Resumidamente

Prometo não ir alongar-me muito no rescaldo ao jogo de ontem, em Guimarães, até porque já desabafei aqui e, também, aqui, sobre a nossa pré-época.

Assim sendo, ficam cinco ou seis ideias rápidas:
– Se eu fosse treinador, com toda a certeza aproveitaria o último jogo de preparação para dar minutos de conjunto aos onze jogadores que forem entrar de início no primeiro jogo a doer. Mas tudo bem, com o Twente a jogar ali ao lado, em Braga, deve ter sido uma forma de baralhar o observador;

– Gostei do Adrien. E do Miguel Veloso que, curiosamente, é um dos nossos três jogadores em melhor forma física;

– O golo do Mat14s é de classe. Dá, desmarca-se, recebe, levanta a cabeça, vê a posição do redes, golo. Oxalá seja o primeiro de muitos;

– Quando o Postiga marcou o segundo golo, pensei: “será que já deu para perceber a diferença entre entre um lateral direito que vai à linha (Pedro Silva) e um lateral direito que faz centros do meio campo (Abel)?”;

– Contra o Forest enervámo-nos sem justificação, contra o Feyenoord fomos imaturos, ontem não tivemos coração. Por este andar, o Paulo Bento vai esgotar as justificações para os maus resultados ainda antes do campeonato começar…

– Adorei, mas adorei mesmo, a exibição do Tonel! Que grandes sorrisos devem ter ficado estampados na face de todos aqueles que estão quase a promover uma petição para que o rapaz seja titular!

Pensar em grande

Sim, no dia em que se assinalam 40 anos sobre a chegada do homem à Lua, dei comigo a pensar no quanto me irrita a lentidão com que os nossos dirigentes estão a reforçar a equipa.
Mais, no quanto me irrita a conversa de que não há dinheiro, acabando essa conversa por anular a noção de que fazer um esforço para trazer jogadores acima da média pode revelar-se, a curto/médio prazo, na conquista do campeonato, em receitas, no regresso do público a Alvalade, na capacidade de gerar receitas.

Disse o nosso presidente, pouco após ser eleito, que iríamos ter jogadores daqueles que levam pessoas ao estádio e vendem camisolas atrás de camisolas.
Então, e agora digo-vos eu, se eu fosse presidente do Sporting, tendo ou não afirmado uma coisa daquelas, estaria a caminho de Los Angeles para tentar trazer David Beckham para Alvalade.

Depois do recente episódio com os adeptos do Galaxy, Beckham tem poucas ou nenhumas condições de continuar a jogar nos states, para além de ter já afirmado que quer voltar à Europa para poder ser chamado à selecção e disputar o Mundial de 2010.

Nos meses que esteve em Milão, David Beckham mostrou que ainda tem muito para dar. Em Alvalade, para além de vender camisolas atrás de camisolas e permitir ao Sporting montar-se às cavalitas da Pepsi e passar a transmitir jogos para o Japão, o spice boy marcaria cantos, livres e centraria como ninguém centra em Portugal. Encaixaria que nem uma luva no 4-2-3-1 que eu defendo e, imagine-se, até seria o interior direito perfeito se o Paulo Bento insistisse em regressar ao losango quando o Izmailov estivesse recuperado (e teríamos, finalmente, Liedson e Vuk na frente).

A meu ver, é desta forma que o Sporting deve pensar. Em grande (e também se esqueceram do Michael Owen).
Não conseguir vestir-lhe a camisola verde e branca será o mais natural, mas quem não se recorda daquela capa da Bola que dizia “Schmeichel voa para Alvalade”?

Faz-me confusão

Ponto prévio: a primeira parte de ontem, frente ao Feyenoord, teve alguns momentos de bom futebol. Rui Patrício sacou uma grande defesa. Miguel Veloso está a tirar frutos das idas ao psicólogo. Moutinho é aquele Moutinho que todos gostamos. Mat14s começa a dar sinais de vida. Postiga marcou um grande golo. Liedson está quase no ponto. E, não menos importante, Alvalade recebeu mais de 31 mil pessoas, coisa raramente vista na época passada.

Ora, quer-me a mim parecer, que muitas dessas 31 mil almas devem ter ido para casa com dúvidas semelhantes às minhas.

Faz-me confusão a insistência no Caneira e no Abel, como defesas laterais. Até tolerava a presença do Caneira, se isso significasse o Pedro Silva a titular com liberdade para subir que nem um louco, deixando a defesa entregue a três homens em movimentos ofensivos.
Faz-me confusão falarmos constantemente em comprar médios e avançados, esquecendo a necessidade que temos em adquirir laterais acima da média e um central capaz de não ser constantemente comido quando as bolas paradas obrigam a utilizar o jogo aéreo.
Faz-me confusão, em dois jogos de preparação, ver serem repetidos muitos dos erros de épocas anteriores e, talvez no seguimento disso mesmo, ouvir um discurso no final do jogo que faz-me lembrar momentos que tanto me (nos) irritaram.
Faz-me confusão, num mísero jogo de preparação, ver a equipa meter o chip de “pronto, já está! Vamos lá controlar esta merda até final”, depois de marcar um golo, em vez de procurar ampliar a vantagem.

Ok, é verdade que isto é apenas a pré-época e que, quem sabe, podemos estar a perder os jogos agora e sermos uns verdadeiros leões quando isto for a sério, mas… permitam-me, então, que vos brinde com a minha última confusão.

Alguém consegue explicar-me porque razão temos tão poucos jogos de preparação agendados?
Se olharmos para os nossos mais directos adversários, por certo constataremos que, em menos tempo de trabalho, já têm mais minutos de bola na pernas. Nós, pelo contrário, vamos chegar ao arranque da temporada sem que mais de 90% do plantel tenha 90 minutos seguidos nas pernas.

“Ah, e tal, nós não mexemos na equipa e apenas precisamos de pôr a trabalhar uma máquina que já está oleada”.
Hum, hum… estou a ver, estou a ver… mas, ainda assim, faz-me confusão…

Isso já nós sabíamos, amigo Vuk

Foi com enorme prazer que vi as imagens do Vukcevic na conferência de imprensa. Sorridente, com ar de quem parece ter ganho consciência de que certas manias de puto estúpido não se compadecem com ser-se “profissional da bola”, Vuk deixou a seguinte mensagem:

Sinto-me bem e estou à disposição do treinador para jogar onde ele quiser. Passado é passado, agora sinto-me mais tranquilo. Eu acredito sempre em mim e, nesse aspecto, nem Paulo Bento nem ninguém me pode mudar. Os adeptos ajudaram-me muito e quero conquistar um título esta época“.

E não deixou de ser curioso ouvi-lo confirmar aquilo que já várias vezes defendemos no Cacifo: o homem tem que jogar ao lado do Liedson ou, se jogar no meio campo, tem que ocupar o lado direito, o único que lhe permite fazer diagonais e utilizar o melhor pontapé que temos em Alvalade: “Como disse, quero mesmo é jogar, mas as minhas posições preferidas são como avançado ou médio direito“.

Por tudo isto, volto a perguntar: fará sentido trazer mais um avançado?
Vá lá, tragam mais um médio, de preferência para a esquerda. Quem? Olha, aproveitem a onda holandesa em que estamos e tragam o Drenthe por empréstimo.

Quem vier é para despachar!

Foi desta forma que JEB antecipou o sorteio da Champions, agendado para hoje, no qual podemos ter um dos seguintes adversários: Dínamo de Moscovo, Twente, Sparta de Praga, FC Timisoara ou Sivasspor.

Eu concordo com o pensamento do presidente e acho que, efectivamente, se queremos ter respeito por nós mesmos temos mais é que despachar qualquer uma destas equipas. Preferência? Sivasspor ou Timisoara.

Actualização às 11h30 (Assinada pelo Sousa Cintra):
Calhou-nos o Twente. Ainda bem. Era o meu adversário preferido. Sempre odiei o Twente, desde pequenino, e vai dar-me um prazer especial ganhar a estes cabrões nojentos. Lembro-me de folhear a Voetball e de cuspir para as páginas onde apareciam jogadores do Twente, com aquelas camisolas ridículas de lampiões das túlipas. Odeio o Twente. Odeio! Aaaaaaaaahhhhhhhhhh, ganhar, foda-se, ganhar, ganhar!!! AAAAAAAhhhhhhh

Importante

Escapa-me à memória a recordação do último treino realizado, à porta aberta, em no novo Estádio de Alvalade. As imagens dos jogadores a fazerem o trajecto entre o velhinho Alvalade e o campo de treinos, mesmo ali ao lado, essas então, são apenas uma deliciosa lembrança.

Por tudo isso, e porque as duas últimas épocas foram verdadeiras tesouradas no cordão umbilical que liga os adeptos à equipa, o que se passou hoje, em Alvalade, com treino aberto e contacto directo com os “craques”, foi, a meu ver, realmente importante.

Gomes Pereira forever

gomes pereira

O actual Sporting é isto:

“13-07-2009
Informação Clínica

Izmailov: De acordo com o carácter evolutivo desta situação e dos últimos exames realizados, a direcção clínica entende que se justifica a solução cirúrgica. Neste contexto, o jogador será operado com vista à resolução da patologia tendinosa. Neste momento preparamos a cirurgia, bem como o momento da sua realização. O tempo de inactividade desportiva rondará as dez semanas. Oportunamente, actualizaremos esta informação clínica.

Direcção Clínica
José Gomes Pereira”

Porque é que “a direcção clínica entende” AGORA “que se justifica a solução cirúrgica”? E porque é que a “patologia tendinosa” não foi resolvida em ABRIL, quando o jogador deixou de jogar por causa da “patologia tendinosa”? Agora “a inactividade desportiva rondará as dez semanas”. Mas ainda bem que esta gente irá actualizar “oportunamente” esta FANTÁSTICA “informação clínica”, depois de prepararem a “solução cirúrgica, bem como o momento da sua realização”.

Se o comunicado fosse só patético e mal escrito, a coisa até se engolia bem. Mas não é. É um símbolo da incompetência que marca, há anos, o futebol profissional do clube, desde que esta gente trata da saúde ao Sporting. O grave é que não é caso isolado, todos podemos citar exemplos trágicos como este, de memória. E o que se passa? Estes belíssimos incompetentes continuam a trabalhar impunemente no clube. E vão continuar. Sem que sejam despedidos por justa causa, como o seriam nas empresas geridas de forma séria.

Já nem falo de pobre futebol, do teimoso treinador, do anémico losango ou da falta de fibra. Falo do amadorismo que grassa em todas as estruturas do clube e que arrasta, impune, o Sporting para uma “patologia tendinosa” nos nossos cérebros.

O melhor é o presidente não saltar mais vezes com os adeptos, não vá parar à próxima Informação Clínica do clube.

E porque não 4-2-3-1?

Eu sei que estamos numa fase em que devemos ser optimistas.
Acreditar que o entendimento entre o Matias e o Liedson vai ser fantástico.
Que o André Marques vai ser o defesa esquerdo com que há tanto tempo sonhamos.
Que o Abel nunca vai ser titular. E que continuar a insistir no Caneira a lateral foi só para baralhar os adversários.
Que o Vuk vai fazer uma época brutal e ser considerado a revelação da Champions depois de pregar três batatas ao Real.
Que vamos iniciar a época a dar um verdadeiro bailinho, na Choupana.
Veja-se bem, é até uma fase em que devemos acreditar que o tratamento conservador escolhido para o joelho do Izmailov foi uma excelente opção e que, daqui por uma semana, o rapaz não está a ser operado e a perder metade da época.

É com estes bonitos pensamentos que devemos encarar um dia de sol melhor que os últimos 15.
Quem estiver duas horas para conseguir chegar à praia, e outras tantas para estacionar, não pode parar de sorrir.
Porque temos que ser optimistas.
Porque ver 20 jogadores, juntos há dois anos e liderados pelo mesmo treinador, chegarem ao primeiro teste da época, frente ao “Trofense de Inglaterra”, e apresentarem-se quase sem fio de jogo e como se se conhecessem há meia dúzia de dias, não pode ser motivo para preocuparmo-nos.
Afinal, o optimismo diz-nos que o losango que, curiosamente, continuaria a manter-se em Alvalade caso o por muitos tão suspirado Jorge Jesus tivesse assinado a verde e branco, é a melhor táctica do mundo.

Peço-vos desculpa mas, talvez por não conseguir sorrir perante a hipótese de ir para a praia a um domingo, quero mudar um pouquinho desta história optimista.
Quero acreditar que o Paulo Bento vai acordar hoje, no hotel, e, por alturas do pequeno almoço, vai anunciar aos jogadores que “acabou o losango!”. Eles vão tremer, claro, até porque o losango é a melhor táctica do mundo, tão boa que qualquer treinador devia ter como máxima “losango forever!”
Mas o Paulo, homem de ideias fixas, não vai vacilar.
Vai colocar o Rui na baliza.
O Pedro Silva à direita, o Carriço e o Polga no meio e o André Marques à esquerda.
Moutinho e Veloso vão formar um duplo pivot, capaz de assegurar transições ofensivas e defensivas.
Vukcevic, Matias Fernandez e Izmailov (se o tratamento conservador se mostrar mais acertado que o losango), formarão uma linha de três, apostada em dar todo o apoio a Liedson.

E digo-vos mais. Depois de imaginar tudo isto, sinto-me capaz de ir dar um mergulho…

Um “lucho”

É um sonho concretizado. Não tenho dúvidas de que fiz a opção certa. Desde 2003 que me sinto em casa. […] Espero retribuir com golos a este clube que aprendi a admirar e a amar“, Liedson.

Pois é, caros leões. Está confirmada a renovação de Liedson por mais dois anos com um terceiro de opção. Se esta seria sempre uma excelente notícia, maior importância ganha no contexto da venda de Lucho e Lisandro.

Foram várias as vezes que questionámos o desejo dos nossos jogadores rumarem a clubes de dimensão média (ou nem isso, como por exemplo o Bolton), movidos por questões monetárias.
Imagino que, neste momento, os adeptos do FCPorto ainda não tenham encaixado as vendas de dois dos seus mais influentes jogadores, mesmo tendo em conta os mais de 40 milhões de euros provenientes das vendas.
Imagino, também, que os adeptos do FCPorto tenham engolido um sapo do tamanho do mundo quando ouviram o Lucho dizer que, com a ida para Marselha, ia atingir um novo patamar na sua carreira. Ou quando perceberam que Lisandro se recusava a renovar contrato e podia sair a custo zero.

Assim sendo, a venda destes dois jogadores foi um acto de boa gestão, mas também revela incapacidade para fazê-los renovar contrato antecipadamente. E o que é que nós temos a ver com essa merda?, poderão perguntar vocês. Nada, respondo eu, mas agora deixem que seja eu a perguntar-vos: e se, neste momento, nós tivessemos 40 milhões no bolso, mas Liedson e João Moutinho tivessem sido vendidos?

Da minha parte, continuar a vê-los de leão ao peito é um “lucho” que merece o meu aplauso a todos aqueles que conseguiram fazê-los ficar.

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