No pasa nada

Sim, a utilização do termo em espanhol é uma referência ao Paulo Bento, mas também a todos os Sportinguistas que foram capazes de olhar o Enxovalho de Munique e dizer-me “epah, acontece. Não viste que o Real Madrid também foi humilhado pelo Liverpool?”. Pois…

Esta é, quanto a mim, a grande questão. Como é possível olhar-se aquele enxovalho, dividido em dois actos, com tal estado de espírito? Fernando Santos por certo diria, “futebol é isto”, mas como pode um adepto que sofre há anos pelas cores leoninas dizer-me coisas como “Foi um dia mau”. “Foi péssimo”. “Correu tudo mal”. “Acontece”.

Acontece, meus amigos. Acontece.
De cada vez que alguém me diz “acontece”, só me dá vontade de ir-lhe aos cornos com uma chuteira artilhada de pitons de alumínio. Mas, o que é que acontece? Levar cinco do Madrid, cinco do Barça, cinco do Bayern e mais sete do Bayern? Ser constantemente enxovalhado? Como é possível encarar-se tudo isto com um encolher de ombros, com uma atitude avestruz ou, simplesmente, esperar que uma noite de sono ajude a minimizar os estragos?

Isto é grave. Muito. E significa que, tal como a direcção, o treinador e os jogadores, muitos adeptos perderam a noção do que significa jogar de leão ao peito e perderam todo o sentido da responsabilidade. E, assim, o Enxovalho de Munique passa a ser algo que faz parte do passado.
Passa a ser um jogo que, tal como foi encarado, servia para cumprir calendário (afinal, o objectivo estava cumprido e esse passava por chegar aos oitavos para ganhar uns trocos).
Passa a ser um dia mau que, dizem, pode ser apagado com uma grande resposta frente ao Rio Ave, esse grande jogo frente a um colosso que vai permitir-nos continuar em busca do título.
Ou, como ontem já se pedia na Academia à saida dos jogadores, passa a ser um dia mau que terá na final da Taça da Liga, essa maravilhosa competição, um bálsamo topo de gama.

É triste. Mais até do que ser enxovalhado e passar a ser o “artolas da Europa que mais golos comeu numa eliminatória da Champions”, é triste sentir que tudo isto vai passar incólume.

No fundo, é como se ouvisse constantemente na minha cabeça as palavras do De Franceschi (esse mesmo), que foi de propósito a Munique ver o jogo, e depois do enxovalho afirmou “O Sporting nunca, mas nunca pode perder assim! Fazer esta figura!”. Depois… depois tento encontrar uma resposta a este pensamento que me parece correcto e a única que encontro vem ao ritmo das sevilhanas. “No Sportén? No Sportén no pasa nada!”

11 thoughts on “No pasa nada

  1. É isso mesmo! O grave é olhar-se para estes desastres e pensar que o melhor a fazer é esquecer depressa. Não é… não pode ser… eu não aceito que aquilo que se passou possa “acontecer”.

    Hoje foi a segunda noite em que dormi mal, continuo a sentir-me muito, muito triste e sei que não vou esquecer nunca o que estes pseudo atletas/treinadores/dirigentes fizeram o meu Sporting passar.

  2. Post perfeito e eu assumo que me tenho deixado levar pela pasmaceira e pela ideia estúpida de que vai ser um problema se o Paul Bento deixar de ser treinador. É altura de abrirmos os olhos.

  3. Achei nojenta a decisão da SAD se reunir dia 19 (!) para discutir o futuro da equipa técnica. Ou seja, os viscondes apenas têm disponibilidade para esta hora muito triste do clube, 9 dias depois da vergonha!

    Quanto ao post concordo completamente, e gostaria de adicionar um grande “vai-te foder” a todos os sportinguistas que falam do 7-0 do Vigo ao Benfica como se isso fosse atenuar seja o que for.

    O clube é a imagem da maioria dos sócios, assim como em democracia o governo é sempre reflexo da sociedade. Se a maior parte dos sportinguistas opta pelo “no pasa nada” isto não vai mudar.

    E por isso, todos com gamebox paga, têm a obrigação de ir ao estádio no estádio para demonstrar a insatisfação, de assobiar, e de mostrar que este Sporting não é o que a maioria dos sócios quer e pretende do clube.

  4. Caro Cherba

    Mandar uns sopapos nos jogadores/treinadores/dirigentes, despedir uns quantos jogadores/treinadores/dirigentes, assobiar uns quantos jogadores/treinadores/dirigentes, faltar a uns quantos jogos e deixar o estádio vazio por causa de alguns jogadores/treinadores/dirigentes, etc, está longe de querer dizer que “pasa alguna cosa”! (passe o espanholês…).

    Foi o que fizemos durante demasiado tempo, e os adeptos, provavelmente aqueles que achas serem “acomodados”, se calhar já perceberam que não é assim que se melhora objectivamente coisa alguma.

    Aliás, uma regra de ouro nestas coisas é precisamente aquela que criticas: águas passadas não fazem rodar moínhos, e ou és capaz de ir mudando, de preferência para melhor, ou ficas agarrado às frustrações do passado e não passas mais da cepa torta. Estragas tudo, ficas sem nada para remendar da razia, e tens que reconstruir tudo, com todas as probabilidades de ficar ainda pior que estavas antes.

    O treinador já não tem condições para continuar? Mude-se, a seu tempo, e mude-se para outro bom, melhor que este. Há jogadores de merda em lugares-chave? Façam-se contratações, de acordo com as nossas possibilidades, de preferência bons negócios em termos de custo-benefício. Os dirigentes são maus? Pois que outros melhores sejam eleitos, vai lá votar e aceita a opinião da maioria, mesmo que não seja a tua.

    Porque, em última análise, nenhum desses peões interessa. Não é por eles que és do Sporting, já eras com outros, alguns igualmente bons aos melhores de agora, outros igualmente maus aos piores (ou mais ainda). Mas não têm nada a ver com o teu propósito final, que é o Clube.

    Por isso não confundas as coisas. Ninguém gosta de não ganhar, e todos gostávamos de ganhar tudo, fazer óptima figura, e nunca ser os que perdem ou fazem má figura. Mas isso é matematicamente impossível.

    A paixão e a irracionalidade do sportinguismo, como de qualquer clubismo, dispensa esse tipo de dramatismos. Ou admite-os, desde que a quente, e não para serem levados muito a sério após algumas horas de sono. O resto é doença, e o lado mau da doença.

    O lado bom da doença vai ser sábado às 21h00, em Alvalade, a olhar para aquelas cores lindas que eu gosto já nem me lembro porquê, se é que alguma vez houve alguma razão válida para gostar delas, a vibrar por um bom resultado com o Rio Ave, daquele Sporting que para mim é o eterno campeão em mérito, porque sim. Com Liedson, este símbolo a que eu atribuo dignidade para representar o meu Clube, com Caneira, com Rochembak, com Daniel Carriço, com Adrien, com Izmailov, até com Moutinho e Vukcevic.

    Os outros, os peões que por lá passam de vez em quando, passam. Caem no esquecimento, e nunca no reconhecimento.

    E o resto é conversa.

    Vulgo, “Coração de Leão”

  5. Placebo,

    Respeito a tua opinião, mas acho que já fomos tolerantes demasiado tempo. Dizes que, provavelmente, os adeptos perceberam que não é cortando a direito que se melhor algo mas, e agora pergunto-te eu, que melhorias vês no nosso futebol ao fim de quatro anos de paciência para com treinador e direcção? Que frutos tiramos desta continuidade?

    Peço-te, por favor, que não me fales em taças e tacinhas.

  6. E o ponto essencial é esse, Cherbakov.

    Não quero voltar aos anos em que se mudava de treinador como se troca de camisa, mas 4 épocas em que de ano para ano a equipa joga cada vez pior até chegar à humilhação total já chega.

    Paulo Bento teve coisas boas? Teve. Promoveu jovens? Promoveu. Mas já fez muita merda, e acabou de despejar dois contentores bem cheios e viscosos em cima dos sportinguistas.

    Gosto muito da imagem do treinador que fica várias épocas, que molda a equipa e faz com que a equipa se molde aos adeptos, um Brian Clough, um Ferguson. O Paulo Bento não é a imagem do Sporting. Está a ganhar 2-0 à meia-hora contra a pior equipa do campeonato e em vez de massacrar ou dar minutos a sério aos mais novos não, fica a engonhar uma hora e tira o melhor jogador já nos descontos.

    Que se vá foder, a ele e a todos os que defendem um Sporting pequenino, sem garra, sem alma, sem ambição, que fica todo contente por ficar em 2.º, porque o que interessa é entrar directamente na Liga dos Campeões.

    Não estou à espera de ganhar sempre, mas estou à espera de que se esforçem ao máximo para o conseguir.

    Quem não dá tudo não dá nada.

  7. Cherba

    Nada contra substituir PB, como já disse. Escolha-se outro, com boas hipóteses de ser tão bom ou melhor (já disse tb que gostava de experimentar o Jesus, e que agora sim, acho que este ciclo se encerrou definitivamente), e que se dê tempo e tranquilidade para qualquer um que venha cá trabalhar, acima das críticas pontuais que possam então surgir com alguns maus resultados.

    Idem com a direcção.

    Idem com alguns jogadores.

    Mas com calma, pois neste resto de época só temos a perder em precipitarmo-nos. Os bons negócios não são assim tantos.

    E deixa lá, aqui a escrever é muito bonito, mas sentimo-nos todos bem igual a ti na altura… bem, nas tais alturas.

    Enfim, viva o nosso Sporting, Sempre!
    E os votos deum “Grand Finale” 2008-2009!

    Vulgo, o “Coração de Leão”

  8. É realmente impressionante como um simples adepto consegue dizer tanto em meia dúzia de linhas e os nossos dirigentes e equipa técnica só dizem mais do mesmo! Eu também estou farto de jogar para ficar em segundo lugar e ganhar a Taça de Portugal! Eu não fico contente por ter passado a ficar sempre à frente do Benfica! Quero ser campeão e à conta das opções deste treinador despediçámos essa oportunidade em jogos como o da Trofa e em casa com a Académica!!!

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