O Cacifo do Paulinho

MEDO CÉNICO

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Barcelona: 3 (Márquez, Eto’o, Xavi); Sporting: 1 (Tonel)

Nível de endorfinas: baixo. Ao contrário do que parece ter sido o sentimento dominante entre a comunidade leonina, desconfiava que o jogo ia ser assim. Por uma razão simples: em Portugal, joga-se futebolinho. Em Espanha, joga-se o melhor futebol atacante da Europa. Os rapazes da nossa equipa entraram com medo. Medo do estádio, medo do ambiente, medo dos colegas de profissão. E o medo não desapareceu por várias razões (uma delas, táctica, como se explica abaixo). Mas acima de todas, o medo cresceu porque é ali, no meio da relva, dos passes ao primeiro toque, da pressão à zona e à bola, dos “regates” cegos, que os jogadores do Sporting percebem que há outro futebol “lá fora”.

Momento-chave: Entrada em jogo. É verdade que a última substituição do Paulo Bento acabou com a ténue ilusão de que ainda íamos lá. Mas era uma ilusão. Não decidiu nada.

Prémio El Dieguito: Nunca este galardão estará tão bem entregue. O digno sucessor de El Dieguito teve vários momentos que dão a dimensão poética a este vil e rude jogo. O meu preferido foi o primeiro, nó cego no Moutinho, simulações com a bola colada ao pé, remate em arco a rasar o poste. Quem joga ou jogou à bola sabe o difícil que é fazer aquilo…

Prémio Gladstone: Disparate colectivo: o lance do primeiro golo do Barça é patético (falha de marcação antes do remate e apatia depois).

Prémio Zé Piqueno: Cacetada de Abel sobre o Iniesta. Os dentes cerrados do português traduzem bem a má rês deste lance.

Visão Zeman: Início muito fraco por clara inferiodade mental e futebolística. Mas também táctica. O Barça esticou o jogo para as alas (o Moutinho admitiu que a equipa foi surpreendida por isso) e o losango gripou. O abuso do biqueiro para a frente, sem estratégia para criar zonas (bolhas de respiração) mais perto para segurar a bola, mostra a impreparação táctica. E, a defender, o meio-campo subia na pressão e a defesa ficava atrás, com medo. Resultado: 10 metros de campo aberto, entre os dois blocos, para o toque-toque campeão da Europa encontrar vias para fluir o jogo.

Na segunda parte, criou-se zonas para segurar a bola no início do ataque, a defesa subiu para perto do meio-campo, recuperando várias bolas. Mas o ataque não funcionou pela tensão com que os jogadores disputaram cada bola. Depois, bom, depois veio uma das decisões mais infelizes do Paulo Bento ao serviço do Sporting: meter o Veloso a defesa esquerdo, num daqueles (poucos) jogos por época em que o rapaz corre a pressionar quem tem a bola e joga com a concentração toda, é um disparate enorme. E meter o Rochemback no meio, com 75 minutos nas pernas, é um tiro no pé. Como se viu: duas perdas de bola no centro, deram duas oportunidades (por acaso falhadas). Diz ele que foi para lançar o Izmailov e o Pereirinha nas alas. Mas haverá alguém melhor a meter passes a 30 metros que o Veloso (na versão Champions)?

Vivó Sporting… até morrer: Os 1700 adeptos presentes em Camp Nou. Excelente! Durante longos períodos, calámos o estádio (mais pelo desinteresse dos culés). Mas fica sempre bem ouvir os nossos cânticos naquela catedral da história do futebol. E adorei os longos minutos a cantar “Figo, Figo”, mesmo antes do nosso golo.

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