A “caminha” do Sporting

Aproveito a onda de bom senso dos nossos vizinhos sobre a histeria colectiva que, órfã dos McCann, decidiu, este Verão, virar-se para o desporto (enquanto prática física que não se resume ao pontapé na bola). E aproveito, sobretudo, a sua óptima observação objectiva do fenómeno para contextualizar o papel do Sporting em todo este cenário moralista. Estou à vontade porque só me interesso a sério por dois desportos. Uma escolha pessoal e de vida. Com o objectivo, aliás, de tentar ter uma vida.

Não fico, por isso, particularmente afectado se os nossos atletas não ganham. Mas, como acredito que os ídolos nos desportos geram potenciais atletas em todos nós, estimulam a prática desportiva na sociedade e, no limite, melhoram a saúde do país, acho um pouco preocupante o que se está a fazer com estes tipos. E, embora ache que o rapaz do peso ficará para a história do país com uma das declarações públicas mais disparatadas (ou hilariantes) de sempre, parece-me que os atletas são o último e mais fraco anel de uma longa cadeia de incompetência. Não são eles os principais culpados por nenhum puto dizer, daqui para a frente, “pai, quero ser como o Marco Forte” ou “mãe, deixa-me saltar para a areia como a Naide Gomes”. Quando muito, alguns pais mais engenhosos conseguirão convencer as crianças a sair da cama com a ameaça de que “não queres ser gozado como o Fortes, pois não”.

Os clubes são, para mim, os principais responsáveis por esta perda de credibilidade do desporto em Portugal. Não há ídolos. Há piadas. O preço é que, daqui a uns anos, não haverá atletas. Haverá mais Malucos do Riso. E isso é culpa dos clubes no geral e do Sporting em particular. É claro que há uma grande falta de organização federativa e olímpica, porque os meios, embora parcos parecem garantir os mínimos, literalmente. Aliás, parece que, de repente 15 milhões de euros chegavam para pôr Portugal no topo do mundo: para quem não tem noção, isso é quase uma gota do Orçamento de Estado. E é “peanuts” comparado com os benefícios que os clubes têm por serem de utilidade pública. Precisamente pelo seu papel na sociedade.

O Sporting, focado nas receitas, nos EBITDA, no project finance, no futebol, esqueceu-se do seu papel como formador de atletas de alta competição, de ídolos do desporto. O papel que tem na disponibilização de condições para a sociedade praticar desporto. O presidente já disse que, tendencialmente, o Sporting será um clube de futebol, ao estilo britânico. Eu já defendi, aqui, a importância do papel dos clubes no modelo associativo do desporto português. O Sporting construiu um estádio excelente para o futebol, um dos dois desportos que eu sigo (depois de ter acabado com o outro). Mas ignorou a piscina, a pista de atletismo, o ginásio (no estilo clássico e não pós-moderno de engate), os treinadores, os projectos a prazo, os protocolos com as escolas, os saraus, os estágios de formação, os encontros regionais, etc. Enfim, ignorou o seu papel social. Deixou isso na mão dos pais endinheirados (não admira que, depois, tenhamos o destaque dado ao patético dressage ou ao rapaz da vela de Cascais que está cansado. Ou, a outro nível, ao raguêbi). Esses não preocupam. Os seus frustrados praticantes têm opções na vida. Mas os milhares de putos que não têm onde praticar desporto, a única coisa que fazem é olhar para a TV, jogar playstation e sonhar em ser o Cristiano Ronaldo (e vão encher os bolsos dos génios que dirigem as escolas particulares de futebol).

Deixo um exemplo que indigna especialmente quem tem 15 anos de desporto federado. Hoje, para treinar qualquer desporto num dos grandes clubes portugueses, é preciso pagar. Pagar!!!! E não é pouco. Antes, davam-nos condições muito básicas, mas não nos obrigavam a pagar. Aqueles que gozam com os atletas olímpicos e indignam-se com o “dinheiro dos contribuintes”, deviam era protestar no próximo jogo do Sporting, Benfica ou Porto. Porque são eles que estão a fazer a “caminha” ao desporto nacional.

Tudo ou nada

Fábio Paim vai jogar esta época no Chelsea, ou melhor, na equipa B do Chelsea, tentando convencer Scolari que tem lugar na equipa principal (fingir que gostas de Roberto Leal pode ser uma ajuda, Paim).

Se conseguir, o Chelsea pode exercer direito de opção sobre o extremo que, enquanto craque das camadas jovens, tantos sonhos alimentou nas mentes sportinguistas. Caso perca a oportunidade, regressa a Portugal, correndo o risco de voltar a um Trofense ou a um Paços de Ferreira.

No fundo, é o tudo ou nada para Fábio Paim e para o meu cérebro que, no seu arquivo de jogadores, continua à deixá-lo à solta, incapaz de decidir se há-de catalogá-lo como bluff ou talento desperdiçado.

Assim está bem, Miguel

«Infelizmente não poderei jogar no primeiro jogo da Liga, frente ao Trofense, mas vou trabalhar para continuar a ajudar o Sporting nos outros jogos. Um jogador do F.C. Porto (Sapunaru) dizia antes do jogo da Supertaça que não chegávamos para eles, mas demonstrámos o contrário e vamos querer dar continuidade a este trabalho».

Estás a ver, Miguel, como, por muita vontade que tenhas de jogar em Inglaterra ou Itália, não custa nada ter um discurso digno da camisola que vestes? Diz lá ao João para também guardar os sonhos para a hora de ir dormir e, já agora, aproveitem para pôr os olhos na forma como o Polga, que nem terá tempo para receber tantos convites como vocês ainda vão receber, tem gerido as propostas que lhe dariam bastante mais dinheiro do que aquele que recebe em Alvalade.

Simples pontos de vista?

Aproveitando para fazer mais uma capa “à Benfica”, A Bola volta a tentar vender o Moutinho, garantindo que os enviados do Everton passaram a noite reunidos com os dirigentes do Sporting e que o Moutinho deve estar mesmo de malas aviadas rumo ao seu sonho.

Entretanto, O Jogo, noticia que “A especulação em torno da transferência de João Moutinho para os ingleses do Everton continua a suscitar várias informações contraditórias nos órgãos de informação de terras de “Sua Majestade”, que ontem, em particular o “Telegraph”, apontavam como certa a viagem de representantes do clube de Liverpool para Lisboa, com o intuito de “fechar” o negócio com os responsáveis leoninos. Porém, segundo O Jogo apurou, a Sporting, SAD desconhece qualquer diligência de representantes dos “toffees” na tentativa de contratar o capitão leonino”.

Por curiosidade, espreitei o Record e o que li foi o seguinte: “O jornal inglês “Daily Mail” noticiou na sua edição de ontem que o Everton terá enviado emissários a Lisboa no sentido de fazer uma derradeira investida junto do Sporting por João Moutinho. Record sabe, no entanto, que a SAD leonina não tinha, ontem, qualquer encontro agendado nem informações sobre a pretensa comitiva do clube de Liverpool”.

Com Tomates (II)

(Aproveitando o mote do Silas)

 

De escassez do fruto do tomateiro, está Soares Franco a sofrer.

Não entendo o convivio que manteve com o Al Capone tripeiro no passado Sábado.

Durante muitos anos assistimos a arbitragens infames, roubos incríveis. Agora é a hora de afirmar que tínhamos razão no “luto” de Roquette, ou no “sistema” de Dias da Cunha! Chega de palmadinhas nas costas e cocktails de conveniência, chega de hipocrisia, não quero lavar as mãos, é hora de marcar posição!

 

Lá no alto do camarote, enquanto segura a cigarrilha na mão direita, o nosso mais alto dirigente devia, discretamente, pousar o copo, enfiar a mãozinha da aliança no bolso esquerdo e verificar se os ditos o acompanham ou… ficaram no bar.

Com tomates

 

 

Há por aí nas paragens de autocarro um novo anúncio a uma marca de ketchup.

Mostra uma embalagem de ketchup transparente com tomates lá dentro.

E diz “feito com 8 a 11 tomates”. Simples. A Calvé informa que tem um ketchup feito com tomates. E reparem, eu consegui registar logo à primeira que se trata de um anúncio da Calvé.

E não da Heinz.

Este ano, eu queria que o Paulo Bento fizesse o mesmo.

Eu queria que o Paulo Bento fosse mais Calvé e, por exemplo, menos Super Bock.

A Super Bock anda sucessivamente, há algumas temporadas, a fazer as mais rebuscadas analogias com cerveja e garrafas e rótulos e barris e caricas. Poupem-me. Eu só queria que me mostrassem que a Super Bock é uma cerveja que se bebe bem. Pensem nisso. Paulo, pensa nisso. O pessoal quer mais ketchup e menos bejeca. E tu, desta vez – tu sabes que sim – tens mesmo uma equipa com tomates. Bora lá, caneco.

“Vai lá levantar mais uma taça”

O que esta supertaça mostrou foi a solidez mental e competitiva desta equipa. Os interruptores técnicos, tácticos e físicos vão andar para cima e para baixo ao longo da época. Cá estaremos para os ligar e desligar. Mas o que vi hoje foi uma equipa que já passou a fase das taças. Já chega, já toda a gente sentiu o que é voltar a ganhar com o Sporting. É bom, sobretudo porque continuamos com uma bizarra superioridade moral sobre os tripeiros (e nada bizarra sobre os lampiões). Mas já nos vamos habituando. Agora é o momento de concretizar essa superioridade. Aproveitando a imagética destes dias, a prata e o bronze são fixes até sentirmos que temos mais do que capacidade para chegar ao ouro. E temos. Capacidade e muita vontade.

Já cá canta!

Estádio do Algarve
Sporting 2-0 FC Porto
Bis de Djaló e mais uma Supertaça (e mais uma vitória sobre os andrades, a quarta nos últimos cinco confrontos)
Vamos dormir sorridentes, mas desde já ficam abertas as portas do Cacifo à troca de opiniões sobre o que este jogo pode valer no desenrolar da época que agora começa.
Spooooooooooooooooooooooorting!