Estamos tão bonitos!

Jornalismo desportivo

Costuma dizer-se que o jornalismo é um espelho da saúde democrática das sociedades. Pois bem, para não entrar nos complexos mundos das coisas mais sérias, fiquemos pelo jornalismo desportivo. Numa altura em que o Benfica está a fazer uma das piores pré-épocas da sua história, depois de uma das piores épocas desportivas da sua história, eis que surgem textos como o que se reproduz abaixo. Esqueçam as tentativas de agressão das claques ao presidente, a mão-cheia de contratações falhadas – mas sempre publicitadas – do maestro, as cabeçadas entre Quique e os adjuntos chunga impostos pelo clube (que até já provocaram choques entre o maestro e o treinador, olimpicamente ignorados pela imprensa desportiva). Esqueçam até as consecutivas humilhações e derrotas institucionais (na luta da lama) impostas pelo rival tripeiro. O importante é o seguinte:

Reforço com herança pesada – Rui Costa admitiu que vê nele o seu sucessor -, Carlos Martins mostrou ontem, durante a peladinha do treino no Seixal, alguns dos pormenores que levaram à sua contratação. O médio ex-Recreativo de Huelva destacou-se pela qualidade no domínio de bola, assumindo sem problemas o risco de fintar o adversário, com várias rotações de corpo. O saldo foi positivo para o internacional português, que recebeu também palmas na cobrança de um livre, que saiu na direcção das malhas laterais da baliza de Bruno Costa. Martins, depois de Yebda, salientou-se entre os reforços, num treino em que também Balboa revelou mais à-vontade. Apesar dos toques artísticos, a pontaria na hora do remate não estava afinada – até pelo cansaço -, pelo que a peladinha que encerrou a sessão de trabalho terminou sem golos.

Para além de uma das peças mais hilariantes que li nos últimos anos (talvez décadas) em qualquer área de entretenimento, esta pérola revela algo que deve preocupar qualquer sportinguista. Mais um jogador formado em Alvalade, sportinguista até ao último pêlo do olho do cu, que se prepara para brilhar na Luz. É que com “qualidade no domínio de bola” (os outros jogadores do plantel lampião nem devem conseguir manter-se em pé quando lhes chega uma bola ao pé) e com livres “na direcção das malhas laterais” (que na Luz, valem ouro a julgar pelas palmas dos sócios), estamos preparados para mais uma grande época do Martins! Pelo menos será determinante nos jogos que terminarão “sem golos” e levará seis milhões ao rubro ao “assumir o risco de fintar o adversário, com várias rotações de corpo” (a chamada finta “pião de corda”).

Enfim, há longos meses que não compro um jornal desportivo. Pelos vistos, ainda bem. É que, excluindo estas barbaridades – que valem para o Benfica, como valem para o Sporting ou o Porto -, nem as notícias das contratações merecem o preço de capa. Basta confirmar, diligentemente, o que se passa na imprensa internacional, para perceber que os jornais são, hoje, newsletters dos clubes e dos empresários. O Veloso, o Moutinho, o Quaresma, o Aimar, o Luís Garcia, o Júlio Cruz vivem em realidades paralelas, numa espécie de País das Maravilhas, onde a Alice que há em cada um de nós fica mais alucinada a cada manchete diária. Por favor, ponham a bola a rolar! (embora nem nisto os jornais cumpram os mínimos de leitura táctica ou avaliação técnica, resumindo-se a um “minuto-a-minuto” patético e absolutamente aleatório).

PS: O mais rídiculo é que os srs. Serpas, Delgados, Tavares, Dias ou Pais deste pasquins acham mesmo que são muito bons… Viva o futebol!

Na praia, somos campeões

Depois de um forçado mergulho no povo veraneante, volto com a distinta sensação de que somos os campeões do Verão. Pelo mesmo, o orgulho leonino está inchado nas praias, nas esplanadas desse Algarve tão maltratado e cheio de bimbalheira invasora. O barómetro absolutamente científico é o número de adereços que pulalam pelos espaços apinhados da costa algarvia. Desde 2002 que não via um tal massacre. As camisolas do leão, os bonés (é o adereço do Verão!), os cachecóis nos carros, até os tradicionais e chungas galhardetes nos espelhos dos carros. É tal a goleada que, no caso, por exemplo, dos lampiões, até o Liverpool está melhor representado.

Pode ser que em Agosto o balão dos pardalitos volte a inchar e a equilibrar a coisa. Mas, até agora, o Verão é nosso. Já quanto aos campeões nacionais, não sei se é do apito, das lágrimas do Jamor ou de um assomo de vergonha, mas nem parece que ganharam o título com dezenas de pontos de avanço…

Cúmplices por omissão

Há um sentimento de alívio entre a família sportinguista pela total ausência do clube na mais recente cavadela de estrume retirada do futebol português. As lutas intestinas entre lampiões e tripeiros por um lugar na Champions são mais um prego martelado no caixão de um moribundo e estão a desfocar a visão dos adeptos do desporto-rei. Não interessa quem vai à Champions (embora para todos os clubes a simples presença entre a elite europeia condicione toda a temporada e, no caso do Benfica, a própria sobrevivência do canhestro projecto Vieira). Importante é a honra. A esperança utópica na irredutibilidade da verdade desportiva. E, essa maltratada boneca, já está emporcalhada há muito. Há 20 anos que o “sistema” tão popularizado pelo sr. Cunha anda a brincar com a malta. E a falta de vergonha dos condenados, mais preocupados em sabotar a época dos rivais, mostra bem a sensação de impunidade. Os senhores do FC Porto deviam andar de orelhas de burro pela rua, com um cartaz colado a dizer “agentes de corrupção”. E os desgraçados do Benfica deviam ter vergonha e abdicar de tentar jogar o jogo com os mesmos dados viciados. Mas isso é grandeza a mais para um clube tão “glorioso”.

Dito isto, os sportinguistas não deviam estar aliviados. Deviam estar envergonhados. Por terem perdido uma oportunidade de alterar o rumo da história de poder do futebol português. Nunca como hoje foi tão possível mudar a balança de poder. A opinião pública (excluindo a maluquinha da bola) está sensibilizada, ainda que seja pelas palhaçadas de tipos boçais que tomam decisões em função dos clubes que os designaram. O governo parece disposto a apoiar a mudança, desde que não lhe custe votos. Até porque já percebeu que o motor da conveniente alienação do povo está a gripar. Até a justiça está interessada em resolver algo bem mais fácil que as coisas sérias. E, neste contexto, o que é que o Sporting faz? Nada. Absolutamente nada. Nem uma frase mais acalorada. Pelo contrário, faz almocinhos com os lampiões e negócios com os tripeiros. Senta-se à mesma mesa dos senhores do poder obscuro do futebol português. Mas em vez de negociar uma saída airosa para esta gente (por questões de pragmatismo), alimenta, subserviente, o “sistema”, na esperança que não acabe refugiado em Londres, como o último burro que tentou enfrentá-lo.

Parece claro que a máquina só funciona porque tem um mesmo lubrificante que mantém as rodinhas e as correias a funcionar. O lubrificante é extraído das azeitonas que brotam dos Oliveirinhas. Ninguém ousa arranjar outro lubrificante, porque os clubes estão presos pelos tomates ao sucesso do negócio azeiteiro, sob a forma de direitos de TV. Mas se o Sporting fosse gerido por gente com tomates demasiado grandes para ficarem agarrados por uma só mão, talvez conseguissem negociar uma alternativa para manter essa gente satisfeita com a sua fonte de receitas. Até porque, no limite, quando o moribundo for a enterrar, lá se vão as receitas.

O Sporting devia liderar a limpeza do “sistema”. Devia exigir a demissão em massa de Madaíls, Conselhos de Justiça, de Disciplina, de Valentins, dessa gente porca que ganhou muito dinheiro à conta dos nossos sistemas nervosos centrais. Aproveitar os Loureiros bons e deitar fora os Loureiros podres. Profissionalizar a arbitragem, criar um Tribunal do Desporto, chamar independentes para o futebol. Mas não. O Sporting cobardemente tenta posicionar-se entre os pingos da chuva, na esperança de que não caia uma tempestade. Pois, assim são cúmplices por omissão. E deviam ter vergonha. Tal como nós, adeptos. 

PS: O adiamento da votação, em AG da Liga, sobre as medidas mais restritivas de prevenção da corrupção no futebol foi mais uma cavilha no caixão. E o sr. Valentim regressou em grande, disparando as suas rajadas bovinas contra os homens que tentam limpar a “porcaria” que podem. Anseio pelo regresso da bola aos relvados, porque mais umas semanas disto e abandono o futebol para me dedicar ao curling, onde as “vassouradas” fazem parte da essência do desporto e sempre me aliviam a consciência (o facto de contribuir, indirectamente, para alimentar este monstro de merda é um choque ao meu próprio sistema de valores).

PS2: Nos últimos dois meses, o meu saldo fala em pagamentos de multibanco num total de 306 euros a uma entidade denominada SCPort (o saldo na Internet abrevia o nome por questões que, desconfio, têm a ver com um benfiquismo primário das plataformas electrónicas da banca). 306 euros para passar o Verão com quotas em dia e lugar de época garantido. Mas sem direito ao jogo de apresentação (embora compensado com um jogo treino, uma semana depois). E, pior, nos jogos oficiais terei como companhia tipos que não pagam quotas mas têm acesso à mesma zona onde está o meu lugar. Obrigado Sporting, assim vale a pena, caralho!

Estimado Cristiano,

Tenho tentado não abordar as constantes notícias em torno da tua pessoa, mas como os últimos desenvolvimentos conseguiram irritar-me tomei a liberdade de escrever-te.
Vou tentar ser breve, até porque acredito que já tenhas agendadas mais três ou quatro entrevistas para choramingares a tua ida para Madrid.

Diz-me, Cristiano, quando assinaste pelo Manchester havia alguém com uma pistola apontada à tua cabeça? Tinhas o Ferdinand e o Saha despidos atrás de ti, prontos a explicar-te a expressão “Reinaldo… cu-cu!”, celebrizada pelo Paradise Café? Não, pois não?

Então, Cristiano, com que cara vens tu afirmar que o Man United te trata como um escravo, impedindo-te de ir para o Real? Não me digas que acreditavas que, tal como aconteceu quando os ingleses ficaram loucos por ti no jogo que inaugurou o novo Alvalade, bastava fazeres umas birras e dizeres que assim ficavas a jogar contrariado, para mudares novamente de camisola?

Se queres que te diga, acho muito bem que o Man U mantenha a posição: querem comprar-te, pagam o que têm a pagar (até porque tens um ordenado como nunca nenhum escravo teve ao longo da história da humanidade). 
Quanto a ti, podias parar de dizer barbaridades. Não só dás uma má imagem da tua pessoa, como chegas a ser ofensivo. Mesmo para quem nunca se esquece que cresceste de leão ao peito.

Não há tempo para mariquices

Supertaça: Porto, Estádio do Algarve
Jornada 1: Trofense, C
Jornada 2: Braga, F
Jornada 3: Belenenses, C
Jornada 4: Benfica, F
Jornada 5: Porto, C
Jornada 6: Boavista / Paços, F

Com este calendário, começar bem é meio caminho andado para terminar ainda melhor.
Há que rugir bem alto, logo de início.
E, como o Paulo tanto gosta de dizer, mostrar de que massa somos feitos!

Sporting 0809 – Dia 1

O Moutinho não saíu. O Liedson também não. O Veloso deve ficar (mantenho a minha opinião, mas não deixa de ser uma mais valia tê-lo no plantel, nem que seja para jogar a defesa-esquerdo). Segurámos o Izmailov. Recuperámos o Caneira e o Rochemback. Comprámos o Postiga. Vamos apostar no Daniel Carriço, apontado por muitos como futuro pilar da nossa defesa.

O Rochemback chegou a falar de títulos. O Izmailov a mesma coisa. Até o Soares Franco levantou a voz para dizer que “vamos lutar pelo título”.

Tudos juntos, seriam motivos mais que suficientes para este arranque de época ser um verdadeiro dia de Verão. Acontece que o Verão já não é o que era, e há umas nuvens a quererem estragar um belo dia de praia:
– o Pedro Silva, depois de uma época no estaleiro, chega a Portugal e, ainda no aeroporto, a primeira merda que diz é “tenho o joelho inflamado e não treino enquanto tiver dores”. Acredito que, nestas condições, continue a ser o seguro a pagar-lhe grande parte do ordenado, mas… e que tal despedir o gajo de uma vez, assumir o Pereirinha como defesa-direito e ir ao mercado (ou à Academia) buscar mais um médio?

– o Ronny, essa verdadeira pérola agarrada com unhas e dentes ao interior da ostra e que ameaça escurecer o nosso céu durante toda a época (não, não é piada racista), tem uma brilhante tirada: “é bom ter concorrência, motiva mais”. Ronny, eu compreendo que a tua massa encefálica não te permita chegar mais longe, mas… Tu és mesmo burro, não és?!? Que macumba fizeste tu, para mandarem o Tiago Pinto para o Trofense num empréstimo que tinha claramente a tua cara!?! Merda…

– o Vuk… e aqui isto começa a parecer sol de trovoada. O Vuk chega e logo vai dizendo que esta época quer jogar mais, que merece jogar e ser titular. Porra, Vuk, mas tu foste de férias para a fazenda do Ronny!?! Ou levaste os dias de pausa a magicar planos de guerra civil com o Stojkovic?!? Tens tudo para te tornares num dos ídolos de Alvalade e, daqui a relativamente pouco tempo, seres vendido para um clube de gama média alta, mas pareces deslumbrado com o interesse do Bolton. Tu sabes onde fica Bolton? Fica perto de Preston, de Blackburn e de Burnley. No fundo, dá praticamente para fazer um torneio do Inatel.

Faltam cerca de oito horas para conhecermos o nosso calendário.
Regressamos logo após os compromissos publicitários.