Quer se possa ou se não possa

Sporting curva
(foto, cortesia involuntária Leão da Estrela)

Este Sporting não se pode. É claro para todos. Mas atentemos ao espírito da Marcha. “Quer se possa ou se não possa, a vitória será nossa, Viva o Sporting!”. Serve isto de pretexto para puxar pelo Sporting Positivo. Dado o momento do País, podia ser um grito de campanha. E, de certa forma, é. Em vésperas de um jogo decisivo para o Sporting de Paulo Bento, concentremo-nos nas coisas boas, naquelas que queremos valorizar nos dias bons, quando acordamos do lado certo da cama, quando está sol, quando os horários estão todos do nosso lado.

Bandeira verde o Leão
É a bandeira mais bonita deste Sporting: os principais e crescentemente mais líderes desta equipa são do Sporting. Formados no Sporting. E nas celebrações dos golos percebe-se isso, como se percebe que Veloso, Moutinho e Carriço mandam cada vez mais na equipa. Ainda não são os líderes que a equipa precisa, mas continuam por cá, estão sempre entre os melhores dos jogos, coisa que parecia impossível há precisamente um ano.

Muita fé no coração
Atitude é algo que, agora, não falta à equipa. Aliás, é a grande qualidade deste Sporting actual. Só prova que até vale mais jogar sempre contra a parede, porque de outra forma “não se pode”. E as recuperações (desnecessárias quando “se pode”) só são possíveis quando se tem fé, quando se acredita. E consegue-se porque…

… Liedson e Vuk…
Estamos a testemunhar a passagem de dois dos melhores jogadores da história do clube. Um, já lá está. É o melhor avançado da história moderna do Sporting. O outro, pode lá chegar. Qualquer um deles, dá um valor emocional acrescentado aos golos que marca. Isso é impagável. O Jardel marcou 42 golos, deu um título e nem no seu melhor golo me tocou como qualquer golo destes dois grandes jogadores. É um privilégio (esperemos que Mati se junte rapidamente a este duo e que Izma regresse rapidamente… já alguém reparou bem na qualidade ofensiva desta equipa?)

Cantam todos os do Sporting, desde os netos até aos avós
Ir a Alvalade, apoiar o Sporting, ainda é e será sempre uma enorme oportunidade de celebrar o Sportinguismo. Essa é, aliás, a génese do imaginário leonino. E é, também, a maior factura dos anos bentianos. Os adeptos, nós, todos, confundimos regularmente o Sporting com o Sporting de Paulo Bento. São coisas diferentes, embora não pareçam. Quando coincidem – e já aconteceu este ano, contra a Fiorentina, em Alvalade -, proporcionam a gasolina que continuará a fazer o fogo verde-e-branco arder sempre. E é preciso que coincidam já este fim-de-semana, no Porto. É possível? Não sei, não interessa para este raciocínio positivo. O que interessa é…

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo,
E gritem todos comigo,
Viva o Sporting!

VUK NO ATAQUE, JÁ!

Sporting-3 (Carriço, Moutinho, Vuk), Olhão- 2 (Tripeiro 1, Tripeiro 2)

Nível de endorfinas: Aos turbilhões, como qualquer jogo do Sporting este ano. O Bento continua a ser o maior inimigo do Paulo. A equipa entra na expectativa do que o adversário faz, tironopé nº1. A equipa continua a jogar com o central em pior forma do hemisfério norte, quando no banco tem uma alternativa moderadamente decente, tironopé nº 2. E a equipa joga com o pior avançado do planeta, quando tem o segundo melhor finalizador da equipa a jogar a médio esquerdo, a trinta metros da baliza, tironopé nº3. Recuperada a desvantagem com base na gana e, vamos ser honestos, no puro medo da multidão enfurecida das bancadas, entra na 2ª parte sem acelerar, com pavor de cometer erros, tironopé nº4. Volta a meter o trinco a defesa esquerdo, desequilibrando outra vez a equipa, porque o trinco não quer e não sabe ser defesa esquerdo, tironopé nº5. Mantém a extremo direito o único avançado que pode apostar em jogar nas costas dos centrais, onde não tem espaço para correr, tironopé nº6.

E chega-se ao tironopé mais grave e danoso para a equipa, o clube, a história da instituição e o sistema nervoso central de todos nós: Bento continua a pôr o Postiga a titular… Não tenho dados científicos para explicar melhor, mas o Postiga seca o Liedson. Provavelmente porque dá sempre linhas de passe, desaproveitando-as todas. Já nem desenvolvo o facto evidente de o tripeiro não conseguir marcar golos – não sabe, não tem jeito, o que é admirável para um avançado -, mas importa-me o facto estatisticamente evidente de o Liedson não ter bolas de golo quando o Postiga está em campo. Só este ano, Liedson com outro qualquer em três jogos, cinco golos. Com o Postiga, zero golos em três jogos. Só neste jogo, Postiga em campo, zero oportunidades para o luso-brasuca. Postiga fora, dois remates perigosos. Uma tendência que já vem do passado, sendo o exemplo perfeito a dupla que Derlei fazia com o Levezinho.

Enfim, Bento, facilita-nos a vida, a nós e ao Paulo, e mete o Vuk no ataque… com o tempo, o Liedson há-de aprender a gostar do montenegrino (repete-se aqui o apelo que se tem feito, aqui, desde que o Vuk está no Sporting… uma causa obviamente perdida).

Momento do jogo: Admito a parcialidade, mas ver o Vuk a festejar um golo decisivo em Alvalade tem de ser o momento alto de qualquer jogo, do dia, da semana e, pelo andar da carruagem, o momento do mês.

Prémio El Dieguito: O golo. Do Vuk. Não sei se o Postiga viu, mas é assim que um futebolista profissional marca um golo. Quando sabe e tem jeito.

Prémio Zé Piqueno: Agora que o Roca e o Ninja já não jogam, este galardão perdeu brilho.

Prémio Gladstone: Abel. Não tanto pelo jogo, razoável para os seus medíocres parâmetros, mas pelo espectacular momento em que agradeceu um passe antes de receber a bola, perdendo com isso o timing certo para centrar… um regalo.

Visão Zeman: A táctica deste Sporting resume-se, no mal, aos tirosnospés. No bem, destaque para a insistência em deixar o Vuk no campo, agora que ele é um jogador banal na esquerda, cumprindo tactica e mentalmente, mas perdendo o lustro que o faz único. E para a exibição do Moutinho, que voltou a encher o campo, como nos bons velhos tempos. Só falta definir melhor os lances de desequilíbrio… coisa que talvez já não venha a acontecer.

Vivó Sporting… até morrer!: Não me lembro, desde que o Bento tomou conta do Paulo, de festejar tantos golos no início da época, contra adversários fracos, como se fosse o jogo do título. Este paradigma de golos-nos-últimos-dez-minutos-para-ganhar está a tornar-se um arriscado hábito. E, como ainda estamos em Setembro, há-de rebentar mais cedo que tarde na cara de alguém…

Dito isto, nós somos verdadeiramente únicos. Não deve haver muitos estádios no mundo que oscile tanto durante um só jogo entre o apoio feroz e incondicional, o desprezo trocista e a raiva descontrolada. SPORTING! A sofrer até ao Marquês!

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – 5ª jornada

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Olhanense
21 de Setembro 2009, 20h15, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Óptima noite para jogar à bola, a pedir uma sweat a quem vai para as bancadas (ou um casaquinho pelas costas, para os mais queques). Infelizmente, e porque voltamos a jogar a uma hora medonha, cheira-me que não vão estar mais de 18 mil nas bancadas. Espero enganar-me.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Eu gosto do Olhanense. Não por ter Sporting Clube Olhanense como nome oficial, mas porque acho importante a presença de uma equipa algarvia na nossa principal Liga e porque me agrada a aposta em jogadores novos e portugueses (e tem um site porreiro e constantemente actualizado).
Os de Olhão chegam a Alvalade com seis pontos em quatro jogos, fruto de três empates (um deles na Choupana, como nós) e uma vitória caseira, frente à Académica, arrancada com apenas nove homens em campo. A grande curiosidade é saber se Jorge Costa arriscará manter o 4-3-3 que costuma apresentar, com Ukra, Toy e Rabiola na frente.

Este homem é um Mister
Eu teria todos os motivos para não gostar do Jorge Costa, mas a verdade é que a versão treinador do bicho conta com a minha simpatia. Aliás, um treinador que afirma que a sua equipa tem que jogar bom futebol porque os espectadores pagam para ver um espectáculo, e que tenta passar das palavras aos actos (o Olhanense é uma das três equipas que mais remata), merece o meu aplauso.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Por certo não será, nem de perto nem de longe, o craque da equipa, mas será o homem em destaque: Miguel Garcia regressa a Alvalade, tal como o extremo/avançado Paulo Sérgio. E dizem as quatro primeiras jornadas que o o médio Castro e o extremo Rabiola, ambos emprestados pelo FCP, têm sido as figuras desta equipa.

 A vantagem de ter duas pernas!
Mbida Messi Georges Parfait, Messi para os amigos. Não posso deixar de achar fantástico existir um Messi vindo dos camarões, ainda por cima um Messi trauliteiro.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, temos nas nossas mãos a oportunidade de ir ao Dragão com os mesmos pontos do FCP. Aliás, com jeitinho até ficávamos com os mesmos pontos do Benfica, mas isso é outras conversa.
Sei que vou repetir-me, mas não será demais pedir-te para passares aos jogadores a mensagem que os jogos podem ganhar-se nos primeiros 15 minutos e que entrar bem dá confiança não só a quem está dentro das quatro linhas, mas também a quem está nas bancadas.
Aliás, Paulo, se tiveres estudado o adversário, vais concluir que deixar tudo para a segunda parte pode dar merda, pois se há coisa que o Olhanense tem são gajos rápidos na frente, que adoram jogar em contra-ataque.

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Olhanense   1

Cantinho Zandinga
Sporting – Olhanense   2-0  (Liedson 14′; Carriço 27′)

DROGADOS

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Estamos agarrados, completamente dependentes deste Grande Senhor, deste Fantástico Jogador, deste Levezinho Bater na Baliza!

Que nunca nos falte, que nos ajude a equilibrar o défice constante e permanente da nossa defesa, que no centro e nas alas tem mais buracos que as redes da baliza.

Com ele, podemos tudo. Sem ele, não há metadona que nos valha.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Europa, jornada 1

É um estádio bonito, novo… arejado
Heereveen – Sporting
17 Setembro 2009, 18h00, Abe Lenstra Stadion

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
É possível que chova, ou não estivessemos nós na Holanda. Para os mais crentes, isso poderá significar que, voltando a sair molhados do país laranja, estamos a dar o primeiro passo para chegar à final da Liga Europa.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Heerenveen ocupa a 16ª posição no campeonato holandês e, por isso mesmo, o som do chicote já se fez ouvir, quando bateu no lombo do treinador norueguês Trond Sollied. O novo treinador chegou e apostou num 4-3-3, com Lejsal, Breuer, Dingsdag, Popov, Svec; Elm, Grindheim, Losada; Beerens, Sibon e Henrique.

Comparativamente ao Twente, esta é claramente uma equipa mais fraca, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de ganhar, perante uma equipa chata, muito concetrada no meio do terreno e com um monstro de 1,98 no ataque, o veterano Sibon (a que se junta o 1,92 do médio Elm e os 1,89 dos defesas Dingsdag e Popov).

Este homem é um Mister
Jan de Jonge afirmou ter medo dos minutos finais do jogo contra o Sporting. Isto porque, diz ele, “o Sporting é uma equipa que joga um futebol lento, dá-nos a ideia de termos o jogo controlado, mas depois matam o jogo nos momentos finais”. Bem, basicamente isto prova que o bom do Jan (ou do Jonge, é como preferirem), apenas viu os jogos do Sporting contra o AZ e contra o Twente, o que poderá significar que é mais um daqueles que vai ser surpreendido pelo losango e dar espaço entre o meio campo e a defesa.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Não há propriamente craques nesta equipa holandesa. Há um extremo rápido e perigoso, Beerens, um médio que se destaca (um bocadinho), Väyrynen, e o tal avançado de 35 anos que parece um monstro, Sibon.

 A vantagem de ter duas pernas!
Não vou apontar nomes, apenas dizer que, se apertada, a defesa holandesa abana e não é pouco. Resta saber se concretizaremos as oportunidades de golo que serão relativamente simples de criar.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, não vou alongar-me muito, até porque mereces o meu aplauso pela boca que mandaste ontem, sobre esta Liga Europa servir de estreia ao sistema de 5 árbitros (“se calhar já tinha sido campeão e tinha ganho a última Taça da Liga. É possível…Vamos ver se há capacidade económica para fazer isso noutros campeonatos. Mas conhecendo alguns árbitros auxiliares portugueses, e sabendo como eles correm, não sei se vale a pena”).

Seja como for, é obrigatório ganhar. Tal como é obrigatório passar este grupo.

Vamos jogar no Totobola
Heereveen – Sporting   2

Cantinho Zandinga
Heereveen – Sporting   0-2  (Matigol 29′; Liedson 42′)