Há um sentimento de alívio entre a família sportinguista pela total ausência do clube na mais recente cavadela de estrume retirada do futebol português. As lutas intestinas entre lampiões e tripeiros por um lugar na Champions são mais um prego martelado no caixão de um moribundo e estão a desfocar a visão dos adeptos do desporto-rei. Não interessa quem vai à Champions (embora para todos os clubes a simples presença entre a elite europeia condicione toda a temporada e, no caso do Benfica, a própria sobrevivência do canhestro projecto Vieira). Importante é a honra. A esperança utópica na irredutibilidade da verdade desportiva. E, essa maltratada boneca, já está emporcalhada há muito. Há 20 anos que o “sistema” tão popularizado pelo sr. Cunha anda a brincar com a malta. E a falta de vergonha dos condenados, mais preocupados em sabotar a época dos rivais, mostra bem a sensação de impunidade. Os senhores do FC Porto deviam andar de orelhas de burro pela rua, com um cartaz colado a dizer “agentes de corrupção”. E os desgraçados do Benfica deviam ter vergonha e abdicar de tentar jogar o jogo com os mesmos dados viciados. Mas isso é grandeza a mais para um clube tão “glorioso”.
Dito isto, os sportinguistas não deviam estar aliviados. Deviam estar envergonhados. Por terem perdido uma oportunidade de alterar o rumo da história de poder do futebol português. Nunca como hoje foi tão possível mudar a balança de poder. A opinião pública (excluindo a maluquinha da bola) está sensibilizada, ainda que seja pelas palhaçadas de tipos boçais que tomam decisões em função dos clubes que os designaram. O governo parece disposto a apoiar a mudança, desde que não lhe custe votos. Até porque já percebeu que o motor da conveniente alienação do povo está a gripar. Até a justiça está interessada em resolver algo bem mais fácil que as coisas sérias. E, neste contexto, o que é que o Sporting faz? Nada. Absolutamente nada. Nem uma frase mais acalorada. Pelo contrário, faz almocinhos com os lampiões e negócios com os tripeiros. Senta-se à mesma mesa dos senhores do poder obscuro do futebol português. Mas em vez de negociar uma saída airosa para esta gente (por questões de pragmatismo), alimenta, subserviente, o “sistema”, na esperança que não acabe refugiado em Londres, como o último burro que tentou enfrentá-lo.
Parece claro que a máquina só funciona porque tem um mesmo lubrificante que mantém as rodinhas e as correias a funcionar. O lubrificante é extraído das azeitonas que brotam dos Oliveirinhas. Ninguém ousa arranjar outro lubrificante, porque os clubes estão presos pelos tomates ao sucesso do negócio azeiteiro, sob a forma de direitos de TV. Mas se o Sporting fosse gerido por gente com tomates demasiado grandes para ficarem agarrados por uma só mão, talvez conseguissem negociar uma alternativa para manter essa gente satisfeita com a sua fonte de receitas. Até porque, no limite, quando o moribundo for a enterrar, lá se vão as receitas.
O Sporting devia liderar a limpeza do “sistema”. Devia exigir a demissão em massa de Madaíls, Conselhos de Justiça, de Disciplina, de Valentins, dessa gente porca que ganhou muito dinheiro à conta dos nossos sistemas nervosos centrais. Aproveitar os Loureiros bons e deitar fora os Loureiros podres. Profissionalizar a arbitragem, criar um Tribunal do Desporto, chamar independentes para o futebol. Mas não. O Sporting cobardemente tenta posicionar-se entre os pingos da chuva, na esperança de que não caia uma tempestade. Pois, assim são cúmplices por omissão. E deviam ter vergonha. Tal como nós, adeptos.
PS: O adiamento da votação, em AG da Liga, sobre as medidas mais restritivas de prevenção da corrupção no futebol foi mais uma cavilha no caixão. E o sr. Valentim regressou em grande, disparando as suas rajadas bovinas contra os homens que tentam limpar a “porcaria” que podem. Anseio pelo regresso da bola aos relvados, porque mais umas semanas disto e abandono o futebol para me dedicar ao curling, onde as “vassouradas” fazem parte da essência do desporto e sempre me aliviam a consciência (o facto de contribuir, indirectamente, para alimentar este monstro de merda é um choque ao meu próprio sistema de valores).
PS2: Nos últimos dois meses, o meu saldo fala em pagamentos de multibanco num total de 306 euros a uma entidade denominada SCPort (o saldo na Internet abrevia o nome por questões que, desconfio, têm a ver com um benfiquismo primário das plataformas electrónicas da banca). 306 euros para passar o Verão com quotas em dia e lugar de época garantido. Mas sem direito ao jogo de apresentação (embora compensado com um jogo treino, uma semana depois). E, pior, nos jogos oficiais terei como companhia tipos que não pagam quotas mas têm acesso à mesma zona onde está o meu lugar. Obrigado Sporting, assim vale a pena, caralho!