Pormenores…

Quando se questiona o porquê do Sporting seguir tão afastado dos três primeiros lugares, é dispensável entrarmos em grandes discussões tácticas. Basta pensar que desde o dia 29 de Janeiro, dia em que perdemos em Braga, apenas ganhámos um (um, foda-se!!!) jogo fora de casa (4-0 no Restelo)!
Mas o Carvalhal tem gostado da equipa e isso é o mais importante…

Porque nem só de futebol vive o leão

João Pina arrecadou, ontem, a medalha de ouro nos Europeus de Judo, na categoria – 73 kg, ao vencer na final o russo Batradz Kaitmazov.
O judoca do Sporting despediu-se em grande de Veina, depois de um trajecto com cinco vitórias, sendo que duas assumem especial destaque por terem sido alcançadas diante do vice-campeão europeu em título, o holandês Dex Elmont, e do georgiano Zaza Kedelashvili, campeão nos Europeus de Lisboa, em 2008.

Fanã, Pipas e Ferrinho

Os amigos da Bobadela de Paulo Sérgio, do snack-bar o Ringue onde o treinador vai desanuviar, são unânimes: “ele está talhado para o sucesso!”. Visionários, amigos do seu amigo e com um toque sagaz de humor (Bobadela é em São João da Talha).

Descansemos, “ele é cá da malta”.

E descansemos ainda mais, porque, segundo o Jogo, ele “fazia furor também fora de campo, sendo alvo da cobiça de muita menina de coração à solta”. Até casar com Sandra, presume-se que da Bobadela, também. Ferrinho não tem dúvidas: “O gajo era um grande galã aqui na zona. As miúdas gostavam dele”. E Pipas vai mais longe,

“há uns anos, estávamos todos a divertir-nos numa passagem de ano em São Martinho do Porto. Nisto, o Paulo saltou para cima de uma mesa e pediu ali, de repente, a Sandra em casamento. Houve pessoal tão emocionado com tudo aquilo que até chorou. Foi uma grande cena, inesquecível”

Grande cena!

Pipas não desarma: “benfiquista o quê, pá!”. “Os sócios e adeptos do meu clube podem estar seguros. O Paulo é vertical, determinado, sério. Com ele, não há espaço a talvez. É sim ou não. E vai ser leal ao Sporting até ao fim”. “Tinha um gabinete cheio de livros sobre futebol que encomendava de Espanha, Itália”.

Isto ainda agora começou e já estou a gostar. O novo treinador do Sporting, sabe ler, é vertical, não deixa espaço a talvez mas deixa um rasto de corações despedaçados por onde passa (na Bobadela), e salta para cima de mesas, presume-se que já todo bêbado para tomar decisões de vida.

Pipas, Fanã e Ferrinho, pá, aquele abraço.

O que dissemos dele quando ainda se viam as sobrancelhas

Paços de Ferreira – Sporting
Domingo, 26 Outubro 2008
“Pouco ou nada conhecido, tendo já passado pelo Santa Clara, Paulo Sérgio não tem metade do estilo de José Mota. Falta-lhe, acima de tudo, o boné. E é completamente o oposto de Paulo Bento: gosta de alterar o sistema táctico em função do adversário. Logo à noite, deve jogar com cinco defesas”
https://ocacifodopaulinho.wordpress.com/2008/10/25/o-bloco-de-notas-do-gabriel-alves-jornada-6/

Sporting – Paços de Ferreira
13 Setembro 2009
Sou gajo para arriscar dizer que o Paulo Sérgio, homem que teve tomates para aceitar bonés manhosos em conferências de imprensa, pode vir a ser um dos bons treinadores do futebol português. É novo, gosta de jogar ao ataque, tem um discurso minimamente coerente. Hoje, disse, quer irritar o Sporting.
https://ocacifodopaulinho.wordpress.com/2009/09/13/o-bloco-de-notas-do-gabriel-alves-4%c2%aa-jornada/

Vit. Guimarães – Sporting
27 de Outubro 2009
Penso já aqui tê-lo dito, mas vou repetir: considero o Paulo Sérgio um dos melhores treinadores cá do burgo, com considerável margem de progressão e com uma postura porreira. Parece-me uma aposta acertada do Guimarães.
https://ocacifodopaulinho.wordpress.com/2009/10/27/o-bloco-de-notas-do-gabriel-alves-jornada-8-2/

Chico Omelete

O povo costuma dizer que sem ovos não se fazem omeletes. O povo diz muita coisa. Também diz que branco é, galinha o põe, ignorando a tendência cromática dos frigoríficos ou dando uma explicação improvável – mas possível – para o nascimento do KKK. O povo também diz que homem que se preocupa com as sobrancelhas, não presta para o clube com mais caras bonitas nas bancadas, numa evidente falta de perspectiva global da coisa. Enfim, o povo é burro.

Mas tem razão. Sem ovos não se fazem omeletes. Os melhores cozinheiros do mundo precisam de Sneijders, Xavis, Messis, Ronaldos ou Militos. É claro que um qualquer taberneiro não ambiciona a tão distintos ovos, gerados por galinhas criadas ao ar livre e com escolaridade mínima obrigatória. Qualquer ovo serve, desde que tenha clara e gema. Mas serve ter ovos, alguns e, de preferência, que não estejam podres.

Pouco importa se o Paulo Sérgio é a minha escolha ou a escolha de qualquer um dos histéricos em que nos transformámos. É o escolhido. E o seu trabalho não será avaliado pelas sobrancelhas, bonés, anéis, tiques, barriga, cabelo ou pela velada e subliminar referência, no nome completo, à teimosa desgraça que nos tornou assim, umas histéricas bêbadas. O novo treinador do Sporting dependerá – como dependeram o Jesualdo do Lucho, Lisandro, Quaresma e Bosingwa, o Jesus do Saviola, Ramires, Cardozo e Garcia -, dependerá dos ovos.  

O taberneiro faz a diferença? Claro que faz, mas muitas tabernas ganharam fama apesar de rasparem o pudim de ovos da forma com unhaca do dedo mindinho. É tudo uma questão de imagem, bom senso e trabalho. Bom senso ninguém pode acusar o senhor de não ter, porque, em boa verdade, ninguém sabe. Tudo dependerá do caparro que tiver para aguentar uma multidão gigantesca de adeptos menstruados, num clube em permanente devir kamikaze. Trabalho, também ninguém pode acusar o senhor de ser calão. Também ninguém sabe mas, neste aspecto, até acho que existe alguma margem de confiança.

O eventual problema desta contratação é a imagem. Uma ironia, dada a evidente preocupação do senhor com os toldos capilares. O bando de perús doidos precisava de um verdadeiro lobo que nos metesse na ordem, que nos gritasse e nos desse uma dose de confiança que nos fizesse gorgolejar mais baixinho. Só para poder trabalhar em sossego, sem gritarias, assobios ou histerismos. E com ovos. São precisos ovos para o centro da defesa, para as laterais da defesa, para os extremos, para o ataque, para o banco. Mas até quaisquer três ou quatro ovos XL chegam.

Isto porque, sejamos honestos, não vale a pena sonhar com um novo Mourinho ou com um treinador que é, ele próprio, um gigantesco ovo de avestruz, capaz de fazer grandes omeletes com poucos ovos. Esses, não vêm cá parar. Portanto, não há lobo mas podemos gorgolejar baixinho e esperar que apareçam ovos. Para fazer as tais omeletes. Porque, com ovos até o Boloni foi campeão. E, se não aparava as sobrancelhas, sentava-se em melancias à entrada do Colombo. O que, digamos, só foi mesmo cómico porque tínhamos o Jardel e o JVP.

Se não aparecerem ovos, então é que a porca torce o rabo, como diz o povo, sábio.

A RAZÃO DESCONHECE

Porquê? Porque razão ou razões assiste alguém a um jogo como o de hoje? Não sei. Não sei porque assisti, mas assisti. Para quê, porquê, não sei. Há hipóteses:

– para ver o Postiga marcar um golo (o equivalente futebolístico à erupção de um vulcão na Islândia).
– para ver o Liedson de férias.
– para perceber que o Saleiro falha muitos golos. 
– para perceber que o caso Izmailov foi, de toda a merda que se passou este ano, a pior de todas.
– para ver o João Pereira pedir amarelo em todas as vezes que foi ao chão.
– para ver um lançamento lateral mal marcado.
– para ver um canto para a bancada.
– para ouvir dez minutos de um gajo, sozinho, a berrar cânticos para um megafone.
– para ver Nuno Santos, um dos piores guarda-redes do campeonato.
– para ouvir um comentador dizer “ele tentou não agarrar”.
– para perceber que, destes jovens que passaram pelo relvado hoje, só sete (Patrício, Carriço, Mendes, Veloso – se ningúem o quiser -, Moutinho, Izmailov – se deixarem – e Liedson) têm lugar garantido no plantel do próximo ano. Isto é, se quisermos mesmo ser campeões outra vez.
– outras razões que eu e a razão desconhecemos. Quais? As mais ilógicas serão escolhidas pelos membros do Cacifo e eventualmente premiadas com coisas tão parvas como o resto da Gamebox desta época ou peças de roupa interior feminina, a sortear por tamanhos.