Sporting&Saudade (Melo)

Melo (em ortografia arcaica Mello) é um relativamente frequente apelido de família da língua portuguesa. Sua origem provável poderá ser uma corruptela do nome de uma ave, o melro. Diz-se à boca pequena que, apenas neste caso, pode ser do frango a proveniência do sobrenome…invejas. 

 

 

Melo, este belo exemplar de guardião, tem honras de abertura nesta pretensa magnífica rubrica semanal.

Foi o grande protagonista do defeso de 81, numa transferência relâmpago desde o Vitória da cidade berço. Jogou 3 anos de Leão ao peito, campeão da regularidade, nunca saiu do banco de suplentes.

Joaquim Alberto Castanheira de Melo não se confinava à condição de guarda-redes, disponível e solícito, era o próprio que verificava manualmente a pressão das bolas. ( vidé foto) Rezam as crónicas  que, graças a Melo, entre 81 e 84 nunca houve bolas chôchas nos aprontos matinais lá para as bandas de Telheiras.

A sua saída para o Belenenses foi uma perda irreparável, um dos muitos erros que provocaram a triste travessia do deserto que percorremos durante tantos anos.

 

Que saudades do Melo.

Tinha classe.

 

 

Nota- Na foto, Melo representa o Belenenses… Foi a pala amarela, não resisti.

 

 

ROCA ‘N’ ROLL!!

Sporting – 3 (Tonel, Izmailov e Djaló), Homens da Trofa – 1 (Pinheiro)

Nível de endorfinas: muito satisfatório: festival de bola nos primeiros 35 minutos. Deu gosto ver o carrosel. 10 minutos para descansar até ao intervalo. 15 minutos iniciais da 2ª a adivinhar novos golos e com o losango a rodopiar e bem oleado. Depois, erro do Polga e mudou tudo, regressando a nuvem do ano passado. Com uma diferença: o jogo esteve sempre na mão dos homens de barba rija da equipa.

Momento-chave: Penalty e expulsão: se não tivessem acontecido, os homens da Trofa tinham saído com cinco ou seis no saco. E tinha sido a grande oportunidade para o Postiga marcar pelo Sporting…

Prémio El Dieguito: Sem discussão: golo de calcanhar do Djaló! Que maravilha. Menos óbvio: abertura do Roca para o Izmailov, minutos antes de sofrermos o penalty: classe pura!

Prémio Gladstone: O disparate da noite é cortesia de Anderson Polga. Péssimo timing na abordagem à bola, deixando escapar Zé do Gol e, depois, um erro infantil com consequências sérias para a equipa: golo sofrido, 10 em campo, ausência em Braga. Um capitão não faz disparates destes…

Prémio Zé Piqueno: Valdomiro, Areias, Milton do Ó: é escolher. Gostei especialmente dos pitons cravados na perna do Derlei (2ª parte) e do empurrão ao Djaló contra os placards de publicidade. Estes meninos vêm com a rodagem toda das batalhas campais do nosso futebol secundário.

Visão Zeman: O losango está num rodopio. E obedece ao mestre Roca. É verdadeiramente impressionante: o gajo define tudo: vai para o meio, logo alguém ocupa o seu lugar na direita. Vai para a direita e suga todo o meio campo, que o segue para pequenas tabelinhas. A sua movimentação define o jogo da equipa toda. E, depois, com a bola nos pés, faz tudo: lança a 25 metros, dá toques de meio metro para um gajo que vem atrás, é imprevisível e torna o Sporting imprevisível. Que tenha saúde, é o que se deseja. E muita caminha.

Substituições: A saída do Pipi não foi feliz. Perdemos o controlo do meio campo com um homem a menos. Já não havia ali ninguém para dar linhas de passe. E o Derlei e o Djaló estavam perdidos lá na frente. Quando entra o Pereirinha para o Djaló, a coisa melhorou, obviamente: 4-4-1, linhas de passe, progressão… tranquilo até ao fim.

Vivó Sporting… até morrer!: A entrega da Supertaça entre um anão e um gigantone, claro, foi o momento Sporting da noite. Mas não foi o único, infelizmente: a histeria colectiva que se seguiu ao lance do penalty fantasma, num jogo de 3-0, também é muito Sporting. E a assobiadela à saída do árbitro é sintomática deste modo de viver o futebol que eu me esforço para não partilhar (nem sempre consigo, admito). Apitar em Alvalade deve ser um pesadelo para qualquer árbitro. Depois, vê-se, só fazem merda… (o erro do Polga foi tão grosseiro como o do fiscal-de-linha. Ponto.)

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 1

O Cacifo do Paulinho passa, a partir de hoje, a ocupar semanalmente uma das suas prateleiras com a rubrica O Bloco de Notas do Gabriel Alves, um espaço onde analisaremos o próximo adversário ao mais ínfimo pormenor.

Sempre a pensar no Sporting e em todos os que nos visitam, esta será a primeira de muitas novidades que preparámos. Tantas, que acreditamos que até o Miguel Nuno virá do Oriente a galope na sua Oxallys, só para poder espreitar o que se passa neste blogue que é uma verdadeira dressage e luta sempre pela nota 10 em termos de reprise.

Aiô, Silver!

 

É um estádio bonito, novo… arejado

Sporting – Trofense

Sábado, 23 Agosto 2008
Alvalade XXI – Estádio José de Alvalade, às 20.45

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

Prevê-se uma excelente noite para a prática de futebol, com uma temperatura a rodar os 16º. Para quem vai para a bancada, a camisola oficial, versão manga comprida, será o ideal. Aos mais friorentos, aconselhamos que se façam acompanhar por um casaquinho (nem que seja para o mítico “pôr pelos ombros”). O cachecol é obrigatório.

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Trofense tem como objectivo a manutenção e deverá surgir em Alvalade com o seu esquema de 5-3-2 a dar ideia que é um 3-5-2. Portanto, três centrais para os nossos dois avançados e dois laterais, Zamorano e Areias (sim, esse mesmo) que normalmente estacionam na zona de meio campo. Na intermediária, Toni conta com a experiência de Delfim (sim, esse mesmo) e Ricardo Nascimento (que está em dúvida), acompanhados por Pinheiro. Na frente, aposta na velocidade de Hélder Barbosa e de um avançado mais fixo, que poderá ser Edu Sousa ou Zé Carlos, ou então de uma dupla mais móvel com a inclusão de Lipatín.

Começaram mal a época, perdendo 2-0 na Madeira, frente ao Nacional, para a Carlsberg Cup.

 

Este homem é um Mister

António Conceição, Toni para os amigos, é o homem que dirige a embarcação Trofense. Num estilo castiço, quiçá saloio, conta no seu currículo com uma subida de divisão ao serviço da Estrela da Amadora, com quem ficou depois em 9º lugar, tendo mesmo ganho em Alvalade, por 1-0, num jogo em que o Sporting fez mais de 20 remates à baliza e em que Liedson falhou um penalti, já nos descontos. Tendo já passado pela Naval e Vitória de Setúbal, repetiu a subida na época passada, fazendo história ao trazer o clube da Trofa ao convívio com os maiores do nosso “futebolinho”.

 

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

Hélder Barbosa, emprestado pelo FCP, é a mais valia desta equipa, mas por vezes esquece-se que não está a jogar sozinho. Ricardo Nascimento é patrão. David Caiado e Tiago Pinto são dois produtos da nossa Academia que dificilmente pisarão o relvado de Alvalade. O primeiro tem estado lesionado, o segundo tem que convencer o Mister Toni que é melhor que o camelo. Perdão, que o Areias.

 

A vantagem de ter duas pernas!

Uma defesa liderada por Milton do Ó e Valdomiro, a que se junta o Areias (cheira-me que este rapaz está na rua antes do intervalo, mas pode ser só impressão minha), merece levar pelo menos quatro batatas, mas nesta galeria de cromos da equipa adversária prefiro destacar Zamorano. Porquê? Mede 1,60m e quase aposto que tem um Fiat Punto todo “tunnado”

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, já sabes que o Trofense vem jogar para o 0-0, fechadinho com cinco defesas, portanto a ideia é carregar pelas alas. Os laterais deles ficam lá atrás, os médios têm que ajudar nas linhas e o centro do terreno dos gajos fica descompensado. Descompensado e esgotado, porque há lá gente prontinha a pendurar as chuteiras.

 

Vamos jogar no Totobola

Sporting – Trofense: 1

A “caminha” do Sporting

Aproveito a onda de bom senso dos nossos vizinhos sobre a histeria colectiva que, órfã dos McCann, decidiu, este Verão, virar-se para o desporto (enquanto prática física que não se resume ao pontapé na bola). E aproveito, sobretudo, a sua óptima observação objectiva do fenómeno para contextualizar o papel do Sporting em todo este cenário moralista. Estou à vontade porque só me interesso a sério por dois desportos. Uma escolha pessoal e de vida. Com o objectivo, aliás, de tentar ter uma vida.

Não fico, por isso, particularmente afectado se os nossos atletas não ganham. Mas, como acredito que os ídolos nos desportos geram potenciais atletas em todos nós, estimulam a prática desportiva na sociedade e, no limite, melhoram a saúde do país, acho um pouco preocupante o que se está a fazer com estes tipos. E, embora ache que o rapaz do peso ficará para a história do país com uma das declarações públicas mais disparatadas (ou hilariantes) de sempre, parece-me que os atletas são o último e mais fraco anel de uma longa cadeia de incompetência. Não são eles os principais culpados por nenhum puto dizer, daqui para a frente, “pai, quero ser como o Marco Forte” ou “mãe, deixa-me saltar para a areia como a Naide Gomes”. Quando muito, alguns pais mais engenhosos conseguirão convencer as crianças a sair da cama com a ameaça de que “não queres ser gozado como o Fortes, pois não”.

Os clubes são, para mim, os principais responsáveis por esta perda de credibilidade do desporto em Portugal. Não há ídolos. Há piadas. O preço é que, daqui a uns anos, não haverá atletas. Haverá mais Malucos do Riso. E isso é culpa dos clubes no geral e do Sporting em particular. É claro que há uma grande falta de organização federativa e olímpica, porque os meios, embora parcos parecem garantir os mínimos, literalmente. Aliás, parece que, de repente 15 milhões de euros chegavam para pôr Portugal no topo do mundo: para quem não tem noção, isso é quase uma gota do Orçamento de Estado. E é “peanuts” comparado com os benefícios que os clubes têm por serem de utilidade pública. Precisamente pelo seu papel na sociedade.

O Sporting, focado nas receitas, nos EBITDA, no project finance, no futebol, esqueceu-se do seu papel como formador de atletas de alta competição, de ídolos do desporto. O papel que tem na disponibilização de condições para a sociedade praticar desporto. O presidente já disse que, tendencialmente, o Sporting será um clube de futebol, ao estilo britânico. Eu já defendi, aqui, a importância do papel dos clubes no modelo associativo do desporto português. O Sporting construiu um estádio excelente para o futebol, um dos dois desportos que eu sigo (depois de ter acabado com o outro). Mas ignorou a piscina, a pista de atletismo, o ginásio (no estilo clássico e não pós-moderno de engate), os treinadores, os projectos a prazo, os protocolos com as escolas, os saraus, os estágios de formação, os encontros regionais, etc. Enfim, ignorou o seu papel social. Deixou isso na mão dos pais endinheirados (não admira que, depois, tenhamos o destaque dado ao patético dressage ou ao rapaz da vela de Cascais que está cansado. Ou, a outro nível, ao raguêbi). Esses não preocupam. Os seus frustrados praticantes têm opções na vida. Mas os milhares de putos que não têm onde praticar desporto, a única coisa que fazem é olhar para a TV, jogar playstation e sonhar em ser o Cristiano Ronaldo (e vão encher os bolsos dos génios que dirigem as escolas particulares de futebol).

Deixo um exemplo que indigna especialmente quem tem 15 anos de desporto federado. Hoje, para treinar qualquer desporto num dos grandes clubes portugueses, é preciso pagar. Pagar!!!! E não é pouco. Antes, davam-nos condições muito básicas, mas não nos obrigavam a pagar. Aqueles que gozam com os atletas olímpicos e indignam-se com o “dinheiro dos contribuintes”, deviam era protestar no próximo jogo do Sporting, Benfica ou Porto. Porque são eles que estão a fazer a “caminha” ao desporto nacional.

Tudo ou nada

Fábio Paim vai jogar esta época no Chelsea, ou melhor, na equipa B do Chelsea, tentando convencer Scolari que tem lugar na equipa principal (fingir que gostas de Roberto Leal pode ser uma ajuda, Paim).

Se conseguir, o Chelsea pode exercer direito de opção sobre o extremo que, enquanto craque das camadas jovens, tantos sonhos alimentou nas mentes sportinguistas. Caso perca a oportunidade, regressa a Portugal, correndo o risco de voltar a um Trofense ou a um Paços de Ferreira.

No fundo, é o tudo ou nada para Fábio Paim e para o meu cérebro que, no seu arquivo de jogadores, continua à deixá-lo à solta, incapaz de decidir se há-de catalogá-lo como bluff ou talento desperdiçado.

Assim está bem, Miguel

«Infelizmente não poderei jogar no primeiro jogo da Liga, frente ao Trofense, mas vou trabalhar para continuar a ajudar o Sporting nos outros jogos. Um jogador do F.C. Porto (Sapunaru) dizia antes do jogo da Supertaça que não chegávamos para eles, mas demonstrámos o contrário e vamos querer dar continuidade a este trabalho».

Estás a ver, Miguel, como, por muita vontade que tenhas de jogar em Inglaterra ou Itália, não custa nada ter um discurso digno da camisola que vestes? Diz lá ao João para também guardar os sonhos para a hora de ir dormir e, já agora, aproveitem para pôr os olhos na forma como o Polga, que nem terá tempo para receber tantos convites como vocês ainda vão receber, tem gerido as propostas que lhe dariam bastante mais dinheiro do que aquele que recebe em Alvalade.