Dores de Crescimento

Quando se atinge um determinado nível e se almeja algo mais é necessário procurar soluções que nos façam crescer sem comprometer o que de bom ficou para trás. O Sporting das tacinhas precisava de crescer e toda agente o dizia. O Paulo Bento fez o diagnóstico e achou que tinha condições para mais. Se calhar, erradamente, pensou ele e os que mandam que tinha recursos para crescer. Se calhar, equivocadamente, considerou ele e os amigos que o próprio conseguia dar mais de si.

O Sporting da Choupana é o exemplo perfeito do que acontece a quem quer dar um passo maior do que a perna. Quando agarrou a equipa, PB conferiu-lhe maior rigor defensivo. Era essa a principal lacuna do Sproting versão Peseiro. Fez disso uma imagem de marca da equipa. Controlo do jogo. Claro que isso acabou por custar pontos em algumas situações. Essa obsessão pelo rigor acabou por fazer esquecer que para se ganhar é preciso atacar.

A par de tudo isto veio o losango. Vértice de jogo no meio e um 10 que se associava aos interiores e ao lateral ou avançado para criar superioridade nas linhas. Deixou de ser perfeito quando o efeito surpresa acabou e os adversários adivinhavam o que se ia passar. Resultado: Melhor controlo defensivo e falta de acutilância ofensiva traduzida em alguns pontos perdidos que custaram campeonatos. É o velho problema das mantas curtinhas. Não dá para tapar tudo.

E agora? O Sporting actual tenta dar o salto. Para onde? Por este andar vamos direitinhos ao abismo. Não tem ADN, desintegrou-se. É uma equipa com medo de errar e sem rumo à vista. Não sabe ao que joga. Onde defendia bem, agora mete água por todo o lado. Onde se tornava prevísivel para os adversários pelas amarras tácticas, agora é um conjunto de jogadores loucos a trocarem de posição sem sentido.

O PB tentou mudar para fazer a equipa crescer porque, finalmente, entendeu que o modelo de jogo anterior já tinha teias de aranha. Até a mulher a dias do Manuel Machado já deve ter ouvido falar no losango. Vai daí e não foi de modas. Apresenta um 4-3-3 inócuo e sem treino no primeiro jogo do campeonato.

Se queria mudar, os jogos de preparação servem para isso mesmo. Por que razão se jogou tão pouco na pré-época? Se quer experimentar este sistema por que razão, escolhe aqueles jogadores? Postiga e Liedson a trocarem de posição entre a meia-esquerda e o centro? Djaló como extremo direito? Como é possível um 4-3-3 sem extremos? O Vuk não faria melhor que Djaló na posição onde diz que mais e melhor pode render? Matias no banco? O nosso estratega. O homem que sabe pensar o jogo e, provavelmente, um dos melhores sentadinho a apreciar a serra madeirense?

Sejamos honestos. A equipa não está apetrechada para mudar como devia. Mas tem jogadores para jogar melhor. Indiscutivelmente. O Sporting pode e deve fazer mais. É preciso que o treinador saiba explorar o plantel e pare de dar tiros nos pés. Actue com bom-senso e critério. Se fizer isto, as coisas vão melhorar. E ninguém lhe poderá apontar um dedo que seja.

Para onde vamos crescer? Talvez o Paulo Bento não seja o homem ideal para conduzir essa mudança. Pela amostra parece que não sabe mais do que isto. Para já é com isto que temos que conviver. Ou nos conformamos com as taças e os segundos lugares ou mudamos para pior.

7 thoughts on “Dores de Crescimento

  1. Jordão,
    não tardam aí aqueles moçoilos que acham que nós somos maus sportinguistas e que cascamos no pobre do treinador que tantas alegrias nos tem dado.

    Eu tenho uma palavra para a nossa primeira parte na Choupana: patética.

    E, não, isto não é falar mal só por falar, meus senhores. Se eu vir o Sporting a jogar à bola garanto-vos que, mesmo perdendo ou empatando, sou o primeiro a bater palmas ao treinador e aos jogadores. Agora, semana após semana, aquele bando que vejo subir ao relvado com a camisola verde e branca não é, definitivamente, o meu Sporting.

  2. Subscrevo.
    Tinha muito para dizer, eventualmente para acrescentar. Mas acho que fica tudo dito neste ponto: “A equipa não está apetrechada para mudar como devia. Mas tem jogadores para jogar melhor. Indiscutivelmente. O Sporting pode e deve fazer mais. É preciso que o treinador saiba explorar o plantel e pare de dar tiros nos pés.”
    É este o ponto central de todos os problemas (futebolísticos) do actual Sporting. Não temos um plantel perfeito mas, com o que há, tínhamos obrigação de fazer mais e melhor. Muito mais e muito melhor. Não querer perceber isto (como o JEB, o Barbosa ou o Bento teimam em não querer perceber) é o que mais me dói. O Sporting que sábado entrou em campo joga junto pela terceira época consecutiva (salvo excepções pontuais). Mas quem o visse jogar pela primeira vez, diria que é uma equipa nova, com jogadores que não se conhecem de lado algum. E depois, desculpem-me os indignados sportinguistas que aqui vêm enxovalhar quem critica a equipa mas tenho de perguntar: alguém acha normal que tenhamos, por sistema, 3 ou 4 jogadores a chegar ao fim dos jogos com duas ou três posições diferentes em campo? Eu não acho normal. Mas se calhar sou o único. E deve ser apenas pelo prazer de dizer mal.

  3. Cherba:
    Não consegues mesmo ser mau com o nosso Sporting nem na hora de adjectivar. Patética?!
    Amanhã estás à pega se jogarmos bem e perdermos…

    Cintra:
    Não, não és o único, não és o único a…

    Jordão:
    Um post que subscrevo. Já agora a pergunta assassina: o Jordão, aquele das gâmbias até ao…, que jogava como se baila no bolshoi, não estaria no banco também? O que seria dele “neste” Sporting?

  4. Migual Garcia não servia para LD, afinal… temos bastante pior.
    Patacas é “velhinho” mas bem melhor.
    A melhor solução esta lá e chama-se Caneira.

    LE estamos mal desde que Rui Jorge saíu.
    Olhando para toda a equipa, Veloso acaba por ser a melhor solução.

    Moutinho, em vez de evoluir estagnou e até piorou.

    Postiga. Quem?
    Purovic não faria pior.
    Postiga passa a vida a fazer queixinhas e não sei que mais. Já não jogas no FCP pá.

    Também está na altura de chamar Tonel e dar banco a Polga.

  5. Ao contrário do mito urbano, o losango chegou ao Sporting com Fernando Santos em 2003/04, não foi o Paulo Bento que o inventou.

    E o problema nem é o losango, que esse não tem nada de mal (sempre preferi o 4-2-3-1 do Boloni, mas são gostos).

    O problema é um treinador que não adapta a táctica aos jogadores, mas sim o contrário, qual puto de 3 anos que tenta à força encaixar um quadrado no encaixe de um círculo.

    Pior, teve já várias pré-épocas para contratar jogadores indicados para jogar no losango mas não o fez.

    As primeiras duas épocas foram boas, tendo depois perdido cinco titulares a seguir à final da Taça com o Belém (Nani, Ricardo, Tello, Caneira, Alecsandro). Em retrospectiva este parece o momento decisivo da era Paulo Bento. Era preciso começar de novo, quase.

    A época seguinte, aliviada pelas vitórias contra os lampiões e andrades na Taça, apesar do muito mau futebol, teve ao menos uma boa desculpa.

    O ano passado era para mim o teste final. Não perdemos ninguém. Contratámos bem (ou assim parecia na altura). E a equipa jogou pior que nunca, falhou.

    Normalmente seria o final do ciclo, a altura perfeita para renovar a esperança com um presidente com mais capacidade de agregar massas e criar ambição.

    Não mudámos, e este ano tem sido o mais penoso de que a minha memória leonina se recorda.

    Mas em relação a hoje, e citando José Torres:

    Deixem-nos sonhar!

  6. EVOLUÇÃO

    Gostei de ler a crónica do Douglas. Sem facciosismos, mostra a história do futebol do SCP dos últimos anos.

    Já me tinha esquecido que o futebol vistoso do Peseiro era demasiado permeável. E que o Paulo Bento lhe veio dar maior consistência defensiva. De facto, nem tudo é mau, porque sofrendo poucos golos tem-se mais hipóteses de não perder. Para ganhar … já é diferente. Lembro-me de ter apoiado a contratação de Bento.

    Mas o seu futebol, tornou-se tão esquemático, tão igual, tão pontapé para a frente, que a mim põe-me a tratar da horta, enquanto ao Cherbakov dá-lhe para dormir no sofá, pelo que fica para sempre a dúvida sobre qual dos dois é mais SCP, a não ser que se invente por aí um “sportinguinamómetro” que meça a intensidade de anti-sportinguismo daquelas duas “tarefas”.

    Complemento a crónica do Douglas com dois comentários de “homens da casa” que li há alguns dias no “Público”, os quais assino por baixo. Conto, no entanto, que este jornal não faça parte dos pasquins, cuja leitura é proibida a sportinguistas, mesmo àqueles que, como eu, têm tendência para mudar de cor. Juro que não tenho a culpa. Faz parte do ADN. Diz Inácio: “O Sporting aposta, e bem, nos jovens, mas devia completar melhor o plantel com jogadores experientes. Saiu Derlei, um agitador do ataque, está lesionado Ismailov, as laterais da defesa não têm, se calhar, a qualidade que se exige e faltam extremos e por isso o plantel devia ser retocado”. Enquanto Luís Freitas Lobo reconhece: “Sente-se a necessidade de uma evolução. Já se sentiu o ano passado. Foi por isso que o Sporting ficou em segundo lugar. Vi um bom Sporting nos últimos 4 anos, mas o conjunto está cristalizado e com dificuldades de encontrar motivações … e está limitado. Devia ir ao mercado com mais astúcia”.

    E aqui a culpa terá de pertencer também ao treinador que tem aceitado todos os “purovic’s”, “tui’s”, “pedro’s silva’s”, “rochemback’s” e outros que por lá andam que a direcção lhe tem impingido só porque são de borla (???) e é preciso fazer número, que equipa que se preze tem de começar a época com, pelo menos, 24 jogadores.

    Se não querem ir ao mercado (com a astúcia preconizada por Freitas Lobo, pois há sempre possibilidades de adquirir bons jogadores a preços razoáveis), comprem uma “bimbe” que além de sopa para o intervalo, faz também reciclagem de jogadores.

    Boa sorte para logo à noite com o Fiorentina. Desta vez, juro que não vou para a horta.

    O CAMALEÃO
    2009-08-18

  7. Como devem ter percebido, enganei-me. Queria dizer Jordão e disse Douglas. A crónica que comentei foi escrita pelo Jordão. A ambos peço desculpa.

    O CAMALEÃO
    2009-08-18

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