O Bloco de Notas do Gabriel Alves – jornada 20

É um estádio bonito, novo… arejado
Olhanense – Sporting
20 de Fevereiro 2010, 21h15, Estádio José Arcanjo

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Ok, ok, estamos no Algarve, mas não havia necessidade de voltarmos a levar com um jogo às nove e um quarto da noite. Pelo menos parece que não vai chover.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Já se sabe que, sendo nós o Sporting, representamos uma motivação extra para esta espécie de Porto B que luta pela manutenção. Três homens rápidos na frente prometem dores de cabeça ao nosso último reduto.

Este homem é um Mister
Jorge Costa viu-se ultrapassado por Domingos na lista de futuros treinadores do FCPorto, o que não ivalida que esteja a cumprir os objectivos ao serviço da equipa que, felizmente, coloca o Algarve na rota das equipas da primeira liga (era desnecessário era ter levado três batatas da casa mãe).

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Quando nós criticamos o Sporting por não aproveitar alguns dos valores da sua formação, o que dizer do FCPorto que poucos ou nenhuns valores consegue levar à sua primeira equipa e ainda se dá ao luxo de colocar Castro em Olhão, para ficar com os Tomás Costa desta vida. É também a sul que joga aquele que muitos apontam como sendo o futuro lateral direito do Sporting, João Gonçalves.

 A vantagem de ter duas pernas!
Continuo fascinado com o facto de, no plantel do Sporting Clube Olhanense, existir um Messi vindo dos camarões.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Carlos, não sei mais o que dizer-te. Deves ter respirado de alívio quando soubeste que o derby da Madeira deu empate e que, seja qual for o resultado de logo, continuas em quarto lugar (será a tua melhor classificação, não será?). Só um conselho: entra em campo para ganhar e marca primeiro. Assim evitas o contra-ataque do Olhanense, muito mais perigoso quando o adversário tem que recuperar de desvantagem.

Vamos jogar no Totobola
Olhanense – Sporting   1 x 2

Cantinho Zandinga
Olhanense – Sporting   1-2  (Tonel 18′; Castro 28´; Vukcevic 70′)

Felizmente, o Sporting também é isto

A nossa Academia vai receber, amanhã, cerca de 2.000 crianças oriundas das 28 escolas Academia Sporting, espalhadas um pouco por todo o país.  Naquele que será o primeiro Dia Verde de 2010, os “futuros craques”,  entre os 5 e 14 anos, que chegarão acompanhados pelas suas famílias, poderão visitar as instalações e jogar futebol num palco que, esperam, um dia possa ser “a sua casa”.

Contra factos…

Escreve o jornal O Jogo, que “Carlos Carvalhal não gostou de ouvir José Eduardo Bettencourt dizer que o futuro do técnico estava dependente dos resultados”. Acredito, tal como fiz questão de assinalar aqui, que Carvalhal também não terá gostado de ouvir o presidente carpir as saudades que tem de Paulo Bento, mas mais do que os sentimentos de um homem cada vez mais só num pesadelo que julgou poder tornar em sonho, sou obrigado a sublinhar as conclusões a que, diz o mesmo jornal, terá chegado este homem que quis dar o passo maior que a perna.

“[…] A falta de estrutura que suporte a acção e trabalho da equipa técnica tem igualmente suscitado descontentamento, que a nomeação de Miguel Salema Garção para director do futebol não evitou. A incapacidade organizativa é, inclusive, tida como superior à que foi encontrada em vários clubes de menor dimensão por onde Carvalhal passou e inadequada para um emblema com as ambições desportivas do Sporting.”

É triste, mas só vem reforçar a minha teoria de que “parece-me mais importante limpar primeiro tudo o que rodeia o balneário, para que, quem venha a entrar, não o faça com os pés cheios de merda!

Os mistérios de Carvalhal

Por certo não serei o único a ter-me questionado se Carlos Carvalhal sabe que pode fazer três substituições por jogo, principalmente depois de ter-se queixado do pouco tempo de recuperação entre cada partida. E acredito, não serei o único a ter-me questionado sobre as razões que levam o técnico a abdicar de Vukcevic.

Não vou aqui discutir, uma vez mais, se Vuk devia, ou não, ser titular, mas não posso deixar de achar estranhas as opções de Carvalhal, senão vejamos. Em Paços de Ferreira, Saleiro surgiu como um falso extremo, ora à direita ora à esquerda, alternando com Pongolle (que, neste esquema, vai ser rotulado de fracasso num instante), numa espécie de 4-3-3 que, como seria de esperar perante tal figurino, redundou num longo bocejo.
 
Ontem, em Liverpool, o bom do Carlos, o Carvalhal, voltou a apostar no seu homónimo para descair à direita, quando decidiu abdicar dos dois construtores de jogo, Moutinho e Matias, para apostar todas as fichas numa nova espécie de 4-3-3: Mendes, Veloso e Izma no triângulo de meio-campo, Yannick, Liedson e Saleiro, no tridente ofensivo. Como seria de esperar, e voltando a jogar na posição que tantas vezes ocupou nos júniores, Yannick, pese as limitações, foi capaz de dar esticões do lado esquerdo mas, de forma ainda mais previsível, o lado direito ficou duplamente manco: manco porque Saleiro não faz a mínima ideia do que é ir à linha e centrar; manco porque Saleiro não faz a mínima ideia do que é ser um falso extremo, com a função de encostar ao segundo poste quando o ataque carrila no flanco oposto.

Perante esta (mais uma) aberração táctica, e enquanto Carlos Proveta Saleiro, esperava de forma patética que a bola lhe chegasse à cabeça, depois de um centro de Yannick, eu pensava para com os meus botões: “mas porque razão é que o Vuk não entra? Foda-se, porque é que este cabrão não põe o Vuk à direita?!? Olha esta bola centrada para o gajo… é que nem lhe metia a cabeça, era logo uma pantufada em direcção à baliza… Estou tão farto destes treinadores de merda…”

p.s. – neste livrinho de mistérios, também anotei a colocação de Moutinho como falso extremo esquerdo (alguém estranhou só atacarmos pela direita durante a primeira parte?) e o jogo a passo do Miguel Veloso, incapaz de perceber que zona do campo devia ocupar (inacreditável como ficou em campo até ao fim).

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Europa, 16 avos de final

É um estádio bonito, novo… arejado
Everton – Sporting
16 Fevereiro 2010, 17h45, Goodison Park

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Esteja o tempo que estiver, o histórico estádio do Everton estará a rebentar pelas costuras, com cerca de 40 mil ingleses para 400 portugueses e um ambiente digno de um grande jogo de futebol.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Pois é, este pode não ser o Everton dos escaldantes derbis com o Liverpool de Ian Rush, mas muito menos é aquele Everton que levou cinco do Benfica. Com todos os seus craques recuperados, os ingleses tiveram apenas uma derrota nos últimos 11 jogos e deverão entrar em campo num 4-2-3-1, com Howard na baliza, Neville, Distin, Senderos (ou Yobo) e Baines na defesa, Arteta e Osman como médios centro, Donovan na ala direita, Pienaar à esquerda e Cahill solto atrás de Saha.

Este homem é um Mister
David Moyes, foi considerado o melhor treinador do mês de Janeiro, reflexo do regresso do Everton às vitórias consecutivas. Uma espécie de prémio para quem andou pelas ruas da amargura quando tinha 12 jogadores, quase todos possíveis titulares, no estaleiro.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Depois dos dois golos apontados ao Chelsea, Saha é figura em destaque nos Toffes.

 A vantagem de ter duas pernas!
A defesa sente dificuldades quando a bola lhe é colocada nas costas ou jogada rente à relva. Os médios ala nem sempre ajudam nas tarefas defensivas. Pontos a explorar.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Carlos, este pode vir a ser o capítulo final da tua estadia no Sporting ou a surpreendente página de uma inesperada história bonita. Diz a imprensa que vais jogar em 4-2-3-1, algo que me agrada bastante, principalmente se o fizesses com Moutinho ao lado de Mendes, Izma à esquerda, Matias ao meio e Vuk à direita, servindo de apoio a Liedson, mas é certinho que vamos voltar a levar com o Miguel Veloso (pelo menos que não seja na ala esquerda…). Espero, também, que, à imagem do que fizeste com o Benfica, não deixes de fora o central mais alto e mais forte no jogo aéreo, pois esse é um dos pontos fortes do Everton. Ah, e alerta a defesa para o futebol directo do adversário e os médios para a importância de sermos nós a ganhar a maioria das segundas bolas, sob pena de levarmos com vagas sucessivas sobre o nosso último reduto. 

Vamos jogar no Totobola
Everton – Sporting  1 X 2

Cantinho Zandinga
pois… assim, no país das maravilhas, ganhávamos 1-2, com golos de Miguel Veloso e Moutinho e, no início da próxima época, encaixávamos 40 milhões de euros.

Coração de leão

 

R – Tem sofrido muito com o Sporting?
MF – Não nego aquilo que sou: sportinguista de coração. Ver o clube afastado do título em Fevereiro é algo que magoa. Acontece. São épocas. Lembro-me que na minha primeira época no Sporting ficámos em 5º lugar. 

R – É um problema de plantel?
MF – Não acho. Se há três anos, os jovens saídos da formação eram jogadores com talento, era natural que agora, mais maduros, dessem outra sustentabilidade à equipa. Não houve evolução? Se não houve, então o problema é de quem dirige. João Moutinho, Veloso, Pereirinha, Adrien já não são meninos. 

R – Então?
MF – Às vezes é a equipa que globalmente não funciona e quem sofre são sempre os mais jovens. Vejam o que está a acontecer com o Rui Patrício. 

R – Críticas são injustas?
MF – São. Há muita gente com outra opinião, mas o Sporting está a correr o risco de perder um excelente guarda-redes. Vejam o que o Barcelona e o Real Madrid fizeram. Quando começaram, o Casillas e o Valdés deram muitos frangos. Estão lá há dez anos… O Rui Patrício está a começar e tem muita, muita qualidade. 

R – Vê-se regressar ao Sporting?
MF – Tenho dois anos de contrato com o Vitória. 

R – E se tivesse um convite?
MF – Isso não depende de mim. Recebi um convite do U. Leiria quando estava no ASA de Angola e disse que só saía se o clube o permitisse. 

R – Portanto, só se o Vitória o deixasse sair é que voltaria eventualmente ao Sporting?
MF – Exactamente. Tenho um contrato de 2 anos que quero cumprir. Estou feliz, numa cidade e num clube de que eu gosto e estou perto da minha família.

R – Admitia voltar ao Sporting para integrar uma estrutura mesmo sem ser treinador?
MF – Isso não é comigo.

R – Os adeptos do Sporting gostam de si…
MF – Não é de agora, é de há muitos anos. O problema é que só os adeptos é que gostam de mim… 

R – Acha que a estrutura dirigente não gosta de si?
MF – Não faço ideia. Neste momento, estou concentrado no Vitória. 

R – Como viu o caso Sá Pinto?
MF – Com tristeza. Gosto do Sá Pinto e do Liedson. Não sei de que lado está a razão, mas o que se passou não pode acontecer.   

R – Que culpas tem Carvalhal no atual estado do Sporting?
MF – Se calhar aconteceu a Carvalhal o que me aconteceu a mim. A mim enganaram-me, ao Carlos foram honestos e disseram-lhe que ficava até final da época e que depois logo se veria. Eu nunca teria saído do Santa Clara se fosse só para ficar meia época no Sporting. Mas prometeram-me que era para ficar ano e meio. Como aconteceu em toda a minha vida sportinguista, não assinei nada. Só que quando perdi um jogo, o contrato já era só de meio ano… Bom, o que interessa é que agora estou muito feliz em Setúbal e quando posso vou ver o meu Sporting.

Manuel Fernandes, in Record

Estás a ouvir, JEB?

“[…] o Sporting foi a minha mãe e o meu pai no futebol. Foi lá que nasci, que aprendi as regras do jogo, que passei a minha infância e adolescência. Tenho uma costela verde, sem dúvida nenhuma. […] E quando leio nos blogues os adeptos a dizerem que gostavam de me ver no lugar de director desportivo, é claro que fico bastante contente. É o tipo de coisas que me deixa muito orgulhoso“, Futre, in O Jogo