Diário de campanha I

A corrida mais louca do mundo já está na estrada. Confirmando as melhores expectativas, os candidatos a Rei Leão já protagonizaram episódios à altura do fabuloso potencial de parvoíce que apresentam. Eis o primeiro diário desta campanha que verá os diversos patrimónios de estupidez digladiarem-se pela conquista de um cantinho no nosso coração.

(nota: abreviamos a nomenclatura das personagens a dois nomes. Por conforto, para tentar que o ACP pague meia-página de publicidade no Cacifo,  mas também com a missão de combater uma avassaladora praga social como a “umnomeprópriodoisapelidos” que fez mais mossa na militância sportinguista que o fosso do novo estádio. A propósito…)

Pedro Souto e o fosso – o seu administrador financeiro sombra apresentou à imprensa algumas ideias do candidato, seguramente ocupado numa visita de negócios aos stands de carros em segunda mão de Fernão Ferro. A pérola estratégica que maior destaque merece é a épica tarefa (só ao alcance de Souto, aparentemente) de tapar o fosso de Alvalade. Ora aí está, finalmente, a propalada inovação! Num golpe de génio, pisca o olho à Cimpor para uma parceria, transforma aquele espaço na saudosa pista de tartan por onde poderão voltar a passar Maria José Valério em carros descapotáveis (fornecidos pelo presidente), bem como os alegres cabeçudos de Torres Vedras, agora personalizados em figuras da história recente do Benfica. Pelo caminho, aproveita para fazer desaparecer o Tiuí e dará aos sócios o impagável espectáculo de ver betoneiras a despejar cimento durante dois dias.

Dias Ferreira e as prioridades – Falhou um jantar em que os membros da hidra (inspirado termo surripiado à Última Roulote) procuravam convencê-lo a ocupar um lugar de destaque na lista de Carlos Barbosa (o advogado). Porquê? Tinha que ir à SIC participar no seu já lendário programa de gritaria e descontrolo taberneiro… evento onde terá versado todas as teorias sobre a sua candidatura a presidente do Sporting… candidatura que estaria mais definida se tivesse comparecido ao jantar da hidra… mas que faltou para discutir cenários… a questão coloca-se: e se o Sporting jogar à segunda à noite? Será, ele, o primeiro líder que assiste em directo aos jogos nos estúdios da SIC, com direito a golos gritados e cuspidos na tromba do caixadóculos do Cervan?

Carlos Barbosas e o complexo da pila pequena – Eis que surge o primeiro dislate da campanha. Carlos Barbosa contra Carlos Barbosa. Um Kramer contra Kramer leonino. O presidente do ACP inaugurará um novo estilo de comunicação no Sporting. Qualquer mal entendido custará meia página dos jornais de maior circulação do país. Paga pelo clube. “O Sporting vem esclarecer que o sr. Carlos Barbosa citado ontem na imprensa como o condutor do Suzuki Swift que tentou abalroar o autocarro onde ia Dom Duarte de Bragança, não tem qualquer ligação ao dr. Carlos Barbosa, presidente da Sporting SAD. Pelo erro e confusão que gerou na família leonina pedimos as nossas desculpas”.
Já o outro Carlos Barbosa promete suplantar o incumbente Soares Franco como o presidente mais monótono e menos carismático de todo o futebol da Euroásia. Para funcionar como boneco de um ventríloquo convém, ao menos, abrir a boca.

Paulo Cristóvão, o Florentino da Gomes Freire – Vive num afã. Reúne com Soares Franco para conhecer o passivo do clube. Manda o seu vice estudar os números. Anuncia uma apresentação aos sócios. Vê-se que está feliz com este protagonismo gratuito. E promete “já tenho jogadores”. A água na boca dos sócios cresce… finalmente isto fica mais interessante. Há nomes! Há unhas! Venham elas… Certamente a birra de Ronaldo não aconteceu esta semana por acaso. O CR7 prepara-se para ser anunciado como um dos vários jogadores de elite mundial na carteira de Cristóvão, com Pato, Essien e Ibrahimovic, todos com as mães raptadas num armazém de Mem Martins. Entretanto, já fez o reparo de que na conferência de imprensa agendada não apresentará jogadores. Um sinal, porventura, de que a compra do Essien está tremida…

A 23 dias do juízo final, Menezes Rodrigues e Rogério Alves esconderam-se um bocadinho. O primeiro estará muito provavelmente a estudar a viabilidade de uma candidatura ao rival da Segunda Circular, onde o seu perfil circense se adapta melhor. O segundo quer é mesas de AG, onde pode sentir-se feliz, entre garrafinhas de águas, copos virados ao contrário em papelinhos redondinhos cortados em ondas, e folhas em branco com o cabeçalho do Sporting.

A luta promete. Neste momento, aposto numa fusão automóvel entre Carlos Barbosa e Pedro Souto, que apresentará como reforço Luiz Miguel Militão, para liderar a obra de enchimento do fosso. E aposto que Dias Ferreira nunca irá candidatar-se. E que Cristóvão tem no bolso os direitos desportivos de João Pereira, Zé Manel e Paulo China.

17 thoughts on “Diário de campanha I

  1. E ainda agora isto começou… Não sei se tinhas lido estas brilhantes declarações antes de escreveres o post… ahahahahaha

    Lisboa 13 Mai (Lusa) – Paulo Cristóvão rejeita o rótulo de ser uma “cambada de miúdos” e apelida os dirigentes no poder de “um grupo de pavões anafados” ocupados com a vida empresarial e que “ao Sporting pouco tempo dedicam”.
    Grupo esse que, segundo o candidato à sucessão de Soares Franco, “usufrui das benesses” que o Sporting confere aos que o integram, “em termos de visibilidade e de gestão da sua imagem”, razão pela qual diz compreender “quão difícil é fazer com que essa gente abdique desses benefícios”.
    De seguida apontou baterias ao antigo presidente José Roquete por este ter afirmado que “o que querem é não pagar”, pondo em causa “a honorabilidade sem sequer conhecer” as pessoas.
    “Isso eu não lhe admito!”, disparou o candidato à presidência do Sporting, que elogiou “a competência técnica e o sportinguismo” dos membros da sua lista, em particular os que “estão à frente das quatro áreas nucleares”.

  2. A brincar, a brincar se dizem muitas verdades… retrato muito real desta campanha… dir-se-á que, pelo menos, não faltam candidatos, embora seja fraco consolo.

  3. A campanha é importante mas ainda mais importante para o SCP, são os seus ídolos. É por isso que vos convido a passar no “A Norte” na sexta-feira. Teremos uma entrevista com Morais, o autor do mais célebre cantinho da História do futebol português, para celebrar os 45 anos da conquista da Taça da Taças.

    Desde já fica aqui o convite lançado a todos vós.
    Se tudo correr bem, contamos tê-lo connosco no final da tarde – entre as 18 e 20 – para responder às perguntas que lhe queiram colocar.

  4. Isto ja nao é o k era antes!!! dass!!nao temos florentinos perez nem o camandio, isso é k era de verdade!!destes candidatos todos juntos nao fazem um de jeito!! o PJ ainda nos vai divertindo e dizendo algumas verdade mas falta lhe um bocadinho assim….o Souto era fixe era dispensar um pópó descapotavel aki ao je, ja os psedo candidatos da continuidade um parece um amorfo desenterrado o outo um pitt bull com reumatico e esclerosado, enfim vai dando pra gente se rir!! Seja o k o Outro kiser!!!!!

  5. Termo que nós surripiámos a uma inspiradissíma posta do King Lizards, entretanto desaparecido. Quanto aos candidadatos acho que, apesar de tudo e apesar de toda a desconfiança que à partida qualquer bófia me merece, o programa “ser sporting” é bastante sério. Descontaria dois momentos. a cena dos 150 mil sócios, entretanto já retirada pelo Cristóvão, que diz que se contenta com mais 20 mil em 3 anos, e a história dos jogadores. De qualquer forma, e descontando os excessos de campanha, parece-me que a proposta da lista é bastante séria.

  6. Pingback: Fique por dentro Nomenclatura » Blog Archive » Diário de campanha I « O Cacifo do Paulinho

  7. O avanço do Bettencourt é para mim uma boa noticia mas tem um lado preverso que é a renovação com o Paulo Bento.
    De qualquer modo acho que Bettencourt tem paixão pelo Sporting suficiente para despedir o PB depois da 1ª humilhação que sofrermos na próxima época.

  8. Da série “gostava de ter escrito isto” ou “posto assim talvez até o Cacifo concorde”:
    “(…) Na lógica de solidificação de um projecto, continuar é natural.A sua empatia com o mundo leonino não tem paralelo com outro treinador, inédito mesmo para quem nunca foi campeão. (…) Paulo Bento deve continuar no Sporting, mas não ‘este’ PB. Não se trata de mudar de personalidade, mas sim o que condiciona as suas atitudes e crescimento. Não faz sentido continuar isolado, de espada em riste contra árbitros e ‘moinhos de vento’, desganstando-se em sucessivas gueras fora do relvado. Porque não é a sua ‘guerra’. Essa, está na relva, com a equipa. A ‘guerra táctica’, onde tem de encontrar outras estratégias além do losango(…)”
    Freitas Lobo, Expresso

  9. O avanço do “cabeça branca” é mau, ao contrário do que alguns alvitram.

    Faz parte da quadrilha e nada fez (tirando impedir aquela invasão dos ultras “under the influence”) nestes anos todos de Sporting.

    Vai ser lindo ele a querer mandar e os chefes da banca a dizer: “CALA-TE, ESTÚPIDO! FODE TUDO!”

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