O Cacifo do Paulinho

Falido mais falido não há

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Saíram as contas do Sporting. E à pior época desportiva desde que há memória, juntou-se um absolutamente miserável exercício (e ainda só estão contabilizados nove meses): brutal aumento de prejuízo e preocupante atrofio das receitas.

Atente-se apenas em dois pormenores: os custos com pessoal desceram um milhão para 17 milhões de euros, ou seja, cortou-se nos salários. Uma evolução da estratégia dos últimos anos. Consequência: menos 10 milhões de euros em proveitos operacionais para uns patéticos 27 milhões.

Os passivos e activos não interessam, porque adultera-se com “doping” financeiro sempre que se quiser. E a falência técnica é um “pormenor” contabilístico. No deve e haver da frutaria, foi simples: gastámos pouco na qualidade da fruta, comprámos pêras e maçãs já maduras, quase podres e a clientela abandonou a mercearia. Poupámos nos fornecedores, mas acabámos com menos dinheiro em caixa.

E na mercearia do lado? Bom, o prejuízo aumentou em menor proporção mas para um valor maior (23 milhões de euros). E os pormenores? Custos com pessoal subiu para 27 milhões de euros e os proveitos operacionais dispararam em 10 milhões para 46 milhões de euros (!?!). Ou seja, pêras e maçãs mais frescas (e mais caras), mais clientela, caixa mais cheia. O prejuízo é alto, o passivo é brutal, o risco da operação é elevado. Mas rende dinheiro. E não só.

A questão é: que estratégia é mais rentável, a prazo? A das pêras pobres ou a das fresquinhas? Qual é que aumenta as probabilidades de ser campeão? E de vender jogadores? Para quem ainda tem dúvidas, é olhar para o supermercado que compete com as mercearias de bairro: e reparar que os custos com pessoal estão estabilizados acima dos 30 milhões de euros, os proveitos operacionais estabilizados estão nos 47 milhões de euros. O clube foi tetracampeão e os proveitos feitos com vendas/compras de jogadores voltaram a ser muito positivos (32 milhões, contra 20 milhões do ano anterior, muito acima dos dois milhões da mercearia do lado e dos ridículos 341 mil euros da nossa mercearia).

Enfim, não há dinheiro, dizem-nos. Eu digo: não há é mãozinhas…  não há mãozinhas para libertar “cash” para investir e também não há mãozinhas para escolher as pêras e as maçãs: só nos dois laterais do Braga já se gastaram quase seis milhões… é ver como vão mirrar  e apodrecer ao sol, sem que ninguém lhes pegue. Não comprem fruta boa, não…

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