“Queremos fazer do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

O Estádio chama-se José Alvalade, um tipo que se chateou com os amigos durante um jogo de poker, em pleno baile da primavera, porque estava farto daquilo e queria jogar à bola. Foi pedir dinheiro ao avô, que lhe deu também uns terrenos para meter duas balizas. Nasceu o Sporting. No dia da fundação, este tipo decidiu proferir a frase acima…

… não me interessam as análises edipianas sobre o estado actual do Sporting. Há precisamente 21 dias o Sporting era outro completamente diferente nas mentes de todos. As circunstâncias no futebol não se controlam, apenas se condicionam. Pelas competências mas, mais importante em momentos como o actual, pelas atitudes.

No primeiro jogo da sua história, o Sporting perdeu 5-1. Mas o sr. José Alvalade não terá mudado nem um grama da sua convicção na frase acima. Foi essa atitude que fez com que todos nós estejamos agora a sofrer por algo tão abstracto como a paixão por um conjunto de símbolos. Foi uma atitude de um homem maior que ele próprio.

O homem que diz, como se pode ler abaixo, que o resultado de Munique não foi uma humilhação, um homem que está num permanente estado de sobrevivência, que não tem coragem de fazer o mais difícil, como responsabilizar quem comete erros danosos para a imagem do clube, um homem que diz apenas que foi muito mau para a grandeza do Sporting, este homem não percebe que também ele é muito mau para a grandeza de um clube que começou com uma ideia de coragem. Este homem é um pequeno homem. Um tipo cuja presidência diz mais do estado do Sporting do que dele próprio. E um homem que devia ter vergonha de entrar num estádio chamado José Alvalade, para quem, cem anos depois, ser minúsculo com os grandes da Europa seria, seguramente, uma humilhação.

Inverta-se a história. Se tivesse sido Soares Franco a fundar o Sporting, o clube não tinha sobrevivido aos 5-1 do primeiro jogo da sua história… Porque um líder passa pelos momentos difíceis com um ideal como guia e com a eloquência como arma para fazer multidões. O ideal deste pequeno homem é um almoço numa esplanada do Guincho e a eloquência uma coisa qualquer que, certamente, será possível enquadrar num “project finance”. Se José Alvalade fosse presidente do Sporting hoje, o Paulo Bento já não seria o treinador, os jogadores não tinham saído de Alcochete, os adeptos tinham sido tratados com respeito e não com desdém e o sr. desceria ao relvado, antes do próximo jogo, para se dirigir à multidão em fúria. E com a força das suas convicções e a sua eloquência, teria recolocado o clube rumo ao seu ideal da fundação.

O problema do Sporting não é o Miguel Veloso, nem o Polga. Nem a total ausência de bom senso do treinador. O verdadeiro problema do Sporting é a pequenez dos seus líderes.

Olha, vai gozar com o caralho!

“O presidente do Sporting não se pode sentir envergonhado. Foi mau, muito mau, para a história e para a grandeza do clube. Não considero que tenha sido uma humilhação. Os sportinguistas, passadas 48 horas, têm de avaliar pela história de três anos e não pelo desfecho de um jogo”, Soares Franco, analisando o Enxovalho de Munique, em declarações à Antena 1.

No pasa nada

Sim, a utilização do termo em espanhol é uma referência ao Paulo Bento, mas também a todos os Sportinguistas que foram capazes de olhar o Enxovalho de Munique e dizer-me “epah, acontece. Não viste que o Real Madrid também foi humilhado pelo Liverpool?”. Pois…

Esta é, quanto a mim, a grande questão. Como é possível olhar-se aquele enxovalho, dividido em dois actos, com tal estado de espírito? Fernando Santos por certo diria, “futebol é isto”, mas como pode um adepto que sofre há anos pelas cores leoninas dizer-me coisas como “Foi um dia mau”. “Foi péssimo”. “Correu tudo mal”. “Acontece”.

Acontece, meus amigos. Acontece.
De cada vez que alguém me diz “acontece”, só me dá vontade de ir-lhe aos cornos com uma chuteira artilhada de pitons de alumínio. Mas, o que é que acontece? Levar cinco do Madrid, cinco do Barça, cinco do Bayern e mais sete do Bayern? Ser constantemente enxovalhado? Como é possível encarar-se tudo isto com um encolher de ombros, com uma atitude avestruz ou, simplesmente, esperar que uma noite de sono ajude a minimizar os estragos?

Isto é grave. Muito. E significa que, tal como a direcção, o treinador e os jogadores, muitos adeptos perderam a noção do que significa jogar de leão ao peito e perderam todo o sentido da responsabilidade. E, assim, o Enxovalho de Munique passa a ser algo que faz parte do passado.
Passa a ser um jogo que, tal como foi encarado, servia para cumprir calendário (afinal, o objectivo estava cumprido e esse passava por chegar aos oitavos para ganhar uns trocos).
Passa a ser um dia mau que, dizem, pode ser apagado com uma grande resposta frente ao Rio Ave, esse grande jogo frente a um colosso que vai permitir-nos continuar em busca do título.
Ou, como ontem já se pedia na Academia à saida dos jogadores, passa a ser um dia mau que terá na final da Taça da Liga, essa maravilhosa competição, um bálsamo topo de gama.

É triste. Mais até do que ser enxovalhado e passar a ser o “artolas da Europa que mais golos comeu numa eliminatória da Champions”, é triste sentir que tudo isto vai passar incólume.

No fundo, é como se ouvisse constantemente na minha cabeça as palavras do De Franceschi (esse mesmo), que foi de propósito a Munique ver o jogo, e depois do enxovalho afirmou “O Sporting nunca, mas nunca pode perder assim! Fazer esta figura!”. Depois… depois tento encontrar uma resposta a este pensamento que me parece correcto e a única que encontro vem ao ritmo das sevilhanas. “No Sportén? No Sportén no pasa nada!”

RUA!

paulo_bento

Liedson em Lisboa?
Veloso a titular?
Carriço no banco?
Tonel a titular?
Djaló a titular?
Izmailov no banco?
Derlei, mais 90 minutos nas pernas?

Eu gostava de ter visto o Sporting a jogar com a melhor equipa nos oitavos de final da Champions League. Não jogou. Em nenhuma das mãos. Por escolha do treinador. Que quis rodar jogadores. Nos dois jogos mais importantes da época. Fomos historicamente humilhados… podíamos ter sido também com a melhor equipa em campo… mas nunca saberemos. Por isto, e pela falta de humildade de pôr o lugar à disposição ou, no mínimo, pedir desculpa a quem sofre com esta merda, chegou ao fim a minha tolerância (ou patética esperança num título) para com este senhor… Se eu mandasse, o Paulo Bento não entrava mais em Alvalade!!

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Champions League, oitavos de final (2ª mão)

Num mundo de algodão doce, o Djaló, regressado à titularidade, marcaria por volta dos 15 minutos.
Sorriso irónicos no banco alemão.
Ainda antes do intervalo, Abel, com a permanente ajeitada antes de um jogo importante, voltaria a tentar fazer um dos dois centros que costuma fazer por jogo. Caprichosamente, a bola encontrava a cabeça de Lúcio e anichava-se no fundo das redes.
Klinsmann, mãos na cintura, olha furioso os seus jogadores.
Os adeptos verde e brancos começam a pensar: “e se for possível?”.

Recomeça a segunda parte.
O Bayern entra forte, encostando o Sporting à sua área.
Patrício faz uma, duas, três defesas que são garantia de que o seleccionador nacional vai continuar a deixar de fora os jogadores que deve convocar.
62 minutos. Lance rápido de contra-ataque.
Djaló faz mais uma cavalgada e serve Derlei. O Ninja não perdoa, festejando o golo com toda a raiva.
O árbitro não perdoa e Derlei vê o segundo amarelo, por tirar a camisola.
Paulo Beto desaperta a gravata. E decide arriscar tudo.
Tira Abel e faz entrar Tiuí.
O Sporting passa a jogar em 3-4-2.
Chovem assobios no Allianz Arena, enquanto os jogadores do Bayern trocam a bola entre si, incapazes de furar as cerradas linhas leoninas.
Roubo de bola. Tiuí avança. Decidido. Rumo aos dois gigantes centrais do Munique, confundidos pela ginga da ave rara. Quando está já em cima deles e prestes a perder a bola, larga de calcanhar para a direita. Surge Vuk, embalado. Bomba. Golooooooooooooooooooooo! Portugal estremece com um grito de norte a sul.
“Foda-se!”, diz um lampião que parou em frente à montra de uma loja cheia de televisões, no shopping.
“Cum carago!”, exclama o tripeiro, incapaz de terminar a janta.
“Toma, caralho!!!”, berra Paulo Bento, já com o risco ao meio desfeito.

Faltam 15 minutos. Tudo é possível.
Izmailov. Para Moutinho. Roda para Adrien. Devolve.
O capitão vê Izma a desmarcar-se. Está isolado. Pum! Poste! Recarga. Tiuí! Tiuí! Tiuí!
“Toma, caralho!!!”, agora grito eu, de lágrimas no olhos!
Paulo Bento pontapeia todas as garrafas de água que tem por perto.
Klinsmann rasga a sua camisinha branca e dá um estalo no seu adjunto. É expulso.
Faltam 10 minutos. Os alemães acordaram.
Ataque pela esquerda. Lahm atira-se para o chão, mais de um metro fora da área. Penalti. Golo. Podolski.
Patrício bate as luvas e grita “vamos, caralho!”.
Agora são os alemães que cerram fileiras. O tempo passa.
87 minutos.
Grande jogada de Vuk, parada em falta, à entrada da área.
Moutinho ajeita a bola…

Paulo, eu encarreguei-me da parte do sonho.
A honra e o respeito pela camisola que vestem, fica do vosso lado.
É só isso que vos peço.
Força, Sporting!!!

A crise

beto

 

Ambiente pesado no gabinete do director financeiro (vulgo contabilista) de um clube de média-pequena dimensão da Superliga, onde se encontra o próprio e o presidente do clube.

– Ó presidente, isto está mal. O Oliveirinha diz que não dá mais, não tem. Os gajos das camisolas só pagam em Junho. Os cabrões dos placards não atendem os telefones. Ninguém vem ao estádio, presidente… já pusemos as gajas do bar do Manel lá fora, de mini-saia. Mas ninguém vem.
– Já ligaste ao major?
– Esse diz que já não consegue safar nada. O cabrão do presidente da Liga não quer adiantar-nos nada, porque senão tem de pagar aos outros. E não tem dinheiro para todos.
– Ó Zé, é preciso arranjar dinheiro para pagar aos jogadores, pá! Já são três meses! Não consigo calar os gajos muito mais tempo!
– Ó presidente é preciso vender! Já!
– Mas as inscrições estão fechadas, Zé.
– Não faz mal… a gente vende já e só dá o jogador no fim do campeonato.
– Mas quem é que quer as merdas que nós temos? Lá fora ninguém liga a isto… E os grandes estão nas lonas, pá!
– Ó presidente, ligue ao Pinto da Costa. Ele arranja sempre dinheiro. Paga a pronto e tudo. Venda o puto, aquele jeitoso. E diga-lhe que quando eles vierem cá, a gente vai-se abaixo no jogo.
– Isso é um escândalo, Zé!
– Ó presidente, eu estou cá há 15 anos… isto faz-se na boa! Ninguém nota… eles até são melhores e tudo… se ganharem ninguém duvida. Fale lá com o rapaz, diga para não meter o pé, que vai para o Porto. Se o Pinto da Costa recusar, diga que arranja-se um penalty parvo, uma expulsão ridícula, que o redes nem se faz às bolas… Diga qualquer coisa, presidente!!!! Se não, para o ano já não está cá! Volta para o escritório, acabam-se as putas, os mercedes, as vivendas, as viagens… Olhe que eu continuo por cá há 15 anos…

Cissokho, do Vitória, 
Miguel Lopes, do Rio Ave,
Varela, do Amadora,
Beto, do Leixões

Só vedetas, que exigem que o Porto se antecipe aos tubarões na Europa. E que contrate a meio do campeonato, sem saber quem vende para o ano, quanto dinheiro terá, se vai à Champions. E depois ainda há o Nacional, financiado há anos pelos tripeiros, o Braga, com linha de crédito aberta no Dragão (constante vai-e-vém de treinadores e jogadores), a Académica de Domingos, o Belém de Rolando… Todos, clubes que chumbaram o reforço do quadro regulamentar da Liga, que apertava a corrupção e a coacção. Todos, ainda na mão do Papa. Aliás, como o próprio Sporting, cujo presidente é sucessivamente enrabado e sempre a sorrir.

Chamem-me conspirativo, mas tenho a sensação que isto continua calmamente controlado pela velha e boa escola dos tripeiros…

A ONDA

Sporting- 2, Liedson e Derlei, Paços – 0

Nível de endorfinas: dormente. É o estado do meu sportinguismo, depois da Semana Louca de há uns dias. Não é claramente, o estado do sportinguismo da Onda. A onda num estádio de futebol é a metáfora perfeita da sociedade socialista. Cada um dá um pouco de si para uma causa comum. No caso da onda, esse bem colectivo é o magnífico efeito visual de uma onda humana a percorrer as quatro bancadas. Cada um só precisa de dar uns braços no ar ou umas pernas esticadas. O resultado final é de todos e é desfrutável por todos. Até pelos que ficam sentados, egoístas (os capitalistas desta sociedade)… ou dormentes.

A onda desta noite em Alvalade não teve nada a ver com futebol. Dois terços do estádio pertenceram a mulheres e crianças. E que bom que foi. Nível de agudos mais alto, excitação ignorante em lances de perigo relativo, pouca paciência para reclamar. A ideia é festejar. O quê? Não interessa, o Sporting provavelmente. E só mesmo mulheres e crianças é que teriam disponibilidade mental para festejar a segunda parte do Sporting. Eu diria mesmo os últimos 70 minutos do Sporting.

A onda foi o ponto alto da noite. Enquanto não chega a outra Onda, a verdadeira, aquela pela qual esperamos há tanto tempo. A que cresceu contra o Benfica e amainou tragicamente contra os alemães. A que cresceu um bocadinho depois daquela bola ao poste do Liedson no Dragão e amainou dormentemente no fim desse jogo.

Momento-chave: Golo do Liedson. Ele marca, o Sporting ganha…

Prémio Zé Piqueno: O pontapé na barriga do Vuk por um dos castores… não percebi no estádio, mas foi das coisas mais bárbaras que vi desde aquele mimo do Binya em Inglaterra. O árbitro nem marcou falta. Se me perguntarem, eu digo que a melhor punição para um árbitro que não faz nada numa coisa destas, é levar, ele próprio, um descontrolado pontapé no estômago.

Prémio El Dieguito: Pequeno Pereira. Uma finta de corpo, sem propósito nenhum, mas bonita, é o mais fraco apontamento técnico que nos ofereceu, num jogo em que foi uma gazua sempre a furar pelo lado direito. Mete por um lado, vai buscar por outro, dribles curtos a rabiar dois adversário, centro perfeitos para dois golos falhados (um escandalosamente) pelo Derlei. Man of the match. Ou melhor, Little man of the match.

Prémio Gladstone: Pedro Silva perdeu a habitual bola em zona perigosa. Mas eu não troco este gajo pelo Abel.

Visão Zeman: Há já algum tempo que o losango deu lugar a um harmónico 4-4-2 com Moutinho à frente do trinco (excepto quando jogamos contra a elite europeia… nesse caso, bom, nesse caso vamos recuperar uma táctica e plano de jogo do qual já desistimos, cá no burgo, por evidente ineficácia… só porque sim, porque somos assim… parvos e com o risco ao meio). No novo plano, os alas ficam mais bem definidos e o Liedson raramente cai para os lados, aparecendo mais na área para finalizar. Como deve ser… e como voltou a ser ontem.

A chave do jogo foi a gazua no lado direito, porque a esquerda esteve morta. O que deixa a dúvida: e quando toda a gente perceber o jogador que o Pequeno Pereira é?

Com Vuk no banco (não se pode descontar no preço da gamebox, em jeito de retroactivos), Derlei e Liedson combinaram bem, ofegantes, a defender e a atacar… quando as bolas lá chegaram. Moutinho voltou a vestir o fato de macaco (e só o fato de macaco) e Adrien voltou a provar que é o melhor trinco do Sporting (e com mais jogos nas pernas, talvez o melhor trinco clássico da Liga).

Vivó Sporting… até morrer!: É o Sporting de Paulo Bento, o Sporting dos dois-zero nos jogos fáceis, o Sporting da faca na boca nos jogos difíceis (em Portugal), o Sporting assustado nos jogos de elite. O Sporting que tem menos onze golos marcados que o Porto. Estamos todos à espera da onda. Façam mais jogos da mulher, das crianças, dos bêbados, dos histéricos, dos profissionais do circo, dos sul-americanos, dos lunáticos… sempre vemos uma onda humana.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Jornada 21

É um jogo extremamente importante. É o início da caminhada para o título. Espero que seja o início de um final feliz“. Foi assim que Marco Caneira, na mesma semana em que o puto Pereirinha sublinhou a vontade da equipa em ganhar todos os jogos até final e o puto Carriço sublinhou que tem perfil para ser líder, fez a antevisão do jogo de amanhã, contra o Paços.

O Cacifo, através do Bloco de Notas, junta-se então a essa caminhada que vai pôr à prova o Leão que há em cada um de nós e onde há apenas um resultado possível. É ganhar ou ganhar!

A CAMINHADA

Sporting – Paços de Ferreira
(7 de Março, 19h00, Estádio José Alvalade)

Este é o início da dita caminhada. Em casa, contra uma equipa a quem demos 5 batatas, há não muito tempo. Já nem peço que repitam a dose, apenas que nos façam pensar que sim, que é possível chegarmos lá. Chega de poupanças, de invenções e de achar que um empate no Dragão serve para apagar a vergonha europeia.
Nós, os tais adeptos chatos, que tiveste a delicadeza de criticar dando como exemplo os adeptos mais patéticos do mundo, vamos lá estar e, com toda a certeza, apoio não vai faltar-te.
Mas, Paulo, e pegando numa expressão tua, é altura de mostrarmos de que massa somos feitos! 

Sporting – Rio Ave
Leixões – Sporting
Sporting – Naval
Guimarães – Sporting
Sporting – Estrela da Amadora
Académica – Sporting
Sporting – Vitória de Setúbal
Marítimo – Sporting
Sporting – Nacional
(Marquês?)

Nortada

Ontem, já ao final do dia, fiquei bastante surpreendido quando um sportinguista chegou ao pé de mim e me disse qualquer coisa do género: “epah, já viste isto. O porto já nos roubou mais um jogador da formação”. Referia-se, como está bom de ver, ao Varela, que parece ter firmado um contrato de 4 anos com os tripeiros.
Como está igualmente bom de ver, eu respondi-lhe: “mas para que merda querias tu o Varela?”, pergunta que farei a qualquer um que se mostre triste com a ida do Varela para o porto, em vez de se rir como eu me tenho rido da estadia do Martins no benfica.

Bem mais preocupante, parece-me, é a possibilidade do Tiago Pinto ficar pelas bandas do Dragão. Na volta, até foi isso que o FSF esteve a combinar com o papa, numa das milhentas paragens que teve o clássico de sábado passado, dizendo-lhe qualquer coisa como “estás a ver, oh jorge nuno,  como nós somos uns gajos porreiros. Mesmo sem termos laterais esquerdos no plantel, até porque o Grimi é o jogador com maior propensão a lesões da história do Sporting, o Caneira tem um pé esquerdo que parece uma mesa de cabeceira, o Miguel Veloso não percebe que na linha está muito mais próximo das objectivas dos fotógrafos e o Ronny é… o Ronny, deixámos arrastar a renovação do puto só para vos podermos dar alguém de jeito para as laterais”.

Entretanto, estava eu a “postar” as palavras do Pedro Barbosa, quando um dos nossos mais antigos leitores aponta a possibilidade do Paulo Bento estar, também ele, e apesar de correr o risco de ter que treinar o Varela e ter que voltar a emprestá-lo, a caminho do Norte e que, nessa altura, vamos todos chorar e lamentar não o termos em Alvalade.

Levei a noite toda a pensar nisso. Ok, pronto, foi só durante o percurso “xixilavardentescama”, mas ainda assim o suficiente para chegar a uma conclusão. Quero ser campeão e festejar esse título com o Paulo Bento. Ele merece e nós ainda mais, por tudo o que temos aturado de forma tão paciente. Depois, desejo-lhe uma vida feliz. Quem sabe até nos encontremos no conquilhas, altura em que eu lhe perguntarei: “vá lá, Paulo, confessa. Nós em Alvalade até éramos uns adeptos muita porreiros, não éramos?”

O homem fala

Como é que o Sporting sai deste ciclo, que se adivinhava difícil?
Sai a acreditar que é possivel ser campeão, que é o nosso principal objectivo. Após uma vitória clara sobre o Benfica, passámos um momento muito difícil com o Bayern, mas reagimos como devia ser e respondemos como equipa, cheia de carácter, personalidade e coragem no jogo do Dragão, apesar de não termos conquistado a vitória.

Acredita que os objectivos que ainda existem se podem cumprir?
Claro que acredito. Continuamos todos a acreditar na conquista do título e vencer a Taça da Liga, nesta 2.ª edição.

Pedro Barbosa, ao site oficial do Sporting