Até morrer!

 

Percorrendo terras do interior alentejano, dei de caras com esta imagem à qual apontei imediatamente a objectiva. Enquanto sorria, orgulhoso por tão bela demonstração de paixão clubística e encarnando o papel de enviado especial, pensei imediatamente em publicá-la no Cacifo. Numa desagradável coincidência, as capas os desportivos que, esta manhã, encontrei no quiosque, como que justificaram não perder mais tempo no passar dos pensamentos aos actos.

“Quero sair do Sporting”. A afirmação é curta, grossa e esclarecedora, para além de ser uma verdadeira pedrada no estômago dos verdadeiros sportinguistas mandada por aquele que é, para já, o nosso capitão. Aprendi a respeitar o João Moutinho. Por aquilo que joga e pela forma como joga, entregando-se de corpo e alma às riscas verdes e brancas. No fundo, o João faz aquilo que nós dizemos que faríamos se o destino nos tivesse levado das bancadas para dentro das quatro linhas: “come a relva” e até chora quando perde jogos.

Por tudo isso, as suas palavras, que finalmente respondem à pergunta feita pelo Sousa Cintra, são ainda mais dolorosas. Já para não falar no quanto custa ver alguém como o João trocar o Sporting por um clube onde a emoção máxima vai ser disputar um derby de Liverpool, numa clara demonstração de ambição “à Manuel Fernandes”, o mesmo que um dia foi dispensado dos juvenis leoninos.

E é nesta altura em que a revolta ameaça tornar-me menos racional, que esta imagem ganha ainda mais importância.
Porque eu posso não jogar de leão ao peito, mas tenho um dentro dele.
Porque eu posso não jogar de verde e branco, mas essas serão sempre as minhas cores.
Porque eu posso não festejar golos no relvado de Alvalade, mas desde os cinco anos que pedi aos meus pais equipamentos do Sporting para jogar numa rua onde eram todos lampiões.
Porque eu posso não ganhar milhões de euros, mas gosto tanto deste clube que, estupidamente, fui um dos que caiu quando o varandim do velhinho Alvalade cedeu.
Porque, com ou sem João, eu continuarei a empunhar orgulhosamente uma destas bandeiras. Até morrer!

3 thoughts on “Até morrer!

  1. É isso mesmo que eu também sinto.
    Mas as tuas palavras são tão sensíveis e tão verdadeiras que me deixaram toda arrepiada.
    Parabéns pelo post. Está fantástico!
    SL

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