DROGADOS

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Estamos agarrados, completamente dependentes deste Grande Senhor, deste Fantástico Jogador, deste Levezinho Bater na Baliza!

Que nunca nos falte, que nos ajude a equilibrar o défice constante e permanente da nossa defesa, que no centro e nas alas tem mais buracos que as redes da baliza.

Com ele, podemos tudo. Sem ele, não há metadona que nos valha.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Europa, jornada 1

É um estádio bonito, novo… arejado
Heereveen – Sporting
17 Setembro 2009, 18h00, Abe Lenstra Stadion

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
É possível que chova, ou não estivessemos nós na Holanda. Para os mais crentes, isso poderá significar que, voltando a sair molhados do país laranja, estamos a dar o primeiro passo para chegar à final da Liga Europa.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Heerenveen ocupa a 16ª posição no campeonato holandês e, por isso mesmo, o som do chicote já se fez ouvir, quando bateu no lombo do treinador norueguês Trond Sollied. O novo treinador chegou e apostou num 4-3-3, com Lejsal, Breuer, Dingsdag, Popov, Svec; Elm, Grindheim, Losada; Beerens, Sibon e Henrique.

Comparativamente ao Twente, esta é claramente uma equipa mais fraca, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de ganhar, perante uma equipa chata, muito concetrada no meio do terreno e com um monstro de 1,98 no ataque, o veterano Sibon (a que se junta o 1,92 do médio Elm e os 1,89 dos defesas Dingsdag e Popov).

Este homem é um Mister
Jan de Jonge afirmou ter medo dos minutos finais do jogo contra o Sporting. Isto porque, diz ele, “o Sporting é uma equipa que joga um futebol lento, dá-nos a ideia de termos o jogo controlado, mas depois matam o jogo nos momentos finais”. Bem, basicamente isto prova que o bom do Jan (ou do Jonge, é como preferirem), apenas viu os jogos do Sporting contra o AZ e contra o Twente, o que poderá significar que é mais um daqueles que vai ser surpreendido pelo losango e dar espaço entre o meio campo e a defesa.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Não há propriamente craques nesta equipa holandesa. Há um extremo rápido e perigoso, Beerens, um médio que se destaca (um bocadinho), Väyrynen, e o tal avançado de 35 anos que parece um monstro, Sibon.

 A vantagem de ter duas pernas!
Não vou apontar nomes, apenas dizer que, se apertada, a defesa holandesa abana e não é pouco. Resta saber se concretizaremos as oportunidades de golo que serão relativamente simples de criar.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, não vou alongar-me muito, até porque mereces o meu aplauso pela boca que mandaste ontem, sobre esta Liga Europa servir de estreia ao sistema de 5 árbitros (“se calhar já tinha sido campeão e tinha ganho a última Taça da Liga. É possível…Vamos ver se há capacidade económica para fazer isso noutros campeonatos. Mas conhecendo alguns árbitros auxiliares portugueses, e sabendo como eles correm, não sei se vale a pena”).

Seja como for, é obrigatório ganhar. Tal como é obrigatório passar este grupo.

Vamos jogar no Totobola
Heereveen – Sporting   2

Cantinho Zandinga
Heereveen – Sporting   0-2  (Matigol 29′; Liedson 42′)

Batata quente

O jornal O Jogo colocava, na sua edição de ontem, uma questão pertinente: como é que Paulo Bento vai gerir a questão do central que fará dupla com Daniel Carriço contra os holandeses?

Os anti-Polga facilmente dirão que o Tonel não pode sair da equipa. Sim, é verdade que a equipa ganha maior presença aérea em termos de lances de bola parada e, sim, também é verdade que o Carriço mostrou ser ainda mais patrão quando teve ao seu lado alguém para fazer o “trabalho sujo”. A isto, acrescento eu que até gosto do Polga, o Tonel tem sido um profissional exemplar e, creio, será um dos que contribui para o bom ambiente no balneário.

Por outro lado, e foi o próprio Paulo Bento quem o afirmou, Polga tem jogado lesionado há já bastante tempo. Isso não servirá de desculpa para a alternância entre más e fracas exibições, mas atesta o carácter do jogador que, a pedido do treinador, aceitar queimar-se aos olhos dos adeptos e correr o risco de agravar a lesão. Para além disso, foi o próprio Paulo Bento quem afirmou que Polga era o líder da nossa defesa, estatuto que, digo eu, obriga à titularidade.

No fundo, Paulo Bento tem uma batata quente nas mãos. Se tira Tonel vai estar a tirar um jogador que fez uma boa exibição e, moralmente, dá-lhe uma machadada. Se deixa Polga de fora, é como se estivesse a agradecer-lhe com um pontapé no cu todo o esforço que lhe pediu que fizesse.

A mim, cheira-me, Polga vai ser titular na Holanda e Tonel vai jogar na recepção ao Olhanense, mas esta batata vai deixar o três queimados.

O Cacifo na sala de imprensa (depois da vitória sobre o Paços)

Paulo, depois de, na antecipação ao jogo, ter afirmado que o Sporting tinha que mostrar desde o apito inicial que queria ganhá-lo, não o preocupa que, dando continuidade às exibições da época passada, os seus jogadores tenham feito, uma vez mais, figura de corpo presente durante a primeira parte? Não o preocupa que, se esquecermos os jogos com a Fiorentina, o Sporting seja incapaz de marcar golos durante a primeira parte e praticamente não crie uma única oportunidade?

Paulo, como justifica falar-se constantemente em imaturidade e ansiedade quando, olhando para o plantel, encontramos uma esmagadora maioria de jogadores que estão juntos há, pelo menos, três anos, habituados a jogar na Liga dos Campeões e responsáveis pelas conquistas de Taças de Portugal e Supertaças?

Paulo, acredito que tenha fica furioso com a forma desplicente como o João Moutinho marcou o livre directo com que terminou o desafio. Tendo o Sporting contratado um jogador especialista em lances de bola parada, Matias Fernandez, como se explica que esse mesmo jogador não tenha oportunidade de marcar um livre, um penalti ou, pelo menos, um canto, tendo em conta a produtividade nula do Sporting nesse tipo de lances?

Por último, Paulo, como explica que uma equipa que jogava em função das movimentações de Leandro Romagnoli, praticamente ignore a presença de Matias Fernandez em campo, um jogador imensamente superior ao argentino?

RUMO AO TÍTULO

Sporting – 1 (Liedson), Paços – 0

Nível de endorfinas: Alto, altíssimo. Mantendo o estado hipnótico das últimas duas semanas, desde a entrevista do Paulo Bento à SportTV, para mim esta vitória sofrida valeu exactamente os mesmos pontos das goleadas dos outros dois imparáveis concorrentes. Onde falta chuva de golos, sobra pragmatismo. “O Paços não criou uma oportunidade, excepto a criada por um erro nosso”, disse o mister. Mai nada! O Liedson marca, a gente não sofre… siga… próximos!

Momento do jogo: A improbabilidade de marcarmos num centro do Abel a 25 metros da linha final reforça a minha convicção de que este ano vamos ser campeões!

Prémio Gladstone: É pura classe querer fintar como último homem da defesa… não importa se depois se perde a bola. O que define um campeão é a crença na finta. Grande André!

Prémio Zé Piqueno: Miguel… aquela entrada na primeira parte, que deu amarelo, nem parece do Miguel. Aliás, este Miguel não tem nada a ver com o Veloso.

Prémio El Dieguito: Aquele tropeção do Abel, embalado na direita, deixando a bola para trás, seguido de uma rotação na relva, na tentativa de recuperar a bola, a vencer a inércia do movimento… é genial. Não deu em nada, mas vale pela harmonia homem-espaço.

Visão Zeman: Um camaleão táctico, este Sporting! Começa num 4-4-2 clássico, com os avançados fixos à entrada da área e o Moutinho a romper nas costas da defesa do Paços (em boa verdade, a romper por todo o lado). Em momentos, via-se em campo um verdadeiro 4-2-4, com Vuk e Angulo bem abertos. Depois do intervalo, o regresso do losango, com Mati a 10a fazer miséria até ter um polícia em cima dele. Final de jogo num 2-3-1-4, com Veloso e Abel bem avançados, Moutinho a distribuir, Matias perdido e Vuk, Liedson, Postiga e Djaló na frente… Grande coragem, premiada com um belíssimo golo.

Vivó Sporting… até morrer!: Já deixámos os quatro adversários mais complicados e traumáticos para trás: Nacional (na terrível Choupana), Braga (é sempre para deitar fora), Académica (em Coimbra, não ganhávamos há anos), Paços (a mão de Ronny, as goleadas na capital do móvel)… Agora, é sempre a somar! E mostraremos ao País a nossa força daqui a 15 dias, no Dragão!

(disclaimer: este Sporting, o Sporting de Paulo Bento, não é o meu Sporting, toda a gente sabe. Mas enquanto se prolongar a festa da castanha assada noutras agremiações desportivas, recorrerei à ironia para defender o meu clube! Quando a castanha começar a queimar nas mãos, voltará a racionalidade crítica, até porque nada mudou, nada mudará. A epopeia bentiana renasceu sempre pela deprimente vida do Outro, contra a minha secreta vontade… Paradoxalmente, agora que o Outro anda em festa, sinto-me um pouco mais bentiano).

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – 4ª jornada

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Paços de Ferreira
13 Setembro 2009, 20h15, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Mesmo tendo em conta que o tempo ainda está uma maravilha, continuo sem entender porque razão temos que jogar à noite? Irrita-me, pronto.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Paços ainda não perdeu, mas também ainda não ganhou (esteve quase, quase a ganhar ao Porto, mas assinalaram fora de jogo quando o avançado já tinha fintado o guarda redes azul, na última jogada do encontro). No fundo, é uma equipa de empatas, apesar do seu treinador não ser daqueles que gosta de ferrolhos e poder mesmo surgir em Alvalade com três avançados (Carlitos, Cristiano e William).

Este homem é um Mister
Sou gajo para arriscar dizer que o Paulo Sérgio, homem que teve tomates para aceitar bonés manhosos em conferências de imprensa, pode vir a ser um dos bons treinadores do futebol português. É novo, gosta de jogar ao ataque, tem um discurso minimamente coerente. Hoje, disse, quer irritar o Sporting.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Cristiano. Confesso que não entendo como é que o Cristiano nunca saiu do Paços. Tecnicamente, é dos jogadores mais evoluídos da Liga portuguesa.

 A vantagem de ter duas pernas!
O jogador mais baixo da defesa do Paços tem 1,86, e é o defesa direito. Se fizermos centros a partir do meio campo vai ser um problema, mas se jogarmos bola pelo chão vai ser um problema para a dupla maravilha de centrais, Ozeia e Danielson, duas torres de 1,90 com algumas dificuldades em olhar para baixo.
Não posso deixar de falar em Paulo Sousa, um clássico do Paços que, aos 34 anos, ostenta uma bonitas nuances louras no cabelo, e em Mário Rondon, um puto que veio da Venezuela e que tem uma das carantonhas mais fixes para aparecer numa foto tipo passe, naqueles guias de início de época.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Paulo, certo dia, o nosso presidente disse que os adeptos do Sporting deviam olhar para o Porto e não para o Benfica como principal adversário. Assim sendo, espero que tenhas prestado atenção ao jogo de ontem e aprendido algo que nós, aqui no Cacifo, já estamos fartos de dizer: os jogos começam aos 0′ minutos e não aos 46′, ou seja, e até porque ontem já falaste sobre a necessidade de gerir a condição física dos jogadores, trata de dizer aos 11 que entram em campo para encostarem o adversário às cordas desde cedo e, se possível, definir o jogo na primeira parte. Faz mais sentido do que irritar os adeptos e depois andar 45 minutos a fazer o dobro do esforço, não faz?

Ah, já agora. Temos dois jogos seguidos em casa. Queres melhor forma de ganhar confiança para a visita ao Dragão? Seis pontos obrigatórios, Paulo. Seis pontos obrigatórios. 

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Paços de Ferreira    1

Cantinho Zandinga
Sporting – Paços de Ferreira     4-0 (Tonel 6′, Liedson 13′, Moutinho 40′, Angulo 62”)

A atitude que se esperava

Depois do que se passou aqui, ficámos todos à espera de uma reacção do Sporting à decisão da Comissão Disciplinar da Liga de arquivar o processo instaurado a Duarte Gomes, relativo ao “desentendimento” com o treinador de guarda-redes do Sporting, Ricardo Perese. Felizmente, ela surgiu.

“Por não se conformar com a decisão, o Sporting irá interpor recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol na esperança que, não só, seja feita justiça, como, se dê um exemplo a bem da dignidade e do fair-play do futebol nacional. É lamentável o fundamento com que se pretende branquear esta atitude inédita levada a cabo por um dos árbitros com maiores responsabilidades no futebol português. É demasiado grave o exemplo que se apresenta a adeptos e simpatizantes de todas as idades, legitimando-se deste modo o recurso a gestos intimidatórios por parte de quem está no relvado apenas para cumprir e fazer cumprir as Leis do Jogo”.

Stoj, Stoj, Stojkovic! Stoj, Stoj, Stojkovic!

No dia em que José Eduardo Bettencourt assumiu na totalidade a pasta do futebol leonino, parece-me pertinente abordar o primeiro caso que tem que resolver: o que fazer com Stojkovic, que ontem meteu a pata na poça no jogo contra a França?

Para lá das muitas ou poucas qualidades futebolísticas do sérvio, os factos são estes:
– Stojkovic tem um enorme ordenado, cerca de 700 mil euros/ano, o que tem impedido de ser contratado por outros clubes;
– Stojkovic aceita rescindir se lhe pagarem um ano de salários;
– Stojkovic estará, muito provavelmente, no próximo Campeonato do Mundo e será titular na baliza da selecção sérvia

Não importa agora questionar quem deu aval à contratação de um jogador com tal ordenado (sim, o Ricardo tinha saído e ganhava mais), sem ter-se dado ao trabalho de ponderar o facto de ter vários antecedentes disciplinares. Importa, isso sim, perguntar o seguinte? Damos-lhe 700 mil ou esperamos que o homem se valorize no próximo Mundial para tentarmos conseguir ter algum retorno do investimento feito?

p.s. – já que falamos em Bettencourt e em Mundial, seria bom que o nosso presidente e, agora, responsável pela pasta do futebol, pensasse em, na reabertura de mercado, ir buscar um companheiro de Matias Fernandez na selecção do Chile, o goleador Humberto Suazo (conforme já aqui defendeu o Jordão). Aos 28, perdido nos mexicanos do Monterrey, era menino para marcar 10 a 15 golos por época no nosso campeonato. E, se a defesa da selecção chilena não der barraca como deu ontem, com o Brasil (Suazo marcou dois golos), vai poder mostrar-se ao mundo no Verão de 2010.