A ONDA

Sporting- 2, Liedson e Derlei, Paços – 0

Nível de endorfinas: dormente. É o estado do meu sportinguismo, depois da Semana Louca de há uns dias. Não é claramente, o estado do sportinguismo da Onda. A onda num estádio de futebol é a metáfora perfeita da sociedade socialista. Cada um dá um pouco de si para uma causa comum. No caso da onda, esse bem colectivo é o magnífico efeito visual de uma onda humana a percorrer as quatro bancadas. Cada um só precisa de dar uns braços no ar ou umas pernas esticadas. O resultado final é de todos e é desfrutável por todos. Até pelos que ficam sentados, egoístas (os capitalistas desta sociedade)… ou dormentes.

A onda desta noite em Alvalade não teve nada a ver com futebol. Dois terços do estádio pertenceram a mulheres e crianças. E que bom que foi. Nível de agudos mais alto, excitação ignorante em lances de perigo relativo, pouca paciência para reclamar. A ideia é festejar. O quê? Não interessa, o Sporting provavelmente. E só mesmo mulheres e crianças é que teriam disponibilidade mental para festejar a segunda parte do Sporting. Eu diria mesmo os últimos 70 minutos do Sporting.

A onda foi o ponto alto da noite. Enquanto não chega a outra Onda, a verdadeira, aquela pela qual esperamos há tanto tempo. A que cresceu contra o Benfica e amainou tragicamente contra os alemães. A que cresceu um bocadinho depois daquela bola ao poste do Liedson no Dragão e amainou dormentemente no fim desse jogo.

Momento-chave: Golo do Liedson. Ele marca, o Sporting ganha…

Prémio Zé Piqueno: O pontapé na barriga do Vuk por um dos castores… não percebi no estádio, mas foi das coisas mais bárbaras que vi desde aquele mimo do Binya em Inglaterra. O árbitro nem marcou falta. Se me perguntarem, eu digo que a melhor punição para um árbitro que não faz nada numa coisa destas, é levar, ele próprio, um descontrolado pontapé no estômago.

Prémio El Dieguito: Pequeno Pereira. Uma finta de corpo, sem propósito nenhum, mas bonita, é o mais fraco apontamento técnico que nos ofereceu, num jogo em que foi uma gazua sempre a furar pelo lado direito. Mete por um lado, vai buscar por outro, dribles curtos a rabiar dois adversário, centro perfeitos para dois golos falhados (um escandalosamente) pelo Derlei. Man of the match. Ou melhor, Little man of the match.

Prémio Gladstone: Pedro Silva perdeu a habitual bola em zona perigosa. Mas eu não troco este gajo pelo Abel.

Visão Zeman: Há já algum tempo que o losango deu lugar a um harmónico 4-4-2 com Moutinho à frente do trinco (excepto quando jogamos contra a elite europeia… nesse caso, bom, nesse caso vamos recuperar uma táctica e plano de jogo do qual já desistimos, cá no burgo, por evidente ineficácia… só porque sim, porque somos assim… parvos e com o risco ao meio). No novo plano, os alas ficam mais bem definidos e o Liedson raramente cai para os lados, aparecendo mais na área para finalizar. Como deve ser… e como voltou a ser ontem.

A chave do jogo foi a gazua no lado direito, porque a esquerda esteve morta. O que deixa a dúvida: e quando toda a gente perceber o jogador que o Pequeno Pereira é?

Com Vuk no banco (não se pode descontar no preço da gamebox, em jeito de retroactivos), Derlei e Liedson combinaram bem, ofegantes, a defender e a atacar… quando as bolas lá chegaram. Moutinho voltou a vestir o fato de macaco (e só o fato de macaco) e Adrien voltou a provar que é o melhor trinco do Sporting (e com mais jogos nas pernas, talvez o melhor trinco clássico da Liga).

Vivó Sporting… até morrer!: É o Sporting de Paulo Bento, o Sporting dos dois-zero nos jogos fáceis, o Sporting da faca na boca nos jogos difíceis (em Portugal), o Sporting assustado nos jogos de elite. O Sporting que tem menos onze golos marcados que o Porto. Estamos todos à espera da onda. Façam mais jogos da mulher, das crianças, dos bêbados, dos histéricos, dos profissionais do circo, dos sul-americanos, dos lunáticos… sempre vemos uma onda humana.

4 thoughts on “A ONDA

  1. Subscrevo inteiramente. Grande post, Douglas!

    O Pereirinha e um grande jogador, e o merito do seu aproveitamento vai inteirinho para o PB (tal como o pouco que se conseguiu fazer do Djalo). De quem, ja se percebeu (e nao vale a pena continuar a bater no ceguinho), nao vale a pena esperar mais. E um exercicio frustrante e so faz mal ao sistema nervoso.

    Tambem achei (pela Net) que a Onda foi mesmo o melhor da noite. E ate doeu ver um jogo em que sem problemas se podia ter ganho 4 ou 5 a zero terminar (aos 40 minutos!) naquele ritmo moroso, moroso, moroso… o que deve doer mais ao “ensemble” dos adeptos leoninos (sobretudo os ditos “exigentes”) e que foi com este estilo risca-ao-meio e confessamente sensaborao que tantos recordes se quebraram (nao apenas, mas na sua esmagadora maioria positivos). E, com um bocadinho da “fruta” para dormir (olha, uma little pear por exemplo!) de que outros beneficiam, ate ja podiamos ter sido campeoes ha 2 anos…

    Saudacoes Leoninas e continuemos a acreditar que e possivel fazer os tais 30, perdao, 27 pontos que faltam.

  2. Uma equipa que entra decidida a resolver o jogo na primeira parte, em vez de estar à espera da última meia-hora. Um jogo que começa relativamente cedo. Bilhetes a preços convidativos. Era complicado ter começado a fazer isto em Setembro?

    Douglas, é verdade que os gajos têm mais golos que nós, mas também é verdade que para essa galeria entram os quatro de ontem. Em Matosinhos aconteceu aquilo que eu chamo de “baixar a calcinha”. Um jogador meu que fizesse um penalti daqueles, não voltava a jogar. E depois, meus amigos, o melhor guarda-redes da Liga resolveu tirar férias no jogo contra o seu futuro clube. Espectacular, não é?

  3. Cherbakov: o Leixoes nao tinha uns salarios em atraso, e de repente apareceu dinheiro para os pagar… de onde achas que veio? O que vale e que ate ja se sabe quem vai ganhar no fim.

    By the way, afinal o Porto vai ou nao vai ser suspenso das provas da UEFA em 2009/2010?

  4. Com o jogo às 19 e preços convidativos, a assistência foi a que se viu. Tivessem feito isto desde Setembro, como o Cherbakov diz, e talvez a nossa média de assistências rondasse os 30 mil.

    Ontem foi possível ver uma “hola” criada pelo público não afecto às claques; apoio à equipa do início ao fim; jogo resolvido cedo – até podia ter dado para o Tiui e ter jogado mais tempo, ou se preferirem, para o Liedson ter descansado mais minutos – e um golo de canto!!
    O Directivo esteve incansável mas a JL pareceu-me meio amorfa.

    Pode não ter sido a melhor exibição da época mas espero que o resultado se repita mais 10 vezes.

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