banho checo

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De pequenino se torce o pepino

Sábado, não sei a que horas, em Alvalade, o Sporting pode sagrar-se campeão nacional de juniores, bastando para tal empatar com o fcp. A festa podia ter sido feita ontem, mas a próxima constelação de craques não conseguiu melhor do que um empate com um Leixões a jogar mais recuado que a selecção grega.

Quem já bebeu champanhe, daquele para crianças com sabor a maçã, foram os iniciados, que empataram em casa do benfica (1-1) e trouxeram as faixas para Alvalade. Lamentável é o facto do golo dos lamps ter nascido de uma tremenda falta de fair play: os nossos putos colocam a bola fora, para assistência a um lesionado, no recomeço de jogo o avançado vermelhusco não respeita a bola passada ao guarda-redes e marca golo.

Enfim, palavras para quê. É esta a formação que recebem os membros do gang seis milhões…

Tomates

já que por cá ninguém os teve, temperando a salada de fruta nortenha com uns patéticos seis pontos de penalização, a UEFA fez o favor de mostrar como devem ser tratados casos deste género.
Não sei se é bom ou mau para Portugal.
Não quero saber se os gajos vão ter mais tempo para pensar no Campeonato.
Só sei que, perante uma decisão que confronta finalmente o sentimento de impunidade, apetece-me soltar bem alto um mítico “fumaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!”

As mãos

O último capítulo do tríptico é sobre as mãos que assinam os contratos, os cheques, os projects finance, os relatórios e contas ou os comunicados ao mercado. Sobre as mãos que nunca assinam autógrafos, mas que fartam-se de assinar os recibos dos cartões de crédito carregados com dinheiro do Sporting.

Factos e comentários, por ordem semi-cronológica. Com notas, à professor universitário.

Vendas: Gestão danosa: a não renovação do Tello e a saída do Caneira (dois problemas que podiam ter sido resolvidos com alguma visão estratégica); Gestão racional: venda de Nani foi inevitável, Ricardo foi bem vendido. Tudo junto – mais a estranha e inexplicada saída do Alecsandro -, a nota não pode ser superior a um fraquinho 8. Porque influenciou directamente a gestão desportiva, prejudicando-a.

Contratações: Izmailov, Vuk e, a uma distância considerável, Derlei e Tiuí, foram boas aquisições. Tudo o resto foi muito mau. Nota: um 12 puxadinho. Se qualquer um dos dois primeiros atingir um patamar na história do clube equivalente ao potencial que tem, a nota pode subir para um 14 ou 15.

Posição institucional: Não gosto do estilo queque. Não gosto dos “gólfes” e dos “ténizes”. Não gosto dos almocinhos com o Benfica e os negociozinhos com o Porto. Não gosto do silêncio medroso sobre o Apito Dourado, quando somos o único clube acima de qualquer suspeita. Não gosto do “choradinho” das arbitragens, que acaba por alimentar um triste estigma sobre o Sportinguismo. Contudo, prefiro tudo isto aos bimbos da Luz e aos mafiosos do Dragão. Nota: um frágil 10.

Gestão corrente: Apesar de acreditar que o Sporting deveria ter outra estratégia na escolha do treinador – implementável apenas com outra gestão financeira que permitisse pagar salários altos a gente com outra cultura futebolística -, é de saudar a irredutibilidade na defesa do Paulo Bento. As vitórias também nascem das posições assumidas em momentos de crise. Resta saber as motivações. Será porque acham o Paulo Bento o homem verdadeiramente certo? Ou por falta de capacidade para encontrar alternativas? Ou pela total dependência das decisões e escolhas do Paulo Bento? Ou por uma cumplicidade suspeita? Enfim, tudo depende dos resultados. E os deste ano permitiram sobreviver à tempestade…
Já o capítulo Carlos Freitas foi muito mal gerido. Então o responsável pelo planeamento da época futebolística salta do barco a meio do caminho? Poucos meses depois de receber um prémio de desempenho? Há tanta coisa que os sócios não sabem… Nota: um simpático 10.

Gestão financeira: É a Grande Questão. O project finance e a sua reestruturação. E, neste assunto, a discussão oscila entre a incompreensão, a paranóia e a crença. Simplificando:
– A renegociação da dívida tinha de ser feita. O Porto tem tido vantagens desportivas nos últimos anos porque teve mais força nas negociações com os credores (banca).
– Esta administração não é a única responsável pela sanguessas bancárias presas ao corpo do leão. O projecto Roquette falhou porque, depois dos primeiros anos, foi uma óptima ferramenta para muita gente enriquecer um bocadinho mais à conta do Sporting. A ganância humana tem destas coisas.
– Com os dados lançados, não há como voltar atrás. A única coisa a fazer é procurar atenuar o poder de sucção das sanguessugas. A reestruturação do project finance é isso mesmo. As condições podem ser questionáveis, mas tal como está era impossível continuar a gerir o clube.
– As condições do project finance mantêm a torneira a correr para dentro dos bancos. Não fosse o presidente do Sporting um homem do banco verde. Apenas atenuam o fluxo da água. E permite que sobre alguma água no tanque para abastecer a equipa de futebol, sedenta de gente de qualidade. As condições revelam, também, outra coisa: a estratégia visa claramente a evolução do modelo associativo para um sistema típico do norte da Europa, onde os clubes se concentram no futebol, as receitas são geradas no marketing, publicidade, merchandising e TV. E onde os sócios passam a ser, acima de tudo, consumidores. Esta estratégia explica a intenção de passar para a SAD todos os activos de valor do clube, como forma de criar melhores condições para financiar o futebol. Abre um precedente perigoso? Abre. O clube será cada vez menos dos sócios e mais dos accionistas. E, no limite, pode acabar por colocar um clube nas mãos de um Abramovich da treta. Em teoria, este processo não me choca, excepto numa questão tratada no tópico seguinte (Filosofia). O Man. Utd viveu uma das melhores épocas desportivas da sua história debaixo do controlo financeiro dos muito contestados americanos. Mas, na prática, em Portugal, é uma decisão que a prazo pode penalizar seriamente o clube. Porque, em Portugal, o mercado não funciona e é pequeno. Os direitos de TV estão subvalorizados e são negociados directamente com um dos maiores accionistas. Os patrocinadores são sempre os mesmos e são, ao mesmo tempo, clientes, credores ou accionistas. É uma viragem delicada, porque se o investimento que for feito se traduzir em sucessos no futebol, toda a gente ganha dinheiro, enquanto os adeptos festejam nas ruas. Mas como as notas não empurram a bola para dentro da baliza e o futebol é uma actividade económica de alto risco dada a sua imprevisibilidade, se os adeptos não tiverem razões para festejar nas ruas, as sanguessugas vão atiçar-se e sacar a maior quantidade de sangue possível, deixando o clube atrofiado outra vez. Medindo todos os riscos e potenciais vantagens, esta gestão financeira merece um 10 redondo. Que oscilará consoante as bolas que batam na trave. O que é, só por si, um perigo.

Filosofia: Esta questão está directamente relacionada com a gestão financeira. Eu acredito que os modelos latinos dos clubes, baseados no associativismo e utilidade pública, podem resultar. Basta ver o que se passa com o Barcelona. E, em Portugal, os grandes clubes têm uma responsabilidade para com a sociedade, de fornecer alternativas legítimas para os putos praticarem desportos, individuais ou colectivos, para sentirem-se parte de uma agremiação, para conhecer os valores da solidariedade associativa. E, mais importante, eu acredito que as modalidades ditas amadoras são profissionalizáveis, rentabilizáveis. Se a Ovarense consegue ter basket, se o Espinho tem vólei, o Sporting consegue ter tudo. Se não consegue, o problema nem sequer é do Sporting. É do país. Neste assunto, um negativo e pobre 8.

Em resumo, “as mãos” não garantem o sucesso desportivo por si só. Mas se “as mãos” não funcionarem bem, não se ganha nada. O balanço dos anos Soares Franco é proporcional aos êxitos desportivos: razoáveis mas não inesquecíveis. Daí, a nota média estar exactamente na linha entre o chumbo e a passagem sem mérito especial. Para começar a subir na escala, convém começar a ganhar a sério e a ficar na história do clube com decisões acertadas. O problema do eventual fim do associativismo deve-se a alguma falta de visão. Mas também acredito que se o futebol tiver sucesso, o clube conseguirá revitalizar-se e as modalidades renascerão. Pode ser ingenuidade, mas sinceramente não me parece que, chegados aqui, haja outra alternativa.
Por falar em alternativa, no Sporting não existe. O Dias da Cunha é uma vergonha ambulante. Depois de ter fugido, anda a tentar voltar de forma patética. E com que interesses? Salvar o Sporting? Com o quê? Com que estratégia, projecto, ideias, pessoas? Com que dinheiro, agora que já foi corrido do banco vermelusco? E depois de ter ajudado a afundar esse banco e uma grande empresa, será o Sporting que precisa do senhor, ou é mais o senhor que precisa do Sporting.
Já a oposição blogueira, acho bem… Ajuda a limar algumas arestas um pouco mais abusadoras do projecto. É uma espécie de pequeno partido de esquerda, chato e irritante para o poder, mas sem cabedal para o assumir.

A entrevista

É por uma entrevista como esta que eu gosto de ter o Paulo Bento como treinador do Sporting. Conhecer, ainda em Junho, praticamente todas as linhas com que a próxima época se vai coser, é um caso raro de total respeito pelos sócios. Deixa-nos com pouco espaço para dar largas à imaginação, nas longas noites de Verão, sobre o que será o Sporting 08/09. Mas, ao mesmo tempo, dá alguma confiança. Um sinal de que há Plano. E que os erros do passado (os mais graves, pelo menos) foram identificados.

Dito isto, a maior incógnita que assombra a próxima temporada ainda se mantém: as saídas de Miguel Veloso e de João Moutinho. Se, no caso do primeiro, a coisa é garantida e poderá ser ultrapassada com relativa facilidade, no que diz respeito ao Capitão, o problema é muito diferente. Fará toda a diferença ter ou não o Moutinho. E, para ser um bocadinho melodramático – o pequeno João leva-me a isso -, o destino do Sporting no próximo ano pode ficar já decidido nos próximos 60 dias.