Não Há Estrelas No Céu – Sporting

 

O Sporting dos Dirigentes. O Sporting do treinador. O Sporting dos jogadores. O Sporting, sim, por tudo isto e muito mais. Mas nunca o Sporting dos adeptos. Esse NÃO.

Onde e como terminará a nossa propensão para o suicídio colectivo?

Dirigentes inoportunos? Calam quando devem, falam quando devem calar o bico?

Um Director Desportivo que sofre de timidez aguda?

Um Treinador “Todo Poderoso” que faz a comunicação externa do clube? 

Um Treinador que arrasa um jogador numa conferência de imprensa?

Um Treinador que nos brinda semana após semana com um futebolzinho que ele considera satisfatório?

Um Treinador feudal em guerra com meio plantel?

Um Treinador casmurro que comete a façanha de retirar quase todos os jogadores da sua posição natural?

Uma Equipa dedicada a aviar charutos durante 90 minutos e bater em tudo o que mexe como forma de impedir o adversário de chegar à baliza ao mais puro estilo do melhor Boavista do Jaime Pacheco?

Jogadores representados por empresários que exigem por decreto serem eles a escolher o onze?

Jogadores que mirram em vez de crescer futebolisticamente de época para época?

A autofagia está servida, meus senhores.

 

P.S. – Podia ser o Jorge Jesus a figura da semana. Mas isso é óbvio demais. Não o disse ele mas garanto eu. Com este plantel, dava 10 pontos de avanço e o campeonato acabava na primeira volta.

O homem fala! (take 1)

Fantástico! Afinal, Pedro Barbosa, o nosso director desportivo fala! E até escolhe uma boa altura para fazê-lo, pois com tanta notícia sobre o que se passa no nosso balneário era altura de alguém com responsabilidades, que não o treinador, viesse dar a cara.

Avancemos então para a análise à entrevista que o Pedro dá hoje ao jornal O Jogo, começando pela explicação de um dos casos mais antigos do plantel, Stojkovic, que Barbosa diz ser “um caso distinto”.

“(…) partimos para esta época com o objectivo de ter um plantel equilibrado, consistente, competitivo, para estarmos mais preparados para atacar todas as frentes. E não é para seis meses: é para uma época. Mas a situação do Stojkovic é claramente distinta da do Simon. Tentámos encontrar uma solução, não foi possível, mas está integrado no plantel. Em Janeiro, cada situação será avaliada consoante a sua especificidade. No caso de Stojkovic, porventura, poderemos voltar a tentar encontrar uma solução, procurando colocação noutro clube”

Portanto, basicamente o Stojkovic só foi inscrito para o caso do Patrício, o Tiago, o Baptista e o Golas serem atacados pela gripe em simultâneo e, se possível, vai ser despachado em Janeiro. É pena. Está ali o melhor guarda-redes a jogar em Portugal e o melhor que tivemos desde a saída do Schmeichel. Mas pronto, nem na Liga Intercalar tem oportunidade de jogar. Assunto encerrado (pelo menos até o Stoj ser vendido e vir dar uma entrevista arrasadora).

Pesos e medidas

O Moutinho diz que quer jogar a 10, mas joga em todo o lado menos aí.
O Veloso diz que é a trinco que gosta de jogar, passa de defesa esquerdo para interior esquerdo e daí para a bancada.
O Vuk diz que pediu várias vezes para jogar descaído para a direita, mas é visto como uma espécie de extremo esquerdo (talvez fosse melhor dizer “um interior mais ofensivo).
O Rochemback estava farto de jogar como interior direito, jogou a trinco em Donetsk, fez falta estúpida atrás de falta estúpida (muitas delas ao pé da área), disse logo a seguir que aquela era a sua posição e… ganhou o lugar que desejava (e continuou a fazer falta estúpida atrás de falta estúpida).

Os pesos e as medidas não deviam ser todos iguais? Ou será que quanto mais gordo, melhor?

p.s. – é maravilhoso assistir aos critérios editoriais do jornal A Bola. Quem mais se lembraria de ir a correr perguntar ao empresário Paulo Barbosa o que pensa do facto do Veloso e do Yannick terem ficado de fora da convocatória?

GOLO PROCURA-SE

Nível de endorfinas: Baixo, para variar. Hoje não ganhámos e, curiosamente, não encantámos. O que correu mal? Não marcámos em nenhuma das três ou quatro oportunidades durante o jogo todo. Na Ucrânia, marcámos uma em duas. Em Leiria, marcámos uma em três. Na Luz, nenhum em duas. Contra o Porto, uma em duas ou três. A diferença: Liedson… falhou um golo fácil. O problema não foi ter falhado esse, foi não ter tido mais nenhuma assim tão clara… e vamos lá ver se nos entendemos, ó Paulo… O nosso adversário de hoje é uma equipa de futebol fraca… A defesa, então, é um pavor, como se viu em alguns momentos da primeira parte… E, depois, há outra questão: comprámos jogadores experientes para jogar estes jogos, a roçar a Liga dos Últimos (GNRs em vez de bandeirinhas, cobertores a aquecer mulheres feias, muros sem tinta, redes de galinheiro, putos bêbados a gritar…)… ok, não levámos quatro como no passado. Palmas, espero que isso te faça dormir descansado. Eu, se mandasse no Sporting, certificava-me que tu não dormias descansado esta noite.

Momento-chave: Defesa de Rui Patrício, a dez minutos do fim. Excelente, a salvar um pontinho. Já não subtrai, adiciona…

Prémio Gladstone: dois nomeados: Abel, quando define uma nova forma de defender em pressão: empurrar… e nem nisso é capaz, já que é ultrapassado, puxa a camisola e obriga o Moutinho a fazer falta para amarelo… Roca, quando conduz a bola pelo meio, passando vários adversários e colegas em direcção… à grande área do Sporting… se não fosse o Grimi, era golo!

Prémio Zé Piqueno: Tonel, é escolher.

Prémio El Dieguito: Mais uma excepção à regra: Cassio, ex-guardião do Macaé, nome de marca antiga de relógios dos anos 80, fez duas excelentes estiradas a remates de Postiga. Merece um prémio e, à falta de melhor, este é dele.

Visão Zeman: Curiosamente, a equipa até jogou com alguma ambição táctica: jogou alta, os laterais começaram a atacar acima da linha do meio campo e isso é bom. O Roca até varreu bem, apesar das faltas estúpidas. De resto, Romagnoli sem chama (já está! A hora já mudou, adeus Romagnoli, até Março…), Moutinho perdido e Izmailov não é jogador para estes jogos… Só com a dinâmica de Postiga e Liedson é que se conseguiu pôr o losango a funcionar, com as subidas do Abel e o apoio, aos bochechos, do Moutinho.

Ao intervalo, volta-se a avistar o 4-4-2, com o Moutinho e o Roca a funcionarem, não em linha, mas como um fole (aperta e foge). Mas acabou rápido, até o Izmailov desaparecer completamente e o Pereirinha errar o suficiente para se esconder da bola. Depois, bom, depois novo erro parecido com o do Djaló contra o Porto… Postiga a dez! Moutinho para a direita. Pereirinha para lateral.. E logo quando o Moutinho estava a aquecer a dez (um remate com selo de golo)… O Moutinho tem muita paciência e demasiado bom feitio…

Vivó Sporting… até morrer!: Não houve nada de particularmente edificante para a alma sportinguista. Como tal, levanto questões: porque é que o Djaló não foi convocado? O jogador em melhor forma no início da época, vai à selecção, regressa para o banco, joga a dez e… desaparece! Porque é que o Paulo Bento só agora sentiu necessidade de deixar cair o Vukcevic perante os adeptos (ao mesmo tempo que se faz algo semelhante na VCI com o guarda-redes)? E porque é que o Miguel Veloso só sai agora da convocatória, quando anda a jogar desde o início da época em total sub-rendimento?

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 6

É um estádio bonito, novo… arejado

Paços de Ferreira – Sporting

Domingo, 26 Outubro 2008
Estádio da Mata Real, 21.00

 

Uma humidade relativa, muito superior a 100%

O Cacifo sugere que se preparem para o frio, pois a temperatura na capital do móvel convida ao cachecol bem junto ao pescoço. Curiosamente, o nosso presidente, depois de ter trocado o jogo em Leiria por um torneio de golfe, vai ficar em casa, ao que foi noticiado por ter sido aconselhado pelos médicos a repousar e a recuperar de uma “agenda de trabalho sobrecarregada”. Como diria o Paulo Bento, eu não sou médico nem espião, mas não resisto a recuperar esta tirada do Soares Franco, em entrevista ao DN: “Acha que um sócio do Sporting vai ver um jogo a Braga, num domingo às 21h00? Nem eu vou, e sou o presidente, se no dia a seguir tiver aqui uma obrigação às nove da manhã…”. Digam lá que não é um homem de palavra? Ah, grande militante!

 

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…

O Paços esteve com um pé na divisão de Honra, mas acabou por ficar no escalão principal. José Mota saíu, para o Leixões (adoro o Leixões) e entrou Paulo Sérgio, que parece ter herdado aquela forma de jogar assente em jogadores velozes na frente, como Edson ou Cristiano. Aliás, este Paços é uma equipa que até marca, mas para mal dos pecados dos seus adeptos sofre ainda mais. Em resultado disso, os “castores” têm apenas um ponto conquistado em 15 possíveis. 

 

Este homem é um Mister

Pouco ou nada conhecido, tendo já passado pelo Santa Clara, Paulo Sérgio não tem metade do estilo de José Mota. Falta-lhe, acima de tudo, o boné. E é completamente o oposto de Paulo Bento: gosta de alterar o sistema táctico em função do adversário. Logo à noite, deve jogar com cinco defesas.

 

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva

Cristiano é, em minha opinião, o melhor jogador do Paços. Tecnicamente acima da média, peca por vezes pelo individualismo, mas não tem medo de arriscar jogadas no um para um. William é um avançado perigoso.

 

A vantagem de ter duas pernas!

Kiko e Kelly são dois centrais que poderiam perfeitamente ser uma dupla de malabaristas. A completar o trio dos três estarolas está Ozeia de Paula Maciel, um daqueles centrais brasileiros capaz de fazer mais merda do que Gladstone ou Moisés (o tal por quem Carlos Freitas se “apaixonou” e, depois de não ter conseguido trazê-lo para o Sporting, acabou por levá-lo para Braga). Não sei se vai jogar, mas caso seja um dos escolhidos chamo a atenção para a forma como Dedé vai varrer pernas naquele meio-campo.

 

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha

Paulo, depois da vítória de quarta-feira, só mesmo a vitória do Leixões no Dragão para moralizar ainda mais as tropas. Vencer significa voltar a deixar os andrades para trás e, mais importante, significa mais um passo para recuperar a tão desejada militância. 

Veloso e Yannick fora da convocatória foi uma surpresa, embora me esforce por entender a política de moralizar o Adrien e o Rodrigo Bonifácio (ele deve ser mesmo um gajo porreiro e aplicado nos treinos). Gostei de ouvir-te esclarecer finalmente o que se passa com o Vuk, embora não saiba se esse tratamento de choque vai resultar. E vou gostar ainda mais de, lá pelas onze da noite, ouvir-te dizer que gostaste da equipa e do resultado. Vá, são estes jogos que dão campeonatos. Aproveita a superioridade a meio campo, cuidado com as subidas do lateral direito dos gajos (China) e com a velocidade do Edson na frente (à atenção do Abel). De resto, joga como quiseres. Eu só peço três pontos.  

 

Vamos jogar no Totobola

Paços de Ferreira – Sporting  2

Se até ele pensa assim…

Na edição de hoje do jornal O Jogo, Liedson diz o seguinte:

“Paulo Bento tem sido muito importante na minha carreira. No seu currículo, em três anos de Sporting, conseguiu duas Taças de Portugal, duas Supertaças e qualificou a equipa para a Liga dos Campeões por três vezes consecutivas. Como se costuma dizer, equipa boa é aquela que ganha títulos, treinador bom também é aquele que ganha títulos. Está a ser uma experiência fantástica trabalhar com o Paulo Bento”, frisou deixando votos para que o ciclo do técnico no clube não termine em 2009 e que a aposta da SAD se mantenha: “É um excelente profissional. Espero que continue, pois o trabalho está a ser positivo e muito bem feito. Desejo que dure aqui no clube.”

Portanto, se até o Liedson pensa assim e é capaz de aceitar o futebol resultadista, o melhor talvez seja enfiarmos a viola no saco, enchermos Alvalade e, tal como o 31, não darmos uma bola (leia-se jogo) por perdida.