E se fosse connosco?

Penso que todos estaremos de acordo, se for dito que o segundo golo de Milito, na final da Champions desta noite, foi um enorme golo.

Não posso, no entanto, deixar de desafiar-vos a fazerem o seguinte exercício: e se, em vez de van Buyten, tivesse sido, por exemplo, Anderson Polga a ter ficado com os rins desfeitos pelo movimento do avançado? E se, em vez do Lahm, tivesse sido o Grimi a ficar a olhar para o seu colega ser “comido”? E se, em vez de van Buyten, Demichelis, Lahm e Schweinsteiger, tivessem sido Tonel, Carriço, Grimi e Izmailov a mostrarem-se incapazes de parar um contra-ataque conduzido por dois adversários?

Quer-me parecer que, a esta hora, estaríamos literalmente a ignorar o momento de “futebol de rua” a que tivemos direito, e do qual tanto gostamos, e todas as nossas forças estariam a ser gastas em críticas e pedidos de “vassourada”. E, quer-me parecer, é essa vontade de apontar o dedo e, seguidamente, o caminho da rua, que temos que refrear enquanto adeptos.
É que, por exemplo, continuar a falar em Villas Boas quando Paulo Sérgio ainda nem um treino dirigiu e, pasme-se, quando parece ser o próprio fêcêpê a não acreditar ser possível clonar o Special Mou, é um péssimo ponto de partida para uma época que todos esperamos poder fazer-nos esquecer o calvário dos últimos sete ou oito meses.

Risco?

Paulo Sérgio afirmou que a participação do Sporting no New York Challenge, frente a Manchester City, Tottenham e New York Red Bulls, é uma excelente oportunidade para “reforçar o treino da equipa durante a pré-temporada” e que “triunfar no torneio seria uma grande afirmação. Tentaremos vencer para melhor representar o clube. E queremos, também, deixar a todos uma óptima imagem”.

Tudo muito bem mas, permitam-me perguntar, defrontar o Man City, nos Estados Unidos, quatro dias antes do primeiro jogo oficial (pré da Liga Europa), não será um tanto ou quanto arriscado no que toca a lesões e a tempo despediçado em viagens?

Ora aí está aquilo a que chamo “uma boa notícia”, talvez das melhores dos últimos anos no que concerne a actualidade verde-e-branca

Esta é uma daquelas medidas estruturais para o futuro do clube. Digamos que os actuais bufos querem controlar a bufaria de acordo com os seus próprios interesses (e não os do clube, claro está). Não podiam tolerar a concorrência de outros bufos, aqueles mais históricos e entranhados nas paredes da Academia e dos balneários de Alvalade. Agora, sem as costas quentes, este bufo fica à mercê da vingança dos vários “queimados” ao longo do seu reinado dentro do clube. E são tantos.

Seja como for, saúdo daqui esta decisão do presidente-que-perde-camisolas-do-clube-em-pleno-Terreiro-do-Paço.

Vou contar-vos um segredo

O treinador do Sporting foi apresentado. Chiu. Não digam a ninguém, porque essa é a vontade da administração, que não promoveu o evento para evitar a maçada de ter sócios e adeptos a perturbar.  

Quem quis, viu na net. Ao menos, este teve direito a um directo. 

Eu vi um bocadinho. O auditório estava deserto, apenas com uma mão-cheia de jornalistas, os que sobraram nas redacções depois da invasão à Covilhã. 

O tipo que filmou para o site do Sporting não domina muito bem a técnica do zoom, do enquadramento e da luz. Um pequeno pormenor nesta organização altamente profissionalizada de uma cerimónia deste calibre.

O novo treinador abandonou definitivamente a estética do boné. O que é pena.

“Vim para o Sporting para ser campeão. Digo isto de peito aberto”.

“As pessoas não vão de férias todas ao mesmo tempo”.

“Eu não sou um treinador de sistema, eu vario, mudo. Sou mais um treinador de manter um determinado número de fundamentos”.

Sinto que hoje registou-se um mini-tremor de terra, algures nas profundezas do Oceano Atlântico, com uma ligeira perturbação da superfície do mar. Que vai crescer, crescer, crescer e, daqui a um ano, rebentará numa tão improvável como esmagadora onda verde e branca que dará à costa ali para os lados do Terreiro do Paço.

Sinto.

Mas também sinto uma irritante dor nas costas. Talvez seja da posição em que estou sentado.