O nosso capitão deu um entrevista ao jornal dos outros. Aparentemente, também já é o nosso, algo que já se tinha percebido durante a pré-época. Mas isso são contas de outro rosário.
A entrevista é, na sua essência, de um vazio assustador. Não diz muito mais do que diria num flash interview qualquer. As generalidades abundam, assente num discurso padronizado, aprendido nos cursos de comunicação futebolística das SAD. Por outro lado, a alienação da realidade é confirmada, sobretudo na ideia de que contra os lampiões “dominámos o jogo, tivemos mais posse de bola. No entanto, cometemos dois erros que foram fatais”.
Preocupa-me um capitão do Sporting a falar assim. Porque é um sinal de que os problemas não serão resolvidos. Serão “mascarados”. O benefício da dúvida – de que se trata de uma conversa para fora – não me sossega, pela infantilização dos adeptos que pressupõe. Mas enfim, o rapaz é novo e não se pode pedir um Oceano, quando ainda só se tem um riacho, fresquinho dos ares da montanha.
Mas há pedaços importantes que salvam a banalidade geral.
“O adepto sportinguista é um pouco instável emocionalmente, passamos de melhores para piores do mundo num ápice e isso tem de deixar de acontecer”. Ora, um capitão do Sporting assumir isto é de uma coragem evidente. E de uma utilidade fundamental. Ele depois mete água nesta ferida, mas é isto que a malta precisa de ouvir. Cada vez mais. Para perceber que somos parte do problema e recusamos, por vezes, ser parte da solução.
“Quando perco, não durmo”. Isto é um sopro de ar fresco na mercantilização do nosso clube.
“Vinha da formação, habituadíssimo a ganhar. No futebol profissional é mais difícil, mas queremos implementar aqui uma cultura de vitória”. Esta é a frase mais importante e paradoxal de toda a entrevista e, só por ela, já valeu a pena. Ora, o Sporting tem cultura de vitória na formação, que se perde no futebol profissional, curiosamente marcado, nos últimos anos, pelos jogadores da formação. Há, portanto, um fosso entre o que se faz na Academia e o que se passa em Alvalade. Porquê? Há muitas hipóteses, mas nenhumas certezas. A única, para já, é que são jogadores como o Carriço que poderão ajudar a resolver um dos dois principais problemas do clube: a identificada falta de cultura de vitória. Já quanto ao segundo – a competência -, esperemos que a “cultura” do Carriço não seja traído pela sua “competência”. Porque seria um dramático desperdício.
“O adepto sportinguista é um pouco instável emocionalmente, passamos de melhores para piores do mundo num ápice e isso tem de deixar de acontecer”
Maniche já tinha dito isto, quando falou da mentalidade!
Douglas,
disseram-me, outr dia, que muitos dos jovens que saem da formação, são postos a rodar para aprenderem o que é perder, pois mal conhecem o sabor da derrota.
Ora, para lá da triste constatação de que, neste momento, já não é preciso emprestar quem quer que seja, pois nós perdemos de três em três semanas, mais coisa, menos coisa, fica, realmente, a pergunta: o que levará a que se perca a cultura de vitória ao nível da nossa principal equipa?
E, já agora, não daria jeito que, tacticamente, a equipa principal fosse um apurar de tudo o que é trabalhado nas camadas jovens?
Tou farto de dizer isso em conversa com outros Sportinguistas. Se temos uma das melhores escolas de formação do mundo, em que os jogadores são ‘trabalhados’ desde tenra idade com uma determinada cultura táctica e com uma dinâmica de vitória, faz algum sentido chegarem aos seniores e começarem a jogar noutro sistema (quando existe) completamente diferente? Não será absurdo andar a emprestar jovens jogadores a clubes de outros ‘futebóis’ com campeonatos e modelos de jogo tão diferentes do nosso? Em vez deles ganharem ‘flexibilidade e polivalência’ não estaremos pura e simplesmente a desbaratar tudo o que aprenderam? Incluindo a cultura de vitória?
os campeonatos das camadas jovens têm um problema, que a isso leva.
o campeonato é extremamente desequilibrado, em que os SCP, SLB, FCP, goleiam em 75% dos jogos. apenas quando se chega à fase final há alguma competitividade.
é um grande problema, porque depois grande parte dos jogadores que sobem a seniores não estão propriamente habituados a perder e passam um campeonato todo a passear.
ou seja, os clubes, como o SCP, deviam fazer alguma coisa para tentar mudar a estrutura desses campeonatos de forma a torná-los mais difíceis e competitivos. o que traria, também, enormes benefícios para o próprio futebol português.
Carriço pode não ser o melhor central do mundo mas tem o que se exije: Raça de Leão!
Dou-lhe os parabéns por 2 razões:
– colocar o dedo na ferida: FALTA de CULTURA de VITÓRIA! (Maniche também já o tinha feito logo após o derby.)
– marca uma diferença enorme em relação ao nosso anterior capitão.
Contudo o problema de fundo manter-se-á, ou seja, essa mesma cultura teria de ser implementada não pelos jogadores profissionais, que apenas a podem traduzir no campo mas sim por cima, infelizmente, também já todos percebemos, de cima nada se poderá esperar…
SL
Assim de repente, vejo possíveis três causas para o tal “fosso”. Ora, se os jogadores da formação têm dominado o nosso plantel profissional sénior nos últimos anos, a causa poderá passar pelo menos em parte por :
– As pessoas que gerem e coordenam o futebol profissional sério pouco ou nada mexem na formação;
– O futebol jovem está afastado de grande parte da massa de adeptos do nosso clube e como tal menos sujeito à pressão e à tal instabilidade emocional de que o Daniel Carriço fala. E para quem acompanha, por exemplo, os júniores, isto é notório na forma como a equipa se transfigura (para pior) quando joga as fases finais dos campeonatos no Estádio de Alvalade.
– A equipa sénior nunca dá continuidade, nos seus métodos de trabalho e no aspecto táctico, ao trabalho uniforme que se faz nas camadas jovens, desde os Infantis aos Júniores (que jogam todos no mesmo esquema). O trabalho de anos de formação é, normalmente, totalmente ignorado pelos treinadores que temos tido nos últimos anos.
Nem mais, totalmente certeira a terceira hipótese! É inacreditável termos um modelo uniforme na academia e depois haver um desperdício de anos de trabalho com a atribuição do futebol profissional a quem não tem cultura do clube e da sua trave-mestra: a formação, o modelo “sporting”. É precisamente o contrário do que se passa no Ajax, onde o modelo de jogo é continuado até aos seniores, onde desemboca normalmente com grande coerência e sucesso.
Assim, não vamos lá mesmo. É surreal deitar fora tanto know-how, tanta devoção, tanto investimento na prospecção e na formação. É preciso um plano que contemple esta continuidade e a assunção de que não ganhamos hoje, mas que ganharemos certamente amanhã.
ESte Carriço não é jogador!!!!! Abram os olhos!! è outro Beto que ali temos!! Já devia ter ido embora na primeira oportunidade. Até o Mexer é melhor que ele!!!!!
PRof. Nequinha?
Repare nas estatisticas e veja quantos cortes efectua o Carriço por jogo.
O carriço é uma ilusão!! é o nosso pior central, n tenho duvidas!!!
O Saleiro já está OK. Uma boa noticia lol
Não percebes mesmo nada disto, ó gastão lagaffe.
Mas tu estas a recuperar do que? de um lobotomia, nao???? Mas olha que ainda precisas de recuperar muito……
De uma doença chamada Sporting!! Desculpem falar mal desse “grande” jogador chamado carriço. Eu continuo a dizer que é outro Beto!
vai-te foder, és outro professor nequinha.
também não percebo este endeusamento do Carriço, é um jogador que normalmente cumpre mas não é propriamente um fora de serie. O Beto teve épocas muito boas no Sporting, na altura em que andava com umas olheiras permanentes e com os níveis de cafeína no limite… grande central.
” As generalidades abundam, assente num discurso padronizado, aprendido nos cursos de comunicação futebolística das SAD”
mas uma das coisas que se detectava no Sporting era a incapacidade de ter uma só voz dentro do clube, isso foi abordado variadissimas vezes em todo o lado pelos sportinguistas, e quando é criado esse tal discurso padronizado, as banalidades abundam, nada mais normal… Eu prefiro este discurso a balda que abundava, veja-se o caso do montinho em 2008…
“Por outro lado, a alienação da realidade é confirmada, sobretudo na ideia de que contra os lampiões ”dominámos o jogo, tivemos mais posse de bola. No entanto, cometemos dois erros que foram fatais”.”
Não podia estar mais de acordo, realmente não vale a pena tapar o sol com peneira. É lamentavel este discurso, é uma desculpabilização do futebol paupérrimo que apresentamos… E se esta é a ideia passada aos jogadores estamos muito mal.
““Vinha da formação, habituadíssimo a ganhar. No futebol profissional é mais difícil, mas queremos implementar aqui uma cultura de vitória”. Esta é a frase mais importante e paradoxal de toda a entrevista e, só por ela, já valeu a pena.”
É verdade, realmente têm que se arranjar mecanismos por forma a que essa transição seja feita de um modo menos “traumático” e parece-me que ou com emprestimos em série, ou com equipas “B” será a melhor forma. quanto ao facto de termos uma tactica “standard”, não me parece o mais acertado, fixar um modelo é uma coisa agora uma tactica, será demais, temos que ter a flexibilidade de mudar a táctica em determinados jogos e determinadas conjunturas.
somos um clube de “meninos”
Uma equipa de jogadores desmoralizados e que não consegue obter bons resultados é uma merda, mesmo que tenha dos melhores jogadores do mundo.
O inverso também se verifica. Podes ter jogadores que aos olhos dos adeptos são uma merda, mas no entanto como jogam como uma equipa e não como individualidades, são competentes e alcançam bons resultados.
O Manchester City e o Sevilha têm planteis recheados de vedetas e jogam pior que o Lusitano de Évora, por outro lado tens o Hoffenheim com 80% de desconhecidos e jogam à bola e têm resultados positivos.
O Porto há anos que faz compras no nosso campeonato. Quando chegam lá, são “bons jogadores”, passados uns jogos já são “do caralho” e seleccionáveis para as respectivas selecções.
Cultura de vitória e competência, sim, é por aí mesmo.
Parece que o Izmailov vai voltar a ser operado novamente!!!!!!!!!!!
Agora estará também um neurocirurgião na sala. Vai haver igualmente um tratamento a todos os traumas craneo-encefálicos que se geraram estes meses todos.
Reset.
Daqui para a frente será conhecido como Izmailov 2.0 e responderá a todas as ordens com um “afirmativo, camarada”.
hahaha
hehehe muito bom
Capa ridícula, fotos de merda e texto completamente vazio. Disse o que os sócios querem ouvir para manterem-se minimamente ao lado da equipa. Mas não disse aquilo que lhe vai na alma, ou seja, que os porting está a ser mal gerido e por consequência mal treinado.
Disse apenas aquilo que um qualquer gestor de um banco diz para manter a malta com as contas e o dinheiro ali depositado. ao menos os encarnados disfarçam melhor e nós nem mentir sabemos.
Onde anda o contrato de formação que assinámos com o Manchester United? É preciso sangue novo nesta equipa e só o conseguiremos com jogadores que tenham uma mentalidade completamente diferente. E já que falo nisto, o Zapater foi formado no melhor campeonato do mundo, indo depois para Itália onde singrou também, num futebol onde a pressao é infinitamente superior ao nosso. Chega cá e nem consegue calçar as chuteiras sozinho? A mim não me enganam…Ao menos os outros continuam a apostar na titularidade do Roberto. Porra pá
O Izmailov vai ser operado
Carriço é um jogador ao nível do Beto e abaixo do melhor Polga. Não é um fora de série mas merece ter sorte. Parece bem escolhido para as funções de capitão mas, nisso, também o Moutinho era.
Sinceramente, não me lembro de ver um dossier tão mal gerido como o de Izmailov: É o jogador mais competitivo do plantel, houve um diferendo com ele, a barracada como habitual saiu para os jornais no dia seguinte. Em vez de se resolver logo o problema, houve troca de argumentos durante meses o que só serviu para desvalorizar o Jogador, um dos principais activos da SAD. Hoje, dá a ideia que o Sporting o vendia ao desbarato caso aparecesse um comprador. Por este andar talvez para Janeiro volte a treinar no relvado. Jogar, lá para Março…
Registo a FRASE DO MÊS (ou até do ano!):
“Não se pode pedir um Oceano quando ainda só se tem um riacho”
O meu enormíssimo respeito pela afirmação, caríssimo Douglas….
(PS: não se pode pedir um Oceano a jogar, infelizmente, muito menos o tempo suficiente no clube para capitanear como o “autêntico” fez, nos dias que correm. Mas podemos ter o Oceano -entre outros- a disciplinar, a encaminhar, a transmitir o que é -ou era- ser do Sporting. Isso faz falta. Isso existe nos morcões do Norte, num dos bons exemplos que eles dão. Isso exige respeito de quem dirige os clubes por esses símbolos do passado do clube -respeito esse que tem faltado sempre, lamentavelmente, nos últimos tempos enSADiados-. Mas pode-se, e deve-se, pedir sim senhor.)
Parece-me que existe uma mensagem visivel nas entrelinhas, do nosso capitao. Uma mensagem de estabilidade ao proprio treinador, e de uma melhor e mais ambiciosa gestao ao presidente.
Agora, e preciso que os seus companheiros deem igualmente o exemplo e respondam em campo.
Grande blog, ja agora !
http://sportingpornos.blogspot.com : O Sporting visto por todos !