Ir a Alvalade também é isto

Na década de 90, em redor do velhinho Estádio, existiam insuportáveis senhoras em pré-reforma ansiosas por nos espetarem um autocolante na peitaça, pela módica quantia de 300 escudos (mas era um autocolante prateado e brilhante com o símbolo do Sporting no meio, ao melhor estilo daqueles que nos impediam de terminar as colecções de cromos dos campeonatos dos mundo).

Hoje, em redor do moderno Estádio, existem gajos carregados destes flyers, convidando-nos a jantar num local onde senhoras bem mais experientes do que as tais em pré-reforma estão ansiosas por sentar-se à nossa mesa e começar a pedir copos em que 1,5€ deve servir apenas para o gelo. O que vale é que, diz o flyer, a segunda bebida é oferta.

COM AÇÚCAR MAS SEM CANELA

Sporting – 2 (Postiga e Romagnoli); Pastéis – 0

Nível de endorfinas: Suficiente. Vitória tranquila, sem grande espectáculo. É o grande paradoxo deste Sporting, versão Bento (com jogadores qualificados)… Equipa competitiva, competente, concentrada. Sem correr riscos desnecessários. Marcar e ganhar. Para ver espectáculo, vai-se ao cinema. Paradoxo: não gosto mas quero ganhar. Houve uma equipa, esta semana, que deitou 45 minutos fora e depois andou a correr para marcar e não conseguiu (por azar e ansiedade). Perdeu mais dois pontos para o líder. Parecido com o ano passado, não? Os nomes dos clubes é que estão trocados…

Momento-chave: Uma das defesas do Rui Patrício. Segurou os três pontos. E ajuda a mudar o rumo desta época. No ano passado, podia ter dado um pato e gastar dois ou três pontos. Este ano, segurou os mesmos pontos.

Prémio El Dieguito: Toque, junto à linha lateral, do Izmailov, que tirou logo um adversário do lance, que ainda deve andar, a esta hora, à procura da bola. Viste Vuk? Foi bonito, não foi? Fazes melhor?

Prémio Gladstone: Para o Belenenses, mais concretamente para a preparação desta época. Quem é o responsável pelo mutante futebolístico que se exibiu ontem em Alvalade?

Prémio Zé Piqueno: (devido a problemas técnicos alheios ao Cacifo, este prémio fica por atribuir, esta semana).

Visão Zeman: Losango bem oleado, a defender e a atacar. Muita dinâmica, muito óleo a passar nas roldanas, com as subidas do Abel, os passes (sortidos) do Roca, a velocidade com critério do Izmailov, os apoios do Pipi. Contra defesas a 3, é um doce… os lados do losango chamam os laterais avançados e abrem um buraco enorme nos últimos 15 metros nas faixas até à linha de fundo. Então quando o Djaló descaía, levando um central, aquilo era um passador. Pena a mentalidade pragmática. Com o “mindset” Peseiro, tinham sido cinco ou seis.

Segunda leitura: o Sporting continua com um problema importante na posição de trinco. Não tem ninguém melhor que o Moutinho para equilibrar a equipa na recuperação defensiva. O Veloso não sabe ou não quer. E o Adrien não tem ainda “cabedal”. Mas o Moutinho rende muito mais a 10 que o Pipi. Pode ser novamente um duplo problema grave lá mais para a frente, quando começar a chover…

Vivó Sporting… até morrer!: Dá gosto gritar GOLO! num obscuro café no meio de uma deserta Castanheira de Pêra…

Será que já podemos chamar “caso” a isto?

«Decidi que vou sair em Dezembro. Hoje joguei mais do que quatro minutinhos. Joguei mais do que em toda a temporada, mas não estou aqui para falar do jogo. Eu só queria jogar e ajudar a equipa, mas isso pelos vistos é mau aqui. É uma situação muito difícil para mim, mas vou dizer ao clube que decidi sair em Dezembro. É difícil para mim, mas vou sair. Muito obrigado aos adeptos pelo apoio que me deram sempre, mas assim não podia continuar. Que esta seja a melhor solução para o Sporting, ao qual desejo tudo de bom. (…) Ainda não tenho clube, mas tenho três meses para o encontrar. Não quero é estar mais tempo sem jogar»

Vukcevic, no final do jogo com o Belenenses

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – jornada 3

É um estádio bonito, novo… arejado

Sporting – Belenenses

Sábado, 20 Setembro 2008
Estádio José Alvalade, 20.30

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

Amanhã vão estar quase 30º, menos uma dúzia quando chegarmos às bancadas, mas os senhores dos anticiclones dizem que é capaz de chover. Eu vou de camisola oficial, de manga comprida. Quem levar chapéu de chuva é maricas!

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Belenenses começou a época com uma derrota natural, no Dragão, e com um empate em casa, com o Paços de Ferreira. No fundo, confirmou-se que a saída de Rolando, Alvim, Hugo Alcântara e Ruben Amorim fragilizaram os meninos do Restelo, principalmente na defesa, que tem vivido em constante sobressalto.

 

Este homem é um Mister

Directamente de Honk Kong para o Restelo, Casemiro Mior foi o homem escolhido para ocupar o lugar deixado em aberto por Jorge Jesus. Depois de ter feito figura à frente do Nacional, onde alcançou o quarto lugar, Mior voltou a fazer-se rodear de duas mãos cheias de brasileiros para tentar manter o Belenenses nos lugares cimeiros. Sinceramente, não acredito que consiga impor o seu samba na terra dos pastéis.

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

Se o nosso camarada Cintra fosse treinador do Sporting, Zé Pedro vestia de verde e branco. É pelos pés deste número 10 que passa todo o creme da equipa pastel, bem secundado por um tal de Silas que, e só lhe fica bem, esteve ao lado de alguns cacifeiros, no Rossio, a festejar o título alcançado sob a batuta de monsieur Bölöni.

 

A vantagem de ter duas pernas!

Wender, esse jogador patético que só se identifica com a camisola do Braga, vai fazer-nos uma visita, mas aposto na dupla Carciano / Wanderson Baiano para enterrarem o pastel e para entrarem na lista do “este gajo não chega ao fim do jogo”. Areias e João Pereira não escaparam à “maldição”. A ver vamos se estes se safam.

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, Paulo, Paulo… ao contrário do que disseste na entrevista à Sic Notícias, eu acho que este ciclo que agora começa tem o seu quê de decisivo. Não queres que acredite que estar em primeiro na Liga e com 6 (ou 4, na pior hipótese) pontos na Champs depois de jogar com Belenenses, Benfica, Basileia, Porto e Shakhtar, não representa um passo muito importante para uma época como todos ambicionamos, pois não? Vá, então trata de esmagar a atarantada defesa dos pastéis, colocando em campo uma equipa que saiba o que significa a palavra “atitude”. E, se possível, sem o Pipi.

 

Vamos jogar no Totobola

Sporting – Belenenses: 1

Porque não joga o Vuk?

a) porque não passa uma bola aos colegas?
b) porque não brinca com o Paulinho?
c) porque não gosta de futebol?
d) porque não controla o riso quando Tiuí tenta controlar uma bola?
e) porque o Paulo Bento é ciumento?
f) porque estraga o penteado ao Miguel Veloso?
g) porque faz birras nos treinos?
h) porque não devolveu os cromos dos Morangos ao Moutinho?
i) porque adormece nas palestras do Paulo Bento?
j) porque nós gostamos demasiado dele?
k) porque tirou o Sporting do 7º lugar no ano passado?
l) porque tem uma pila maior que a do Paulo Bento?
m) porque não subscreveu o empréstimo obrigacionista?

A resposta andará algures pela a), pela g) e pela l)… mas que já tenho saudades do rapaz, lá isso tenho…

MEDO CÉNICO

Barcelona: 3 (Márquez, Eto’o, Xavi); Sporting: 1 (Tonel)

Nível de endorfinas: baixo. Ao contrário do que parece ter sido o sentimento dominante entre a comunidade leonina, desconfiava que o jogo ia ser assim. Por uma razão simples: em Portugal, joga-se futebolinho. Em Espanha, joga-se o melhor futebol atacante da Europa. Os rapazes da nossa equipa entraram com medo. Medo do estádio, medo do ambiente, medo dos colegas de profissão. E o medo não desapareceu por várias razões (uma delas, táctica, como se explica abaixo). Mas acima de todas, o medo cresceu porque é ali, no meio da relva, dos passes ao primeiro toque, da pressão à zona e à bola, dos “regates” cegos, que os jogadores do Sporting percebem que há outro futebol “lá fora”.

Momento-chave: Entrada em jogo. É verdade que a última substituição do Paulo Bento acabou com a ténue ilusão de que ainda íamos lá. Mas era uma ilusão. Não decidiu nada.

Prémio El Dieguito: Nunca este galardão estará tão bem entregue. O digno sucessor de El Dieguito teve vários momentos que dão a dimensão poética a este vil e rude jogo. O meu preferido foi o primeiro, nó cego no Moutinho, simulações com a bola colada ao pé, remate em arco a rasar o poste. Quem joga ou jogou à bola sabe o difícil que é fazer aquilo…

Prémio Gladstone: Disparate colectivo: o lance do primeiro golo do Barça é patético (falha de marcação antes do remate e apatia depois).

Prémio Zé Piqueno: Cacetada de Abel sobre o Iniesta. Os dentes cerrados do português traduzem bem a má rês deste lance.

Visão Zeman: Início muito fraco por clara inferiodade mental e futebolística. Mas também táctica. O Barça esticou o jogo para as alas (o Moutinho admitiu que a equipa foi surpreendida por isso) e o losango gripou. O abuso do biqueiro para a frente, sem estratégia para criar zonas (bolhas de respiração) mais perto para segurar a bola, mostra a impreparação táctica. E, a defender, o meio-campo subia na pressão e a defesa ficava atrás, com medo. Resultado: 10 metros de campo aberto, entre os dois blocos, para o toque-toque campeão da Europa encontrar vias para fluir o jogo.

Na segunda parte, criou-se zonas para segurar a bola no início do ataque, a defesa subiu para perto do meio-campo, recuperando várias bolas. Mas o ataque não funcionou pela tensão com que os jogadores disputaram cada bola. Depois, bom, depois veio uma das decisões mais infelizes do Paulo Bento ao serviço do Sporting: meter o Veloso a defesa esquerdo, num daqueles (poucos) jogos por época em que o rapaz corre a pressionar quem tem a bola e joga com a concentração toda, é um disparate enorme. E meter o Rochemback no meio, com 75 minutos nas pernas, é um tiro no pé. Como se viu: duas perdas de bola no centro, deram duas oportunidades (por acaso falhadas). Diz ele que foi para lançar o Izmailov e o Pereirinha nas alas. Mas haverá alguém melhor a meter passes a 30 metros que o Veloso (na versão Champions)?

Vivó Sporting… até morrer: Os 1700 adeptos presentes em Camp Nou. Excelente! Durante longos períodos, calámos o estádio (mais pelo desinteresse dos culés). Mas fica sempre bem ouvir os nossos cânticos naquela catedral da história do futebol. E adorei os longos minutos a cantar “Figo, Figo”, mesmo antes do nosso golo.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Champions League, jornada 1

É um estádio bonito, novo… arejado

Barcelona – Sporting

Terça, 16 Setembro 2008
Camp Nou, 19.45

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

À hora do jogo a temperatura deve rondar os 18º, temperatura ideal para uma long sleeve por baixo da camisola às riscas verdes e brancas. Para quem fica em casa, equipamento completo, estando o uso de chuteiras dependente dos vizinhos de baixo.

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Barcelona começou muito mal a Liga. Perdeu em Numacia, empatou em casa com o Racing Santander e viu os adeptos mostrarem o seu desagrado. Acontece que uma equipa que tem, de trás para a frente, Daniel Alves, Puyol, Iniesta, Henry, Messi e Eto’o, entre outros, pode a qualquer momento fazer uma bruta jogatana. E é bom não esquecer que têm muito mais experiência de Liga dos Campeões. No fundo, há que estar confiante, mas sem esquecer quem está do outro lado.

 

Este homem é um Mister

Guardiola, alguém que admirei enquanto jogador, não está a ter um início de carreira de treinador nada fácil. A postura de líder que apresentava em campo parece manter-se, mas o Barça pode ser um projecto demasiado grande para quem dá os primeiros passos. Se houver paciência até pode ser que ele consiga impor as suas ideias, mas até lá vai cometer erros. Era bom que amanhã os cometesse (e nós os soubessemos aproveitar).

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

Messi é a figura maior, mas também há Eto’o. E Thierry Henry (a quem deixo a minha vénia e, para nosso próprio bem, o desejo de que nunca veja em campo um tal de “Tiuí Henry”)

 

A vantagem de ter duas pernas!

Olhando para os 11 que o Barça apresentou no jogos oficiais já disputados esta época, não consigo eleger um jogador que seja um “cepo”. Talvez possamos explorar o lado esquerdo da defesa, ocupado pelo Abidal, um jogador forte tacticamente mas com alguma tendência a fechar mais a zona interior do campo. Ponham o Pipi a descair para lá. Ah, e quem sabe se o Victor Valdes resolve fazer um daqueles jogos em que leva golos realmente patéticos.

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, esta é uma excelente altura para jogar e ganhar em Camp Nou. A pressão dos adeptos é grande e um mau início de jogo para os catalães pode significar assobios em catadupa. Assim, o meu conselho é que faças a equipa entrar em campo de olhos postos na baliza adversária, tendando ganhar o meio campo onde, à partida e confirmando-se o 4-3-3 adversário, teremos um homem a mais. Quem tiver medo, que fique em casa! (alguém que convidar o Vuk para ver o jogo?)

 

Vamos jogar no Totobola

Barcelona – Sporting: 1 X 2