Bolinhas

O Sporting ficou no grupo B da Taça da Liga, onde irá encontrar Braga, União de Leiria e Trofense.

Tinha que ser…

Em semana de derby, e como já aconteceu com Figo, com Duscher, com Quaresma e com tantos outros, o jornal A Bola, que ontem dava o mesmo destaque à eliminação do Benfica da Taça de Portugal e à vitória do mesmo Benfica no futsal, noticia que o Génova está interessado em Miguel Veloso.

A táctica é antiga: apontar ao jogador do Sporting com melhor rendimento. A forma como o fazem, é cada vez mais patética, senão vejamos o final da bela notícia: “Fabrizio Preziosi não coloca de lado a hipótese de o Génova avançar para o jogador, caso entenda que tem necessidade de reforçar o plantel. […] Só não esclareceu se pode ser já em Janeiro.”

Portanto, Miguel, não se sabe se o Génova sentirá necessidade de reforçar a equipa e muito menos quando decidirá fazê-lo. Vá, Miguel, vê se ignoras esta pseudo-notícia.

O que vales tu, Vukcevic?

Não posso deixar de assinalar, a súbita discussão que, parece-me, se instalou sobre as capacidades de Simon Vukcevic.

Na entrevista que deu sábado, ao Record, e da qual continuarei a falar pontualmente, Paulo Bento analisou desta forma o montenegrino: “Vukcevic tem uma característica extraordinária: espontaneidade em zonas de finalização. É um jogador que tem cheiro pelo golo. Agora é também um jogador que gerou um esforço tremendo da equipa técnica para o fazer crescer, quer em acções colectivas, quer em acções individuais. […] Ou seja, à parte de outros problemas que vivemos com ele durante este trajeto, é um jogador que em termos tácticos cresceu pouco. E isso porque em muitos momentos não quis crescer mais. Pensava que a qualidade individual lhe chegava. Agora há jogadores que são mais difíceis, não só pela sua irreverência, como também pelo gosto que não têm de aprender. Para aprender é mais fácil gostar-se de futebol e uma das coisas que ele disse numa entrevista é que não gostava de ver futebol… Mas é, de facto, um jogador que tem um ambiente extraordinário em Alvalade, que tem realmente essa espontaneidade, mas não é um grande jogador. Só será um grande jogador quando se conseguir integrar melhor na manobra colectiva.”

Confesso que esta foi uma das passagens da entrevista que mais me irritaram e, ao mesmo tempo, me fizeram voltar a suspirar de alívio por termos posto fim ao ciclo Bento. Esta análise ao Vukcevic é a teimosia de Paulo Bento em todo o seu explendor, sublinhando e voltando a sublinhar que os jogadores só são bons quando se tornam verdadeiros soldadinhos formatados a uma táctica e capazes de ignorar que o futebol é um prazer, um jogo de emoções, para poderem jogar de forma mecanizada em duas ou três posições (depois admiram-se que nenhum dos putos tenham realmente evoluído).
E, pior, é uma teoria que começo a ouvir da boca de outros sportinguistas.

Portanto, temos um jogador que “tem uma característica extraordinária: espontaneidade em zonas de finalização”. Temos um jogador que “tem cheiro pelo golo”. E o que fazemos com ele? Pedimos-lhe para ser médio esquerdo, para se preocupar com as subidas do lateral direito adversário e para não aparecer demasiadas vezes perto da baliza.

Depois, este jogador que é o melhor do plantel a rematar e que só fica atrás do Liedson em termos de finalização, começa a ver a sua qualidade questionada porque, longe do local onde devia jogar, perde protagonismo, como que se apaga, desgastando-se em correrias estúpidas e, pior, nem tendo oportunidade de fazê-lo no flanco contrário onde, dada a sua capacidade de flectir para dentro protegendo a bola como poucos o fazem, teria incontáveis mais oportunidades de fazer uso do seu pontapé.

Falta a cereja no topo do bolo. “Ah, e tal, o gajo nem gosta de ver futebol”. E o que importa isso, quando é um dos que mais gosta de jogar e, se me permitem, quando é um dos poucos que temos no plantel capaz de fazê-lo de forma a fazer-nos vibrar nas bancadas?

Uma chicotada de bom senso

O Costa – 1 (Tó Zé), Sporting – 4 (Veloso, Moutinho, Veloso, Liedson)

Ao som de Peste e Sida, o Liedson abandona o relvado de Belém cansado e dorido. Há algum tempo que não tinha tantas bolas dentro da área. E só este aspecto demonstra que a mudança de treinador, a clássica chicotada, independentemente dos nomes, trouxe bom senso ao Sporting. E tão necessário que ele era, como se percebe pela entrevista do último treinador.

Carvalhal devolveu o Sporting ao 4-2-3-1. Já era hora. E nem hesitou com o resultado ao intervalo: Moutinho tem de ser o organizador da equipa no meio, a segunda opção tem de ser o Matigol. E o Liedson sozinho no ataque era um mito estúpido e inexplicável do último treinador. Aqui ficam os grandes beneficiados da chicotada de bom senso. E o ponto negro:

Moutinho – Há muito, muito tempo que não víamos este Moutinho. Aliás, já nem me lembro do Moutinho a fintar. Hoje vi! Vi o Moutinho a fintar outra vez! E solto, fresco, rápido, líder. Era o Costa, é verdade. Mas também tinha sido o Ventspils.

Pereirinha – Ora aí está o Pereira, o grande beneficiado do regresso do bom senso ao Sporting. Carvalhal é esperto, porque sabe que tem ali ouro… O outro treinador também sabia, mas ninguém percebe o que se passou, entretanto. E ele nunca explicou… deve ter sido o Sá Pinto ou o Rogério Alves.

Liedson – Voltou a ter uma mão-cheia oportunidades de golo perto da baliza. Falhou várias, talvez por falta de hábito.

Ponto negro: A defesa continua medonha. Era o Costa mas não parecia. Polga continua Polga, Tonel voltou a ser Tonel, Grimi já nem é Grimi, Abel sempre Abel. E o Rui está a regredir, parece-me. O duplo pivot (outra decisão sensata) no meio campo engana, porque não estava feito para defender mas para sair a jogar. Ainda assim, as bolas metidas nas costas pelo Costa mostraram como o Carriço é o melhor (ou o único) defesa do Sporting. O regresso da defesa à zona nas bolas paradas (mais bom senso) sempre disfarça, mas é bom que o Carvalhal treine muito, muito os aspectos defensivos da equipa durante esta semana. E que gaste os milhões praticamente só do meio-campo para trás.

Venha o Benfica, com a certeza que o Sporting já abandonou a auto-mutilação. Falta ainda lamber muitas feridas, mas apenas aquelas feitas pelos outros e não por nós próprios. Futebolisticamente, claro, porque o presidente continua à solta. Mas isso é outra história…

 

Mercado a verde e branco

Esta é a capa do jornal O Jogo, há qual se juntam outras notícias do dia:
– Carlão, do Leiria, emprestado em Janeiro
– Quaresma não quer voltar a Portugal
– Tello pode regressar
– Portsmouth vai tentar o empréstimo de Adrien

Resumidamente, concordo com as posições que, segundo O Jogo, vão levar-nos ao mercado (pode ser que estejam a pensar colocar o Izma finalmente à esquerda, mas a ideia de outro avançado invalida a subida do Vuk?).

Não conheço o Carlão. Tenho pena que o regresso do Quaresma fique, aparentemente, inviabilizado. O Tello é mais um para juntar aos sete anões que já temos no plantel (mas é melhor do que os defesas esquerdos que temos). Fazia bem ao Adrien poder jogar (de preferência, que não seja a trinco).

E vocês, o que pensam de tudo isto?

Foi há três anos…

Que Rui Patrício fez a sua estreia na baliza do Sporting, entrando para o lugar do lesionado Ricardo. O jogo foi nos Barreiros, contra o Marítimo, e o jovem Patrício acabou por ser decisivo, defendendo um penalti e garantindo a vitória leonina por 1-0.

Hoje, Patrício é titular indiscutível da nossa equipa, convivendo diariamente com um fantasma chamado Stojkovic que, imagine-se, escolheu precisamente esta data para voltar a dar sinais de vida. Ao que parece, o sérvio “despediu” o empresário Zoran Stojadinovic e, hoje, quando regressar a Portugal, vai pedir uma nova oportunidade a Bettencourt, Sá Pinto e Carvalhal, dizendo-lhes que quer começar de novo, enterrando as polémicas do passado.

Eu diria que, estando mesmo apostado em recuperar o tempo perdido, Stoj, mais do que o sim dos três acima citados, terá que ter o sim de um balneário onde apenas dois ou três jogadores lhe dirigem a palavra.