O Cacifo do Paulinho

O duelo

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De um lado, o homem do passado. O Tó. O homem que quase faliu uma empresa, que ajudou a quase falir um banco, um homem que lutou, qual D. Quixote, contra o sistema… até perder os berlindes e desistir da missão porque… “os sócios não gostavam do meu treinador” . Um cooptado. Um homem, cuja família de tanto procriar entre si, deixou-o no final da linha, com os genes do fundo do poço… uma característica que afectou para sempre a sua já mítica eloquência. Por simplicidade de linguagem, chamemos-lhe “o velho”.

Do outro, o homem do presente e, provavelmente, do futuro. O Tiger Woods do Estoril. Mas branco. O menino sempre gozado na escola pela sua desproporcionada altura. O antigo director-desportivo do Estoril, que tinha Fernando Santos como treinador, o mesmo que quis despedir pelas costas já no Sporting. O homem do sistema… do futebol, do poder, da banca. O construtor civil que gosta dos prazeres simples da vida… para quem o Sporting é uma “loucura” de um adolescente que nunca cresceu. Por simplicidade de linguagem, chamemos-lhe “o bêbado”.

Unidos pelo Sporting, separados por guerras de poder entre os bancos concorrentes. Nunca deram motivos de orgulho aos sportinguistas, só razões de vergonha. Hoje, enfrentam-se, no que poderá ser o “ground zero” do clube: são ambos responsáveis pelo estado a que chegou o clube. São ambos fantoches que agora querem cortar os cordéis e assumirem a vontade própria. Teme-se o pior…

o Cacifo acompanhará este duelo deprimente… com as actualizações possíveis…

22h02: “o sr. dr. Dias da Cunha”, Soares Franco começa ao ataque.
22h03: “desejo que o debate se comporte com lisura”, Soares Franco também tem o tal problema dos casamentos entre primos… malditos genes! Entretanto, a explicação do costume sobre como o referendo é mais fixe, mais democrático e não temos de aturar o povo, que é chato e obriga-nos a ouvir as parvoíces que eles dizem lá na taberna…
22h07: “dr. Soares Franco”, diz mais calmo o “velho”, que já deu um raspanete ao “bêbado”… e promete contar histórias mais logo (talvez noutro local, imagino). Cita cartas, lembra e relembra AGs do passado, sabe quando saiu da presidência, está em forma o “sr. dr.”… E toma lá uma ganchada de direita, bem na queixada do Franco: recorda a assumida falta de competência e vontade do adversário para ser presidente do Sporting.
22h12: “Temos de falar do buraco”, interrompe Franco. Esperemos que isto não descambe num debate sobre golfe.
22h13: “um dia, pelas nove da manhã, entrou no meu gabinete…”, Soares Franco relembra as coisas bonitas do passado de ambos.
22h14: falam de cartas, pedidos para isto, para aquilo… enfim, duas comadres a discutirem as manchas de líxivia na roupa estendida…
22h15: Soares Franco já ajudou duas vezes o “velho” a citar nomes… se estes homens não são amigos, não sei o que são… “toda a gente pediu para o sr. dr. não se ir embora”… isto ainda vai acabar numa supercandidatura, de duas cabeças, qual delas a melhor…
22h18: o Dias da Cunha já está nos seus habituais patinanços… mas o Soares Franco não ataca, pelo contrário, continuam amigos como até aqui.
22h20: “Vou para Moçambique e quando voltei, tudo tinha mudado”, diz Cunha… lembrando os amores perdidos depois da guerra do Ultramar.
22h20: “É o único presidente da Europa que sai quando sai um treinador, não existe, não existe, não existe”, ataca o “bêbado”… Defende-se o “velho”, com “a campanha que estava montada contra o prof. Peseiro”… Soares Franco diz que se passa o mesmo com ele agora… “são as mesmas pessoas”… Isto já está no campo do octáviomachadismo… Que cumplicidade!
22h22: “vamos ao buraco”, dizem os dois em uníssono! Genial, o momento da noite até agora!
22h23: estão os dois a conduzir o debate… já ignoram olimpicamente o rapaz que está entre eles…
22h25: citando uns papéis, Soares Franco diz: “em Fevereiro, que era Março (apontando para outro papel)”… são estes pormenores de calendário que fazem toda a diferença na gestão deste homem.
22h27: “pode ser até o lease back!”, argumenta, e com a razão que lhe dá um argumento deste género, o ainda presidente.
22h28: “ó dr Rui Meireles”, diz o “velho”, recuperando rapidamente um “sr. Soares Franco… ai os berlindes…
22h30: a minha TV Cabo diz-me que “o cartão expirou”… estes lampiões estão em todo o lado! Mas inconsequentes, como habitual, continuo a ouvir o Dias da Cunha a dar uma seca monumental sobre como os bancos mandaram no seu mandato. Soares Franco espreita uma oportunidade (“ah sim? tem a certeza?”) para devolver a ganchada de há pouco.
22h32: “pau, pau, pau”, sublinha o “bêbado”.
(interrompo o acompanhamento em directo… isto está a ser tão mau, pior do esperado, que preciso de alguma ajuda externa… voltamos dentro de momentos, depois do visionamento integral em diferido).

(regressamos, já devidamente preparados mentalmente… seguimos até ao fim, com um prudente “time lag” de vinte minutos, para evitar, à americana, um indesejável mamilo de fora…)

22h35: “o sr. dr está brincar com o contrato que assinou”, repete quatro vezes Soares Franco, recorrendo à velha táctica do contra-argumento exaustivo…
22h36: “exactamente…”, replica Dias da Cunha, reforçando o argumento do adversário. Em causa o valor das vendas de património… entretanto, confusão total sobre o buraco e a opinião de Rui Meireles, um  escravo para um, um cobardolas para outro.
22h38: “sabe que não cumpriu”, quatro vezes, novamente. “dr. Soares Franco!”, reprimenda do Dias da Cunha, já sem qualquer controlo emocional e de raciocínio completamente enrolado, numa recuperação da falta de discernimento público que pautou sempre a sua presidência.
22h40: “o sr. não sabe de Direito, pois não?”, acusa o “velho”. Soares Franco ri-se, numa demonstração de total paternalismo… de um lado, a loucura, do outro a traquinice… o Sporting esteve em tão boas mãos durante estes anos…
22h42: “eu troco números e o sr. engana-se nas palavras que diz”… resume, de forma supreendentemente clarividente, Soares Franco… está tudo dito.
22h43: “tem”, “não tem”, “tem”, “não tem”, “teve”, “não teve”.
22h44: “não!”, perde a paciência Dias da Cunha, por causa do balanço consolidado, o assunto que mais horas de sono tirou, nos últimos anos, aos adeptos e sócios sportinguistas…
22h46: “Chega?”, mais quatro vezes… esta merda está estudada…
22h46: “Temos apenas 13 minutos para falar do futuro”, diz o rapaz entre os dois gigantes da dialéctica financeira. O balanço do debate está feito…
22h47: “espolhiar?”, pergunta o “bêbado”. “Espoliar”, responde o “velho”.
22h49: “mas o que é que é espoliar?”, insiste o “bêbado”. “Espoliar é tirar de dentro do Sporting, por valores absolutamente despropositados, o que ainda resta do Sporting. É isso”. Momento especial…
22h49: “onde está a garantia que o Sporting não perde a maioria da SAD?”. “Está aqui…” Ah, bom.
22h50: Soares Franco dá uma explicação absolutamente genial sobre como o clube fica com o dobro da participação na SAD que tem agora, na sequência da sua proposta… Inacreditável momento de ilusionismo, em directo para uma audiência nacional…
22h51: “empréstimo intercalar de 20 milhões de euros. Subscrito por quem”, questiona Dias da Cunha, finalmente! “Pelo Sporting”, responde o presidente. “Não está dito”, contra-ataca Dias da Cunha. “Pois, tá bem”, encolhe os ombros o presidente… um pormenor, claro, para este visionário…
22h52: Alternativas da oposição? “renegociação com a banca, ú, ú, ú, ú”, responde o chefe da pandilha de opositores… ora aqui está a revolução! E já há grito de guerra!
22h53: “os jovens que têm insistido no pedido da apresentação das contas”… “são os Leões da Verdade”, diz Dias da Cunha, com algum desdém… mas corrige “revejo-me nisto, sim”.
22h54: “se eu baixar de dois para um, passa para metade”, vomita Soares Franco. O outro diz que “não é necessariamente assim”.
22h55: “há sempre uma viabilidade… e a única que o Sporting tem é vender jogadores e destruir a formação”, ameaça o chantagista Soares Franco.
22h56: “o dr. Soares Franco não quer um clube, quer uma empresa”, acusa o “velho”. Recusa o “bêbado”. É o ponto fulcral disto tudo, mas rapidamente desaparece da discussão, dando lugar à problemática de uma carta pessoal trazida para o debate.
22h57: “o que eu não quero é um clube restringido a metade dos custos do Porto e do Benfica”… a câmara filma os números: Sporting 18,4, Porto, 31,4 e Benfica 27,8… ora 18,4 é metade de 36,8… hummm… o conceito de metade mudou significativamente em apenas três minutos.
22h58: “não diga asneiras”, descredibiliza Soares Franco sobre a intenção de fazer do clube uma empresa… coisa que o próprio já admitiu várias vezes… Tem razão, são asneiras…
22h59: “ó homem…”, pede o “velho”. “o sôtor vê-se que não sabe um número de quando lá esteve”, ataca o presidente… “a este distância…”, desculpa-se o “velho”. “é que nem se lembra de nada!”… continua o “bêbado”. Degradante…
23h01: “do dr. Soares Franco como pessoa, não me separa nada”… pois…
23h03: o Dias da Cunha continua a falar sozinho, “peça, peça, peça”… agora debatem conceitos como resultado, saldo, balanço, “ai, é falso”, é inacreditável…
23h03: “isto é uma tristeza”, concordam os dois. Quando os próprios percebem isto, pouco trabalho resta aos observadores… acaba aqui esta palhaçada.

De um lado, um homem senil, incompetente e totalmente acabado. Do outro, um homem desonesto, prepotente e alimentado a um daqueles combustíveis que fazem suar as estopinhas do buço. Falou-se de merdas contabilísticas, cartas, houve momentos de aritmética e língua portuguesa. Não houve uma palavra sobre visão, estratégia, futebol, modalidades. Ambos tão maus, tão maus, que nem inspiraram os próprios filhos. Nas palavras dos artistas, “uma tristeza”… Ninguém ganhou, obviamente, porque não havia nada para ganhar. Perdeu o Sporting… e ficou com uma imagem pior que a de Munique…

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