BANHO DE BOLA 2, O REGRESSO

Nível de endorfinas: Máximo! Uma grande segunda parte, de faca nos dentes, contra a parede! A equipa esteve à altura da magnitude do momento. Este era o jogo mais importante da época (até agora) e os jogadores responderam nessa medida… adrenalina máxima, senso do risco e inconsciência suficiente para ter prazer em jogar à bola… quantas vezes vimos este Sporting, este ano? Poucas, talvez a primeira parte contra o Porto, alguns bochechos nas goleadas da Taça da Liga. Pouco mais. Porquê? Não sei. E hoje, pouco me interessa… Os passes de primeira, para a frente, o toque e foge, a pressão constante, a pôr o pé em todas as bolas… a empurrar, a gritar, a entusiasmar.

A diferença entre a primeira e a segunda parte é a diferença entre o Sporting normal, do costume, à rasca, com medo, e o Sporting com genes de campeão. O Sporting com colhões! Basta isso para subir o nível. Porque qualidade há, nos pés de gente como Izmailov, Vukcevic, Derlei e Liedson.

Liedson. Liedson. Liedson. Liedson. Liedson. Liedson. Liedson.Liedson. Liedson. Liedson. Liedson. Dez. Golos. Contra os lampiões. Estes dois últimos entram directamente na galeria dos memoráveis (não são todos?)… A relembrar aquele épico na Luz, também com a faca nos dentes na segunda parte, também contra a parede. A diferença? Estávamos a dez, agora estamos a quatro. Mas o banho de bola foi o mesmo. A humilhação, o sentimento de impotência dos pardalitos, foi o mesmo. Tal como a genialidade de um jogador que, se fizer isto mais vezes este ano, levar-nos-á ao título. Este também é o ano mais importante da sua carreira. Aquele que pode significar o salto entre a lenda (que já é) e o mito!

Momento-chave: Golo do Derlei, o Ninja glorificado nas Antas e gozado na Luz, regressa (a espaços) ao melhor em Alvalade. Dá gosto ter um jogador a festejar golos daquela maneira! E inverteu completamente a natureza anímica do jogo… a partir daí, o Benfica teve medo, o Sporting libertou-se.

Prémio El Dieguito: Golos do Liedson. Absolutamente maravilhosos!

Prémio Zé Piqueno: Ninja. A maldade é a mesma das agressões parvas das duas expulsões. Mas nos últimos jogos afinou-a. E tornou-a útil. A padeirada no Luisão depois deste ter dado uma chapada ao Liedson é precisamente o que distingue um bando de putos de uma equipa de homens.

Prémio Gladstone: Penalty do Polga. Péssima leitura do lance, pior definição… Uma primeira parte horrível do campeão do mundo (há sete anos…)… para se recompor quando a equipa desabrochou.

Visão Zeman: Tacticamente, a primeira parte foi, em boa parte, do Benfica. Meio campo muito superior, em posicionamento e agressividade. O Sporting já vinha com a lição meio estudada, daí os lançamentos longos do Polga e o medo de perder a bola no centro, para evitar os contra-golpes dos lampiões. Sempre que passava os 30 metros do meio, criava a sensação de gerar perigo… faltaram aos jogadores do Sporting mais decisões certas nas poucas vezes que rompia o cerco, como a do golo do Liedson. Ainda assim, o Benfica só criou perigo em bolas paradas ou quando o Polga adormecia.

Na segunda parte, ficou à mostra que a táctica não ganha os jogos. Ajuda a ganhar, mas é preciso outra coisa. Vontade, garra, inconsciência, alegria, confiança. Na segunda parte, o xadrez foi o mesmo, mas o Sporting mandou a inferioridade numérica no meio às malvas, por uma razão. Roca e Moutinho afogaram Katsouranis e Yebda pela vontade de reconquistar a bola… E contaram com ajuda preciosa de Liedson e Derlei a recuperar bolas. Quando eles fugiam para as laterais, o Vuk e o Izmailov mordiam. Quando procuravam o Aimar, não encontravam.

No ataque, aqueles minutos a escavar o tal de Luiz foram épicos. Coitado do rapaz do cabelo ridículo. Fica uma jogada na retina que resume o Sporting Champanhe: Vuk, na direita, de primeira para Liedson, calcanhar para o um-dois, sobra para Derlei, de primeira para o sprint de Vuk, entrada na área, remate em arco, ao lado. Não importa. Foi champanhe, futebol de Champions. Com o Pereirinha, mais do mesmo, mas pior (para eles). A velocidade, o “regate”, a intencionalidade no centro. Golo, Liedson, lindo!

Vivó Sporting… até morrer!: Continuamos na corrida. Friamente, só precisamos de não perder neste ciclo para continuarmos na corrida. A injecção de confiança vai contrabalançar as pernas doridas. Se ganharmos no Dragão, começa a onda. Se perdermos, voltamos ao mesmo. Se empatarmos, ainda estamos a correr.

Uma palavra para os estúpidos que preparam a animação do jogo: deixem as bancadas fazer o trabalho!!!! Parem de pôr as cheerleaders a abafar os cânticos. Parem de pôr o “My Way” no lugar da “Marcha” ou do “Só eu sei”. Acordem para o clube em que trabalham. Vejam jogos lá fora, em Madrid, em Barcelona, em Roma, em Milão. Vejam futebol e esqueçam a NBA. Parem de prejudicar o clube, por favor!!!!

A uma só voz

Paulo, gostei da conferência de imprensa. Pareceste-me confiante e conhecedor das mais valias adversárias.
Também gostei da entrevista do Moutinho, ao Record.
E, por mais insensato que possa ser, estou a gostar, muito, da fezada com que encaro o jogo de amanhã.
Põe a jogar quem tu quiseres. Se possível, ao pequeno almoço, deixa-os ver o resumo do 5-3 da época passada.
Ao jantar, sentem-se à mesa connosco.
Todos juntos, por um clube, por um símbolo, por uma paixão!
Spooooooooooooooooooooooooooooooorting!

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O meu dérbi (aquele que eu não vi)

Ter nove anos, querer ir à bola e não poder, é lixado.
Foi o que me aconteceu, em Dezembro de 1986, mês em que se jogava, precisamente, um Sporting-Benfica.

Como está bom de ver, culpei os meus pais por todos os males do mundo e mais alguns e, para não ter que partilhar o mesmo espaço com tais “criaturas”, agarrei no rádio de bolso e fui para a rua, ignorando os meus amigos lampiões (todos eles eram lampiões, pelo menos os mais chegados).

E foi sentado em cima da casinha onde o jardinheiro guardava as mangueiras, com um inesquecível portão verde garrafa, que fui festejando os golos. 1-0 e depois 2-0, a abrir a segunda parte. O Hugo, quatro anos mais velho, que entretanto tinha ido para casa ouvir o relato porque não acreditava que estava a levar duas batatas, ainda veio à janela feito estúpido (ou feito lampião, como preferirem), gritar o golo do Benfica, mas nessa tarde de Dezembro não voltou a pôr o nariz fora de casa.

3-1, 4-1, 5-1, 6-1, 7-1. O meu pequeno rádio em cores de táxi, verde e preto, pois então, berrava cada golo com toda a força que duas pequenas pilhas lhe permitiam. E eu berrava ainda mais, na direcção dos cinco pequenos lampiões incapazes de esboçarem uma reacção e, muito menos, continuarem a jogar às cartas.

Aquele dérbi, ainda hoje perdura na minha memória.
O dérbi em que um pequeno sportinguista calou uma rua de lampiões.
O dérbi em que o meu irmão, do alto dos seus seis anos, feitos há um mês, percebeu que a equipa mais fixe do mundo era o Sporting e não o Vitória de Setúbal.
O dérbi que eu não vi.

OBRIGADO VUK

A análise da vitória contra a parede do Sporting resume-se a duas ou três ideias (ou mais):

– Vuk faz a diferença. Dois relâmpagos, dois golos.
– Dois patrões emergiram na noite do Restelo: Carriço lidera a equipa a partir da defesa, não será por acaso que Paulo Bento o chamou para dar instruções depois do 2-1; Adrien fez um monumental jogo sob intensa pressão. Joga para a frente, é móvel e assume tanto o passe longo como a posse de bola. Rochemback e Polga, também por este jogo, já foram ultrapassados pelos dois putos.
– É impressão minha, ou o Pedro Silva fez um jogo mais útil que qualquer um do Abel esta época?
– Ganhar mesmo prejudicado pelo árbitro é exactamente o que o Sporting tem de fazer para combater a miséria do apito.
– Djaló e Liedson guardaram os golos falhados de hoje para o derby e o clássico?
– O puto das coca-colas dá esticões na equipa como nenhum outro jogador, mal ou bem.
– Postiga… é melhor ficar calado hoje. Aliás, aceito euforicamente ficar calado até Junho.
– “Carne toda no assador”. Já vimos esta estratégia em alguns dos momentos mais delicados da carreira do Paulo Bento… com resultados. E se fosse sempre assim?
– Estaremos todos preparados para o que aí vem?