Fodido, mas pouco

Pois. O futebol tem destas coisas… é preciso trabalhar. Portugal perdeu hoje contra uma das piores defesas do Europeu. Mas só percebemos isso durante o último quarto de hora da primeira parte. Antes e depois, foi um rol de disparates estratégicos, que o sr. Scolari proporcionou de uma forma tão eficaz como aquele soco falhado ao Dragutinovic. Jogámos pelas alas para centrar para o Nuno no meio dois autênticos gigantes da feira popular. Andámos sempre à procura do toque e foge num meio-campo de marcações cerradas e encaixadas tacticamente (cada médio tinha um polícia). O Simão jogou na direita (quando nunca o fez em mais lado nenhum da sua carreira) para fechar o Lahm. Mas os alemães furaram exactamente por ali sem precisarem do único anão alemão. Porque o Bosingwa defende mal, o Pepe decidiu ir marcar o Ballack a meio campo e o Paulo Ferreira estava a dormir, como aliás tem sido hábito nos últimos dois anos. Onde andava o melhor do mundo? Perdido na esquerda e a correr para a área para cabecear contra os gajos da feira popular. Quando o Deco percebeu onde estava o buraco (no meio dos centrais, onde não havia trincos e os centrais eram demasiado lentos), mandou o Ronaldo para ali e tentou jogar com ele… durante 15 minutos ele ganhou todos os duelos mano a mano com aqueles troncos e era aí que estava o ouro… (um golo, uma bola a rasar o poste).
Pior só mesmo as substituições: Moutinho lesionado, entra Raul Meireles para fazer o mesmo, mas pior. Nani devia ter entrado muito antes (talvez… de início!). E o Postiga entrou em vez do panzer, o único jogador que tem um equilíbrio físico com os boches. O problema nem foi o Postiga. Foi o facto de NUNCA TERMOS JOGADO COM DOIS AVANÇADOS MÓVEIS CONTRA OS PIORES CENTRAIS DO EURO!!! Quer dizer, o Ronaldo acabou o jogo a ponta-de-lança, a saltar com os gigantones, numa espécie de “dança dos cabeçudos” que conhecemos tão bem…
Muito pior só mesmo as bolas paradas. Não vale a pena desenvolver este tema porque demonstra toda a incompetência dos envolvidos: Scolari insiste em defender ao homem (força Paulo, continua tu também) e o Ricardo é dos piores guarda-redes da Europa (talvez o pior do Europeu?) e continua a fazer merda como nada se passasse. Se o Sócrates quiser ser aceite por Portugal inteiro, só precisa de tirar as luvas…

Tudo para chegarmos à razão pela qual não estou tão fodido como temia. No futebol, poucas coisas acontecem por acaso. E os alemães fizeram o seu trabalho, estudaram os pontos fracos de Portugal e exploraram-nos até à vitória, adaptando mesmo a táctica. Os portugueses? Passaram o tempo a negociar contratos com clubes, a tirar fotos para sites da Internet, a jogar snooker e a assar sardinhas. Alguns até tiveram a lata de viajar em pleno estágio para resolver problemas jurídicos… Os alemães foram para o Euro com todos os melhores jogadores, mesmo os polémicos Podolski, Schweinsteiger (mas ninguém parte uma perna a este gajo?) ou Lehmman. Os portugueses? O melhor defesa esquerdo ficou em casa e o SuperManiche também. Porquê? Porque não concordaram com a estrutura dos prémios de jogo. E porque, digo eu, têm pouco interesse para o mercado dos tubarões.

Fodido, mas pouco. Porque em vez de ver jogadores em lágrimas no final do jogo, vi apenas gajos interessados em ir tomar banho para tratar da vidinha. Leio as declarações e é tudo ” o meu futuro logo se verá”, “há grandes possibilidade”, “o Sporting não dirá não”, “a Portugal não volto”, etc. E o chefe da banda com um sorriso no rosto, do género “quem vier que apanhe os cacos, que eu vou ser milionário e posso comprar as vinhas todas de Portugal, depois”.

Enfim, tenho um divórcio de identidade com esta selecção. Já tinha. Mas a qualidade dos jogadores e as quinas na camisola fizeram-me esquecer isso. Agora, faz-me tanta falta um Figo, um Rui Costa, um João Pinto, um Couto ou até mesmo um Conceição. O final do jogo foi revelador: uma impotência anímica tão forte que assustou… Esta gente vai crescer e vai perceber que jogar pela selecção é o máximo que se pode fazer na carreira. Espero que, nessa altura, haja alguém competente ao leme.

PS: Ó Roberto Leal, aquele dia foi muito fixe, não foi?

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3 thoughts on “Fodido, mas pouco

  1. Douglas,
    concordo com o que dizes, mas infelizmente nao consigo deixar de estar fodido. Aliás, à medida que o Euro se aproxima do fim e vou vendo equipas como a Rússia, a Turquia ou a Espanha num misto de vontade e qualidade dos jogadores acompanhada por uma clara mais valia dos treinadores, mais fodido fico.

    No fundo, o patético apuramento que a selecção portuguesa fez, era mais do que um sinal de alerta, depois da ilusão vivida em 2004 e 2006.

  2. Pingback: Eu não esqueço… « O Cacifo do Paulinho

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