Adoro a palavra “campeão”

Eu sei que criámos este espaço para expressarmos as nossas ideias e opiniões, mas não resisti a fazer copy /paste deste artigo escrito pelo Filipe Caetano, no MaisFutebol, e que me faz terminar o dia a imaginar-me no Rossio, agitando a mesma bandeira com que celebrei o título há oito anos.
Um dia verde e branco para todos vocês!

Um campeão que fale português
O castelhano invadiu a nossa Liga. Ouço Quique gritar para dentro de campo: «Carlos, a jugar, cambia con Katso». Compreende-se, apesar do esforço para articular o discurso na conferência de imprensa num espanholês suave, o treinador Flores não perde a essência lá dentro, solta-se e expressa-se naquele sotaque muito característico, de quem não esconde as raízes.

Num plantel tão vasto, ficou claro que Zoro, Sepsi e Edcarlos não conseguiram entendê-lo. Nelson, Luisão, Luís Filipe, Nuno Assis e Makukula também estão com alguns problemas de expressão, mas Rui Costa tem sabido encobrir as falhas com reforços de qualidade e fluência na língua de Cervantes. Aimar ficou com a batuta e Reyes promete ser o solista de serviço, numa orquestra que ainda só dá sinais de banda filarmónica (onde vai parar Urreta, com um monstro à esquerda?).

Como tudo o que acontece neste país, as modas quando chegam colam-se como lapas na rocha Atlântica. Depois dos brasileiros, o paradigma altera-se. Para os dois inimigos de Norte e Sul não basta serem diferentes, têm sempre de se imitar para poderem mostrar que a sua escolha, embora sendo a mesma, foi a melhor.

Enquanto Quique desenvolve o espanholês para poder dar ordens aos lusitanos que restarem, Jesualdo apura o portunhol, numa equipa austral e sobretudo castelhana. Sem Paulo Assunção para suster o ritmo de samba, a parca herança recai em «Hulk», uma espécie de brasileiro 2.0, devidamente domesticado pela eficácia e rigor japoneses. Helton e Lino podem ter a certeza: terão um ano difícil, porque no Dragão grita-se fuego (na bancada diz-se fuago). Fuego nos pés de Lisandro, nas fintas de Rodriguez e na inteligência de Lucho. Neste novo paradigma latino ainda cabe o romeno Sapunaru e alguns nativos que vão subsistindo.

O futebol nacional tornou-se um muro de lamentações, onde os que perdem batem com a cabeça porque não sabem o significado de rezar. E são poucos os crentes. Dizem não ter dinheiro para suster os nossos craques e por isso vendem-nos. Até já vendem os que não são craques. Mas continuam a comprar desenfreadamente, todas as épocas, a meio da época, mal percam duas ou três vezes.

Para o caso, serve-me o processo que atravessa o Sporting. Por ser o único dos grandes sem dinheiro, deixou-se de vícios. Deixou de acreditar em banhas da cobra vendidas por directores-desportivos e cingiu-se ao essencial: construir uma equipa. Apostar numa espinha dorsal, em jogadores-chave, que sabem que chão pisam, e acreditando na qualidade do trabalho que tem sido feito na Academia. É claro que isto não garante comissões absurdas, mas palpita-me que poderá mesmo resultar em sucesso a muito curto prazo. O que poderá garantir à primeira Liga Sagres um campeão que fale português (com algum sotaque à mistura).

2 thoughts on “Adoro a palavra “campeão”

  1. ó pá, caralho ah!…que todos os deuses sejam testemunha do quanto me revejo na prosa que acabaste de botar cá pra fora. Deus ( o maior que haja) te ouça, porque falas-te bem e sem erros…e por isso deves ser atendido. Em nome dos que falas. E eu sou, hi«umildemente subscritor de tão bomitas preces.
    Agora: já viste os tripeiros a jogar? Foda-se, aquilo é bola.
    mas vamos ver…
    Força zsportemmm!?
    Sócio amnistiado ( é assim que se escreve?)

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