afinal o Stojkovic fica ou sai? E o redes que procuramos é para poder assumir-se como titular ou para fazer par com o Tiago nos treinos? Confesso que a questão da baliza preocupa-me. Não podemos dar-nos ao luxo de voltar a perder 12 ou 15 pontos à conta do guarda-redes. Temos é que ter um redes que, nas contas finais, valha 9 ou 12 pontos, ou seja, um campeonato.

Na defesa a rábula em torno da contratação do Grimi já me enoja.
Gosto do jogador, penso que é uma mais valia, mas parece-me que, uma vez mais, a situação arrastou-se em demasia. Chegam entretanto notícias da possível contratação do José Castro, o que indicia que o Caneira pode vir a ser o nosso defesa esquerdo, curiosamente a posição que pior desempenha na estrutura defensiva. E depois… depois o Ronny. Alguém consegue explicar-me o porquê de termos que levar mais um ano com este gajo!!?? Emprestar o Tiago Pinto ao Trofense, para ficar com este idiota!? (enfim, pelo menos que renovem o contrato ao Tiago).
Já agora, e tendo em conta que o que pode acontecer é levarmos um rotundo “não”, custava muito tentar vender o Miguel Veloso ao Arsenal e conseguir o Clichy? Ou ver se o Real Madrid nos empresta um dos três jogadores que tem para a esquerda da defesa (Marcelo, Drenthe e Heinze)?

No meio campo, e acreditando que vamos mesmo conseguir ficar com o Capitão Moutinho, tudo gira em torno do Miguel Veloso.
Correndo o risto de ferir susceptibilidades, assumo já uma posição: o Miguel tem que ser vendido! A atitude por ele adoptada nos últimos meses, para além de roçar a ingratidão, deixa-o com pouco campo de manobra em Alvalade. Imaginemos que ele fica. Aposto que ao primeiro jogo menos bom que faça, vai ser assobiado que nem gente grande.
Ontem foi avançado um possível negócio com a Juventus, envolvendo o Tiago. O jogador em questão é bom (embora não jogue na posição do Veloso), os 15 milhões são efectivamente pouco dinheiro. Se conseguirmos subir a parada para os 20 milhões (é o que o Milan quer dar pelo Ronaldinho) + o Tiago, poderia ser um bom negócio, mas continuo a preferir dinheiro: 25 milhões, com direito de preferência sobre o jogador e cláusula que o impeça de voltar a jogar em Portugal antes de 2015, a não ser que seja no Sporting. E, com esse encaixe financeiro, avança-se para a contratação do Pedro Mendes.

Quanto ao ataque, só posso aplaudir a troca de “Pês” – sai Purovic, entra Postiga – e desejar que não voltemos a ter um ano cheio de lesões.

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Ganhou o futebol Moutinho

Para quem tinha dúvidas sobre a capacidade de o Capitão chegar ao topo do futebol mundial, devido à sua baixa estatura, é ver a média de alturas dos novos campeões europeus. É a vitória dos anões, contra os Golias desta vida! Mas esse é, também, o problema… Espera-se que os tubarões se distraiam mais um pouco com os rapagões altos, louros e largos… e que o nosso pequenino fique escondidinho, a tratar do joelho com fisioterapia de cotonetes… Curiosamente, os cães ladraram e a caravana passou. Agora que os cães pararam de ladrar, será que a caravana parou?

Mas que raio queres tu, Miguel?

Semana após semana, enquanto o Paulo insistia em pôr o Custódio a jogar, aproveitava toda e qualquer troca de ideias leonina para clamar o teu nome como merecedor da titularidade.

Ela chegou e, nos jogos que se seguiram, comprovaste aquilo que eu e outros tínhamos como algo inquestionável: a tua qualidade como jogador, com tudo para te tornares o “trinco” do futebol português para os próximos dez anos. Quase fomos campeões, o estádio encheu para aplaudir de pé uma equipa que “até morrer” nos fez acreditar e tememos que algum tubarão te levasse.

Ficaste e, como titular indiscutível no arranque de novo ano, começaste a dar ouvidos em demasia ao que os jornais iam escrevendo. Tanto, que a tua cabeça estava em todo o lado menos no que era realmente importante. Foste para o banco. E abriste a pestana. Acabaste a época em bom plano, quase certo de que irias jogar para um grande de Inglaterra, Espanha ou Itália.

“Claro que gostava de sair.” “Claro que gostava de sair.” “Claro que gostava de sair.” “Claro que gostava de sair.” Gravaste este disco e levaste-o para o Euro, provavelmente convencido de que podias ser titular e deixar meio mundo a babar. Acontece que o tal sargentão continuou a inventar e, mesmo no jogo em que deixou que jogasses, colocou-te num lugar estranho, entregando a tua posição a um tal de Fernando que a destruir já não é grande coisa, quanto mais a construir.

Ficaste triste, mas ainda assim a música foi a mesma. “Claro que gostava de sair.” (depois da derrota com a Suíça). “Claro que gostava de sair.” (depois da derrota com a Alemanha) “Claro que gostava de sair.” (depois de aterrares em Portugal). Aliás, consigo imaginar-te, já em casa, com a tua mãe a perguntar-te o que queres para o almoço e tu a responderes “Claro que gostava de sair.” (e depois de reconfortares o estômago, arrotas. Em vez de “perdão”… “Claro que gostava de sair.”)

A verdade é que ainda cá estás, pese o facto dos jornais continuarem a vender-te diariamente. Vê tu bem que, só hoje, tens as virilhas completamente rasgadas dada a força com que a Juventus te puxa a perna esquerda e o Arsenal a direita (és uma espécie de arco do triunfo sobre toda a França). E parece que queres ganhar mais.

Sabes, Miguel, claro que eu gostava que ficasses, mesmo que isso signifique ter que levar novamente com o losango, mas começo a ficar cansado de tanta notícia em teu redor. O problema, Miguel, é se quem manda no clube também se cansa e acabas por ir parar um um Newscastle desta vida, onde vais ganhar mais, mas corres o risco de não passar dessa mediania.
Logo tu, que estiveste à beira de provocar uma cimeira dos sete maiores clubes do mundo.

Mais nada!

“Paulo Bento festejou ontem o seu 39º aniversário, data aproveitada pelo sítio oficial do Sporting na Internet para dedicar a sua primeira página ao treinador da equipa principal. O ex-internacional português respondeu a perguntas enviadas por sócios leoninos, dos quais recebeu ainda várias mensagens de parabéns… com alguns pedidos à mistura (…) Quanto àquela que para si é a mais admirável figura do Sporting, a resposta de Bento foi rápida: Paulinho!” (in O Jogo)

Fodido, mas pouco

Pois. O futebol tem destas coisas… é preciso trabalhar. Portugal perdeu hoje contra uma das piores defesas do Europeu. Mas só percebemos isso durante o último quarto de hora da primeira parte. Antes e depois, foi um rol de disparates estratégicos, que o sr. Scolari proporcionou de uma forma tão eficaz como aquele soco falhado ao Dragutinovic. Jogámos pelas alas para centrar para o Nuno no meio dois autênticos gigantes da feira popular. Andámos sempre à procura do toque e foge num meio-campo de marcações cerradas e encaixadas tacticamente (cada médio tinha um polícia). O Simão jogou na direita (quando nunca o fez em mais lado nenhum da sua carreira) para fechar o Lahm. Mas os alemães furaram exactamente por ali sem precisarem do único anão alemão. Porque o Bosingwa defende mal, o Pepe decidiu ir marcar o Ballack a meio campo e o Paulo Ferreira estava a dormir, como aliás tem sido hábito nos últimos dois anos. Onde andava o melhor do mundo? Perdido na esquerda e a correr para a área para cabecear contra os gajos da feira popular. Quando o Deco percebeu onde estava o buraco (no meio dos centrais, onde não havia trincos e os centrais eram demasiado lentos), mandou o Ronaldo para ali e tentou jogar com ele… durante 15 minutos ele ganhou todos os duelos mano a mano com aqueles troncos e era aí que estava o ouro… (um golo, uma bola a rasar o poste).
Pior só mesmo as substituições: Moutinho lesionado, entra Raul Meireles para fazer o mesmo, mas pior. Nani devia ter entrado muito antes (talvez… de início!). E o Postiga entrou em vez do panzer, o único jogador que tem um equilíbrio físico com os boches. O problema nem foi o Postiga. Foi o facto de NUNCA TERMOS JOGADO COM DOIS AVANÇADOS MÓVEIS CONTRA OS PIORES CENTRAIS DO EURO!!! Quer dizer, o Ronaldo acabou o jogo a ponta-de-lança, a saltar com os gigantones, numa espécie de “dança dos cabeçudos” que conhecemos tão bem…
Muito pior só mesmo as bolas paradas. Não vale a pena desenvolver este tema porque demonstra toda a incompetência dos envolvidos: Scolari insiste em defender ao homem (força Paulo, continua tu também) e o Ricardo é dos piores guarda-redes da Europa (talvez o pior do Europeu?) e continua a fazer merda como nada se passasse. Se o Sócrates quiser ser aceite por Portugal inteiro, só precisa de tirar as luvas…

Tudo para chegarmos à razão pela qual não estou tão fodido como temia. No futebol, poucas coisas acontecem por acaso. E os alemães fizeram o seu trabalho, estudaram os pontos fracos de Portugal e exploraram-nos até à vitória, adaptando mesmo a táctica. Os portugueses? Passaram o tempo a negociar contratos com clubes, a tirar fotos para sites da Internet, a jogar snooker e a assar sardinhas. Alguns até tiveram a lata de viajar em pleno estágio para resolver problemas jurídicos… Os alemães foram para o Euro com todos os melhores jogadores, mesmo os polémicos Podolski, Schweinsteiger (mas ninguém parte uma perna a este gajo?) ou Lehmman. Os portugueses? O melhor defesa esquerdo ficou em casa e o SuperManiche também. Porquê? Porque não concordaram com a estrutura dos prémios de jogo. E porque, digo eu, têm pouco interesse para o mercado dos tubarões.

Fodido, mas pouco. Porque em vez de ver jogadores em lágrimas no final do jogo, vi apenas gajos interessados em ir tomar banho para tratar da vidinha. Leio as declarações e é tudo ” o meu futuro logo se verá”, “há grandes possibilidade”, “o Sporting não dirá não”, “a Portugal não volto”, etc. E o chefe da banda com um sorriso no rosto, do género “quem vier que apanhe os cacos, que eu vou ser milionário e posso comprar as vinhas todas de Portugal, depois”.

Enfim, tenho um divórcio de identidade com esta selecção. Já tinha. Mas a qualidade dos jogadores e as quinas na camisola fizeram-me esquecer isso. Agora, faz-me tanta falta um Figo, um Rui Costa, um João Pinto, um Couto ou até mesmo um Conceição. O final do jogo foi revelador: uma impotência anímica tão forte que assustou… Esta gente vai crescer e vai perceber que jogar pela selecção é o máximo que se pode fazer na carreira. Espero que, nessa altura, haja alguém competente ao leme.

PS: Ó Roberto Leal, aquele dia foi muito fixe, não foi?

Bons e maus hábitos

Ora aí está mais um motivo para nos orgulharmos dos nossos jovens leões, que se sagraram campeões de juniores, ao empatarem 2-2 com o fcp, em Alvalade.
As coisas estiveram bastante negras para o nosso lado, mas um golão de Diogo Rosado (vale a pena ver no youtube o pontapé deste puto que, diz-se, poderá fazer a pré-época com a equipa principal), já nos descontos, resolveu o campeonato e mostrou que, para o Sporting, “ganhar ao porto é como lavar os dentes”. 

Mas se esta lavagem de dentuças é um hábito bastante saudável, o mesmo já não se poderá dizer da forma como os tripeiros aceitam as derrotas. Depois do comportamento que a equipa principal do fcp teve na final da Taça, agora foram os juniores a provocarem uma espécie de batalha campal e a abandorem o relvado do nosso adorado Alvalade dirigindo gestos ofensivos aos mais de cinco mil espectadores presentes.