ZVUNKA NA RAPAQUECA

Naval – 1 (João Pedro), Sporting – 3 (Liedson, Matigol e Djaló)

Cabeça: fresca, quase tranquila. Os ares fresquinhos da Dinamarca ajudaram a enfrentar o calor da Figueira da Foz com outra aragem mental. Mais confiança – ou, se quisermos a mesma de Paços de Ferreira, já que a entrada em jogo foi muito semelhante, a filosofia de ataque muito parecida. A diferença? A bola entrou, o Liedson marcou na oportunidade que tinha falhado na capital do móvel (embora tenhamos voltado a não capitalizar os melhores minutos de jogo). Voltámos, portanto, a ter a felicidade do jogo (golo em fora-de-jogo, penalty devidamente assinalado), como na Dinamarca, para dar mais oxigénio à equipa. Mas, se noutras paragens, a felicidade é uma cenoura genial, aqui é de certeza trabalho. O nosso treinador pode não saltar nos lances, mas vê o jogo de mãos nas ancas, sem medo de ser colhido.

Tronco: a táctica a defender foi claramente um losango. A atacar pareceu outra coisa, com o Maniche a baixar mais para pegar no jogo com o André Santos, o Valdes bem colado à direita e o Matigol a dez. As subidas dos laterais fazem toda a diferença na iniciativa atacante, dão opções, abrem espaços. Mas como não temos Maicons, Dani Alves, Gareth Bales ou Evras, a coisa não é tão eficaz como podia ser. Mas, há que ter fé no João Pereira e esperar que o Evaldo perca aquela tensão nervosa. Já a defender, estes laterais a jogar assim são um grande calcanhar de aquiles e põem os centrais num estado permanente de nervos. Foi onde esteve a pouca buracada do Sporting neste jogo (e no bizarro hábito de Evaldo de recuar para … o centro da defesa). De resto, altos e baixos colectivos, com momentos de futebol fluído e outros de passes infantis e sem nexo. A cria futebolística de Paulo Sérgio já se levanta e dá uns passinhos. Falta consistência, na esperança que consiga, um dia, correr e saltar.

Membros: Vivá Chile! Valdes fez um óptimo jogo, porventura o melhor em campo. Está a ganhar confiança. O Matigol fez 90 minutos pela primeira vez desde que chegou, provavelmente. Uma verdadeira montanha-russa no rendimento, mas é o preço a pagar para ter momentos como a “rabona” que ajoelhou o adversário e cujo remate subsequente quase deu golo. Maniche anda a tapar buracos, mas até Zvunka reconheceu a sua importância e, no ataque, Liedson reapareceu e marcou. Mas foi Djaló o símbolo da psicoterapia dinamarquesa, regressando a espaço ao Yannick que conquistou a Floribela. Na defesa, pouco trabalho mas quase todo auto-infligido. O NAC teve 10 minutos de total “crash” mental, com erros sucessivos que nos custaram um golo (ninguém defende um remate de costas para a bola e perna aberta). Esperemos que seja só um pequeno e fugaz episódio. Carriço voltou a liderar, como lhe compete.

Agora, descansar. À sombra do pinheiro.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Zon Sagres (e mais qq coisa que há-de vir); jornada 3

Meu caro Paulo, em vez de estar a gastar mais de metade das linhas deste post a falar da equipa “à francesa” que mora na Figueira, jogando em 4-2-3-1 e que, depois de ter sido prejudicada frente ao Porto, foi ganhar ao Portimonense em “terreno emprestado”, prefiro focar-me no que considero essencial no que toca ao jogo desta noite: será que a vitória na Dinamarca representou um ponto de viragem na nossa época?

Sim, é verdade que, acima de tudo, a vitória contra os nórdicos foi uma vitória sobre os medos que continuam a atarantar a equipa. Uma equipa que, durante 90 minutos, pese todos os problemas que teimam em persistir, e mesmo contra um adversário inferior, foi capaz de acreditar em si mesma, reforçando a tão importante autoconfiança. Falta, agora, consolidar esse estado de alma e, não menos importante, consolidar processos de jogo, se possível com um gradual aumento da qualidade do mesmo.

Espero que tenhas percebido, de uma vez por todas, que o Postiga não tem lugar no Sporting e que, tendo o plantel que temos, Matías tem que jogar solto atrás de Liedson, com as costas resguardadas por Maniche e André Santos, seja em 4-2-3-1, seja em 4-3-3 (onde, como tentaste contra o Marítimo, nunca Zapater pode fazer papel de Maniche e o Maniche o papel que o Deco fazia no Porto de Mourinho). No fundo, estou a pedir-te para parares com as invenções e com as experiências. E fazer-nos acreditar que a vitória de quinta-feira não foi obra do acaso.

Força Sporting!

Um exemplo

“O Sporting fez de mim aquilo que sou. Conquistei Taças, Supertaças, joguei na Champions e cheguei a internacional A. É um clube a quem devo muita coisa. […] A única mágoa que levo é não ter ajudado o Sporting a ser campeão”, Tonel.

Foi um ar que se lhes deu

Pongolle

Não deixa saudades, foi um erro, um erro caro. Todos temos uma cruz, o Pongolle vai ser essa cruz se pensarmos o que podíamos ter feito com 6,5 milhões de euros (ou que luvas é que podíamos ter pago por um jogador decente). Paciência. Boa sorte, que marque uns golinhos para ajudar a amortizar a dor financeira. Boa notícia: libertámos um “slot”, à espera de um verdadeiro marcador de golos. Estamos ansiosamente à espera, ansiosos, muito ansiosos…

Tonel

É uma saída que poucos vêem com bons olhos. Jogador sério, homem que cria empatia, central que até marca golos. Na grande angular da vida do Sporting, não o considero um jogador especialmente qualificado para jogar no clube, não é um grande central, dá sempre a sua casinha, é um bocado duro de rins. Mas, fazendo “zoom” sobre os últimos anos do Sporting, é um jogador útil, que podia calmamente a fazer parte da equipa, a partir do banco. O problema é que, na revolução das hierarquias em curso dentro do balneário, devia ser um empecilho. Foi embora, sem glória. É pena.

Para mais tarde recordar

Porque amanhã será dia de voltarmos a assentar os pés na terra, prolonguemos este estado de felicidade que, para o Sporting com que todos sonhamos, não seria mais do que uma banalidade (obrigado ao Brites dos Santos pelo link).

p.s. – não posso deixar de chamar a atenção para a forma como o Liedson festeja, efusivamente, o golo do Yannick. Decididamente, o balneário não está assim tão dividido como muitos dizem estar.