Sporting – 3 (Grimi, Liedson, Saleiro), Vitória (Valdomiro)
Nível de endorfinas: Alto. Alto, como o moral da equipa, alto como o nível de jogo na primeira meia-hora, alto como a força psicológica do colectivo e de cada um dos jogadores. Estamos noutra onda, mas esta é bem mais entusiasmante. Há momentos no jogo (como naqueles primeiros 20 minutos) em que até as tabelinhas involuntárias correm bem.
Os três golos ampliam a perplexidade de um adepto leonino, que passou por uma recessão futebolística e, de repente, vê o Grimi a marcar em peixinho e o Van Basten de Alcochete com requintes de classe mundial por duas ocasiões. Ah, e claro o Liedson, com a sorte do costume.
Momento do jogo: Palestra no balneário. Não sei o que foi dito, mas finalmente temos alguém que explica aos jogadores do Sporting que os jogos em Alvalade ganham-se na primeira meia-hora.
Prémio Zé Piqueno e Prémio Gladstone: Bruno Paixão. É ruim e mau. Decidiu aparecer em jogo na segunda parte e destruir o ambiente familiar que se viveu no estádio, com milhares de mulheres e crianças. A chuva de alhadas que jorrou da bancada envergonhou o timbre feminino que dominou a primeira parte. Cortesia de Paixão.
Prémio El Dieguito: Não me lembro de um jogo recente do Sporting com tantos toques de calcanhar. Há inúmeros candidatos ao prémio artístico, mas a jogada de Matigol no meio campo, a isolar o Izma na direita, é genial. Tal como o é a defesa do Patrício no livre directo.
Visão Zeman: A segunda versão da táctica Carvalhal, com Pedro Mendes sozinho a trinco e o Liedson acompanhado do Van Basten de Alcochete. Independentemente dos bonecos no sítio certo, é de facto a agilidade mental dos jogadores e atitude mental da equipa que explica o volume de futebol ofensivo na primeira parte. Já não se passa para trás, quando se recupera a bola. Joga-se para a frente e para o espaços vazios, onde aparecem os jogadores certos. Pedro Mendes faz toda a diferença. Quando lhe chega a bola é para a frente que ele a encaminha, de primeira quase sempre. E toda a equipa acompanha, preenchendo os corredores e com cinco/seis jogadores a chegarem a zonas de finalização. Depois, é a parte mental a funcionar, nas decisões certas, que nos primeiros 20 minutos superaram largamente as erradas.
O mão do treinador vê-se também noutros pequenos pormenores. Os pontapés de baliza não são casuísticos, as bolas paradas adaptam-se à realidade (depois do golo sofrido num canto defendido à zona, Carvalhal mandou Saleiro marcar ao homem o Valdomiro, impedindo com isso a repetição do canto anterior), os jogadores passam para onde sabem que é provável que esteja lá alguém.
Vivó Sporting… até morrer!: Chegou tarde, é pena. Mas este Sporting dá gosto. Temos a Liga Europa para sonhar, até quando pudermos. Mas a questão mantém-se: não era isto que queríamos, quando saiu o Paulo Bento: preparar a próxima época com critério e tempo? Pois, o problema é que ninguém contava que fosse com Carvalhal Total, um treinador sem fama, mas com proveito, até ver. Espero que haja cabeças frias e espertas no Visconde de Alvalade…